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 Manuel Abranches de Soveral

 

 

 

Teixeira de Vasconcellos  (1816-78)

O homem, o jornalista e o escritor

Introdução à reedição, em Novembro de 1983, do romance "O Prato de Arroz Doce", lançado pela "Livraria Civilização Editora. Porto", integrado na sua colecção "Cem Anos de Literatura em Língua Portuguesa".

António Augusto Teixeira de VasconcellosO homem

Não é fácil falar de António Augusto Teixeira de Vasconcellos. Talvez por isso foi tão esquecido... É que toda a sua vida se dispersa afinal na extrema complexidade de uma personalidade multifacetada, na obra diariamente vertida em milhares de folhas de jornais, na inteligência superior e na independência de espírito que porventura sempre o retiveram aquém da glória.

Antes de Eça, e muito mais o que ele, Teixeira de Vasconcellos foi o autêntico vencido da vida: espírito profundo e íntegro cuja exacta percepção dos homens e das coisas manieta e desmotiva. Quantas vezes não terá ele, como Fernando Pessoa, suspirado: Valerá a pena? E, como o Poeta, procurado alento na sua própria grandeza de alma...

Homens assim não é, portanto, fácil biografar e muito menos entender. Há sempre o perigo de tomarmos a parte pelo todo, de descurarmos a imensa mole submersa do iceberg. É que Teixeira de Vasconcellos não se pode catalogar; não serviu de bandeira a coisa nenhuma; não deixou, enfim, uma obra demagógica, repleta de certezas inabaláveis, veemente mesmo no erro mais crasso.

O político? O jornalista? O revolucionário? O escritor? Em que síntese afinal é possível encaixar Teixeira de Vasconcellos, esse homem tranquilamente irrequieto, tradicionalista em tanto, progressista em muito, simultaneamente espectador atento e protagonista activo dum tempo radical de mudança, que soube atravessar incólume na sua coerência diferente. Trinta anos adiantado ao seu tempo? - como ele diz de um seu personagem. O certo é que poucos como Teixeira de Vasconcellos foram tão incompreendidos e indesejados pela asfixiante política do seu tempo, a mesma afinal que lhe escreveu a história e o deixou cair no esquecimento.

Por isso hoje, reeditada que está uma das suas obras capitais, se impõe como que rescrever toda a sua vida à luz duma perspectiva moderna: é que Teixeira de Vasconcellos não foi só aquilo que fez, mas também o que quis e não pode fazer; a semente que deixou.

E pode até afirmar-se que a sua vida podia constituir um excelente argumento para um filme sobre esta riquíssima época da História de Portugal, que tão mal conhecida é. Pode ser que algum cineasta aceite o repto...

 

Napoleão Bonaparte iniciava, em Santa Helena, a contagem decrescente que o levaria à morte cerca de quatro anos depois, quando no Porto nascia, no dia 1 de Novembro de 1816, António Augusto Teixeira de Vasconcellos. No capítulo da História que então terminava, tivera relevante papel seu pai, o brigadeiro António Vicente Teixeira de São-Payo, célebre chefe do primeiro levantamento militar contra o invasor napoleónico, conhecido pela Revolução Transmontana. Homem inteligente e corajoso, Teixeira de São-Payo tinha mantido, em Junho de 1808, revoltada durante cinco dias a praça militar de Chaves, onde então desempenhava o cargo de administrador dos provimentos para o Exército de Trás-os-Montes, dando tempo a que o movimento se espalhasse e logrando a adesão de toda a província.

Teixeira de Vasconcellos cresceu assim, filho único, sob o manto da imagem do pai - uma espécie de herói vivo que primeiro salvou Portugal dos franceses. Desde menino que fora viver para a Casa de Coura, belo solar do século XVII encravado em Bitarães, no concelho de Paredes (Porto). Educado na tradição militar da aristocracia, não é portanto de estranhar irmos encontrar o jovem António Augusto, contando apenas 17 anos, feito capitão do Regimento de Milícias de Penafiel. Nomeara-o D. Miguel, por quem denodadamente se bateu na guerra civil, durante alguns meses, até à vitória final os liberais.

É de calcular que a derrota do miguelismo, causa a que se entregou com todo o ardor da juventude, o tenha marcado profundamente: desde logo, o liberalismo vencedor obrigou Teixeira de Vasconcellos a recolher-se à segurança da sua Casa de Coura, onde permanecerá cinco anos. Tempo, aliás, que aproveitou da melhor forma: escassos 15 dias após a Convenção de Évora Monte, que pôs termo às hostilidade, Teixeira de Vasconcellos casa-se, com 18 anos incompletos, a 31.5.1834, com D. Antónia Adelaide Vasques da Cunha e Alarcão de Portocarreiro, nascida a 22 de Abril de 1812, sobrinha do célebre Fidalgo da Bandeirinha, João da Cunha de Britto de Araújo e Castro de Portocarreiro, a quem os amotinados portuenses de 1809 acusaram de "jacobino" e por isso lhe cortaram a cabeça, que espetaram num pau e colocaram frente ao seu Palácio da Bandeirinha, no Porto.

Esta senhora, que sucedeu na quinta do Paço, em Valpêdre (Penafiel), faleceu cedo, no final de 1840, com apenas 28 anos de idade, ficando do casal uma única filha, D. Maria Adelaide da Cunha Teixeira de Vasconcellos de Portocarreiro, nascida a 12.6.1838 na Casa de Coura, e que haveria de dar a seu pai nada mais nada menos do que doze netos.

 

É portanto já casado, e pai, que Teixeira de Vasconcellos, com 22 anos de idade e o foro de moço-fidalgo da Casa Real, se matricula na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, donde sairá, em 1844, formado em Direito.

É aqui, em Coimbra, que podemos já detectar algumas das características fundamentais da personalidade de Teixeira de Vasconcellos, mormente o espírito contestatário que o acompanharia por toda a vida. Logo ao cabo do primeiro ano lectivo, por não ter obtido o prémio do primeiro lugar no curso, edita no Porto uma polémica "Carta Filosófica e Crítica sobre o Estudo da História Portuguesa". O choque entre o miguelista, que continuava a ser, e o ensino liberal que lhe ministravam? O próprio Teixeira de Vasconcellos comentaria mais tarde este seu panfleto: "A Carta nem era filosófica, nem crítica; era declamatória e filha do despeito parvo de não ter levado no primeiro ano do curso jurídico o prémio que não tratara de merecer".

Seria mesmo? Não totalmente, por certo, já que a carta encontrou eco e foi aplaudida por muitos dos estudantes, em cujo meio Teixeira de Vasconcellos rapidamente se tornou conhecido líder duma continuada contestação estudantil aos métodos e aos docentes da velha Universidade. Escudado na sua superior inteligência, que lhe permitia contestar e simultaneamente ser o melhor aluno, obtendo accessit em todos os anos e o primeiro lugar no 3º ano, Teixeira de Vasconcellos embrenha-se depois numa questão com o Prof. Castela de Lemos, de que resulta, um ano depois do primeiro, a publicação doutro folheto, intitulado muito petulante mas sintomaticamente "Nós e eles, Primeira Parte das Memórias de António Augusto Teixeira de Vasconcellos, Estudante do Segundo Ano de Direito".

Mas, a par, ou mesmo por trás desta contestação estudantil, permanecia a política: Teixeira de Vasconcellos continuava miguelista, apesar de derrotado no campo de batalha. No terceiro folheto que publica, intitulado "O Juramento dos Deputados Realistas", retoma claramente a sua velha causa, defendendo a pretensão dos deputados legitimistas que, no Parlamento, nesse ano de 1842, pediam para serem dispensados de prestar juramento a D. Maria II antes de tomaram assento.

Por esta altura já Teixeira de Vasconcellos era, para o legitimistas, uma das suas principais esperanças de futuro em termos de liderança do partido. Terá o jovem ex-capitão de D. Miguel, então já bacharel em Direito, considerado e acarinhado esta ideia? O certo é que Teixeira de Vasconcellos arquitectou uma nova estratégia política para o miguelismo. Considerando, e com razão, que o futuro estava para os progressistas e que o essencial do miguelismo se podia resumir à questão da legitimidade dinástica, chegou à conclusão de que a melhor forma de derrubar a filha de D. Pedro e o governo liberal, então nas mãos musculadas de Costa Cabral e dos cartistas, seria ultrapassá-los politicamente pela esquerda (como hoje se diria), defendendo, ao nível institucional, a Coroa para D. Miguel, e, ao nível político, o progressismo.

Inicia então Teixeira de Vasconcellos uma intensa actividade jornalística e política, defendendo no "Portugal Velho", periódico dos legitimistas, uma aliança política com os progressistas, e fundando, com vários radicais, a "Oposição Nacional", periódico progressista que promove cerrado ataque ao Governo cartista.

Tivesse a coisa resultado, e talvez a História portuguesa não seguisse os caminhos que seguiu. Nomeadamente, talvez a República nunca tivesse sido implantada. Só que a inteligente e arrojada estratégia de Teixeira de Vasconcellos foi demais para os legitimistas e esbarrou com a oposição cerrada dos velhos miguelistas, com pouca ou nenhuma preparação política e absolutamente cristalizados no passado. A breve trecho, o "Tribuno de Almacave" publicava violentos artigos contra o jovem António Augusto. Na verdade, os realistas não estavam ainda preparados para semelhante estratégia; embora quatro anos depois, durante a revolução portuense de 1846, alguns retomassem a ideia. Mas então já era demasiado tarde, conforme aliás o próprio Teixeira de Vasconcellos faz notar no seu romance "O Prato de Arroz Doce".

Desgostoso e desiludido com a falta de visão dos seus correligionários, o jovem António Augusto decide romper para sempre com o Partido Legitimista, fazendo para tanto publicar uma carta no "Revolução de Setembro". O miguelismo averbava-lhe a sua segunda derrota.

 

Liberto da questão dinástica, Teixeira de Vasconcellos permanece "progressista impenitente" e feroz opositor ao governo dos cartistas, que desanca no "Oposição Nacional". Conclui, entretanto, a sua licenciatura em Direito. De Coimbra segue para Lisboa, onde monta banca de advogado. Aqui escreve a sua primeira novela, "Roberto Valença", de que publica apenas o primeiro volume, em capítulos que saíram na "Ilustração", revista que então funda e dirige.

Escassos dois anos depois de ter chegado à capital, rebenta no Porto a revolução de 1846, a que Teixeira de Vasconcellos imediatamente adere, acorrendo à sua cidade natal. O romance "O Prato de Arroz Doce" relata justamente este período da sua vida, que adiante detalhadamente se abordará. Aqui importa saber que Teixeira de Vasconcellos, se entrou rico, saiu pobre desta extraordinária revolução portuense, tendo a ela sacrificado, além do mais, a Casa e Quinta de Coura da sua juventude, que se viu obrigado a vender.

Terminada esta segunda guerra civil, Teixeira de Vasconcellos regressa a Lisboa, onde passa os próximos três anos e onde, a par da advocacia, colabora na "Revista Universal" e no "Ateneu". Não abdicando nunca da vida de grandeza que sempre levou, depressa se vê a braços com sérias dificuldades económicas. Conta-se dele que certo dia um credor conseguiu ser recebido em sua casa, onde almoçava um grande peru. O agiota, grosseiramente, sai-se com esta: "Então V. Exª não me paga e come perú?!..." Ao que Teixeira de Vasconcellos terá cinicamente respondido: "Oh homem, que quer! O peru morreu de fome..."

Foram talvez estas dificuldades financeiras o levaram, em 1850, a embarcar para Luanda, onde monta banca de advogado e parece que ganhou muito dinheiro, que no entanto gastava conforme recebia. Em breve a sua personalidade e superior inteligência conquistavam grande preponderância em toda a colónia, enquanto o seu espírito irrequieto e independente se incompatibilizava com o governo local.

Poucos meses depois de ter desembarcado, é eleito presidente da Câmara Municipal de Luanda, em oposição ao candidato do governador de Angola. No desempenho do cargo, não tardou Teixeira de Vasconcellos a descobrir toda uma série de irregularidades oficiais, nomeadamente relacionadas com o tráfico de escravos. O governador, apavorado, procura desembaraçar-se dele utilizando um estratagema: declarou-lhe que o Governo do Reino o chamava a Lisboa, o que o obrigou a embarcar imediatamente. Chegado à capital, Teixeira de Vasconcellos constatou a tramóia: a ordem nunca havia sido dada. Porventura farto de Angola, decidiu então ficar por cá, não sem antes desancar o governador numa série de artigos publicados no "Revolução de Setembro" e escrever um folheto intitulado "Carta acerca do Tráfico de Escravos na Província de Angola", dirigida ao ministro da Marinha e ao secretário de Estado do Ultramar.

 

Teixeira de Vasconcellos contava então 35 anos e era um dos mais temíveis "enfant terribles" da política portuguesa. É nesta fase da sua vida que envereda definitivamente pelo Jornalismo como forma de intervenção pública. Funda então o jornal "Arauto", que dirige e redige durante quatro anos, ao fim dos quais, porventura farto da vida lisboeta, decide iniciar uma longa viagem pela Europa, como correspondente dos jornais "O Comércio o Porto" e "Revolução de Setembro".

Pouco depois, em 1858, funda em Paris, com capital de Eduardo Ribeiro de Faria, a "Sociedade Ibérica", que passa a publicar várias obras dando a conhecer à Europa a História de Portugal e de Espanha. Dos cinco volumes que estavam previstos, saiu apenas um: "Les Contemporains Portugais, Espagnols et Brésiliens. Le Portugal e La Maison de Bragance". Tanto bastou para tornar Teixeira de Vasconcellos conhecido em todo o mundo culto europeu, e principalmente na sociedade parisiense, onde a breve trecho pontificava. Entre os subscritores desta excelente obra, louvada até por Victor Hugo, aparece o próprio rei de Portugal D. Pedro V.

Logrando a amizade do Imperador Napoleão III, frequenta em Paris os bailes da princesa de Metternich, de Emílio de Girardin, do duque de Morny e as grandes festas imperiais do Palácio das Tulherias. Enfim, os grandes centros da Cidade Luz. Quando da visita de D. Pedro V a Paris, integra, no baile oferecido pelo imperador, a quadrilha de honra, com Napoleão III, a imperatriz Matilde e o rei português, privilégio significativo da alta consideração em que era tido.

O que, por outro lado, lhe granjeou grandes invejas e despeitos. Não faltou a Teixeira de Vasconcellos sequer um duelo à espada, com o conde Pierre de Dafias, em Enghien-les-Bains, ao que se supõe devido a um famoso escândalo de venda de condecorações portuguesas, em que certas invejas, nomeadamente a do cônsul português, o visconde de Paiva, o quiseram envolver. Caso, no entanto, de que Teixeira de Vasconcellos acabaria por sair incólume, tendo-lhe o próprio imperador, publicamente, sublinhando a sua inocência e dando provas da alta consideração em que o mantinha.

Entretanto, Teixeira de Vasconcellos não descura a sua actividade literária: escreve uma série de folhetins n'"O Comércio do Porto", que mais tarde reúne em livro intitulado "Viagens em Terra Alheia", inicia uma série de contos no "Diário de Notícias", que mais tarde também reúne em livro que chama "Papéis Velhos", e escreve no "Revolução de Setembro". Em 1860 faz publicar, em Portugal, a "Fundação da Monarquia Portuguesa; Narração Anti-ibérica". Boa parte dos muitos artigos que escreveu neste período, quer na Imprensa portuguesa quer na estrangeira, foi mais tarde editada por seus netos, em 1908, em dois volumes, intitulados "Cartas de Paris".

