regresso  bibliografia

 Manuel Abranches de Soveral

 

 

 

Ensaio sobre a origem dos Costa medievais

Escudo de armas dos Costa (infografia de Manuel Abranches de Soveral)

Escudo de armas dos Costa (infografia do autor)

Dos Costa medievais pouco ou nada se sabe; estão pura e simplesmente por estudar. De resto, é provável que tenham coexistido várias famílias deste nome, sem parentesco entre elas. Nomeadamente, sabemos que existiu também o nome Costas, no plural, que deve ter sido absorvido pelo mais divulgado nome Costa. É o caso, por exemplo, de João Costas, tabelião do crime em Lisboa em 1427. E outros terão tirado o chamadouro de lugares ou quintas deste nome, como é o caso dos Costa de Alpedrinha e provavelmente dos de Barcelos.

No séc. XIV tinha a quinta da Costa, no termo de Barcelos, um Afonso Esteves, que a perdeu por estar com Lourenço Buval contra o mestre de Avis, tendo este a 31.10.1384 doado para sempre a dita quinta a Luiz Domingues, cidadão do Porto, com a mercê de a poder vender, se quisesse.

 

O conde D. Pedro ignora os Costa, o que é já forte indício de que então não eram considerados uma linhagem de antiga nobreza. De resto, nem nenhum dos seus anotadores se refere aos Costa, salvo Lavanha, que diz terem sido pais de Afonso Anes de Brito um João Anes de Brito e sua mulher Madalena da Costa, filha de Gonçalo da Costa, privado de D. Afonso III e seu conselheiro, tudo isto sem explicar como o soube.

O conde D. Pedro limita-se a dizer que Afonso Anes de Brito era filho de N. de Brito e D. N.

Ora, o conde D. Pedro, que nasceu cerca de 1285 e escreveu o seu nobiliário entre 1340 de 1344, era neto de D. Afonso III. E custa a crer que não conhecesse os conselheiros e privados de seu avô e não soubesse que Afonso Anes de Brito, seu contemporâneo, era neto materno desse alegado Gonçalo da Costa, privado e conselheiro de D. Afonso III.

Por tudo isto, a informação de Lavanha carece de credibilidade.

Da mesma época de Lavanha (séc. XVII), e igualmente pouco credível, é a Monarquia Lusitana, onde, me parece, pela 1ª vez em obra publicada se procurou achar a origem medieval dos Costa. Mas só conseguiu encontrar dois (ML, III, 186): Gonçalo da Costa, no reinado de D. Afonso Henriques, e Martim Mendes da Costa, alcaide-mor de Évora no reinado de D. Afonso III. Embora adiante venha a falar num Pedro Soares da Costa que era igualmente alcaide-mor de Évora quando a 25.4.1279 confirmou a doação da herdade de Alvito que fizeram vários vizinhos de Évora a D. Estêvão Anes de Souza (ML, V, 50v e 51). Mas, quando trata do reinado de D. Afonso III, não refere aquele conselheiro e privado Gonçalo da Costa que só Lavanha conheceu…

 

Depois, Alão, com a prudência que o caracteriza, dá notícia de vários ramos Costa, sem os ligar entre si nem os remontar a época anterior ao séc. XV. E apenas nos Costa de D. Álvaro cita os dois Costa medievais que a Monarquia Lusitana refere e acrescenta mais dois, documentados no reinado de D.Fernando I: Lopo Afonso da Costa e Gonçalo Pires da Costa.

Só em Gouveia refere Gomes Gonçalves da Costa, dos de Viseu. E nos Costa Homem refere, sem os ligar, o tio materno deste Gomes, Pedro da Costa, casado com Isabel Nunes (Homem).

 

Monterroio (séc. XVIII) parece ter sido o primeiro a ordenar uma genealogia dos Costa medievais. Gaio, que se centra nos Costa de Alpedrinha, a que chama da Barca, e só no §207 fala dos Costa medievais ou de Mancelos, onde desenvolve uma montagem das informações dispersas na Monarquia Lusitana, Lavanha, Alão, Monterroio e outros tardios, cheia de correcções e dúvidas à sua própria montagem, até chegar ao Vicente Anes da Costa que na carta de armas (1564) do bisneto Francisco da Costa se diz que foi senhor da quintã e honra da Costa, em Mancelos, e do tronco desta linhagem.

 

Diz a Monarquia Lusitana que D. Afonso Henriques em 1154 mandou passar escritura do couto do mosteiro de Semide, na qual, entre os confirmantes, está um Gonçalo da Costa (Gunsalvos de Costa). Diz o autor que este documento é uma cópia, pelo que (entre outras coisas inerentes) não se pode saber a exacta posição e qualidade deste Gonçalo da Costa.

Fala depois a ML numa «certa memória de Santa Cruz de Coimbra, que está num livro escrito de mão», onde se diz que em 1155 (1193) foi a Santa Cruz contar o ouro do rei uma delegação capitaneada por D.Gonçalo de Souza e que integrava um Gonçalo da Costa.

 

Mas é certo que no reinado de D. Afonso Henriques existiu um Gonçalo da Costa, pois em 1149 testemunha a carta de couto que este rei deu a Mendo Eres e sua mulher Dordia Reinaldes para a sua quintã de Creixomil, no termo de Guimarães.

Dizem as genealogias tardias que este Gonçalo da Costa teve assento no couto de Mancelos, então em Santa Cruz de Riba Tâmega (hoje Amarante), onde fundou uma torre e uma capela sob a invocação de Nossa Senhora da Costa.

Segundo a tradição local, referida nomeadamente por Montebelo nas notas ao conde D. Pedro (Plana 359) - sendo que este já intitula os Fonseca como padroeiros e naturais do mosteiro de Mancelos -, foi Mem Gonçalves da Fonseca que em 1110 fundou o mosteiro de Mancelos. Mas isto é um anacronismo, pois este prócer só nasceu cerca de 1189. E o mosteiro deve ter sido de facto fundado na data indicada pela tradição, pois já é referido num breve de 1120 do Papa Calisto II a favor do bispo do Porto, conforme a «Crónica dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho». Donde, não só não pode tratar-se de Mem Gonçalves da Fonseca como é provável que o resto da tradição esteja correcta e o mosteiro tenha de facto sido fundado por um Mem Gonçalves. De resto, Mem Gonçalves da Fonseca e sua descendência são patronos e estão muito ligados a Salzedas, não a Mancelos. Dos muitos trinetos de Mem Gonçalves, apenas um, Rodrigo Anes da Fonseca, em 1339 se documenta na lista dos patronos de Mancelos sem justificação aparente, o que claramente indica que este direito lhe vinha por outro lado, talvez pela sua desconhecida mãe, mulher de João Afonso Michom. Dos outros quatro bisnetos e trinetos de Mem Gonçalves que figuram nessa lista (Vasco Lourenço, Mor Rodrigues e Lourenço Rodrigues da Fonseca, bisnetos, e Vasco Pires da Fonseca, trineto), o direito vem-lhes pelos Moreira. Com efeito, Gonçalo Rodrigues de Moreira, o famoso representante de D. Dinis nas inquirições gerais de 1288, é o único elo comum a estes quatro, uma vez que era avô de Mor Rodrigues e Lourenço Rodrigues, bisavô de Vasco Pires e genro de Vasco Lourenço.