 

Em Março de 1862, Teixeira de Vasconcellos regressa a Lisboa. Tem 45 anos e vai iniciar o período mais frutuoso da sua vida. Compra o antigo palácio do marquês de Pombal, na Rua Formosa (hoje rua do Século), onde se instala e prossegue a vida sumptuosa de que nunca abdicou, mesmo nas maiores dificuldades financeiras. Tem o foro de moço fidalgo da Casa Real, com exercício no Paço, que lhe vem da juventude; é comendador das Ordens de Cristo, de Carlos III de Espanha, de Santo Estanislau da Rússia; tem a Grã-Cruz da Ordem de Isabel a Católica, é Grande Oficial da Ordem Imperial de Medjidié, da Turquia; é cavaleiro das Ordens de Leopoldo da Bélgica, de Danneborg, da Dinamarca, de São Luiz de Palma; é sócio correspondente da Real Academia de Espanha, do Instituto Geográfico de Paris e da Real Academia de Ciências de Lisboa. Em 1875 foi sócio fundador da Sociedade de Geogradia de Lisboa.

Os cinco anos que passou na Europa deram-lhe uma outra experiência, novas ideias. Vem cheio de projectos de renovação. Oito meses depois do regresso, no dia 9 de Novembro de 1862, põe na rua o primeiro número do seu novo jornal, que dirige. Era a "Gazeta de Portugal", que rapidamente adquire grande prestígio, e onde Teixeira de Vasconcellos reúne a esperançosa juventude de Letras de então: Pinheiro Chagas, Mariano de Carvalho, Pedro Gastão Mesnier, Osório de Vasconcellos, Xavier da Cunha e, mais tarde, Eça de Queiroz.

A par do jornalismo, onde passa a intervir activamente na política nacional, Teixeira de Vasconcellos não descura a actividade literária: é ainda nesse ano de 62 que publica "O Prato de Arroz Doce". Entretanto morre D. Pedro V e sucede-lhe seu irmão D. Luiz. O interesse do soberano pelas Letras e pelas Artes leva-o, como presidente que era da Real Academia de Ciências, a contactar de perto com Teixeira de Vasconcellos, que então tinha sido eleito para o cargo de vice-presidente. Juntos desenvolveram aí notável actividade, nomeadamente criando um prémio anual de um conto de réis para a melhor obra publicada. Teixeira de Vasconcellos é, entretanto, feito Par do Reino e conselheiro de S.M.F. Publica também o seu romance "A Ermida de Castromino".

 

Enquanto isto, o seu jornal, a "Gazeta de Portugal", aumentava de prestígio e implantava-se definitivamente. Teixeira de Vasconcellos decide então introduzir-lhe uma série de inovações, seguindo o que se ia fazendo na Europa. Em 1864 transforma a "Gazeta" num jornal de grande formato, à semelhança do "Grand Journal" francês, que a generalidade da Imprensa portuguesa depois haveria de adoptar. Logo em Janeiro do ano seguinte, outra inovação: a "Gazeta" passa a publicar um anexo vespertino, a que deu o nome de "Boletim da Tarde".

Mas Teixeira de Vasconcellos permanece o mesmo: a sua independência desmistificadora e as suas críticas esclarecidas fazem dele um inimigo temível de todas as facções e partidos em que se digladiava a instável política portuguesa. Contudo, em 65 é eleito deputado ao Parlamento e director-geral da Secretaria da Câmara dos Deputados. Quando Portugal negociou com os Estados Unidos da América o Tratado de Extradição, é também nomeado embaixador plenipotenciário em Washington.

Mas o desassombro das suas posições de modo algum lhe reduziu os inimigos na classe política lisboeta. Em 67, o primeiro-ministro Casal Ribeiro apresenta um projecto de reforma no Ministério dos Negócios Estrangeiros, cuja pasta se supõe que Teixeira de Vasconcellos iria ocupar. Tanto bastou para que se agitasse a política lisboeta e todo o Governo acabasse por cair!

Teixeira de Vasconcellos, porém, reagia a tudo isto com uma superioridade e ironia notáveis. Contam-se dele várias histórias quase anedóticas, como aquela em que certo dia, no "Diário Popular", Mariano de Carvalho lhe lia um artigo, a publicar no dia seguinte, que o atacava. Em dada passagem, mais violenta, Teixeira de Vasconcellos, com um sorriso nos lábios, interrompeu-o incitando: "Oh menino, põe lá também patife!..."

Em 1870 Teixeira de Vasconcellos estreia-se no teatro, escrevendo a comédia "O Dente da Baronesa", que o "Ginásio" estreou. Entretanto, prossegue a sua actividade literária, publicando "A Boina Verde", e a intervenção política e social, editando a "Liberdade Eleitoral" e reunindo, quando se levantou a questão do padre Jacinto Loyson com a Santa Sé, todos os artigos que escrevera sobre o tema num volume intitulado "O Celibato Clerical".

Em 1871, depois de colaborar na Redacção do "Novidades", funda o seu último periódico, o vespertino "Jornal da Noite", que dirige durante sete anos - até à data da sua morte, em Paris, a 29 de Junho de 1878, com 62 anos de idade - e onde prossegue intensa e brilhante actividade jornalística e de intervenção política, demonstrando bem que era, como dele haveria de dizer Camilo Castelo Branco, "o mais rijo pulso de atleta que teve a arena dos gladiadores políticos em Portugal".

A Patuleia  e "O Prato de Arroz Doce"

Teixeira de Vasconcellos, contudo, não foi um político na acepção mais vulgar do termo. Assim como, aliás, também não foi um ficcionista. Atento à sua época como poucos, mas capaz de um distanciamento crítico tanto mais invulgar quanto apaixonados eram os tempo em que vivia, Teixeira de Vasconcellos foi acima de tudo um grande jornalista: espírito independente e lúcido, rápido na análise profunda e na síntese brilhante, redactor claro e conciso, enfim, um homem esclarecido e esclarecedor.

Por isso o seu mais emblemático romance, "O Prato de Arroz Doce", é afinal uma magistral reportagem sobre a revolução portuense de 1846, conhecida por a Patuleia, um dos períodos mais complexos e desconcertantes na História da cidade e do país.

Nascida do levantamento miguelista da Maria da Fonte contra Costa Cabral e os cartistas, a revolução da Junta do Porto acabou afinal numa longa e sangrenta guerra civil entre Lisboa e o Norte; entre o Governo de Saldanha, que D. Maria II sustinha, e uma Junta Suprema do Governo do Reino, sediada no Porto e apoiada numa estranha amálgama que incluía desde os progressistas aos miguelistas, passando por muitos dos próprios cartistas. E o mais extraordinário, no meio disto tudo, é que todos (à excepção dos miguelistas, que então apenas se preocupavam com a questão dinástica) se juravam monárquicos, liberais e defensores da Rainha, filha do herói comum D. Pedro IV.

É, pois, toda esta confusão que Teixeira de Vasconcellos vai explicar no seu "Prato de Arroz Doce". Confusão que afinal se vem tornando cíclica na vida política portuguesa - e por isso este livro tem tanto de actual e faz dele um marco obrigatório em qualquer bio-bibliografia de Teixeira Vasconcelos, não só porque o próprio autor chega a participar no enredo, mas sobretudo porque se envolveu extraordinariamente nesta revolução, que em muito o retrata, e sem o estudo da qual não é possível entender cabalmente o biografado.

Nove meses durou a revolução e a guerra civil: desde 9 de Outubro de 1846 à entrada no Porto do exército estrangeiro que socorreu Saldanha, na sequência da Convenção de Gramido, a 29 de Junho de 1847, que pôs termo às hostilidades. E é, exactamente, nestes nove meses que decorre toda a acção de "O Prato de Arroz Doce", onde Teixeira de Vasconcellos entrelaça a História com o dia-a-dia verídico de uma família portuense (de que só os nomes são parcialmente supostos) e com outros personagens a ela ligados, compostos com base na muita gente que interveio na revolução.

Aliás, é nesta criação de protótipos - o patuleia, o cartista, o miguelista, o oportunista sem escrúpulos que anda em todos os partidos - que Teixeira de Vasconcellos encontra a fórmula eficaz de tornar inteligível a relação de forças em presença. A receita foi essa: interligar acontecimentos e figuras históricas com os protótipos das várias facções, e inserir todos na sociedade portuense de então, tendo como fio condutor um drama familiar verídico, a cuja história teve acesso. Enfim, é o retrato global, realista, vivo, dessa estranha revolução portuense de há 153 anos, e da gente que a fez.

 

O próprio Teixeira de Vasconcellos, na sua vida real, surge, de relance, a dado passo, integrado na história deste romance afinal reportagem. Isto para já não falar do muito que põe de seu em dois personagens: um pouco em Álvaro Pereira (a sua juventude miguelista!) e muito em Simão da Lapa, cujo perfil moral e político amiúde coincide com o do autor. Esse Simão da Lapa também "progressista impenitente", de quem Teixeira de Vasconcellos diz andar trinta anos adiantado ao seu tempo...

O paralelo entre o autor e Simão da Lapa, ao nível moral e político, é aliás patente ao logo de toda a obra. Mas, por outro lado, certas teorias que o miguelista Álvaro Pereira representa, e que o autor curiosamente rebate por inadequadas à circunstância e ao tempo, fazem imediatamente recordar as sus próprias posições assumidas em Coimbra sobre a necessidade de limitar o miguelismo à questão dinástica e de o adaptar politicamente ao progressismo. E, afinal, apenas quatro escassos anos medeiam entre esse tempo coimbrão e a revolução portuense. O livro, esse é que foi escrito em 62, oito longos anos depois dos acontecimentos. E nessa época, sim, já Teixeira de Vasconcellos era, apenas, Simão da Lapa...

Mas o extraordinário deste livro, desta reportagem, não se limita à chave que fornece para a compreensão deste confuso período da vida portuguesa (chave, aliás, que volta e meia abre portas actuais...), nem tão-pouco ao retrato pitoresco que Teixeira de Vasconcellos nos deixa do Porto de então, com a Hospedaria Francesa ou o pasmatório dos Lóios. É todo um conjunto de factos e figuras históricas que nos são descritos ao pormenor, nos são retratados de corpo inteiro, nas suas grandezas e nas suas misérias. É o José Passos com os seus "exímios patriotas" e o seu "método confuso", é o duque da Terceira, é Sá da Bandeira, é Mac-Donnel, é enfim toda a Junta Suprema do Governo do Reino, por nove meses instalada no Porto.

 

É que Teixeira de Vasconcellos, de facto, viveu a revolução por dentro. Foi "junteiro", como ele próprio nos conta no prólogo do romance, cuja leitura muito se aconselha. E explica como: logo no início da revolução é nomeado, como tenente-coronel, comandante do Batalhão de Voluntários de Paredes, que unanimemente tinham votado nele. Acabando no entanto por não aceitar a incumbência, "por saber quão pacífica e avessa a tumultos políticos era aquela gente", foi servir como adido no Estado-Maior do visconde de Sá da Bandeira. Para, pouco depois, ser nomeado governador civil de Vila Real, onde se manteve três meses, gastando avultadas somas do seu bolso. Em Janeiro volta ao Porto onde, como ele diz, despiu a farda de tenente-coronel de um batalhão imaginário e voltou, como alferes graduado, ao quartel-general de Sá da Bandeira. É então ferido em combate, o que o leva, convalescente, dois meses à cama. Depois serviu às ordens do conde de Antas e foi encarregado pelo presidente José Passos de dirigir a correspondência diplomática da Junta. A 14 de Junho é nomeado comissário do Governo, conjuntamente com o general Oliveira e Silva, acabando por ser ele a redigir o texto da Convenção de Gramido, que terminou com a guerra civil.

Quando a revolução começara, Teixeira de Vasconcellos tinha 29 anos. Como também frisa, sempre se recusou a receber ordenado ou soldo durante os nove meses que se seguiram, por entender que "as magistraturas populares em tempo de guerra deviam ser gratuitas". Gastou assim avultadas somas do seu bolso, principalmente em Vila Real, onde os seus bens serviram de fundos a um governo revolucionário depauperado.

A propósito desta revolução escreve Teixeira de Vasconcelos no referido prólogo: "Sou liberal e monárquico. Quando os liberais se fizeram demagogos e os monárquicos reaccionários, não me arrogaria o direito de ser algoz dos meus irmãos, nem me julgaria obrigado a perecer vítima dos seus erros". Para logo acrescentar: "Ainda hoje não me arrependo de ter procedido assim. Sou progressista impenitente. É permitido duvidar se o Porto fez bem ou mal em se revoltar no mês de Outubro de 1846 contra o Governo de Lisboa. Eu resolvo a questão em duas palavras. Fez mal. Mas também decido que eu fiz bem e muitos outros igualmente em aderirmos à revolução. Responde o coronel pela manobra errada do regimento. O soldado aguarda a voz de comando e executa".

É, portanto, um homem profundamente envolvido em todos os acontecimentos, mas que consegue o necessário distanciamento para ver claro, que nos vai deixar o retrato desta revolução portuense de 1846. E fá-lo, procurando "escrever com clareza" e ambicionando, acima de tudo, "ser lido e entendido pelo povo"; propósitos a que prejudica muitas vezes a beleza da forma. De facto, o estilo literário de Teixeira de Vasconcellos está longe da excelência plástica dum Camilo e sobretudo dum Eça. Mas ultrapassa-os muito em precisão e lucidez, afinal requisitos fundamentais do verdadeiro jornalista que antes do mais era.