Dada a onomástica, poderá esse eventual fundador de Mancelos Mem Gonçalves estar na origem dos Costa, uma vez que também é anacrónica a hipótese de se tratar de D. Mendo Gonçalves de Souza?

A Gonçalo da Costa dão as genealogias tardias um filho chamado Mem Gonçalves. Também não podia ser este, que terá nascido na final da 1ª metade do séc. XII, mas podia ser um seu avô homónimo, portanto o pai do dito Gonçalo da Costa. E, neste caso, esse Mem Gonçalves poderia ser filho Gonçalo Paes e neto de Paio Cavaleiro, naturais da Galiza, que Montebelo diz que foram pai e avô do Mem Gonçalves fundador de Mancelos, revelando até por esta genealogia de que se não trata do Fonseca, filho de Gonçalo Viegas e neto de Egas Mendes de Ribadouro.

Esta hipótese, contudo, fica prejudicada pelo facto de o conde D. Pedro aparentemente não considerar os Costa, que ignora, uma linhagem de antiga nobreza, o que seria certamente se descendesse do fundador do mosteiro de Mancelos no início do séc. XII.

Em alternativa, o 1º Costa, Gonçalo da Costa, que usaria o nome como simples chamadouro de origem, seria um dos muitos vilões melhorados que então floresciam, que tomou o nome da dita capela de Nossa Senhora da Costa que terá fundado em Mancelos, onde fez a quinta da Costa que aparece nos Costa do séc. XV, e se nobilitou ou engrandeceu no serviço real.

 

Mas terá Gonçalo da Costa sido pai de um Mem Gonçalves da Costa, como extrapolam as genealogias tardias, certamente para encaixar como filho deste o Martim Mendes da Costa que era alcaide-mor de Évora em meados do séc. XIII?

Do ponto de vista cronológico é possível, se considerarmos que Gonçalo da Costa terá nascido cerca de 1120 e seu alegado filho Mem Gonçalves cerca de 1150, o que permite que Martim Mendes da Costa tenha nascido cerca de 1180 e falecido depois de 1265. Este Mem Gonçalves, dada a notoriedade que seu alegado filho teve em Évora, muito provavelmente foi companheiro (mais novo) do célebre Giraldo Giraldes, o sem pavor, que em 1166 conquistou Évora, sendo esta a única cidade alentejana que não caiu durante a investida almoáda do séc. XII, só travada em 1190 em Tomar pelo mestre dos Templários D.Gualdim Paes e depois em Navas de Tolosa (1212) por D. Afonso VIII de Castela; D. Sancho VII de Navarra, D. Pedro II de Aragão e D. Afonso II de Portugal. Resultou daqui que os cristãos que resistiram em Évora conseguiram enriquecer consideravelmente, e entre eles, porventura em posição destacada, estaria esse Mem Gonçalves, que assim seria verdadeiramente o patriarca da ascensão dos Costa e talvez tenha mesmo casado com uma filha ou parente de Giraldo Giraldes, o sem pavor.

A Monarquia Lusitana diz que Martim Mendes da Costa em 1255 era alcaide-mor de Évora, quando confirmou a doação que a Câmara desta cidade fez a D. Estêvão Anes de Souza, chanceler e futuro genro de D. Afonso III, da parte que possuía da herdade de Alvito (ML, III, 186, e V, 51). O que é mais ou menos verdade, ou seja: em Outubro de 1257 D. Afonso III aprovou uma carta feita em Évora em Fevereiro desse ano, onde «Martinus Mendendi de Costa pretor et Joannes Stephani et Martinus Mendendi judices et concillium Elborensem» pedem ao rei que aprove a doação voluntária que o concelho fizera de Alvito ao chanceler D. Estêvão Anes (Chancelaria de D. Afonso III, livro 1). E a 4.2.1265 o mesmo rei (ib) confirma a D. João Peres de Aboim a doação e demarcação do termo de Portel feito pelo concelho de Évora a 17.1.1265, que é testemunhado por uma longa lista de pessoas, começando assim: «Petrus Roderici pretor Elbore, Suerius Roderici et Suerius Salvatoris judices Elbore, Valascus Velius, Stephanus Martini frater ejus, Joannes Johanis dictus Clerigus, Gonsalvus Dominici Pestana, Menendus Johannis Pestana, Martinus Menendi de Costa, Stephanus Petri de Costa, Johannes Alfonsi de Costa (...), milites». Temos assim que, a par dos Pestana, os Costa são então dos principais cavaleiros de Évora. Martim Mendes da Costa está acompanhado, como adiante proponho, de seus netos Estêvão Pires da Costa e João Afonso da Costa, todos cavaleiros fidalgos (milites). Três dias depois o mesmo rei aprovou os limites de Portel e Reguengos de Monsaraz, onde também testemunhou Martim Mendes da Costa, desta feita sem os netos.

 

Por outro lado, há um Mem Gonçalves que nas inquirições se documenta como tendo tido bens justamente em Santa Cruz de Riba Tâmega e que tem sido identificado com Mem Gonçalves da Fonseca, nascido cerca de 1189, portanto de uma geração posterior a esse alegado Mem Gonçalves da Costa. Sendo perfeitamente possível que este Mem Gonçalves não tenha usado o chamadouro do pai.

 

Diz Monterroio que o alcaide de Évora Martim Mendes da Costa casou com D. Tereza Mendes da Fonseca, filha de Mem Gonçalves da Fonseca, e que foram pais de Soeiro Martins da Costa, sendo este pai daquele Pedro Soares da Costa, alcaide-mor de Évora em 1279. E explica que este casamento se documenta, pois o casal possuía bens em Esmegilde. Esse documento de facto existe, só que Monterroio leu-o mal. Na verdade, João Martins e sua mulher D. Tereza Mendes, aí dita filha de Mem Gonçalves da Fonseca, documentam-se nas inquirições de 1275 como proprietários de duas herdades em Paredes, julgado de S. Martinho de Mouros. E este João Martins, dito filho de Martim Mendes, com a mesma D.Tereza Mendes possuía de facto uma herdade no Amieiro, termo de S. Lourenço e Stª Eulália de Esmegilde (Paço de Sousa).

Temos, portanto, que Martim Mendes não casou com D. Tereza Mendes mas era sim seu sogro, como aliás convém à cronologia. Assim, Martim Mendes teve pelo menos dois filhos: João Martins e Soeiro Martins. Sendo que provavelmente teve pelo menos ainda mais dois filhos, Pedro Martins e Afonso Martins, pais respectivamente de Estêvão Pires de Costa e de João Afonso da Costa, acima referidos. Sendo que aquele Estêvão Pires se documenta também como alcaide de Évora em Março de 1260, devendo ser irmão de Sancho Pires da Costa e pai de Soeiro Esteves da Costa, sendo este pai de Estêvão Soeiro da Costa, todos documentados em Évora (Gabriel Pereira, «Documentos históricos da cidade de Évora», 1885).

 

Voltando a João Martins (da Costa), o único que na verdade se documenta como filho de Martim Mendes, verifica-se que casou muito bem, com uma filha do poderoso D. Mem Gonçalves da Fonseca, o 1º deste nome, e deslocou-se para Norte, especialmente para a Beira Alta, onde D. Mem tinha o grosso dos seus bens. Tendo em conta que Martim Mendes nasceu cerca de 1180 e seu filho João Martins estava casado na Beira em 1277, é de presumir que este João Martins, certamente o filho mais novo, tenha nascido cerca de 1210 e seja avô dos dois Costa que se documentam na Beira na 1ª metade do séc. XIV: Lourenço Martins da Costa, escudeiro, que em 1343 era aio de Vasco Martins da Cunha, senhor de Tábua, já órfão e ainda menor; e Pedro da Costa, senhor de Lusinde (Penalva do Castelo, Viseu), fidalgo principal que viveu na cidade de Viseu e foi tronco dos Costa desta cidade, nomeadamente dos Costa Homem, morgados de Lajeosa, conforme refiro nas «Ascendências Visienses. Ensaio genealógico sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVII», Porto 2004, onde desenvolvo a sua descendência.

Assim, proponho a existência de um virtual Martim Anes, ainda por documentar, nascido cerca de 1250, como filho de João Martins e pai dos referidos Lourenço Martins e Pedro da Costa, nascidos cerca de 1285/95. Acresce que o filho deste Pedro da Costa se chamou Pedro Anes da Costa, recuperando assim o patronímico de seu virtual avô paterno, o que nesta época já acontecia. Aquele Pedro da Costa é muito provavelmente o homónimo que aparece várias vezes na chancelaria de D. Afonso IV como procurador de vários mosteiros, sobretudo da Beira, no recurso que fizeram para o rei das decisões das inquirições feitas sobre as jurisdições das honras e coutos, funcionando mais como juiz, uma vez que o rei sempre acatava as decisões que, a par com o procurador real, iam tomando sobre esses recursos. E ainda o Pedro da Costa que foi procurador do bispo de Lamego na demanda com a Câmara de Vila Real sobre o senhorio de Canelas, em Poiares, que venceu por sentença da rainha D. Beatriz de 12.9.1338.

Provavelmente também filho de João Martins e sua mulher foi um virtual Fernão Anes da Costa, que foi pai do Rui Fernandes da Costa, cavaleiro e vassalo, que, segundo informação que pessoalmente me deu José Augusto de Sotto Mayor Pizarro, se documenta a 27.10.1298 e 26.5.1305 como testemunha de D. Fernão Pires de Barbosa em Arouca e em Paço de Souza.

 

Temos, assim, que é com os filhos de Martim Mendes da Costa que se dividem os Costa nos dois ramos principais da família: o da Beira e o que permaneceu no Alentejo e depois se estendeu ao Algarve. Resta saber como segue o ramo que se manteve ligado a Mancelos. Gaio faz este ramo descendente daquele Gonçalo da Costa que Lavanha diz que foi privado e conselheiro de D. Afonso III, mas que não se documenta, a Monarquia Lusitana não refere quando trata este reinado, o conde D. Pedro ignora e, na verdade, não parece ter existido. Segundo Gaio, este Gonçalo da Costa seria filho de um igualmente não documentado Gomes Gonçalves da Costa e neto do 1º Gonçalo da Costa.

Este alegado Gomes Gonçalves, como filho do 1º Gonçalo da Costa, teria nascido cerca de 1140/50, e seu alegado filho Gonçalo o mais tardar em 1200. E Gaio repete a dose, fazendo este último Gonçalo pai de outro Gomes Gonçalves da Costa, avô de outro Gonçalo da Costa e bisavô de outro Gomes Gonçalves da Costa, tudo nomes que pura e simplesmente não se documentam. Fazendo um cômputo médio das gerações, este último alegado Gomes Gonçalves da Costa teria nascido nos finais do séc. XIII, sendo contemporâneo e mais ou menos da mesma idade de D. Afonso IV, em cuja chancelaria não aparece, nem sequer como apenas Gomes Gonçalves. E Gaio dá a este último Gomes Gonçalves um filho João Gomes da Costa (nenhum aparece na chancelaria de D. Pedro, onde constam apenas dois Joões Gomes, ambos plebeus, um de Lisboa e outro de Aveiro), que por sua vez faz pai do Vicente Anes da Costa que se documenta na já referida carta de armas de seu bisneto. Mas isto é um anacronismo, pois aquele João Gomes, nascido em meados da 1ª metade do séc. XIV, não podia ser trisavô de alguém que tirou carta de armas em 1564, cerca de 250 anos depois.

De forma que deve ser considerada totalmente fantasiosa essa genealogia que Gaio dá, confusa e timidamente, no §207.

 

Mas, então, de quem descendia Vicente Anes da Costa, nascido no inicio do séc. XV, que o processo para carta de armas do bisneto diz ter sido senhor da quintã da Costa, em Mancelos, e do tronco desta linhagem?

Na chancelaria de D. Afonso V aparecem já muitos Costa, mas nenhum Vicente Anes da Costa nem nenhum Costa ligado a Mancelos ou mesmo a Amarante. E não parece tratar-se do Vicente Afonso, morador em Mancelos, a quem a 24.4.1454 D. Afonso V perdoou a justiça régia pela fuga da prisão e concedeu carta de segurança pela querela que tivera com Gomes Anes, ali morador.

Contudo, a 9.11.1450 D. Afonso V perdoou o resto do degredo a Pedro Vicente da Costa e a Lopo Dias Portela, cavaleiros da sua Casa, dos dois anos a que foram condenados para a vila de Arronches, acusados da morte de Diogo Lopes, comendador em Castro Marim. Este Pedro Vicente da Costa pode ser filho de Vicente Anes da Costa e, portanto, irmão do Vasco Vicente da Costa referido na dita carta de armas.

Certamente que Vicente Anes era filho de um João nascido na 2ª metade do séc. XIV, que na verdade podia ser neto daquele Rui Fernandes da Costa, cavaleiro e vassalo, que se documenta a 27.10.1298 e 26.5.1305 como testemunha de D. Fernão Pires de Barbosa em Arouca e em Paço de Souza, onde terá herdado os bens de Esmegide de seus avós, uma vez que é o único deste nome que nesta época se documenta a norte do rio Douro. O que implicava que a dita quinta da Costa, em Mancelos, a ter sido fundada pelo 1º Gonçalo da Costa, terá seguido por Martim Mendes da Costa, alcaide-mor de Évora, e deste por seu filho João Martins e seu neto o virtual Fernão Anes acima referido. Se aceitarmos que, como dizem as genealogias tardias, Vicente Anes da Costa foi filho de um João Gomes da Costa, então poderia ser neto de um Gomes Rodrigues da Costa e bisneto do já referido Rui Fernandes da Costa, todos senhores da quinta da Costa, em Mancelos. Acresce que Mendonça Arraes fala num Vicente Anes da Costa que foi professo em Santa Cruz de Coimbra pelos anos da 1427, mas saiu do convento para prior da igreja das Colmeias, no termo de Leiria, tendo deixado vários filhos. Mas este, que se documenta apenas como D. Vicente Anes, é outro, que se for Costa é provavelmente dos de Viseu.
 

Voltando ao alcaide-mor de Évora Martim Mendes e a seu alegado filho Soeiro Martins da Costa, é aceitável que este tenha sido pai do Pedro Soares da Costa que em 1279 era igualmente alcaide-mor de Évora, segundo a Monarquia Lusitana, sendo certo que, segundo informação que pessoalmente me deu José Augusto de Sotto Mayor Pizarro, um Pedro Soares da Costa era alcaide-mor de Beja em Março de 1260, quando é testemunha de D. João de Portel.