 


A d i t a m e n t o s


 

Ascendências de Teixeira de Vasconcellos

Casa de Coura . Quinta da Vidigueira . Teixeira . Castro . Sampayo

Brigadeiro António Vicente Teixeira de SampayoAntónio Vicente Teixeira de Sampayo (pormenor do quadro a óleo existente na casa do Barreiro), brigadeiro-comissário-em-chefe dos Reais Exércitos, inspector-geral dos transportes do reino, chefe do departamento militar do Porto e do Minho, etc., fidalgo da Casa Real e de cota de armas (carta de armas de 19.6.1809 para Teixeira, Leite, Castro e Sampayo), cavaleiro da Ordem de Cristo (25.6.1817), comendador da Ordem de Nª Sª da Conceição de Vila Viçosa (26.11.1826), senhor da quinta de Pedrais, em Lourido (S. Pedro de Jugueiros), freguesia onde nasceu a 17.6.1763. Casou a 12.11.1815 na capela da casa de Coura, em S. Tomé D. Maria Emília de Souza e Rocha Moreira Barbosa de Sampayode Bitarães (Paredes), com sua prima D. Maria Emília de Souza e Rocha Moreira Barbosa de Sampayo (ao lado, pormenor do quadro a óleo existente na casa do Barreiro), filha de José de Souza Álvares, nascido a 24.12.1760 na Aveleda e falecido a 11.9.1811 na quinta de Vidigueira, e de sua mulher (casados a 14.12.1793 em Penafiel) D. Ana Bernardina de Souza e Rocha de Sampayo, nascida a 20.4.1764 na quinta da Vidigueira, 7ª senhora da dita casa e capela de Coura, 8ª senhora da quinta da Vidigueira e sua capela de Nª Srª do Rosário, em S. Cosme de Besteiros (Paredes), senhora da quinta do Moinho, em Stª Mª Madalena (Paredes), etc., que deixou herdeiro universal seu neto António Augusto Teixeira de Vasconcellos, já órfão de mãe, com a obrigação de dar uma legítima de 3.000 cruzados a cada um de seus tios e tias. D. Ana Bernardina herdara a quinta da Vidigueira de seus pais e a quinta de Coura de seu tio o Reverendo Doutor José Bernardino de Souza Rocha e Barbosa (1733-1805), que aí faleceu com testamento de 21.7.1805, licenciado em Leis pela Universidade de Coimbra e abade de Bitarães, que era irmão de D. Frei António de Souza, beneditino, grande pregador, geral da sua Ordem e prior do mosteiro de Tibães, nascido a 14.10.1728 na casa de Coura, e de D. Manuel da Madre de Deus, cónego regular de Stº Agostinho no mosteiro de Mafra. Um destes três irmãos, provavelmente o Doutor José Bernardino, é que instituiu a capela (depois de 1758, pois não existia quando das Memórias Paroquiais) da casa de Coura e lhe terá dado o aspecto actual. Eram sobrinhos do Padre Amaro Manuel de Souza, nascido a 5.7.1707 na casa de Coura, coadjutor da igreja de S. Tomé de Bitarães (1735) e depois prior de S. Vicente da Branca (em cuja qualidade escreveu a 3.5.1758 o relatório sobre a freguesia que integra as chamadas Memórias Paroquiais), sendo este filho de Manuel Barbosa da Rocha Moreira, senhor da quinta do Moinho, emDesenho da casa de Coura, hoje de D. Diogo de Brito e Faro e aberta ao turismo de habitação Stª Mª Madalena (Paredes), nascido a 1.12.1674 na quinta da Vidigueira, que teve a casa de Coura (imagens, ao lado), em S. Tomé de Bitarães, em dote de casamento, por escritura que lhe fez sua sogra Maria de Souza (1638-1703), onde viveu casado e faleceu a 3.12.1711, e de sua mulher Catarina de Souza, aí baptizada a 22.1.1675 e falecida depois deCasa de Coura - pormenor da capela 1739. Aquela Maria de Souza era trineta e herdeira de um Pedro Jerónimo de Souza que viveu em Coura, onde faleceu antes de 1598. Manuel Barbosa da Rocha Moreira era irmão de João Francisco da Rocha Barbosa (22.5.1672 - 30.4.1705), que sucedeu na quinta da Vidigueira e casou a 1ª vez a 28.4.1692 em Castelões de Cepeda (Paredes) com Mariana Coelho da Silva, irmã do Cap. Jerónimo Coelho da Silva, senhor da casa de Paredes (ou da Igreja), ib, e a 2ª vez a 2.6.1697 em Freamunde (Paços de Ferreira) com Maria Nunes Ferreira, sendo pais de João Carlos da Rocha Barbosa, sucessor na quinta da Vidigueira, onde nasceu a 10.3.1702, que casou com sua prima (dispensados no 4º grau de consanguinidade) Joana Maria de Mendonça e Barbosa, sem geração, sucedendo na quinta da Vidigueira sua irmã Joseja Caetana da Rocha Moreira, aí nascida 15.12.1704 e falecida a 21.12.1789, que casou a 17.10.1729 em Castelões de Cepeda, também sem geração, com António Martins de Sampayo, baptizado a 18.1.1673 em Unhão e falecido a 21.7.1759 na quinta da Vidigueira, familiar do Stº Ofº (12.12.1730), que instituiu a capela de Nª Srª do Rosário na quinta da Vidigueira. No seu óbito diz-se que vivia na quinta da Vidigueira, foi sepultado na igreja, fez testamento, deixou vários legados e sua mulher Josefa Caetana da Rocha Moreira por sua herdeira e testamenteira, e à falta dela seu sobrinho Domingos de Castro Pimenta de Sampayo, todos moradores na dita quinta. Com efeito, como se diz no óbito da mulher, ambos fizeram doação da quinta da Vidigueira em dote de casamento a seus sobrinhos, o antedito Domingos de Castro Pimenta de Sampayo, alferes de Auxiliares (Milícias), sobrinho dele, e Josefa Liberata da Rocha Moreira e Souza, sobrinha dela (no sentido alargado, pois era filha de uma sua prima-direita), que casaram a 27.2.1759 na dita capela de Nª Srª do Rosário da quinta da Vidigueira, onde passaram todos a viver. Deste casal, Domingos e D. Josefa Liberata, foi filha herdeira a antedita D. Ana Bernardina, avó materna de Teixeira de Vasconcellos. Manuel Barbosa da Rocha Moreira e seu irmão João Franciso da Rocha Barbosa, que ficaram acima, foram ainda irmãos de Catarina da Rocha Barbosa, que casou com o já referido Jerónimo Coelho da Silva, capitão da Ordenança de Lordelo, familiar do Stº Ofº (HSO, 4, 68), senhor da casa de Paredes (ou da Igreja), em Castelões de Cepeda, e foram pais, entre outros, de Caetano José Coelho da Silva Rocha de Barbosa, cavaleiro fidalgo da Casa Real a 3.3.1745 (CJV, 35, 299v), cavaleiro da Ordem de Cristo, que a 2.12.1747 teve carta de armas para Coelho, Silva, Rocha e Barbosa (CN, 10, 23 e 24), que sucedeu na antedita casa de Paredes (ou da Igreja), onde colocou uma pedra com estas armas. Manuel Barbosa da Rocha Moreira e seus irmãos eram filhos de João Francisco Monteiro, nascido na quinta da Fonte, em Santiago da Carreira (Refoios) e falecido a 25.10.1703 na quinta da Vidigueira, que casou com este nome, embora na antedita carta de armas do neto apareça como João Francisco Branco, e de sua mulher (casados a 6.6.1667 em S. Cosme de Besteiros) Catarina da Rocha Moreira (na carta de armas do neto aparece como D. Catarina da Rocha de Barbosa), falecida a 18.8.1678 na quinta da Vidigueira, de que foi senhora, bem como da quinta do Moinho, em Stª Mª Madalena (Paredes), sendo esta irmã do Padre Tomé Barbosa e filha sucessora de Manuel Barbosa, senhor da quinta da Vidigueira, baptizado a 18.3.1604 em S. Cosme de Besteiros e aí falecido a 26.2.1668, e de sua mulher (casados a 18.5.1631 em Stª Mª Madalena, Paredes), Maria da Rocha Moreira (1603-1665), senhora da antedita quinta do Moinho (para a sua ascendência ver o meu estudo Reflexões sobre a origem dos Rocha, dos Aguiã, dos Calheiros e dos Jácome), sendo ele filho de Tomé Barbosa, 1º senhor da quinta da Vidigueira, em S. Cosme de Besteiros, onde faleceu a 28.1.1630, e de sua mulher Victória Francisca da Franca, aí falecida a 20.3.1630, como refiro no meu Ensaio sobre a origem dos Correa.

O alferes Domingos de Castro Pimenta de Sampayo, que ficou referido acima, bisavô de Teixeira de Vasconcellos, era irmão de D. Maria Josefa Caetana de Castro Pimenta e Sampayo, nascida a 7.1.1735 em Stº Estêvão de Regadas, que foi senhora da quinta de Queijus, no lugar de Lourido (S. Pedro de Jugueiros), que teve em dote de casamento com Jacinto Teixeira Leite, capitão da Ordenança de Jugueiros (1754) e de Felgueiras, nascido a 27.1.1711 em Sendim (Felgueiras) e falecido em 1790, ano em que, por sua morte, foi substituido como capitão da Ordenança de Felgueiras por seu filho Manuel Henrique Teixeira de Castro (baptizado a 23.8.1754 em S. Pedro de Jugueiros). Ora, este Cap. Jacinto Teixeira Leite e sua mulher D. Maria Josefa foram pais do António Vicente de Sampayo com que se começa esta nota, sendo portanto D. Maria Josefa avó paterna de Teixeira de Vasconcelos, enquanto seu irmão o alferes Domingos de Castro Pimenta de Sampayo era bisavô materno do mesmo Teixeira de Vasconcellos. É portanto por este Cap. Jacinto Teixeira Leite e sua mulher D. Maria Josefa Caetana de Castro Pimenta e Sampayo que o filho teve carta de armas para Teixeira, Leite, Castro e Sampayo. Nem na carta de armas nem na respectiva justificação de Nobreza de 14.7.1809 se vai para além dos avós, pelo que procurei investigar o entroncamento nestas linhagens. Como veremos adiante, mesmo sem contar com um duvidoso entroncamento nos Teixeira de Sergude, a linha Teixeira, com uma bastardia e várias quebras de varonia, vai dar a um Diogo Teixeira de Macedo, de Vila Real, inegavelmente desta linhagem. Também pelos Sampayo me foi possível entroncar a sua ascendência, igualmente com muitas quebras de varonia, nos senhores de Vila Flor. Nos Leite, nome que vem por dois ramos, aparentemente distintos, num cedo fiquei sem pistas e no outro fiquei bloqueado numa Luiza Leite que terá nascido cerca de 1630 numa freguesia de Guimarães ou Fafe, vivendo casada em Jugueiros. Mas como não foi possível apurar em que freguesia, também não foi possível tentar ir mais além. Nos Castro aconteceu mais ou menos a mesma coisa. Trata-se de uma família que aparece em Jugueiros no início do séc. XVII, em que prodomina o nome Domingos, tendo origem em dois casais coevos: Francisco Vaz e sua mulher Maria Gonçalves, moradores no seu casal de Fundevila, no lugar de Gondim, em S. Pedro de Jugueiros (Felgueiras), e Francisco Gonçalves e sua mulher Ana Gonçalves, moradores no casal do Paço, ib, todos nascidos nos finais do séc. XVI. Sendo que por mais de uma vez aparecem como padrinhos de seus filhos, que já usaram o nome Castro, Domingos de Castro e sua irmã Maria de Castro, da freguesia de Stª Eulália, que é certamente Stª Eulália de Fafe. Assim sendo, este Domingos de Castro é o que aí faleceu a 12.6.1634, tendo casado cerca de 1603 com Sabina Antunes Gonçalves, com vários filhos, dos quais foram mais velhos Maria de Castro (1604-1659) e Domingos de Castro (1606-1664). Julgo, assim, que aquela Maria Gonçalves e aquele Francisco Gonçalves eram irmão, filhos de um Gonçalo Martins e de sua mulher, que se chamaria Maria de Castro (nome muito recorrente de descendência), que seria tia do Domingos de Castro falecido em Stª Eulália de Fafe em 1634. Como quer que seja, também não me foi possível entroncar estes Castros de Stª Eulária de Fafe.

Começando pela ascendência do Cap. Jacinto Teixeira Teite, foi o mais novo dos seis filhos que teve Domingos Teixeira, morador no seu do casal do Caminho, em Sendim (Felgueiras), e sua mulher (casados a 15.10.1696, ib) Maria Leite. Esta Maria Leite foi bat. a 30.7.1673, ib, e fal. depois de 1741, sendo filha natural de António João de Sergude e Águeda Cardoso, ambos solteiros, esta do lugar de Roriz (Sendim), onde nasceu, sendo bat. a 10.2.1644, filha de Lourenço Cardoso e sua mulher Ana de Sequeira, moradores no dito lugar de Roriz e casados em Sendim a 16.9.1633. Águeda Cardoso viria a fal. a 25.1.1710 no casal do Caminho, ib, como explicarei adiante. Daquela Maria Leite foi irmão ou meio-irmão Jacinto Teixeira Leite, que é referido como tio do Cap. Jacinto Teixeira Leite quando a 2.3.1759 faleceu em sua casa, deixando-o herdeiro, mas do qual não encontrei o assento de baptismo, pelo que provavelmente nasceu noutra freguesia e era apenas filho de António João de Sergude. A Casa e morgadio de Sergude, em Sendim, bem conhecido, era então de Martim Teixeira Coelho, que semeou a freguesia e arredores de filhos naturais, o mesmo fazendo seu irmão, tal como já seu pai fizera. Tudo indica que este António João de Sergude, que aí vivia, seja o que a 7.6.1648 foi bat. em Sendim como João, filho de uma Maria, moça solteira moradora no lugar Fonte, que deu por pai da criança o Sr. Martim Teixeira Coelho, de Sergude. Sendo que esta Maria, moça solteia, seria Maria Leite. O Domingos Teixeira que ficou acima, pai do Cap. Jacinto Teixeira Leite, é dito no assento de casamento natural de Sendim, mas aí não aparece o seu baptismo, pelo que terá sido baptizado alhures. O que se compreende, porque era filho do Padre Domingos Teixeira, então cura de Sendim, e de Inez, moça solteira moradora no lugar da Lama, ib, como se diz no assento do seu casamento, embora aqui o pai venha referido como reverendo abade de Stº Estêvão de Barrosas (Lousada), cargo que então ocupava. A mãe, Inez, era certamente Inez Ribeiro e filha ou neta de Tomé Vaz e sua mulher Maria Ribeiro, moradores no seu casal da Lama, em Sendim. O padre Domingos Teixeira pelo menos desde 1661 que era cura de Sendim e em 1669 já estava como padre em Stº Estêvão de Barrosas, onde assina como abade em 1673, sendo então abade reservatário Francisco Teixeira, o qual só faleceu a 3.3.1677, ib, deixando herdeiro seu filho Manuel Teixeira, morador em Sº Adrião de Vizela. O próprio Reverendo Domingos Teixeira, que aí fal. a 13.6.1704, passou mais tarde a abade reservatário, certamente devido à avançada idade, sendo então abade efectivo Manuel Teixeira de Carvalho. Não foi fácil apurar a naturalidade e filiação deste Padre Domingos Teixeira, apesar de ter tido mais uma filha, desta feita havida na mesma Águeda Cardoso que já ficou referida, chamada Ana Teixeira, esta sim bat. em Sendim a 30.7.1669, onde consta como filha do Padre Domingos Teixeira, cura que foi desta igreja. Esta filha acabou por ir viver com o pai para Stº Estêvão de Barrosas, onde casou a 27.6.1689 com Paulo Pereira, vindo ambos a ser herdeiros e testamenteiros do abade Domingos Teixeira. Entretanto, a mãe desta Ana Teixeira, como já ficou dito, faleceu no casal do Caminho, em Sendim, em casa de seu genro Domingos Teixeira, o qual entretanto já tinha certamente herdado este casal de seu pai. A filiação do Padre Domingos Teixeira só foi possível apurar. depois de muito trabalho, porque num assento em Sendim é indentificado como irmão do cura Domingos Teixeira um Pedro Teixeira, aí morador no casal de Pias, casado com Maria Francisca. E no casamento destes, a 19.4.1657, ib, ficamos a saber que Pedro Teixeira era filho de Miguel João e sua mulher Domingas Teixeira, moradores na Lage, em S. Tomé de Friande (Felgueiras). Este casal teve pelo menos 11 filhos, sendo Pedro Teixeira o mais novo, bat. a 16.4.1636 em Friande, e o Padre Domingos Teixeira o mais velho, bat. a 21.5.1617, ib. Faleceu portanto com 87 anos, o que se adequa perfeitamente à situação que então tinha de abade reservatário. Miguel João, senhor do casal da Lage, onde nasceu cerca de 1590 e fal. a 26.2.1665, com ofícios de 10 padres no dia, mês e ano do seu falecimento, era filho de João Gonçalves e sua mulher Maria Gonçalves, senhores do dito casal da Lage. Sua mulher Domingas Teixeira nasceu cerca de 1592 e faleceu a 22.5.1657, ib, com ofícios de 8 padres no dia do falecimento e de 10 padres no mês e no ano. Foi Madrinha em Friande em 1612 e 1613, ainda solteira, juntamente com seu irmão Melchior Ribeiro, o qual em 1610 também aparece padrinho com sua irmã Catarina Teixeira, ambos solteiros. Eram todos filhos de Pedro Ferreira, senhor do casal da Mourisca, em S. Tomé de Friande, e de sua mulher Susana Teixeira, casados cerca em meados de 1574 em Refontoura (Felgueiras). Destes ainda se documenta a filha Isabel Teixeira, já madrinha em Sendim a 31.5.1597, onde é referida como filha de Pedro Ferreira da Mourisca, freguesia de S. Tomé. O antedito Melchior Ribeiro veio a casar antes de 1616 com Ana Ribeiro, que foi madrinha de baptismo do Padre Domingos Teixeira, sendo padrinho um João Ferreira, talvez também filho de Pedro Ferreira e Susana Teixeira. Esta Susana Teixeira, nascida cerca de 1558 em Refontoura, era filha de Francisco Vieira, cavaleiro fidalgo, senhor da quinta da Torre, em Refontoura (prazo da Ordem de Cristo renovado em 1594), onde fal. a 3.10.1612 com cerca de 80 anos, e de sua mulher Susana Teixeira, aí fal. a 14.2.1583, com cerca de 43 anos. Este casal teve pelo menos 9 filhos, mas, apesar de os livros de baptismo de Refontoura começarem excepcionalmente em 1536, os assentos de baptismo dos primeiros filhos não aparecem aí. Aliás, nem o próprio Francisco Vieira ou sua mulher aparecem em Refontoura antes de 1566, como padrinhos ou testemunhas, salvo num único caso de 1559, em que Francisco Vieira é padrinho com Maria Dias, da Torre (sua mãe). Dá assim ideia que Francisco Vieira viveu os primeiros anos de casado na quinta de Burgueto, em S. Vicente de Sousa, dos sogros, onde lhe nasceram os primeiros filhos, só indo viver para a quinta de Torre cerca de 1566, provavelmente quando seu pai faleceu. E em S. Vicente de Sousa, infelizmente, não há paroquiais para estas datas. De forma que em Refontoura só constam os assentos de baptiamo dos três filhos mais novos, o primeiros dos quais é Pedro Teixeira, a 17.12.1566. O filho mais velho do casal chamou-se Vasco Ribeiro, nasceu cerca de 1557 e tirou ordens menores em Braga a 16.10.1567. Provavelmente foi clérigo ou faleceu solteiro antes de seu pai, o mesmo acontecendo a Baptista Teixeira, que com sua irmã Maria Teixeira, ditos filhos de Francisco Vieira, foram padrinhos em Refontoura em 1575, pois o herdeiro foi o antedito Pedro Teixeira, que em 1612, já viúvo, era morador na quinta de Valdomar, freguesia do mosteiro de Pombeiro, quando ficou herdeiro e testamenteiro de seu pai. A 2.9.1606, quando morreu sua mulher Luiza Ribeiro (filha de Jorge de Lemos Ribeiro), ainda vivia no casal no Outeiro, em Refontoura, onde lhe nasceram os filhos. Francisco Vieira era filho de Francisco Duarte, senhor da dita quinta ou casal da Torre, e sua mulher Maria Dias, viva em 1559, quando foram padrinhos em Refontoura Francisco Vieira e Maria Dias da Torre, e que aparentemente só faleceu em 1594, data do prazo (ChOC, 11, 200 a 269) da quinta da Torre a seu filho Francisco Vieira, onde este se diz cavaleiro fidalgo, filho de Francisco Duarte e sua mulher Maria Dias e neto paterno de Duarte Gonçalves. Gaio (Lemos, §19) diz que Francisco Vieira era filho de Diogo Vieira, mas é erro, como se documenta. Contudo, tendo em conta esta informação, poderia deduzir-se que este Diogo Vieira seria afinal pai de Maria Dias, como o patronímico parece indicar. Contudo, em 1549 foi madrinha em Refontoura uma Maria, filha de Jorge Vieira da Torre. Ora, tendo em conta a cronologia envolvente, este Jorge Vieira seia da geração de Francisco Duarte, parecendo muito mais seu irmão do que seu cunhado, sobretudo porque o prazo da quinta da Torre vinha de Duarte Gonçalves, como alega Francisco Vieira. Assim, se a informação de Gaio tem algum crédito, Diogo Vieira podia ser sogro de Duarte Gonçalves, portanto avô (materno) daquele Jorge Vieira referido em 1549 e de Francisco Duarte e bisavô de Francisco Vieira. Gaio diz que este Diogo Vieira foi "grande homem de cavalaria" e que se dizia ser filho de (...) Vieira, abade de Castelões, natural de Gagos, que o teve sendo estudante em Isabel Novais da mesma terra. Se este Diogo Vieira de facto foi avô materno do Francisco Duarte, não pode ter nascido depois de 1460. Quanto a Susana Teixeira, mulher de Francisco Vieira, nasceu cerca de 1540 em S. Vicente de Sousa (Felgueiras), sendo irmã de Melchior Ribeiro, escudeiro, senhor da quinta de Burgueto, ib, que é referido como cunhado de Francisco Vieira no baptismo de seu filho Pedro Teixeira. Melchior Ribeiro e Susana Teixeira eram filhos de Vasco Ribeiro, escudeiro, que tirou ordens menores em Braga a 21.5.1524, e de sua mulher Isabel Paes Teixeira, senhora da dita quinta de Burgueto, em S. Vicente de Sousa (Felgueiras), onde viveram. sendo esta filha herdeira de Branca Paes, senhora da quinta, e de Diogo Teixeira de Macedo, nascido cerca de 1490 em Vila Real, cuja filiação se desconhece, mas que dificilmente deixaria de ser descendente (bisneto?) de Pedro Teixeira, cavaleiro, fal. depois de 1450, e de sua mulher (casados cerca de 1410) Joana Martins de Macedo, 3ª morgada de S. Braz, em Vila Real. Dizem as genealogias que este Pedro Teixeira teve a honra de S. Pedro da Teixeira (Baião), e de facto talvez a tivesse herdado, pelo menos em parte, de seu primo Martim Fernandes de Teixeira, sendo natural que de seu pai também aí tivesse herdado bens de raiz. Sendo certo que só seu filho João Teixeira de Macedo teve o respectivo senhorio de juro e herdade, por mercê de D. Afonso V de 15.1.1471. Gaio diz que este Pedro Teixeira era vedor do duque de Bragança em 1443. O certo é que era o Pedro Teixeira, cavaleiro, criado do conde (de Vila Real) D. Pedro de Menezes (com quem terá vindo de Castela, onde o pai de Pedro Teixeira esteve exilado), que a 31.1.1439 teve de D. Afonso V uma tença anual de 1.000 reais no almoxarifado de Vila Real, do mesmo modo que a tinha no tempo do rei D. Duarte (cuja mercê não se encontra na respectiva chancelaria). E o Pedro Teixeira, cavaleiro, criado do conde D. Pedro, que a 15.6.1450 teve de D. Afonso V uma tença anual de 100.000 libras. Mas já não é o Pedro Vasques Teixeira que a 10.2.1450 foi nomeado por D. Afonso V para o cargo de meirinho do barinel real na cidade de Lisboa, com todos os seus direitos. Este Pedro Vasques pode ser seu meio-irmão, portanto bastardo de seu pai, e sogro do celebrado Tristão Vaz. Pedro Teixeira era o filho sucessor de Vasco Gonçalves Teixeira e sua mulher Catarina Anes de Berredo. Este Vasco Gonçalves Teixeira seguiu o partido da rainha legítima D. Beatriz, pelo que esteve em Aljubarrota contra o mestre de Avis, que a 30.3.1384 doou a João Gonçalves, seu escudeiro, todos os bens móveis e de raiz que tinha em Lisboa e seu termo "vaasco gonçallvez criado de Joham gonçallvez de Teixeira" que "os perdeo por seer em companha de el rrey de castella". Muito mais tarde, a 20.7.1452, D. Afonso V doou a João Afonso Teixeira, procurador da corte, um casal de pão, vinho e azeite, no termo de Santarém, que pertencera a Vasco Gonçalves Teixeira. Na carta do mestre de Avis, Vasco Gonçalves é referido como criado de João Gonçalves de Teixeira, que na verdade era, sendo seu filho natural, tal como Gonçalo Teixeira, tendo estado ambos com seu pai em Aljubarrota contra o mestre de Avis, batalha onde morreu João Gonçalves de Teixeira. Este foi fidalgo do Conselho de D. Fernando e seu escrivão da puridade (espécie de primeiro ministro) e notário (1374-83), bem como senhor de juro e herdade de Paiva, tendo sido legitimado por carta real de 10.1.1324 como filho de Gonçalo Anes de Teixeira, freire da Ordem do Hospital, do tronco desta linhagem, e de Maria Pires, mulher solteira. A 4.3.1384 o mestre de Avis doou Estêvão Vasques Filipe o senhorio de Paiva, "o qual tragia Joham gonçallvez da teixeira". E a 15.9.1384 doou a Pedro Esteves de Alvellos os bens que que tinha em Lisboa "Joham gonçallvez da teixeira d el rrey dom Fernando". D. Fernando fez-lhe mercê da terra da Ribeira de Nisa e do Préstimo dos Juizes, a par de Guimarães. Joana Martins de Macedo, que ficou acima, mulher de Pedro Teixeira, era filha de Martim Gonçalves de Macedo e sua mulher Catarina Anes, 2ª morgada de S. Braz, que já viúva fez uma escritura a 22.2.1433 no tabelião João Anes, e era filha de João Pires, escolar, que instituíu o dito morgado com capelas, rendas e hospital, cuja administração foi a 2.12.1472 confirmada a seu bisneto João Teixeira de Macedo. Martim Gonçalves de Macedo teve mercê do senhorio do Outeiro de Miranda (27.5.1385) e esteve na batalha de Aljubarrota, mas, pelo contrário, ao lado do mestre de Avis, de quem era escudeiro, a quem aí salvou a vida, como refere a respectiva crónica.

Tendo assim vista a ascendência do Cap. Jacinto Teixeira Leite, vejamos agora a ascendência de sua mulher D. Maria Josefa Caetana de Castro Pimenta e Sampayo, senhora da quinta de Queijus, no lugar de Lourido (S. Pedro de Jugueiros), que teve por dote de casamento e onde viveu com seu marido e faleceu viúva a 11.12.1795, com todos os sacramentos, sendo sepultada na matriz de Jugueiros, com 110 missas de 65 reais cada uma. Tinha nascido a 7.1.1735 na quinta do Souto, em Padrões (Stº Estêvão de Regadas) e baptizada a 16, ib, sendo padrinhos o Reverendo Padre Fernão Martins de Sampayo, de Unhão, e Josefa Caetana da Rocha Moreira, de S. Cosme de Besteiros, representada por seu marido António Martins de Sampayo. Era irmã do já referido alferes Domingos de Castro Pimenta e Sampayo, ambos filhos do alferes Domingos Fernandes Pimenta e sua mulher Maria Caetana de Castro Leite e Sampayo, casados a 15.2.1734 em S. Pedro de Jugueiros. Domingos Fernandes Pimenta foi alferes de Auxiliares e senhor da dita quinta do Souto. Vem referido como fidalgo da Casa Real e alferes na carta de armas e justificação de nobreza do neto, mas não encontrei o registo do foro. Em 1759, no assento de casamento do filho, vem referido como alferes e morador em S. Pedro de Jugueiros, não se referindo que era falecido, sendo certo que quer ele que sua mulher já o eram, tendo ela falecido viúva dois anos antes em Jugueiros. Era filho de outro Domingos Fernandes Pimenta e sua mulher Ana Gonçalves, moradores na dita quinta do Souto. Sua mulher Maria Caetana de Castro Leite e Sampayo foi senhora da quinta ou casal de Queijus, no lugar de Lourido (S. Pedro de Jugueiros), que teve por dote, onde viveu casada e faleceu viúva a 24.1.1757. No óbito consta apenas como Maria de Castro, moradora no Casal de Queijus desta freguesia, viúva que ficou de Domingos Pimenta. Diz que não fez testamento, ficando seu genro Jacinto Teixeira Leite de lhe fazer os bens de alma, conforme os costumes, sendo sepultada dentro da igreja matriz. À margem tem anotado que fez o 1º e o 2º ofício de 10 padres cada. Mas viveram inicialmente na quinta do Souto, em Stº Estêvão de Regadas, onde lhe nasceram os filhos. Foi baptizada como Mariana Tereza, casada como Maria Caetana, nome com que em geral aparece, e falecida como Maria, como vimos. Nascida a 15.4.1710 na quinta ou casal de Quijus, e bat. a 24, era a mais nova de quatro filhas (as restantes solteiras) de Domingos de Castro Leite, senhor do dito casal de Quijus, e de sua mulher Maria de Sampayo, casados a 18.2.1699 em Unhão (Felgueiras). Não encontrei o assento de baptismo deste Domingos, que terá nascido cerca de 1671 e faleceu velho no casal de Quijus a 4.1.1765. No óbito diz-se que seu corpo foi amortalhado com o hábito de S. Bento e sepultado dentro da igreja matriz, e que seu neto (na verdade casado com a neta) Jacinto Teixeira Leite lhe há-de fazer os bens de alma, por falecer sem testamento. À margem tem anotado que se rezaram 10 missas de 10 padres cada. Era filho de Pedro Braz Leite e sua mulher Maria de Castro, casados a a 10.1.1671 em S. Pedro de Jugueiros. Não encontrei o baptismo de Pedro Braz Leite, que terá nascido cerca de 1651 na freguesia donde sua mãe era originária e faleceu novo, com cerca de 25 anos, a 7.12.1676, antes de seu pai, na quinta de de Quijus, onde viveu casado com seus sogros, fazendo-lhe sua mulher de bens de alma ofícios de 10 padres no dia, mês e ano. Em Jugueiros aparecem apenas os baptismos de seus irmãos Maria Leite e Domingos Leite, respectivamente a 20.10.1652 e e 8.1.1657, ambos também falecidos novos, a 26.6.1656 e 16.10.1680, respectivamente. E também não aparece em Jugueiros o casamento de seus pais, a saber: Cosme Braz, aí senhor da quinta de S. João, onde viveu, e sua 2ª mulher Luiza Leite, que aí vivia viúva em 1680. Não consegui apurar donde era natural Luiza Leite, freguesia essa onde casou e provavelmente faleceu, pois também não encontrei o óbito em Jugueiros. A única pista são os padrinhos dos dois anteditos filhos aí baptizados, sendo os de Maria moradores na freguesia de Fareja (Fafe) e o de Domingos (é apenas um) João Machado, da vila de Guimarães. Cosme Braz era já viúvo, sem geração, de Catarina Gonçalves, com quem casou a 16.7.1633, ib, tendo ela fal. a 8.6.1650, ib, tendo ofícios de 10 missas no dia, mês e ano. Cosme Braz foi bat. a 20.4.1611 e fal. na sua quinta de S. João a 29.11.1677, tendo-lhe a mulher Luiza Leite feito de bens de alma ofícios de 10 padres ao dia, mês e ano. Maria de Castro, que ficou acima, senhora da quinta de Queijus, no lugar de Lourido, em Jugueiros, foi bat. a 18.9.1644, ib, pelo que era alguns anos mais velha do que seu marido Pedro Braz Leite, de quem cedo vicou viúva, voltando a casar a 20.2.1679, ib, com Francisco Durães, tendo deste casamento uma filha, Francisca, bat. a 4.1.1680, ib. Maria de Castro era filha de Domingos Martins, senhor da dita quinta de Queijus (inicialmente o nome era Queijuso), bat. a 18.4.1610, ib, e de sua mulher Jerónima de Castro, com quem casou a 20.9.1642, ib. Esta Jerónima de Castro foi bat. a 26.9.1610, ib e fal. a 15.8.1683, ib, tendo-lhe seu marido feito de bens de alma ofícios de 10 padres no dia, mês e ano. Era a mais nova de 8 irmãos, uns que usaram o nome Castro outros o patronímico Vaz, entre eles o Padre Jerónimo Vaz e Domingos Vaz, que foi pai (do seu 2º casamento com Maria Durães) de Isabel de Castro, casada a 8.1.1670 com Filipe de Mello (Pereira), de Pombeiro, c.g. conhecida. Todos filhos de Francisco Vaz, senhor do casal de Fundevila, no lugar de Gondim, ib, onde nasceu cerca de 1575 e fal. a 7.5.1625, e de sua mulher Maria Gonçalves (de Castro), que já acima ficaram referidos.