Este Pedro Soares, que terá nascido cerca de 1237, diz Monterroio que foi pai de Afonso Soares da Costa e, por este, avô de D. João Afonso da Costa, mestre da Ordem de Avis, e de Lopo Afonso da Costa. Temos, portanto, que Afonso Soares terá nascido cerca de 1277 e Lopo Afonso e João Afonso cerca de 1300/3.

Esta cronologia concorda com a informação de que Lopo Afonso era juiz de Tavira em 1358 e com o facto de D. Fernando I, de quem era vassalo, a 23.4.1372 lhe ter confirmado o prazo de uma azenha em Tavira, em sucessão seu sogro João Galvão. Sendo talvez o Lopo Afonso, escudeiro, que a 22.1.1357 testemunhou em Évora um acordo sobre o morgadio dos Cogominho.

Mas não há nenhum João Afonso da Costa que tenha sido mestre da Ordem de Cristo, embora tenha exercido este alto cargo um D. João Afonso, falecido em 1353. Será o mesmo, que assim não usou o nome Costa? E será que o conde D. Pedro ia ignorar uma família que tinha um mestre da Ordem de Cristo, ainda por cima seu contemporâneo?

 

Como quer que seja, é certo que Lopo Afonso da Costa, que nasceu cerca de 1303, provavelmente em Évora, foi casar a Tavira com uma filha de João Galvão e foram pais de Afonso Lopes da Costa, morador em Tavira quando a 21.2.1384 teve do mestre de Avis confirmação do prazo de uma azenha no termo daquela vila e a mercê da dispensa do foro (que consistia num quarto da produção), certamente a mesma azenha que D. Fernando já confirmara ao pai. Deste Afonso Lopes foi filho Fernão Lopes da Costa, nascido cerca de 1363, que Gaio, quando trata os Galvão, diz que viveu em Évora, onde de facto casou cerca de 1387 com Mécia Martins da Silveira, nascida cerca de 1372, irmã mais velha de Nuno Martins da Silveira, 1º senhor de Terena (8.5.1436), escrivão da puridade de D.Duarte, rico-homem, fidalgo do Conselho, coudel-mor e vedor das obras do reino, alcaide-mor de Terena, embaixador a Castela, etc.

De Fernão Lopes da Costa e sua mulher Mécia Martins da Silveira foi filho Gonçalo Fernandes da Costa, que foi prior de Évora e na juventude teve um filho e duas filhas naturais a que deu o nome Galvão, sendo o filho o famoso Rui Galvão, n. cerca de 1405, escrivão da câmara de D. João I (pelo menos desde o início de 1429) e de D. Duarte, e depois secretário de D. Afonso V e fidalgo do seu Conselho (1463), com geração conhecida.

Alão chama àquele prior João Fernandes e diz que teve a alcunha de «o perna de vinho». Mas é quase certo que se chamou Gonçalo Fernandes, pois seu filho Rui Galvão, embora normalmente se documente apenas com este nome, por vezes aparece Rui Gonçalves Galvão, como a 17.3.1450 quando D. Afonso V privilegiou Rica, judia, viúva, mulher que foi de Judas Abaatar, mercador na cidade de Évora, isentando-a do direito de pousada, a pedido de Branca Gonçalves, mulher de Rui Gonçalves Galvão, seu secretário e cavaleiro da sua Casa.

 

Regressando ao Lopo Afonso da Costa casado com uma filha de João Galvão, deve também ter sido seu filho um virtual João Lopes da Costa, nascido cerca de 1333, que terá ficado a viver em Tavira e sido pai do Vasco Anes da Costa que Alão diz que foi cavaleiro honrado de Tavira nos reinados de D. Fernando I e D. João I e fronteiro-mor do Algarve, e que talvez seja o Vasco Anes, escudeiro, morador em Tavira, a quem o mestre de Avis doou a 30.3.1384 todos os direitos e rendas da mouraria da dita vila.

Deste Vasco Anes da Costa foi filho Vasco Anes Corte Real, o 1º deste nome, armador-mor do reino, falecido antes de 17.3.1463, que é dado como um dos «12 cavaleiros de Inglaterra». Segundo Alão, mudou o nome para Corte Real por «ser grande agasalhador dos cavaleiros que vinham à Corte; e por ele disse o dito Rei (D. Duarte), quando Vasco Eanes estava em sua Corte; era a sua Corte Real». Acrescenta Alão que foi alcaide-mor de Tavira e de Silves, o que não se documenta. O certo é que Vasco Anes Corte Real se documenta bem em Tavira desde 1433, nomeadamente como cavaleiro da Casa Real e armador-mor, e que já tinha falecido a 17.3.1463.

 

Soeiro da Costa, navegador, alcaide-mor (antes de 1439) e almoxarife (8.5.1433) de Lagos, nasceu cerca de 1391 e faleceu em 1472. Nenhuma genealogia refere a sua filiação, mas estou em crer que era irmão do único outro Costa que nessa época se documenta em Lagos, Lourenço Pais da Costa, nascido cerca de 1390, tabelião, escudeiro do infante D. Pedro, morador na vila de Lagos, que a 31.5.1443 foi nomeado procurador dos resíduos na dita cidade e seu termo e a 9.1.1444 escrivão perante o contador dos vassalos. Portanto, ambos filhos de um Paio, que devia ser irmão do referido Vasco Anes da Costa, de Tavira. Pela cronologia, é pelo menos de aceitar que Soeiro da Costa e aquele seu proposto irmão Lourenço fossem bisnetos de Lopo Afonso da Costa, o primeiro que vai para o Algarve pelo casamento com uma filha de João Galvão.

 

Finalmente, falta integrar os chamados Costa com Dom, descendentes de D. Álvaro da Costa, cuja filiação ainda não encontrei em fontes primárias, nem tão-pouco encontrei documentação sobre os que são apontados como seus pais, Martim Rodrigues de Lemos, que refiro no meu Ensaio sobre a origem dos Lemos portugueses, e sua mulher Isabel Gonçalves da Costa. Mas, dada a cronologia, estatuto e onomástica, não há razão para duvidar desta reiterada informação genealogia, que aliás se pode documentar indirectamente.

Com efeito, documenta-se que D. Álvaro da Costa era tio de Gaspar da Costa, ou Gaspar da Costa Cabral, fidalgo da Casa Real, fidalgo de cota de armas (21.8.1552), alcaide-mor de Sortelha e senhor da quinta de Ninho de Açor. E, na carta de armas deste, embora infelizmente os pais e avós não sejam nomeados, diz-se que Gaspar da Costa Cabral descendia, por seus pais e avós, dos Cabral, Costa e Lemos, e teve confirmado um escudo esquartelado com Cabral no 1º, Costa no 2ª e 3ª, e Lemos no 4º, o que concorda perfeitamente com a ascendência que se lhe conhece, ou seja, que era filho de Pedro da Costa Cabral e sua mulher D. Isabel Rodrigues (da Costa), filha esta dos referidos Martim Rodrigues de Lemos e Isabel Gonçalves da Costa.

Esta carta de armas serve também para afastar a ideia, que algumas genealogias tardias veiculam, de que D. Álvaro era dos Costa do cardeal de Alpedrinha.

Portanto, D. Álvaro da Costa era irmão de D. Isabel Rodrigues (da Costa), que casou com seu parente Pedro da Costa Cabral, senhor da quinta de Ninho de Açor, o que se documenta, pois a 11.10.1513 D.Isabel Rodrigues, viúva de Pedro da Costa, fidalgo da Casa Real, então moradora na vila de Tomar, fez procuração a seu filho Gaspar da Costa em todas as suas coisas e especialmente em um concerto que faz com seus enteados.