Vejamos finalmente a ascendência de Maria de Sampayo, que ficou acima, mulher de Domingos de Castro Leite, com quem casou a 18.2.1699 em Unhão (Felgueiras). Foi bat. a 18.2.1669, ib, sendo padrinhos Damásio Ribeiro, de Sendim (é seu primo Damásio Ribeiro de Andrade, aí senhor da quinta da Quintã), e Clara Barbosa, mulher de Jorge Viegas de Azevedo, de Unhão (é o tabelião de Unhão), e fal. na quinta de Queijus a 19.4.1745, com todos os sacramentos, sem testamento, sendo sepultada no meio da igreja matriz de Jugueiros, ficando seu marido de lhe fazer os bens de alma na forma dos costumes. Á margem do óbito está anotado que se disse um 1º ofício de 20 padres e 9 lições e um 2º e 3º de 20 padres cada um. Era a mais velha de 12 irmãos, entre eles os já referidos Padre Fernão Martins de Sampaio, cura de Unhão, e António Martins de Sampaio, FSO (12.12.1730) e instituidor da capela de Nª Sª do Rosário na quinta da Vidigueira. Os restantes irmãos e irmães parecem todos ter falecido também solteiros ou sem geração, salvo uma, Ana de Sampayo, bat. a 7.9.1670, ib, e fal. a 29.7.1720, ib, que casou tarde, a 15.11.1716, ib, com Francisco de Castro, de Stº Estêvão de Regadas, filho de Pedro Lobo e sua mulher Catarina de Carvalhais, e que levou em dote o casal de Moinhos (Munhos na grafia mais antiga), onde seu pai vivia e onde viveu com o marido, sendo pais de Francisco de Castro de Sampaio, bat. a 28.5.1719, ib, c.g. (pai do Padre Fernando de Castro e Sampayo, que tirou inquirições de genere em Braga a 26.10.1773). Todos aqueles 12 irmãos foram filhos de Frutuoso António de Sampayo, que em geral aparece nos paroquiais apenas como Frutuoso António, senhor do dito casal de Moinhos, em Unhão, e de sua mulher Maria Martins, bat. a 11.4. 1649 em Stª Eulália de Margaride (Felgueiras) e fal. a 18.1.1704 no casal de Moinhos, dizendo o óbito que seu marido deu de obrada de corpo presente 300 reais em dinheiro e dois cestos de pão alvo e mandou rezar 20 missas no dia, mês e ano. Mas não encontrei o seu assento de casamento nem em Unhão nem em Margaride. Também o assento de baptismo de Frutuoso António não aparece em Unhão, onde fal. velho a 12.11.1734. Diz o óbito que faleceu com todos os sacramentos e fez testamento, deixando os filhos herdeiros e a terça a suas filhas Luiza e Joana, com a obrigação de lhe manarem rezar 50 missas. O costume da obrada e bens de alma devia fazer seu genro Francisco de Castro, morador no mesmo lugar, como estava obrigado pela escritura de dote. Deixou ainda uma esmola de 1.000 reais para se rezarem missas por sua alma no Natal, por uma vez. Foi sepultado com o hábito de S. Francisco, em sepultura no meio da igreja. Frutuoso António terá nascido noutra freguesia, em finais de 1646, sendo certo que teve uma irmã, Maria, essa sim, bat. em Unhão a 11.9.1647. Eram ambos filhos de Domingos António, nascido cerca 1628 no casal da Sapateira, em S. Pedro de Torrados (Felgueiras), e de sua 1ª mulher Maria de Sampaio, senhora do antedito casal de Moinhos, cujo assento de casamento também não está nem em Unhão nem em Torrados, sendo assim de deduzir que, por qualquer razão, tenha casado numa terceira freguesia, onde lhe nasceu o 1º filho. Domingos António era filho de outro Frutuoso António e sua mulher Madalena Antónia, moradores no seu casal da Sapateira, em Torrados. O óbito de Domingos António, em Unhão, diz em Novembro de 1666 morreu na fronteira, o que significava na guerra da Restauração, que terminou em 1668. Pertencia certamente ao Regimento que em Unhão formou D. Rodrigo, 2º conde de Unhão. Deixou então viúva Maria Teixeira, com quem casara a 8.1.1662, ib, de quem não teve geração e que viria a fal. pouco depois, a 25.3.1666, com testamento em que deixou herdeiro Domingos Teixeira, de Ermeiro, seu provável sobrinho. Num instrumento feito por João Teixeira, escrivão dos órfãos, e aprovado por António Camelo, escrivão do Público de Unhão, Maria Teixeira, viúva de Domingos António de Munhos, deixou as suas terras, casas e pumar da Senra ao Padre Manuel Lourenço da Casa Nova, para si e seus herdeiros, com a obrigação de mandarem dizer 10 missas anuais por sua alma, em perpétuo, e de dar uma canada anual à Confraria da Sª do Sacramento da igreja de Unhão. Maria de Sampayo, a antedita 1ª mulher de Domingos António, foi bat. a 21.10.1631 em Unhão, sendo padrinhos Gonçalo de Sampayo, de Stº Mª de Padroso, dito no assento "seu cunhando" (do pai), e Maria Barbosa, mulher de António Camelo, de Unhão (o antedito escrivão do Público de Unhão), vindo a fal. a 20.10.1661 no seu casal de Moinhos. Era irmã de um Domingos, bat. a 7.3.1629, ib, sendo padrinhos Fernão de Sampayo, vigário de Stª Eulália de Margaride, e Isabel de Santiago, "sua cunhada" (do pai). Ambos filhos de Jorge Francisco, senhor do casal de Moinhos, aí falecido antes de 1637, e de sua mulher Leonor de Sampayo, casados a 22.5.1628 em Stª Mª de Padroso (Felgueiras), a qual fal. viúva no seu casal de Moinhos a 26.4.1651, dizendo-se apenas no óbito "que tinha seus bens para que se lhe fizessem seus estados", mas não especificando quais. Seu marido já tinha falecido a 12.3.1637 quando foi madrinha em Stª Mª de Padroso de um sobrinho e é dita viúva. Leonor de Sampayo, nascida cerca de 1607, foi a mais nova dos sete filhos de Francisco Pires (de Santiago), senhor do casal ou quinta do Souto, em Padroso, onde fal. novo antes de 11.12.1608, e de sua mulher Maria de Sampayo, que aí viveu muitos anos viúva e fal. a 20.12.1639, com cerca de 72 anos. Foi sepultada na igreja matriz, na sepultura do meio. Fez testamento, dizendo no óbito que no testamento constava que deixou o que se lhe faça de bens de alma, com efertas que podia valer 1.600 reais. Teve ofícios de 10 padres a 120 reais cada um e estiveram mais 4 padres voluntários, 9 lições ao mês de 12 padres a 120 reais cada um e ofício do ano de 12 pades a 140 reais cada um com 300 reais de oferta. Sua nora Filipa Teixeira (casada com o já referido Gonçalo de Sampayo, sucessor na quinta do Souto) mandou fazer os ofícios previstos na escritura de dote. Maria de Sampayo era irmã do Padre Fernão de Sampayo, vigário de Stª Eulália de Margaride, ambos filhos de Manuel Soares e sua mulher Leonor de Sampayo, que viveram na quinta da Carreira, em Padroso. Ela nasceu cerca 1543 em Sendim (Felgueiras) e fal. a 25.12.1614 em Padroso, Não fez manda e disseram-lhe no dia 25 missas, ao mês 20 missas, assim como ao ano, com suas obradas "muito bem". No óbito vem referida como "mulher de Manuel Soares", mas era certamente já sua viúva, pois este não só não aparece em nenhuma circunstância nos paroquiais de Padroso, como aí não consta o seu óbito, pelo que faleceu antes de Dezembro de 1608, data em que começam os livros. Leonor de Sampayo era uma das irmãs mais velhas de 11 irmãos, entre eles o sucessor, Baltazar de Sampayo, senhor das quintas da Carreira e de Boquas, em Padroso, que casou com Inez de Guimarães, aí fal. viúva a 8.5.1643, com geração conhecida. Esta Inez de Guimarães fez a 31.8.1616 uma escritura nas notas de João de Abreu, tabelião de Guimarães, em que nomeou e doou a seu filho António de Guimarães, entre outras coisas, a capela que instituiu na matriz de Stª Mª de Padroso, vinculada à herdade chamada do Ameal, sita na freguesia de S. Pedro de Torrados, que comprara parte dela em vida de seu marido, e o resto depois da morte dele, e que tudo tomava como o seu terço de alma, e queria que do rendimento da dita herdade se dissessem cinco missas anuais, quatro rezadas e uma cantada, "enquanto o mundo durar", por sua alma e de seu marido Baltazar de Freitas, na dita igreja de Stª Mª de Padroso, na véspera do orago, que é Nª Sª da Expectação, pagando aos padres a tostão cada um e dando-lhes colação. O que sobejar dos rendimentos da dita herdade ficará ao administrador da capela, em que nomeia o dito filho António de Guimarães. Este, como António de Guimarães de Sampayo, casou a 7.12.1630 em Margaride com Maria Ribeiro, com 10 filhos nascidos em Padroso e geração conhecida. Leonor de Sampayo foi ainda irmã de António de Freitas de Sampayo, que sucedeu na quinta da Quintã, em Sendim, casado com Francisca Ribeiro, que foram pais de Leonor de Freitas de Sampayo, sucessora, casada com Damásio Ribeiro de Andrade, com geração conhecida. A irmã mais nova de Leonor de Sampaio chamou-se Catarina de Freitas e casou com Salvador Nogueira, senhor da quinta do Crasto, no termo de Guimarães. Destes foi filha, entre outras, Leonor de Sampayo, que 22.11.1595 teve de seus pais o prazo da quebrada da Costa, em Mancelos, pelo convento de S. Gonçalo de Amarante. Casou com Pedro da Costa, que por dote de casamento, feito a 24.11.1595 por seu pai João Anes da Costa, teve o prazo do casal de Travancela, em Mancelos (Amarante), renovado pelo convento de Mancelos. C.g. conhecida, nomeadamemente nos Souza Machado, da casa da Quebrada, em Mouriz (Paredes). Leonor de Sampayo e seus irmãos eram todos filhos de Gonçalo de Freitas, tabelião de Felgueiras (CJIII, 63, 2), senhor da quinta da Carreira, em Padroso, e das quintas do Paço, em S. Martinho de Silvares (Fafe), e da Quintã, em Sendim, e de sua mulher Leonor de Sampayo, casados cerca de 1538 em Stª Eulália de Margaride (Felgueiras). Viveram primeiro na quinta da Quintã, em Sendim, onde Gonçalo de Freitas nasceu cerca de 1518 e lhe terão nascido os filhos, e depois na quinta da Carreia, onde faleceu, que Gaio diz que comprou a uma Maria Afonso. No final do Livro 1 de Mistos de Stª Mª de Padroso consta a seguinte anotação: "Nesta Igreja de Stª Mª de Padroso ha obrigação de se dizer hua missa casa semana pelas almas de G.lo de Freitas e sua molher Leanor de S. Payo moradores que forão na Carreira desta dita frgª E pera isto dotarão o moinho da Estrada cõ suas hortas ao redor ao Cura desta frgª e a dita obrigação qurendoa elle açeitar, alias ficaria unido aos possuidores do meio casal de Pumar Dono que era do dito G.lo de Freitas. E pera em todo tempo se saber fiz esta lembrança neste livro aos 20 de Agosto de 1648 anos. Manuel Carvalho". Gonçalo de Freitas tem ascendência conhecida e ilustre, mas aqui vou desenvolver apenas a linha Sampayo, pois foi este o nome que perdurou, apesar das muitas quebras de varonia, e sobretudo porque foram estas uma das quatro armas reconhecidas em 1809 ao brigadeiro António Vicente Teixeira de Sampayo, pai de Teixeira de Vasconcellos, sendo este por seu pai 9º neto e por sua mãe 10º neto desta Leonor de Sampayo e seu marido Gaspar de Freitas. Leonor de Sampayo nasceu cerca de 1520 em Stª Eulália de Margaride (Felgueiras) e faleceu depois de 1590 na quinta da Carreira. Era filha de Pedro Álvares, senhor da quinta de Fijó, em Stª Eulália de Margaride, e de sua mulher Francisca de Sampayo Coelho, filha esta de Duarte de Sampayo Coelho, nascido cerca de 1462, que por sua vez era filho de Pedro Vaz Pinto (de Vasconcellos) e de sua mulher Leonor de Sampayo, que viveram na quinta de Sergude, em Sendim. Esta Leonor de Sampayo, nascida cerca de 1440, era mais nova dos sete irmãos de Martim Coelho, 3º senhor de juro e herdade de Felgueiras e Vieira (1445). A 12.11.1445 D. Afonso V perdoou os vinte açoites públicos a Vasco Afonso, morador no julgado de Vieira, criado e escudeiro de Martim Coelho, por ter querelado de Gil Afonso, filho de Afonso Eanes de [Sangujedo], morador no dito julgado, contanto que pague 1.000 reais para a Chacelaria. A 11.6.1449 o mesmo rei doou a Gonçalo Pereira, fidalgo da sua Casa, as terras de Felgueiras e de Vieira, que pertenceram a Martim Coelho, que as perdera por ter participado ao lado do infante D. Pedro na batalha de Alfarrobeira. Apesar disso, a 13.7.1451 perdoou a justiça régia a Martim Coelho, senhor de Felgueiras, acusado de fazer algumas assuadas, de derrubar uma casa e de roubar uma quintã, tendo pago 200 reais de prata. O que se explica logo a 27.12.1451, quando doou para sempre a D. Fernando Coutinho, marechal, as terras de Felgueiras e Vieira, com todas as suas rendas, direitos, foros, tributos, emprazamentos, montes, fontes, rios, pescarias, jurisdição cível, crime mero e misto império, reservando para si a correição e alçada, que eram pertença de Martim Coelho que as perdera porque participara na batalha de Alfarrobeira, sendo posteriormente doadas a Gonçalo Pereira que morrera. Contudo, Martim Coelho acabaria por reaver os senhorios. Com efeito, a 10.7.1464 D. Afonso V doou a Martim Coelho e seu irmão Pedro Coelho, a pedido de Catarina de Freitas, viúva de Fernão o Velho, moradora em Felgueiras, os bens que herdaram de seu pai e que o rei lhes retirara quando combateram na batalha de Alfarrobeira do lado do infante D. Pedro. E a 6.12.1468 nomeou novamente Pedro Vasques, escudeiro de Martim Coelho, a pedido dos homens-bons do concelho, para o cargo de escrivão das sisas do julgado de Felgueiras. Martim Coelo, Leonor de Sampayo e seus restantes irmãos eram filhos de Fernão Coelho, 2º senhor de juro e herdade de Felgueiras e Vieira (10.12.1433), e de sua mulher Catarina de Freitas, senhora da quintã e lugar do Outeiro, em S. Salvador de Moure ( Felgueiras), casados cerca de 1422. A 10.12.1433 D. Duarte confirmou a Fernão Coelho, seu vassalo, os senhorios de juro e herdade de Felgueiras e Vieira e as quintã que seu pai tivera de D. João I, por ser "o filho lidimo primeiro e herdeiro". E a 21.12.1434 confirmou a Fernão Coelho o couto de Cancelães, com seu rio e montado, como já tivera seu pai Gonçalo Pires Coelho e seus avós. Fernão Coelho nasceu cerca de 1380 e faleceu em 1445, sendo filho sucessor de Gonçalo Pires Coelho, 1º senhor de juro e herdade de Felgueiras e Vieira (20.7.1385), alcaide-mor de Guimarães (22.11.1388), etc., e de sua mulher Beatriz da Silva, e neto do célebre Pedro Coelho, conselheiro de D. Afonso IV, que o aconselhou a mandar matar D. Inez de Castro, fugindo para Castela após a morte deste rei (1357), mas sendo depois obrigado a regressar em 1360, por troca de prisioneiros, sendo então executado por D. Pedro I. Antes, já a 18.10.1357 D. Pedro I tinha doado a Vasco Martins de Souza todos os bens móveis e de raiz que foram de Pedro Coelho. Catarina de Freitas, que ficou acima, nasceu cerca de 1405 e ainda vivia viúva em 1464, como ficou dito. Aliás, ainda vivia a 31.1.1466, quando D. Afonso V lhe confirmou a doação da quintã e lugar do Outeiro, na freguesia de S. Salvador de Moure, da terra de Felgueiras, de acordo com as escrituras de doação vitalícia feita a Catarina de Freitas, mulher de Fernão Coelho, seu vassalo e escudeiro do julgado de Felgueiras. A carta refere um instrumento público público de doação de 2.12.1440 e e a confirmação de 4.6.1443. Catarina de Freitas era filha de Martim Fernandes de Freitas, anadel-mor de besteiros, alcaide-mor de Trancoso, etc., e de sua mulher Mécia Vaz de Sampayo, casados cerca de 1400. Martim Fernandes de Freitas foi senhor de juro e herdade de Lordelo e Benviver (5.3.1384), e de Caldas de Vizela e do préstimo de Restelo (23.5.1386). Com efeito, a 5.3.1384 o mestre de Avis doou a Martim Fernandes de Freitas o senhorio de juro e herdade da terra de Lordelo, que parte com o termo do Porto e com o julgado de Bouças, que trazia Rodrigo de Alher do rei D. Fernando, bem como a terra de Benviver, entre o Tâmega e o Douro, de trazia Fernan Gomez de Utreira, castelhano, que tinha ido para Castela. E a 23.5.1386 D. João I doou a Martim Fernandes de Freitas, seu escudeiro, as Caldas de Vizela e o préstimo de Restelo, com todas as rendas, honras e senhorio. Martim Fernandes de Freitas era filho de Nuno Fernandes de Freitas, neto de Fernão de Freitas, bisneto de Estêvão de Freitas, senhor da honra de Freiras, e trineto de Martim de Freitas, senhor da honra de Freiras, e de sua mulher Sancha Pais de Agares, que já tratei em "Os Furtado de Mendonça portugueses. Ensaio sobre a sua verdadeira origem", Porto 2004. Mécia Vaz de Sampayo, que ficou acima, terá casado com Martim Fernandes de Freitas em 1400, ano em que D. João I lhes confirmou os bens que tinham sido de João Rodrigues de Portocarreiro, que o pai dela lhes tinha cedido em dote. Era filha de Vasco Pires de Sampayo e de sua mulher, que parece se chamou Dopmingas Paes, segundo diz a "Corografia Portugues" (Tomo I, pag. 469), citando "hu memorial antigo, q se cõserva no archivo dos senhores desta Casa", acrescentando que era "senhora de grande calidade e muito rica, e herdada". Vasco Pires de Sampayo foi o 1º senhor de juro e herdade de Vila Flor, Anciães, Chacim, Mos, Vilas Boas, Sampayo, Vilarinho da Castanheira, Val da Sancha e Torre de Moncorvo. D. Fernando I doou-lhe Chacim e Val da Sancha (CFºI, 2, 98v; e 3, 56v) e os direitos reais de Torre de Moncorvo (ib, 9, 55v). A 2.5.1384 o mestre de Avis doou a Vasco Pires de Sampayo todas as vilas, lugares e terras que João Rodrigues Portocarreiro tinha do rei D. Fernando, sem contudo se dizer que terras eram. E no dia 6 seguinte doou-lhe todos os bens móveis e de raiz, para sempre, que Abrafã rico judeu tinha em Vila Flor e seu termo, porquanto fora em "deserviço" para Castela. Para logo no dia seguinte lhe doar de juro e herdade, para sempre, para si e seus sucessores, todos os foros, direitos e portagens que tinha nas vilas de Anciães, Vilarinho da Castanheira, Vila Flor, Torre de Moncorvo e Mos, que "som lugares castellados", com todos os seus termos, e ainda Vilas Boas e seu termo, "que he terra c haã", com o privilégio de poder vender, dar, doar ou escambar. A 22.2.1385, já como rei, doou a Vasco Pires de Sampayo metade da aldeia de Quintela de Lampazes. A 13.1.1397 outorgou a Vasco Pires de Sampayo o cargo das coudelarias de Anciães, Vila Flor, Torre de Moncorvo, Lamas, Mós, Vilarinho da Castanheira, Vilas Boas e de outros lugares, bem como o autorizou a nomear aí os coudeis. Finalmente, a 19.4.1410 doou a Vasco Pires de Sampayo a aldeia de Sampayo com sua jurisdição, tendo como termos as aldeias de Cardonha e Valarenhos. Vasco Pires de Sampayo era filho de Pedro de Sotto, escudeiro, senhor dos lugares de Mondego (Panóias) e de Fiolhal, e de sua mulher Francisca Paes de Sampayo, que dizem neta de Martim Vaz de Sampayo, infanção, que foi alcaide-mor de Guimarães (1324). Pedro de Sotto dizem que era filho de João Peres de Sotto, castelhano, e de sua mulher, portuguesa, filha de Fernão Gonçalves de Moreira, cavaleiro, senhor do antedito lugar de Mondego, e sua mulher Maria Gomes da Cunha, mas tudo isto já entra nas brumas do indocumentado.

Por último, deixo aqui infirmação sobre a ascendência do já referido José de Souza Álvares (1760-1811), casado a 14.10.1793 em Penafiel com sua parente D. Ana Bernardina de Souza e Rocha de Sampayo, sogros do armigerado Brigadeiro António Vicente Teixeira de Sampayo. Casou como José de Souza Álvares, mas também aparece como José Álvares de Souza. Foi baptizado como Manuel José do Nascimento, sendo padrinhos Manuel José, clérigo in minoribus, e Custódia, solteira, filha de João de Souza, do lufgar de Aveleda. A 7.5.1795 foi feito prazo a José de Souza Álvares e sua mulher D. Ana Bernardina de várias propriedades da quinta da Aveleda, pelo foro de quatro alqueires e um quarto e um salamim de pão terçado, dois almudes e uma canada de vinho. Neste prazo sucedeu seu filho Vitorino José de Souza Álvares e sua mulher, da freguesia da Madalena (Arquivo da Casa de Aveleda). José de Souza Álvares e sua mulher tivaram quatro filhas e um filho, que em geral aparece como José Victorino de Souza e Rocha, sucedeu na quinta do Moinho, em Stª Mª Madalena (Paredes), onde fal. a 17.8.1848, e foi escrivão dos órfãos da vila de Seia a 2.9.1826 (RGM, 21, 279v e 337v). Em 1811 estava a combater nas guerras peninsulares. Fez testamento a 30.7.1848, na sua Casa do Moinho, na Madalena, estando gravemente doente, deixando herdeira sua mulher D. Angélica Miquelina de Jesus, de quem não tinha filhos, com obrigação de dar 4.800 réis por ano a sua irmã D. Mariana Cândida de S. José, religiosa em Coimbra, e de deixar, por sua morte, os bens (nomeadamente os de Aveleda e os do Moinho) a sua sobrinha (sobrinha-neta) e afilhada (D. Maria Adelaide). No caso de esta ter falecido sem descendência, os bens passariam para os seus parentes mais próximos do lado paterno, sendo nomeado em 1º lugar Victorino Álvares Monteiro. Das filhas de José de Souza Álvares e sua mulher, uma, D. Mariana Cândida de S. José de Souza e Rocha, foi freira carmelta descalça em Stª Tereza de Coimbra; outra, D. Pulquéria Vicência Ana de Souza e Rocha, faleceu solteira, com 19 anos, a 31.12.1823, em casa de seu cunhado e padrinho António Vicente Teixeira de Sampayo, na Rua Chã, na cidade do Porto, estando doente, com testamento de 28.11.1823, onde, para além dos bens de alma e bens para criados, deixou dois terços da sua legítima avaliada em 3.000 cruzados, bem como os seus móveis, a sua irmã D. Ana Carmelina, com a obrigação de fazer as despesas do funeral, dos legados e de dar ao irmão José Victorino 6.000 réis por ano enquanto não tomar estado mas tomando casa, pois enquanto viver em casa do cunhado não lhe dará nada, e tomando casa lhe dará 50.000 réis de uma vez, bem assim como outros 50.000 réis a seu sobrinho, filho do antedido António Vicente e de sua falecida irmã D. Maria Emília, "que foi senhora desta casa". Deixou mais 4.800 réis a sua irmã D. Mariana Cândida, religiosa carmelita descalça em Santa Tereza da cidade de Coimbra, e outros tantos a sua tia D. Maria Joaquina. Deixou a sua terça a seu antedito sobrinho, ainda criança, com obrigação de dar à Stª Casa da Misericórdia de Penafiel 100.000 réis para incorporar no legado "da nossa Capella de Nossa Senhora do Rozario da Vidigueira, que instituhio António Martins de Sampayo", para que pelo Natal se diga perpectuamente nessa capela uma missa por sua alma, pelos dos seus pais e irmãos e toda a família. A outra irmã, D. Ana Carmelina de Souza e Rocha, casou a 27.3.1834, em Besteiros, com o Dr. Boaventura António Pereira de Magalhães, senhor da quinta do Barreiro, na Madalena, onde faleceu a 17.12.1854. Deste matrimónio não ficaram filhos. Ainda em vida do marido, D. Ana Carmelina, por escritura de dote de 21.5.1854, feita na Casa do Barreiro, deu a sua sobrinha-neta D. Maria Adelaide as quintas e prazos do Moinho, na Madalena, e da Aveleda, no termo de Penafiel, que ficaram por disposição testamentária de seu tio José Victorino, mais 6.250.000 réis (avultadíssima quantia) que estavam emprestados a juros, por duas escrituras, a D. Rita Alão, mais os foros e terras que de sua finada mãe possuia em diferentes partes e do que há herdar de seu pai e ainda toda a herança de sua tia-avó D. Ana Carmelina, da sua meação. Por morte do marido, D. Ana Carmelina doou, por escritura de 8.8.1855, a esta sua única sobrinha-neta todos os seus bens (que incluiam os que herdara do marido), nomeadamente a quinta do Barreiro, onde ambas já viviam, com sua quinta da Cova (de dentro e de fora) e outros bens de prazo na mesma freguesia, bens aludiais em Gudelães e Penafiel e prazos em Penafiel. A 28.8.1843 seu sobrinho António Augusto Teixeira de Vasconcellos, da Casa de Coura, tinha-lhe vendido, a ela e a seu marido, por 1.800.000 réis, a dita quinta da Cova, na Madalena, com todas as suas pertenças. Finalmente, a filha mais velha de José de Souza Álvares e sua mulher, D. Maria Emília de Souza e Rocha Moreira Barbosa de Sampayo, foi a que casou com o brigadeiro António Vicente Teixeira de Sampayo, tendo tido, como filho único, António Augusto Teixeira de Vasconcellos. Esta Senhora, nascida em 1797 e casada em 1815, faleceu nova, antes de seus pais e antes de 1823.

José de Souza Álvares era filho de Custódio José de Souza, que também aparece como Custódio José Barbosa de Souza, e de sua mulher e parente (casados a 20.4.1760 em Penefiel) Custódia Maria Álvares Barbosa, ambos nascidos na Aveleda. Custódio José de Souza viveu na Aveleda, onde foi baptizado a 10.1.1739, sendo padrinhos os tios, o Padre José de Souza e Catarina de Souza, mulher de Manuel Ferreira, do Ribeiral, freguesia de Santiago de Feram. A 5.9.1782, Custódio José Barbosa, do lugar da Aveleda, teve, como herdeiro, carta de sentença cível formal de partilhas, tirada do inventário de seu tio Manuel de Souza, do mesmo lugar (Arquivo da Casa de Aveleda). Custódio José era filho de João de Souza Barbosa (ou de Souza Rebello), nascido em S. Tiago de Subarrifana (Penafiel), e de sua mulher (casado a 21.1.1738 em Penafiel) Tereza de Jesus de Souza, nascida e herdada na Aveleda. A antedita Custódia Maria Álvares Barbosa era filha de José Barbosa de São Miguel, nascido em Guilhufe (Penafiel), e de sua 2ª mulher (casados a 5.2.1735 em Penafiel) Maria Josefa Álvares de Azevedo, nascida e herdada na Aveleda, filha de João Álvares de Avelada, falecido a 6.9.1729, ib, e de sua mulher (casados a 16.5.1694 em Subarrifana) Sabina de Azevedo Teixeira (1661-1711). José Barbosa de São Miguel tinha casado a 1ª vez, a 18.2.1721, ib, com Clara de Souza, irmã da antedita Tereza de Jesus de Souza, ambas netas maternas de Francisco Gaspar Barbosa e sua mulher Maria de Souza, proprietários na Aveleda.