A filiação de Isabel Gonçalves da Costa nem as genealogias referem. Mas conhecendo a genealogia dos Costa desta região e época, é possível propor, até por exclusão de partes, que esta Isabel seja irmã de Gonçalo da Costa de Gouveia, nascido cerca de 1449, senhor de Papízios e de Stª Eufémia da Matança, fidalgo da Casa Real, fidalgo de cota de armas (6.8.1529, para Gouveia em pleno, por ser desta varonia), bem documentado filho de Gomes Gonçalves da Costa, senhor de Stª Eufémia da Matança, e de sua mulher Genebra Anes de Gouveia, sendo este Gomes Gonçalves irmão de D. João da Costa, bispo de Lamego (1448-1463) e prior de Stª Cruz de Coimbra, e de Pedro da Costa, corregedor de Além Douro, regedor da Casa do infante D. Pedro e desembargador da Casa da Suplicação, todos filhos de Gonçalo Fernandes de Gouveia e sua mulher Maria Anes da Costa, filha de Pedro Anes da Costa, senhor de Lusinde.

 

Por último, um esclarecimento sobre os Costa ditos de Alpedrinha, que surgem nos finais do séc. XV com o célebre cardeal D. Jorge da Costa (1406-1509), que antes de ser prelado se chamou Jorge Martins e que não pertencia a esta linhagem. O jovem Jorge Martins era filho de Martim Vaz, caseiro de uma quinta chamada da Costa, em Alpedrinha (Fundão), donde depois D. Jorge tirou o nome, que toda a sua família seguiu. Seus pais eram «gente mui baixa, popular e pobre» (Damião de Góis, seu contemporâneo). Ainda muito novo fugiu de casa de seus pais e foi guardar porcos para Santarém, e depois servir um estudante de Lisboa, onde então estava a Universidade. Em Lisboa estudou Latim, Filosofia e Teologia no hospício de Stº Elói e cedo se revelou a sua grande inteligência. Em pouco tempo já dava explicações de Latim a estudantes pobres, conseguindo assim algumas receitas que lhe permitiram prosseguir os estudos. Quando os cónegos de Santo Agostinho tomaram posse do hospício de Stº Eloi, onde ele estava, deram-lhe uma capelania no próprio mosteiro, então aí fundado. A sua fama de latinista levou D. Afonso V a chamá-lo em 1445 para mestre da infanta D. Catarina, por indicação do seu reitor. Foi depois bispo de Évora (1463), arcebispo de Lisboa (1464-1500) e de Braga (1501-1505) e conselheiro de D. Afonso V, tendo sido feito cardeal pelo Papa Sisto IV a 18.12.1476, com o título dos Santos Pedro e Marcelino, embora ficasse conhecido como o cardeal de Alpedrinha. Por desentendimentos com o príncipe, futuro D. João II, foi para Roma em 1483, donde governou os seus arcebispados e bispados e onde o seu prestígio e poder foi crescendo, não sendo Papa porque recusou. O Papa Alexandre VI deu-lhe o governo de toda a Igreja portuguesa e D. Jorge chegou a ser, ao mesmo tempo, arcebispo de Braga e de Lisboa, bispo de Évora, Porto, Viseu, Algarve e Ceuta, Dom abade de Alcobaça e de mais cinco abadias e de inúmeros priorados, nomeadamente a Colegiada de Guimarães, igrejas e conezias (embora aqui se estabeleça alguma confusão entre si e seu irmão homónimo), conseguindo, ao longo dos seus 103 anos de vida, uma imensa fortuna para si e para toda a sua família. Mas o cardeal de Alpedrinha não era, como se diz, filho de Catarina Gonçalves, a documentada mãe de seus meios-irmãos. Não tanto por esta Catarina Gonçalves ainda estar viva em 1492, porque podia ter a longevidade do filho, mas por se documentar mãe de Catarina da Costa que, como direi adiante, casou em 1468. Portanto, Catarina Gonçalves foi apenas madrasta do cardeal de Alpedrinha e mãe de seus meios-irmãos, substancialmente mais novos do que ele. Entre eles Jorge Vaz, depois também D. Jorge da Costa quando foi arcebispo de Braga (1486-1501); Martim Vaz (n. cerca de 1434 e fal. a 28.11.1521), depois D. Martinho da Costa quando foi arcebispo de Lisboa (1500-1521); a antedita Catarina da Costa, que em 1468 casou

(A 28.3.1468 D. Afonso V confirma o contrato de casamento e de dote e arras celebrado entre Pedro de Albuquerque, fidalgo da sua Casa, filho de João de Albuquerque, com Catarina da Costa, irmã de D. Jorge, arcebispo de Lisboa, do seu Conselho)

com Pedro de Albuquerque, irmão do conde de Penamacor; Isabel da Costa, que casou com D.João de Sottomayor, filho do conde de Caminha; Luiza (Vaz) da Costa, que casou com D. Cristóvão de Cardenas; Isabel (Vaz) da Costa, que foi a 1ª mulher do galego Pedro Álvares Marinho de Valadares, s.g., e Margarida Vaz, nascida cerca de 1450/5 (portanto 44 a 49 anos mais nova do que seu meio-irmão), que casou cerca de 1480 com Lopo Álvares (Feio). Aquela Catarina da Costa, então já como D. Catarina de Albuquerque, viúva de Pedro de Albuquerque, estando para professar em Stª Clara de Lisboa, fez a 28.8.1492 em Lisboa, pelo notário geral Martim de Guimarães, com outorga de sua mãe Catarina Gonçalves, a doação a seu irmão o arcebispo de Braga D. Jorge da Costa da sua quinta junto a Alcochete e das suas casas junto a S. Jorge. Esta quinta junto a Alcochete é certamente a quinta de Pancas, tanto mais que que este mesmo arcebispo D. Jorge da Costa a 6.8.1493, no tabelião de Braga João Fernandes, doou a Helena da Costa, filha de Margarida Vaz, sua irmã, e de Lopo Álvares, as casas e quinta de Pancas, termo de Samora Correa, em vínculo para si e sua geração, e se sua linha findar passaria à de Pedro Feio, irmão da doada. Portanto, ao contrário do que se diz, não foi o cardeal de Alpedrinha mas seu irmão homónimo que doou a quinta de Pancas, em morgadio. E não foi doada a Margarida Vaz, mas sim a sua filha Helena da Costa. A quinta de Pancas teria assim passado a Pedro de Albuquerque e sua mulher Catarina da Costa, que não tiveram geração, por doação, aí sim talvez do cardeal, que a obteve necessariamente por compra a D.Fernando de Vasconcellos, que a tivera de seu sogro D. Pedro de Menezes. Com efeito, a 10.5.1459 D. Afonso V confirmou a D. Fernando, seu sobrinho, a coutada das terras da comarca de Pinhel e Torrão, com todos os pastos, montes, ribeiras e charnecas, e da quinta de Pancas e seus termos. E a 12.4.1434 D. Duarte confirmou ao conde D. Pedro de Menezes o couto da sua quinta de Pancas, no Ribatejo, junto a Samora Correa. Acontece que nem Helena da Costa, a beneficiada, nem seu irmão Pedro Feio tiveram descendência. Este, nascido em 1485, era então criança e veio a ser o bispo D. Pedro da Costa, nomeado como sucessor do irmão no bispado do Porto em 1507, com 22 anos de idade, tomando posse só em 1511, exercendo até 1535 e vindo a falecer em Espanha em 1563, tendo aí sido bispo de Leão e depois de Osma. Margarida Vaz e seu marido Lopo Álvares (como se documenta, embora pelo nome do filho devesse ser da família Feio) tiveram vários filhos, alguns dos quais teriam já seguido a carreira eclesiástica em 1493 e por isso não foram nomeados no vínculo. Nomeadamente Cristóvão da Costa, tesoureiro-mor da Sé de Lisboa, que instituiu o morgadio de Santa Catarina, em Alpedrinha, e que mandou trasladar o corpo de seu tio D. Martinho de Gibraltar para Lisboa, onde o fez sepultar na Sé; D. Diogo (Álvares) da Costa, também bispo do Porto (1505); D. António (Álvares) da Costa, igualmente bispo do Porto (1505), fal. em 1507; Joana da Costa casada com Francisco Machado Freire, cuja geração acabou por suceder no morgadio de Pancas; e João da Costa, nascido cerca de 1490, que sucedeu a sua irmã Helena no morgadio de Pancas, que em 1559 rendia 200.000 reais. Este João teve vários filhos s.g., sucedendo a filha D. Helena da Costa, a quem D. João III confirmou a coutada da sua quinta de Pancas, que casou três vezes mas não deixou geração, sucedendo-lhe no morgadio de Pancas seu primo Cristóvão da Costa Freire, neto da antedita Joana da Costa, que foi o 4º morgado de Pancas.

O cardeal D. Jorge usou um escudo eclesiástico com a roda de navalhas de Stª Catarina, usado também por seus irmãos arcebispos e sobrinhos bispos e restantes parentes eclesiásticos. Mais tarde, a sua família usou estas armas partidas com as dos Costa, a que não tinham direito.

 

As armas dos Costa medievais são falantes, ou seja, representam o próprio nome: de vermelho, seis costas de prata postas em três faixas e dispostas em duas palas, firmadas nos flancos do escudo. Timbre: duas costas de prata passadas em aspa e atadas de vermelho. Segundo alguns autores, as peças representam um tipo de facas de sapateiro de lâmina curva e sem ponta, precisamente designadas de «costas», o que poderá querer dizer alguma coisa sobre a sua origem.

 

Segue abaixo um esquema da reconstituição genealógica dos Costas até aos inícios do séc. XVI, onde, sobretudo nos da Beira, reproduzo parte do que publiquei em «Ascendências Visienses. Ensaio genealógico sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVII», Porto 2004. As filiações que não são documentas ou seguras estão antecedidas por um ponto de interrogação.

Mas fora deste esquema ficaram muitos indivíduos que usaram o nome Costa e documentei nos finais do séc. XIV e no séc. XV, sem contudo recolher elementos suficientes sequer para propor um lugar nessa tentativa de reconstituição. Desde logo, em Évora, onde se documentam os mais antigos Costa, alguns ficaram por integrar, como é caso do cónego Álvaro da Costa, do prior de Beja Pedro da Costa e de Tristão da Costa, todos indivíduos não identificados, documentados na época medieval em Évora por Gabriel Pereira («Documentos históricos da cidade de Évora», 1885).

Eis a extensa lista dos restantes Costa que falta integrar, no caso de serem integráveis, pois misturam-se nela plebeus e nobres, todos usando o mesmo apelido:

 