João de Souza Barbosa (ou de Souza Rebello), avô paterno de José de Souza Álvares, era filho de António de Souza Camelo, baptizado (como Manuel) a 20.2.1667 em S. Tiago de Subarrifana, e de sua mulher (casados a 9.7.1705, ib) Maria de Souza Rebello, senhora da quinta do Ribeiral, ib, onde nasceu a 10.11.1676 e faleceu a 4.11.1733, mandando-lhe o marido fazer três ofícios de 10 padres cada um; neto paterno de Manuel Camelo, senhor do casal de Novelhe, ib, onde faleceu a 28.3.1684, e de sua mulher (casados a 8.6.1459 em Bitarães) Catarina de Souza, nascida a 14.11.1640 em Bitarães e falecida viúva a 27.4.1715 em S. Tiago de Subarrifana, sendo sepultada na matriz com um ofício de 9 padres e deixou de obrada o costume, que nessa freguesia eram quatro alqueires de pão, dois almudes de vinho, um presunto, um carneiro e dois cestos de pão, deixando para tanto 1.200 réis, mais obrigação de três ofícios de 10 padres cada um; e neta materna de José de Souza, senhor da quinta do Ribeiral, ib, onde faleceu viúvo a 18.9.1733, dizendo o óbito que tinha 80 anos mais ou menos, foi sepultado na matriz e sua filha Maria de Souza e seu marido António de Souza foram seus herdeiros, que lhe mandaram fazer três ofícios de 10 padres cada um e deram a obrada do costume, e de sua mulher (casados a 15.8.1671 em Penafiel) Maria Rebello Barbosa, b. a 20.11.1655, ib, e falecida a 21.9.1705 na quinta do Ribeiral, com um ofício de 9 padres e 14 lições, e que no mês e ano teve missas de seis padres cada uma, dando de obrada 400 réis, cuja ascendência trato em “Reflexões sobre a origem dos Rocha, dos Aguiã, dos Calheiros e dos Jácome”, in “Raízes & Memórias”, nº 29, Dezembro de 2012, pág. 149 a 196 (vide nota 15, pág. 151).

José José Barbosa de São Miguel, avô materno de José de Souza Álvares, era filho de outro José Barbosa de São Miguel, baptizado a 25.5.1651 em Guilhufe, onde viveu, e de sua mulher (casado a 14.2.1689, Castelões de Cepeda, Paredes) Maria de Souza; e neto paterno de Gonçalo Barbosa de São Miguel, senhor da quinta de Quintela, em Guilhufe, onde "viveu à lei da nobreza” e foi baptizado a 24.6.1620, e de Catarina de Souza, moça solteira de Guilhufe. Este Gonçalo Barbosa de São Miguel casou a 1ª vez a 25.11.1643 em Bitarães (Paredes) com Úrsula Moreira, falecida a 29.8.1653 em Guilhufe, sem geração, filha de Adão Luiz, capitão-mor de Bitarães, e de sua mulher Joana Moreira, irmã de Isabel Gaspar Moreira casada com António da Rocha, como refiro no antedito meu estudo “Reflexões sobre a origem dos Rocha, dos Aguiã, dos Calheiros e dos Jácome”. Gonçalo Barbosa de São Miguel casou 2ª vez a 15.3.1654 em Paço de Sousa (com assento do mesmo casamento está em Guilhufe a 17.3.1655) com Maria Jerónima (Rodrigues de Andrade), sendo nomeadamente pais de pais de Clara Barbosa de São Miguel, baptizada a 27.6.1655 em Guilhufe, que casou o Dr. Manuel Vieira de Souza, sendo pais de Maria Vieira Barbosa de São Miguel, que foi habilitada pelo Santo Ofício para casar com o familiar Pedro da Cunha Carneiro (Habilitações para o Santo Ofício, Pedro, M. 12, doc. 298-A, Diligências de Maria Vieira Barbosa de São Miguel). Gonçalo Barbosa de São Miguel era filho de Gonçalo Barbosa, senhor da dita quinta de Quintela, em Guilhufe, onde foi baptizado a 20.12.1589 e faleceu a 23.7.1636; e de sua mulher (casados a 21.4.1619 em S. Miguel de Urrô) Agostinha de São Miguel, falecida a 20.10.1652 em Guilhufe; neto paterno de António Tomé (Barbosa), 1º senhor da quinta de Quintela, em Guilhufe, onde faleceu a 21.11.1624, e de sua mulher Maria Gonçalves, falecida a 9.4.1623, ib; e neta materna de Brás Fernandes de São Miguel, senhor da quinta de S. Miguel, em S. Miguel de Urrô, onde faleceu a 2.5.1633, e de sua mulher Isabel Pires, falecida a 4.8.1620, ib. Aquele António Tomé (Barbosa), 1º senhor da quinta de Quintela, era filho de Tomé Barbosa, 1º senhor da quinta da Aveleda, prazo do mosteiro de Cête em que foi 1ª vida. Gaio não diz que Tomé Barbosa foi casado nem dá o nome de sua putativa mulher. Tendo em conta que os filhos se documentam coevamente sempre apenas com o patronímico Tomé, e só os netos com o nome Barbosa, entendo que Tomé Barbosa não casou e os seus filhos são naturais, de uma ou mais mulheres. Tanto mais que a família Barbosa há muito que não usava patronímico. Tomé Barbosa, segundo Gaio, era filho de Pedro Barbosa e de sua mulher e parente Maria Barbosa; e neto paterno de Jorge Barbosa e sua mulher Isabel Peixoto, moradores em Penafiel. Gaio diz que "acho casado igualmente Jorge Barbosa com Isabel Peixoto", identicando este Jorge Barbosa com o também casado com Catarina de Souza, filha do adail-mor, dando portanto Isabel Peixoto (a quem noutro lugar chama Isabel Pires Peixoto) como segunda mulher. Este Jorge Barbosa era irmão de Álvaro Barbosa, 1º morgado de Aborim (25.8.1478). Voltando a Tomé Barbosa, 1º senhor da quinta de Avelada, prazo do mosteiro de Cête, nascido cerca de 1520 em Penafiel, referido por Gaio em Aranhas, §4, nº 2, sem lhe dar mulher, terá tido os seguintes filhos naturais:

1. Gonçalo Tomé (Barbosa), n. cerca de 1544 e fal depois de 1618, 2º senhor da quinta da Aveleda, no termo de Arrifana de Sousa. No instrumento de dote de 8.8.1612 para o casamento de Gonçalo Barbosa, seu pai Gonçalo Tomé refere que os bens da Aveleda, propriedade onde vive, pagam foro ao mosteiro de Cête, sendo ele 2ª vida do dito prazo (Arquivo da Casa de Aveleda). No Tombo de Paço de Sousa (1594) documenta-se nas delimitações que trazia terras (prazos) do reguengo de Manuel Peixoto da Silva, senhor de Penafiel. Gaio dá este Gonçalo Tomé como filho de Miguel Tomé e neto e Tomé Barbosa. Contudo, a cronologia não o permite. Por outro lado, existe outro Gonçalo Tomé (Barbosa), também pai de um Gonçalo Barbosa, todos referidos abaixo, que esse sim era certamente filho de Miguel Tomé, e daí a confusão de Gaio. Este autor também diz que Afonso Tomé (Barbosa), filho de Tomé Barbosa, foi senhor da quinta de Aveleda. Na verdade, este Gonçalo Tomé é que se documenta como senhor do prazo em 2ª vida, não sendo de aceitar que pudesse ter sucedido ao irmão, tanto mais que este, como detalho adiante, não pode deixar de ser o pai de Tomé Afonso (Barbosa), que Gaio dá como seu irmão, o que inviabiliza a hipótese, pois neste caso sucederia o filho, que aliás teve geração. Assim, como se documenta que Gonçalo Tomé era 2ª vida no prazo da quinta de Avelada, é de supor que seu pai Tomé Barbosa teve este prazo em 1ª vida. Gonçalo Tomé (Barbosa) casou cerca de 1574 com Catarina Coelho. Destes foram filhos, entre outros, Gonçalo Barbosa, sucessor do prazo da quinta de Aveleda, onde fal. a 7.7.1648, tendo casado a 12.8.1612 em S. João de Covas com Ana Moreira, c.g. nos morgados de Aveleda; e Gaspar Tomé Barbosa casado com Francisca Fernandes, de quem foi filha, entre outros, Isabel Barbosa casada a 24.5.1612 em Penafiel com Pedro João de Souza, c.g. na casa de Coura, em Bitarães (Paredes).
2. Miguel Tomé (Barbosa), n. cerca de 1545 em Penafiel, que Gaio dá, como ficou dito, como pai do Gonçalo Tomé de Aveleda, que aqui vai como seu irmão mais velho. Mas a cronologia não permite que Gonçalo Tomé fosse neto de Tomé Barbosa, só podendo ser seu filho. Este Miguel Tomé, e daí provavelmente a confusão de Gaio, era certamente pai de outro Gonçalo Tomé (Barbosa), senhor do prazo do Casal do Soeiro, em Stº Adrião de Canas de Duas Igrejas (Penafiel), onde fal. a 4.8.1644, com testamento, deixando obrigação de um ofício com 15 missas no dia, mês e ano do seu falecimento, que também foi pai de um Gonçalo Barbosa, sucessor, aí n. em 1588, crismado a 1.8.1594 e fal. a 15.1.1624, antes de seu pai. No Tombo de Paço de Sousa (1594) consta Gonçalo Tomé e sua mulher Isabel Manoel como senhores do prazo perpétuo do Casal do Soeiro, na dita freguesia, com o foro anual de 28 alqueires de milho e 2 capões. Nos paroquiais de Stº Adrião de Canas de Duas Igrejas aparecem os baptismos de 4 filhos (Ângela, Isabel, Gaspar e Inocência) deste casal, nascidos entre 1590 e 1601, pelo que o antedito Gonçalo, crismado em 1594, nasceu antes de 10.5.1588, quando começa o livro de baptismos. Gonçalo Tomé (Barbosa) deve ter recebido o dito prazo perpétuo do Casal do Soeiro em dote de casamento, pois sua mulher Isabel Manoel, aí fal. viúva a 26.2.1646, com manda, deixando testamenteiro seu neto Domingos Lopes, foi crismada a 11.4.1584, ib, como Isabel Manoel do Soeiro, sem indicação de que era casada. Por outro lado, não parece possível que já estivesse casada em 1584. O antedito Gonçalo Barbosa casou com Isabel Antónia e foram pais de Manuel Barbosa, que casou a 11.5.1664 em S. João Baptista de Rande com Antónia de Souza. A antedita filha Ângela Barbosa, n. a 14.2.1590, casou a 27.6.1610 em Stº Adrião de Canas de Duas Igrejas com Gonçalo da Rocha.
3. Margarida Tomé (Barbosa), nascida cerca de 1546 em Penafiel, que se documenta como Margarida Tomé, senhora do Casal de Enxerves, em Cête, prazo do mosteiro de Paço de Sousa, já fal. em 1594, que casou com Pedro Fernandes, senhor do Casal do Pizão, em Cête. Destes foi filho Pedro Fernandes (Barbosa), senhor do dito Casal do Pizão, onde n. cerca de 1564 e fal. a 28.9.1616, e do Casal de Enxerves, que teve em dote que lhe fez sua mãe, casado cerca de 1586 com Maria Nogueira, fal. a 22.6.1651, ib, irmã de Gonçalo Nogueira, senhor da casa da Nogueira, em Cête (casado com Isabel Fayão, c.g. nos Meirelles Afonso Fayão e Bragança, da dita casa da Nogueira). De Pedro Fernandes (Barbosa) e sua mulher Maria Nogueira foi filho sucessor Sebastião Barbosa, n. a 27.10.1596 e fal. a 10.4.1657, ib, que casou a 11.9.1623 em Urrô com Isabel Fernandes de São Miguel (irmã de Agostinha de São Miguel casada com seu primo Gonçalo Barbosa, senhor da quinta de Quintela, em Guilhufe, referidos atrás), c.g. nos Meirelles Pinto Brandão da casa do Outeiro d'Além, em Mouriz (Paredes).
4. Afonso Tomé (Barbosa), n. cerca de 1550 em Penafiel. Como ficou dito, Gaio refere Afonso Tomé Barbosa como senhor da quinta de Aveleda, mas documenta-se que seu irmão Gonçalo Tomé teve este prazo em 2ª vida. Embora este Afonso aí possa ter também vivido, não é de aceitar que lhe pudesse ter sucedido o irmão. Tendo em conta quer a cronologia quer o patronímico, este Afonso Tomé não pode deixar de ser pai do Tomé Afonso que Gaio dá como seu irmão e diz ter casado com Maria Rodrigues e terem sido pais de Baltazar Tomé Barbosa casado com Isabel Fernandes. Na verdade, Tomé Afonso (Barbosa), nascido cerca de 1575, fal. a 28.3.1638 em Penafiel, com testamento e três ofícios de 15 padres cada um, foi efectivamente casado com uma Maria Rodrigues, que dele fal. viúva a 29.8.1645, ib. Mas, ao contrário do que diz Gaio, não foram pais de Baltazar Tomé Barbosa, que no seu casamento a 8.5.1597 em S. Miguel de Urrô (Penafiel) com Maria Soares se documenta filho de Gonçalo Tomé, de Aveleda. Quem casou com uma Fernandes (Francisca Fernandes e não Isabel Fernandes) foi Gaspar Barbosa, que também aparece como Gaspar Tomé Barbosa, casal este que nomeadamente se documenta como pais de Isabel Barbosa, casada a 24.5.1612 em Penafiel com Pedro João de Souza, senhor da casa de Coura, em Bitarães (Paredes), sendo testemunha o antedito Baltazar Tomé Barbosa. Mas este Gaspar (Tomé) Barbosa era filho de Gonçalo Tomé, de Aveleda, onde também viveu, bem assim como alguns dos seus filhos, nomeadamente Roque Barbosa, de Aveleda, referido como sobrinho de Maria Fernandes quando esta fal. a 13.7.1651 em Penafiel (a quinta de Aveleda fica na freguesia de Penafiel). Mas Tomé Afonso e sua mulher Maria Rodrigues tiveram geração, pois documentam-se pais de Ana Tomé Barbosa, que casou a 13.9.1614 em Penafiel com Pedro Garcia.
5. Beatriz Tomé (Barbosa), n. cerca de 1553, que casou com António Braz, senhor do Casal de Figueiras, em Baltar. Destes foi filho António Barbosa, n. em Baltar e fal. a 17.8.1609, ib, que casou a 17 de Junho deste ano na Gandra (Paredes) com Ana Moreira, filha de Miguel Moreira e sua mulher Domingas Pais, s.g. Ana Moreira voltou a casar a 7.2.1611, ib, com Francisco Freire, c.g. nos morgados de Aveleda.
6. António Tomé (Barbosa), n. cerca de 1556, senhor da quinta de Quintela, em Guilhufe (Penafiel), onde fal. a 21.11.1624, que teve por sua mulher Maria Gonçalves, aí fal. a 9.4.1623. Destes foi filho sucessor Gonçalo Barbosa (1589-1636), como tudo mais detalhadamente ficou já atrás tratado
.

 

D. Antónia Adelaide Vasques da Cunha e Alarcão de Portocarreiro e sua única filha D. Maria Adelaide da Cunha Teixeira de Vasconcellos de Portocarreiro. Esta veio a casar a 21.5.1854 na casa do Barreiro com o Dr. João Corrêa Pacheco Pereira de Magalhães, fidalgo da Casa Real (22.10.1875), comendador da Ordem de Nª Sª da Conceição de Vila Viçosa (29.7.1875), administrador do concelho de Paredes (de 28.7.1851 a 1.9.1863), juiz de Direito do julgado de Paredes (1845), comandante da 1ª Companhia de Granadeiros do Regimento nº 11 de Infantaria na guerra civil (por D. Miguel), 8º senhor da casa do Valinho, em Beire (Paredes), 10º senhor da quinta do Maravedi, em Mafamude (V.N. de Gaia), etc. Este casal deu a António Augusto Teixeira de Vasconcellos doze netos, dos quais só quatro tiveram geração, que vai esquematizada em DESCENDÊNCIA.  A mulher de Teixeira de Vasconcellos, D. Antónia Adelaide Vasques da Cunha e Alarcão de Portocarrero, 12ª senhora da quinta do Paço de Valpedre, nasceu a 22.4.1812 na quinta da Maragoça, em Valpêdre (Penafiel), em cuja capela foi baptizada a 5 de Maio. Era filha de António Procópio de Pina e Mello de Argôllo de Queiroz, nascido em 1787 - Cajaíba, na Baía (Brasil), e de sua mulher (casados a 22.2.1808 em Valpedre) D. Maria Jerónima da Cunha e Castro Ferraz de Brito Ozorio de Portocarreiro, 11ª senhora da quinta do Paço de Valpedre, onde viveram e ele faleceu viúvo a 26.11.1831, sendo também moradores na antedita quinta da Maragoça e no palácio da Bandeirinha, no Porto, onde ela faleceu a 4.4.1823; neta paterna de Luiz Carlos de Pina e Mello, natural da cidade de Elvas, FCR, sargento-mor e capitão de Cavalaria do 2º Regimento da Baía, capitão da Capitania da Baía, etc., e de sua mulher D. Luiza Clara de Argôllo de Queiroz e Gusmão, natural da Baía, irmã de Paulo de Argôllo de Queiroz, fidalgo da Casa Real (12.6.1780), primos-direitos do 1º conde de Passé, todos referidos no meu estudos sobre os Argollo; neta materna do Dr. Francisco Luiz de Brito de Araújo e Castro, juiz e provedor das vilas de Ourém e Castelo Branco (2.4.1778), cavaleiro da Ordem de Cristo (25.5.1782), 7º morgado de Stª Bárbara de Cazal-Soeiro, junto à vila dos Arcos de Valdevez, etc., e de sua mulher D. Ana Luiza da Cunha Coutinho Ozorio e Alarcão de Portocarreiro, chefe de armas desta linhagem, 2ª senhora do palácio da Bandeirinha, no Porto, 18ª senhora da Torre de Portocarreiro, 5ª morgada de Melres, 11ª senhora da quinta do Paço em Valpêdre, etc. Vide "Portocarreros do Palácio da Bandeirinha", Porto 1997, obra do autor desta página.

Portal armoriado do palácio da Bandeirinha, popularmente também chamado das Sereias, na cidade do Porto.

 

 

     

Brasão de armas, ex-libris e monograma usados por António Augusto Teixeira de Vasconcellos. O brasão de armas esquartelado de Teixeira, Leite, Vasconcellos e Castro, com Souza (do Prado) sobre o todo. Coronel de Nobreza com timbre de Teixeira. Divisa: Altiora Peto. Os leões que suportam o escudo têm no dorso as armas dos Vasconcellos. Estas armas estão representadas num conjunto de belas peças de porcelana (candeeiros de mesa e floreiras) mandadas fazer por Teixeira de Vasconcellos, que hoje pertencem à mulher do autor.

 

 António Augusto Teixeira de Vasconcellos com cinco dos seus oito netos homens.

Descendência

de António Augusto Teixeira de Vasconcellos

 

1ª GERAÇÃO

 

2ª GERAÇÃO

 

3ª GERAÇÃO

 

4ª GERAÇÃO

 

5ª GERAÇÃO

 

6ª GERAÇÃO

Dr. António Augusto Teixeira de Vasconcellos, jornalista, escritor e advogado, par do Reino, do Conselho de S.M.F., vice-presidente da Real Academia de Ciências, deputado, embaixador, moço-fidalgo da Casa Real, comendador da O.C., grã-cruz de Isabel

a Católica, etc., 

9º senhor da casa de Coura, em Bitarães (Paredes), 

10º da quinta da Vidigueira, em S. Cosme

de Besteiros (Paredes), 

7º da casa dos Castro, em Jugueiros (Felgueiras), etc.

Casado a 32.5.1834 com

D. Antónia Adelaide da Cunha e Alarcão de Portocarrero,

do palácio

da Bandeirinha, 

no Porto, 

senhora da casa do Barreiro,

em Stª Mª Madalena (Paredes), 

12ª senhora da quinta do Paço de Valpêdre (Penafiel), etc.

D. Maria Adelaide da Cunha Teixeira de Vasconcellos de Portocarrero, filha única e sucessora, 13ª senhora da quinta do Paço de Valpêdre, nascida

a 12.8.1838 na casa de Coura

e falecida a 22.7.1908 na sua casa do Barreiro.

Casou a 21.5.1854 na casa do Barreiro como Dr. João Corrêa

Pacheco Pereira de Magalhães, fidalgo da Casa Real (22.10.1875), comendador da Ordem de Nª Sª da Conceição de Vila Viçosa, administrador do Concelho de Paredes (1851/1863),

juiz de Direito

do julgado de Paredes (1854), 8º senhor da casa do Valinho, 

em Beire (Paredes), 

10º senhor

da quinta

de Maravedi,

em Mafamude (Gaia), etc.

Dr. José Corrêa Pacheco, advogado e ensaísta, administrador do concelho de Paredes, procurador da Junta Geral do Distrito

do Porto, vereador

da Câmara do Porto, provedor da Stª Casa da Misericórdia

do Porto. Nasceu

a 12.5.1857 na casa

do Barreiro,

em que sucedeu,

bem como na quinta

de Maravedi

C. a 22.2.1892

no Porto c.

D. Amélia da Costa Torres Guimarães

Eng. José Torres Corrêa Pacheco, engenheiro mecânico e electrotécnico 

6º senhor da casa

do Barreiro, 

12º senhor da quinta de Maravedi, etc.

C. a 2.9.1931 em Matosinhos c.

D. Elvira Ennes Granhão 

 

José Ennes Granhão Corrêa Pacheco, empresário, 

13º senhor da quinta

de Maravedi (que vendeu), senhor da quinta da Cova, em Santa Maria Madalena (Paredes)

C.c. D. Maria Filomena de Albuquerque de Oliveira da Quinta 

D. Inês de Albuquerque

Corrêa Pacheco

c.c. o Dr. Luís Maria Teixeira de Melo, gestor e administrador de empresas, c.g.

José Pedro de Albuquerque da Quinta Corrêa Pacheco, empresário agrícola, c.c. a

Drª D. Helena Cristina Afonso de Azevedo Osório, jornalista, c.g.

D. Sofia de Albuquerque Corrêa Pacheco, c.c. o 

Eng. José Paulo de Campos Seruca, engenheiro electrotécnico, gestor, c.g.

Miguel de Albuquerque Corrêa Pacheco, empresário

D. Maria Elvira Ennes Granhão Torres Corrêa Pacheco, 7ª senhora da casa do Barreiro

C.c. o Dr. José Moreira Guerner, médico 

D. Elvira Maria Corrêa Pacheco Guerner, c.c. o

Dr. D. Bernardo José

de Azeredo e Noronha de Brito e Faro, economista, c.g.

Drª D. Isabel Corrêa Pacheco Guerner, economista

José Luís Corrêa Pacheco Guerner

Cor. Dr. António Augusto de Portocarrero Teixeira de Vasconcellos, matemático, coronel de Artilharia, director da Escola Militar de Artilharia, chefe de Gabinete do Ministério da Guerra, comandante da 3ª Divisão do Exército (Porto), deputado, comendador das Ordens de Cristo e de Avis, etc.

C. a 9.2.1888 em Lisboa c.

D. Maria de Jesus Pereira Bretes 

Eng. Augusto

Bretes Corrêa

de Portocarrero Teixeira

de Vasconcellos, engenheiro agrónomo

C.a 31.7.1909 em Lisboa c.

D. Maria Emília Pimentel Maldonado Travassos Neves 

 

 

Drª D. Maria Emília Travassos Neves Teixeira de Vasconcellos, médica analista, fal. a 15.8.2001

C.c. o Prof. Dr. Luís Manuel Pereira de Sampayo Quintino Rogado, médico e professor 

Drª D. Maria Cristina Teixeira de Vasconcellos Quintino Rogado, médica, c.c. o 

Dr. Paulo Freire Moreira, gestor, c.g.    

Drª D. Maria Margarida Teixeira

de Vasconcellos Quintino Rogado, médica, c.c. o 

Dr. Miguel Teixeira de Mesquita Guimarães, médico, c.g.

Drª D. Maria Leonor Teixeira

de Vasconcellos Quintino Rogado, bióloga, c.c. o 

Dr. Heinrich Josef Stegemann, físico

D. Maria Antónia Travassos Neves Teixeira de Vasconcellos, fal. a 5.12.2011

C.c. o Prof. Dr. Carlos Alberto Lloyd Braga, engenheiro químico, Ph.D em Física, reitor das Universidades do Minho e Algarve, ministro da Educação, fal. a 27.5.1998 

D. Isabel Teixeira de Vasconcellos Lloyd Braga, secretária

Prof. Drª D. Teresa Teixeira

de Vasconcellos Lloyd Braga, professora., c.c. o 

Dr. Francisco Manuel Pereira do Valle, gestor, de quem está divorciada, c.g. 

Drª D. Ana Carlota Teixeira

de Vasconcellos Lloyd Braga, professora, c.c. o Dr. Filipe Nuno Pereira Fernandes Thomaz, biólogo, c.g. 

Luiz de Portocarrero Corrêa Craesbeck Pacheco Pereira, senhor da quinta do Pereiro, em Beire (Paredes), etc. Nasceu a 21.11.1861 na casa do Barreiro, onde faleceu novo a 19.1.1990.

C. a 4.10.1884 no Porto c.

D. Maria Albertina Corrêa de Sá e Moura

Luiz Corrêa de Sá Portocarrero

15ª senhor da quinta do Paço de Valpêdre. C. a 24.6.1922 em Lisboa c.

D. Maria Cristina Rebello Neves de Souza e Faro Diniz de Ayala

D. Maria Luiza de Ayala Corrêa de Sá Portocarrero,

C.c. o Eng. Mário Carneiro de Vasconcellos Ferreira da Silva, engenheiro químico

Prof. Drª D. Maria Luiza

de Portocarrero Ferreira da Silva, professora universitária,

c.c. o Dr. João Manso Maia

de Carvalho, advogado, c.g. 

Drª D. Francisca de Portocarrero Ferreira da Silva, professora e advogada

Drª D. Leonor de Portocarrero Ferreira da Silva, economista,

c. 1ª vez c. Carlos Ilharco

de Moura, c.g., a 2ª c. o

Dr. Fernando Moreira Leitão, economista

João Corrêa de Sá Portocarrero

C. a 25.3.1915 no Porto c.

D. Helena da Maya Pinto Malheiro Dias de Castro Monteiro 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Luiz Monteiro Corrêa de Sá Portocarrero

C.c. D. Helena de Paiva Fernandes 

D. Carmen Helena de Paiva Fernandes de Portocarrero c.c. o Dr. Eduardo Jorge de Almeida Mendes, médico

Eng. José de Castro Monteiro e Portocarrero,  engenheiro civil

C.c. D. Maria Fernanda de Castro Fernandes 

Eng. José Manuel de Castro Fernandes de Portocarrero, engenheiro têxtil, c.c. a Drª D. Inês Maria Chambers

de Amorim, advogada.

D. Helena de Castro Fernandes de Portocarrero, empresária

António Corrêa de Sá de Portocarrero, empresário

C.c. D. Brigite Hermine Clementine Marie Muller, tradutora  

 

 

 

Eng. Pedro Corrêa de Sá Portocarrero, engenheiro aeronáutico, c.c. Marie Terese DuPlicy, desenhadora de publicidade, c.g. 

Miguel Corrêa de Sá Portocarrero, empresário, c.c. D. Tereza Carneiro Bluemel, c.g.

Marcos Corrêa de Sá Portocarrero, empresário, c.c. D. Graça Maria de Brito Moura, c.g.

D. Mónica Corrêa de Sá Portocarrero, c.c. o Dr. Walter Poell, economista, c.g.

Rui Corrêa de Sá Portocarrero, empresário

D. Mª Isabel de Castro Monteiro Corrêa de Sá Portocarrero, empresária

C.c. Joaquim Eduardo Martins Pereira de Macedo, jornalista 

 

António Maria Portocarrero de Macedo c.c. D. Margarida Pinto Basto Stellur Symington, c.g. 

D. Isabel Portocarrero

de Macedo c.c. o Eng. Rui de Aguiar Moraes Sarmento, engenheiro civil, c.g. 

D. Maria José Portocarrero

de Macedo c.c. Carlos Manuel do Couto e Cunha, c.g.

Dr. Diogo Corrêa Teixeira

de Vasconcellos

de Portocarrero, professor e advogado, 

9º senhor da casa do Valinho, etc., nascido a 12.11.1879 na casa do Barreiro

C. a 5.9.1919 em Paredes c.

D. Rosalina Maria

da Conceição Mendes da Silva (Paredes), senhora do palácio da Granja, em Paredes, filha dos viscondes de Paredes

 

Manuel Mendes Corrêa Teixeira de Vasconcellos de Portocarrero, quadro superior da multinacional "Firestone", 

co-senhor da casa do Valinho, etc., nascido a 25.12.1926 no palácio da Granja (Paredes), em que sucedeu e viveu até 1964, ano em que o vendeu, fal. no Porto a 7.3.2005.

C. a 13.5.1952 em Paredes c.

D. Maria Camila

de Vasconcellos Carneiro Pinto de Souza Machado, senhora da casa das Quartas, em Santa Leocádia de Baião, fal. a 11.4.2009

 

Drª D. Maria José

de Souza Machado

de Portocarrero, gestora, directora-geral

C.c. o Dr. Manuel Eduardo Maria Machado de Abranches de Soveral, 

escritor, jornalista, investigador, professor, ensaísta, etc. 

Dr. Pedro Maria Martim 

de Vasconcellos

de Portocarreiro e Soveral, gestor, director de Markting e empresário, c.c. a Drª D. Márcia de Carvalho Lopez, economista, c.g.

Dr. José Diogo Maria 

Soares de Albergaria 

de Portocarrero e Soveral, director de Markting, professor universitário, c.c. a Drª D. Esther Slotboom, c.g.

Arq. Diogo Manuel

de Souza Machado

de Portocarrero, arquitecto

C.c. D. Inês de Oliveira Cameira Coelho e Souza 

 

D. Benedita Cameira Coelho e Souza de Portocarrero, c.c. Cristiano da Maia Gonçalves, empresário, c.g.

Dr. Miguel Maria Cameira Teixeira de Vasconcellos de Portocarrero, solicitador

Arq. João Maria Cameira Teixeira de Vasconcellos de Portocarrero, arquitecto

António Pedro 

de Souza Machado 

de Portocarrero, técnico de vendas

C.c. D. Maria Alberta Pinheiro Torres 

António Pedro Pinheiro Torres de Portocarrero, contabilista

Afonso Maria Pinheiro Torres de Portocarrero, estudante

Manuel Maria Pinheiro Torres de Portocarrero, estudante

Manuel José de Souza Machado de Portocarrero, empresário, fal. em 2004,

c.c. D. Maria Eduarda da Silva de Carvalho 

Drª D. Marta de Carvalho

de Portocarrero, jornalista

D. Mariana de Carvalho

de Portocarrero, estudante  

Drª D. Maria Antónia

de Souza Machado 

de Portocarrero, economista,

c.c. D. Lourenço José de Almada, 6º conde de Almada

Arq. D. Luís Manuel de Almada, arquitecto

Drª D. Catarina Vaz de Almada, licenciada em Markting

Nota: neste esquema só são referidas as pessoas que tiveram geração. 

Para mais vide "Portocarreros do Palácio da Bandeirinha", Porto 1997

 
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