·          Nicolau da Costa, a quem o mestre de Avis doou a 9.5.1384 uma casas na cidade do Porto, à Fonte Ourina.
·          Martim Vasques da Costa, morador na cidade do Porto, cujo escudeiro Diogo Afonso, vassalo de D. Afonso V, a 21.2.1455 teve carta de privilégio para todos os seus  caseiros, mordomos, apaniguados e lavradores, que viverem e lavrarem, nas suas terras, quintas e casais.
·          João da Costa, guardador dos postos da comarca de Torre de Moncorvo (9.2.1439).
·          Rodrigo Esteves da Costa, que de Joana Gonçalves, sendo ambos solteiros, teve um filho chamado Estêvão Rodrigues, que vivia em Setúbal quando foi legitimado por carta real de 23.9.1404.  
·          João Esteves da Costa, escudeiro do infante D. Pedro, moço dos contos da comarca do almoxarifado de Santarém (1440). A 17.9.1442 D. Afonso V perdoou a justiça régia e dá carta de segurança a João Fernandes, almocreve, morador na vila de Santarém, acusado de maus tratos na sua mulher Zizila Eanes, criada de João Esteves da Costa, a quem também bateu, e da fuga da prisão da dita vila, contanto que se livre de direito do que fora acusado.
·          Martim Gomes da Costa, escudeiro do infante D. Henrique, morador em Santarém. A 26.7.1441 D. Afonso V perdoa a justiça régia e concede carta de segurança a Martim Gomes da Costa, escudeiro do infante D. Henrique, acusado de tentar matar Diogo Martins, morador no termo de Santarém, e pela fuga da prisão, contanto que se livre de direito do que era acusado e preso. A 22.4.1446 o mesmo rei perdoa a justiça régia a Luiz Anes, lavrador, morador na Codeseira, termo da vila de Santarém, culpado de ter morto um cavalo de Martim Gomes da Costa, escudeiro, morador na dita vila, tendo pago 500 reais de prata.
·          João [Soares] da Costa, morador na vila de Santarém, que a 24.9.1450 foi nomeado, novamente, para o cargo de procurador do número nessa vila.
·          Estêvão da Costa, morador em Santarém, que a 15.4.1453 teve licença real para andar de besta muar de sela e freio.
·          Jorge da Costa, escudeiro da Casa de D. Afonso V, a quem a 18.11.1465 este rei perdoa a justiça régia, sendo acusado da morte de Álvaro Pires, na vila de Santarém, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que foram servir na armada para África no ano de 1463.
·          João da Costa, cavaleiro da Casa de D. Afonso V, morador na vila de Santarém, nomeado corregedor da comarca e correição da Estremadura a 6.1.1471 e confirmado a 23.3.1473. A 19.10.1475 D. Afonso V doa a João da Costa, cavaleiro da sua Casa e corregedor na comarca da Estremadura, uma tença anual de 10.000 reais de prata, até obter o ofício de ouvidor na cidade de Lisboa. A 5.8.1476 João da Costa, cavaleiro, vizinho de Santarém, foi confirmado pelo rei na nomeação feita pelo concelho e homens bons da vila de Santarém para o cargo de vedor de todas as despesas e obras de Santarém, em substituição de João Rodrigues, havendo de mantimento 2.000 reais de prata. E a 27.8.1476 privilegia vitaliciamente João da Costa, antigo corregedor da comarca da Estremadura, que foi durante oito ou nove anos, concedendo-lhe todos os privilégios e liberdades que têm os desembargadores da Casa da Suplicação.
·          Maria da Costa, mulher solteira, estante na vila de Santarém, que a 20.1.1476 teve perdão da justiça régia, da prisão e de ser citada civelmente, pelo pecado que cometera sendo manceba de Vicente Lourenço, escudeiro do chanceler-mor, tendo na mesma data sido concedido igual perdão a este Vicente Lourenço, contanto que não volte a ter outras mancebas.
·          Gonçalo da Costa casado com Catarina Anes. A 9.10.1440 D. Afonso V perdoa a justiça régia a João do Vinhal, morador no julgado de Valdevez, acusado de ter levado Catarina Anes, mulher de Gonçalo da Costa, na sequência do perdão geral outorgado para reduzir o despovoamento de alguns lugares do reino.
·          Fernando Lourenço da Costa, escudeiro do infante D. Pedro, morador em Beja. A 16.1.1441 seu criado Fernão Rodrigues foi nomeado homem do almoxarifado dessa vila.
·          João Rodrigues da Costa, almoxarife em Beja, que a 15.4.1443 teve quitação da verba de 2.054.857 reais de prata, relativa aos anos de 1440-1441 e 1441-1442, conforme apresentação do relatório de receitas e despesas.
·          Fernão Rodrigues da Costa, vassalo de D. Afonso V, morador em Beja, que a 10.8.1456, a pedido da infanta D. Catarina, teve privilégio real de aposentação sem ter atingido a idade de 70 anos, com todas as honras, liberdades e franquezas. Talvez irmão do anterior.
·          Afonso da Costa, alcaide pequeno de Beja. A 29.8.1451 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Lourenço Vicente Alcouchel, escudeiro, seu vassalo, morador na vila de Beja, acusado de tentar matar Afonso da Costa, alcaide pequeno de Beja, morador na dita vila, mediante o perdão das partes, tendo pago 300 reais para a Piedade.
·          Mem Rodrigues da Costa, escudeiro e criado do infante D. João, nomeado a 20.3.1443 tabelião de Oriola (Portel) e Aguiar (Viana do Alentejo). Talvez pai do seguinte.
·          Mem Rodrigues da Costa, escudeiro, criado de Nuno Martins da Silveira, morador em Portel, nomeado a 22.11.1454 tabelião do cível e crime de Aguiar e a 21.1.1463 escrivão das sisas de Oriola. Talvez filho do anterior.
·          João Rodrigues da Costa, juiz dos órfãos de Serpa, que a 5.6.1444 foi substituído no cargo de coudel desta vila e a 13.3.1450 nomeado juiz e contador dos resíduos das obras régias e piedosas.
·          Rui da Costa, morador em Serpa, morto antes de 8.6.1464, talvez filho do anterior. A 23.6.1452 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Rui da Costa, morador em Serpa, na sequência do perdão geral outorgado aos que participaram nos desacatos e assaltos entre João de Mello e Rui Dias, e os seus, nos quais morreram João Vasques Sarilho, Luiz Marques e João Moura. A 8.6.1464 perdoa a justiça régia a Afonso Esteves Afonso, morador em Moura, acusado da morte de Rui da Costa na vila de Serpa, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada real em Ceuta, e mediante o perdão das partes.
·          Gonçalo Nunes da Costa, lavrador, morador na freguesia de Gavisco, termo da vila de Valença, que a 6.3.1445 teve cartas de perdão e segurança, acusado de ter ferido Martim Gonçalves, serralheiro, morador na dita vila, e de ter fugido da prisão.
·          Rui da Costa, morador em Pinheiro, termo de Valença do Minho, que a 3.7.1462, a pedido de Álvaro Veloso, escudeiro de Álvaro do Souto, teve privilégio real que o isentava do pagamento de diversos impostos ao concelho, de ser posto por besteiro do conto, de qualquer encargo, servidão e ofício concelhio, bem como do direito de pousada.
·          João da Costa, cavaleiro, morador em Évora, que por morte de sua mulher deixou bens de raiz no termo de Évora e de Lavar ao mosteiro de S. Francisco de Évora, que a 19.12.1445 D. Afonso V doa a Álvaro de Brito, cavaleiro da sua Casa e vedor mor das artilharias régias da guerra.
·          João da Costa, lavrador, que foi morto por Vasco Domingues de Sela. A 20.4.1446 D. Afonso V perdoa a justiça régia e concede carta de segurança a Gil Eanes, sapateiro, morador no arrabalde da cidade de Braga, acusado de falso testemunho sobre esta morte.
·          João da Costa, escudeiro da Casa de D. Afonso V, que a 16.11.1449 lhe doou todos os bens móveis e de raiz que pertenciam a Vasco de Brito, escudeiro do infante de D. Pedro, que os perdera por ter ido na batalha de Alfarrobeira ao lado do dito Infante.
·          Pedro da Costa, criado e escudeiro da rainha D. Isabel, contador da cidade de Lisboa, fal. antes de 3.1.1464, casado com Isabel Anes (filha de João Martins), mãe de João, Antão e Joana. A 15.1.1450 D. Afonso V privilegia Pedro da Costa, recebedor da sisa geral dos vinhos de Lisboa, concedendo-lhe uma tença anual, para seu mantimento e vestir de 735 reais de prata. A 30.3.14(51) o mesmo rei nomeia Pedro da Costa, criado e escudeiro da rainha, para o cargo de contador da cidade de Lisboa. A 4.5.1451 privilegia João de Viseu e sua mulher Inez Afonso, moradores em Santarém, termo da cidade de Lisboa, concedendo-lhes licença para que por suas mortes doassem os seus bens móveis e de raiz a Pedro da Costa, criado e escudeiro da rainha D. Isabel. A 27.5.1455 nomeia Pedro da Costa, escudeiro da rainha D. Isabel, e a seu pedido, para o cargo de contador dos contos na cidade de Lisboa, em substituição do seu sogro, João Martins, que fora aposentado, por se encontrar velho e já não poder exercer devidamente as suas funções. A 7.10.1463 nomeia Pedro Anes, criado de Pedro da Costa, escudeiro da sua Casa, contador dos contos na cidade de Lisboa, para o cargo de requeredor da sisa da merçaria nessa cidade. A 3.1.1464 nomeia João Gonçalves, escrivão da alfândega de Lisboa, para o cargo de contador dos resíduos da dita cidade, em substituição de Pedro da Costa, que morrera. A 8.12.1465 D. Afonso V confirma o perfilhamento de João, Antão e Joana, filhos de Isabel Anes, que fora casada com Pedro da Costa, morador em Lisboa, feito por Martim Gonçalves, escudeiro e feitor no condado de Frades, com direitos de herança. Possivelmente Pedro da Costa foi pai do que segue.
·          Tristão da Costa, escudeiro e cavaleiro da Casa do duque de Guimarães, contador dos contos da cidade de Lisboa, talvez filho do anterior. A 13.3.1464 D. Afonso V concede carta de privilégio a Tristão da Costa, escudeiro do conde de Guimarães, isentando todos os seus caseiros, lavradores, encabeçados, amos e apaniguados, de qualquer imposto e encargo concelhio, de serem postos por besteiros do conto, de ir com presos e dinheiros, de servir por mar ou terra, bem como do direito de pousada. A 9.10.1464 nomeia Tristão da Costa, escudeiro do conde de Guimarães, para o cargo da contadoria dos contos régios da cidade de Lisboa, a partir do momento em que vague o referido cargo, sem embargo de ser para além do número, com o mantimento, direitos e rendas. A 24.10.1471 concedeu a Tristão da Costa, contador dos contos da cidade de Lisboa, licença para andar de besta muar de sela e freio por todo o reino e senhorio. E a 10.10.1475 privilegiou Tristão da Costa, cavaleiro da Casa do duque de Guimarães, contador dos contos régios da cidade de Lisboa, mandando que quando ele deixar de exercer o dito cargo seja um seu filho maior a substitui-lo.
·          Martim da Costa, cavaleiro da Casa do duque de Bragança. A 21.1.1450 obteve um privilégio real para um sobrinho de seu amo, morador na freguesia de S. Pedro de Maxainhas.
·          João Domingues da Costa, morador em Porto de Mós, que a 27.5.1450 foi substituído no cargo de besteiro de cavalo por Martim Freire, morador em Cortes, termo de Leiria.
·          João da Costa, morador em Faro, que a 26.8.1451, juntamente com João Rodrigues, teve perdão da justiça régia e do degredo, tendo pago cada um 400 reais de prata para a Arca da Piedade. A 1.10.1452 D. Afonso V perdoa a Afonso do Casto, João da Costa, Afonso do Egipto, Rodrigo da Rapadoira, entre muitos outros, moradores no julgado de Faro, responsáveis por conduzir Lopo Rodrigues, escudeiro do arcebispo de Braga, morador em Valença do Minho, para a cadeia de Ponte de Lima, e por o deixarem fugir para a Galiza, numa emboscada.
·          Estêvão da Costa, cavaleiro da Casa do duque de Guimarães, que a 19.10.1475 teve uma tença anual de 2.000 reais de prata, pelos bons serviços prestados nos reinos de Portugal.
·          Rui da Costa, que teve querela com Luiz Pires Delicado. A 25.7.1454 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Luiz Pires Delicado, pela querela que dele dera Rui da Costa, contando que pague 1.000 reais para Arca da Piedade.
·          João Álvares da Costa, vassalo de D. Afonso V, morador em Atalaia, que a 22.9.1454 foi vedor dos vassalos nessa vila e de Asseiceira.
·          João da Costa, alcaide que foi de Pena do [Douro], que a 28.9.1455 teve carta real de perdão e segurança pela fuga da prisão do Limoeiro, da cidade de Lisboa, contanto que se livre de direito do que fora acusado e preso.
·          Henrique da Costa, escudeiro de D. Álvaro de Castro, morador em Castanheira, morto antes de 11.7.1463. A 29.9.1456 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Henrique da Costa, escudeiro de D. Álvaro de Castro, e a seu pedido, acusado de roubar a casa de João Lourenço, morador na Castanheira, e de levar e pecar na lei do casamento com sua mulher, Briolanja Rodrigues, na sequência do perdão geral outorgado pela ida contra o Turco, contanto que vá estar três anos na cidade de Ceuta, sendo os dois primeiros à sua custa e o último por conta régia. A 11.7.1463 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Gil Franco, morador na Castanheira, acusado da morte de Henrique da Costa, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados, contanto que não entre no lugar e termo onde ocorrera a dita morte.
·          Diogo da Costa, cavaleiro da Casa de D. Afonso V, a quem pediu e obteve a 25.6.1459 privilégio para Samuel Hudara, judeu sapateiro, morador na Covilhã, isentando-o dos encargos e serviços do concelho ou comuna onde morar, de ser posto por sacador ou taxador, de servir nas obras salvo se forem régias, bem como do direito de pousada, podendo levar para fora da vila os couros que quiser.
·          Fernão da Costa, homem-bom da Covilhã e procurador da Câmara às Cortes de 1459. A 24.6.1459 D. Afonso V, na sequência dos capítulos especiais apresentados pelo concelho e homens bons da vila da Covilhã nas cortes de Lisboa de 1459, por Afonso André e Fernão da Costa, seus procuradores, decide sobre o privilégio de não pagarem portagem em nenhum lugar do reino e os castigos a aplicar aos alcaides que não cumpram esse privilégio, as obras que se devem fazer para reparar os muros e barreiras da vila, os privilégios de alguns moradores, entre outros. Talvez irmão do anterior. Os quatro seguintes parecem seus filhos.
·          Sebastião da Costa, escrivão da câmara do infante D. Fernando, coudel da Covilhã, provavelmente filho do anterior. A 4.12.1465 D. Afonso V nomeia por 5 anos Sebastião da Costa, escrivão da câmara do infante D. Fernando, para o cargo de coudel na vila da Covilhã, em substituição de Gil Figueiredo e de João Fernandes, que terminaram o tempo de exercício do cargo.
·          Fernão da Costa, escudeiro, morador na Covilhã, provavelmente irmão do anterior, que a 2.9.1469 foi coudel desta vila e seu termo, por três anos, em substituição de Sebastião da Costa, que terminou o seu tempo de serviço.
·          Henrique da Costa, escudeiro do duque (D. Fernando?), provavelmente irmão do anterior, que a 15.7.1472 foi coudel da Covilhã, por três anos, em substituição de Fernão da Costa, que terminara o seu tempo de serviço, e a 7.3.1475 foi substituído por Martim Gomes Telles, escudeiro, morador na Covilhã.
·          João da Costa, escudeiro do arcebispo de Lisboa, provavelmente irmão do anterior, que a 3.8.1475 foi nomeado vitaliciamente para o cargo de coudel da Covilhã, assim que o titular do cargo termine o seu tempo de serviço e desde que tire carta de ofício de três em três anos.
·          Jordão da Costa, escudeiro e criado do infante D. Henrique, morador em Abrantes. A 19.12.1460 D. Afonso V doa a Jordão da Costa, escudeiro do infante D. Henrique, os bens que pertenceram a Vasco Gil de Orta e a seus filhos Afonso Vasques e Lourenço Vasques, moradores no termo de Abrantes, que os perderam por terem vendido alguns carneiros a um castelhano, sem licença régia. E a 13.9.1469 afora em enfatiota a Jordão da Costa, escudeiro e criado do infante D. Henrique, pelo seu casamento, duas azenhas de moer pão, situadas no lugar de Degraus, acima da vila de Abrantes, pelo foro anual de dois pares de capões, a pagar ao almoxarife da dita vila, a partir do Natal de 1470.
·          Rui da Costa, cavaleiro da Casa de D. Afonso V, que a 24.5.1466 este rei nomeou para o cargo dos contos régios nas comarcas de Leiria e Óbidos, em substituição de Luiz Pestana.
·          Pedro Álvares da Costa, nascido em 1376, morador em Castelo de Vide, acontiado em besta de garrucha, que a 18.7.1446 foi aposentado pela idade de 70 anos. Talvez pai de Fernão Pires da Costa (pai de Pedro da Costa, referido adiante).
·          Álvaro Martins da Costa, vassalo de D. Afonso V e vizinho em Castelo de Vide, que foi coudel desta vila (substituído a 19.7.1446 por Diogo Álvares, escudeiro do Infante D. Pedro, talvez seu filho), e a 7.6.1456 foi nomeado no cargo de sesmeiro nessa vila e seu termo, como o fora por eleição desse concelho. Parece pai do seguinte.
·          João Álvares da Costa, morador em Castelo de Vide, que a 30.5.1459 teve perdão da justiça régia, acusado de agredir Pedro, filho de Estêvão Pires, aí morador, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na conquista de Alcácer. Talvez filho do anterior e irmão do seguinte.
·          Nuno da Costa, escudeiro do prior e cardeal D. James, tabelião de Castelo de Vide em sucessão a seu sogro Álvaro de Matos, e cunhado de Rui de Matos (ascendente dos condes de Armamar) e Afonso de Matos. A 18.12.1461 foi nomeado para o cargo de tabelião das notas de Castelo de Vide, em substituição de Álvaro de Matos, seu pai (sogro), que renunciara. A 25.1.1469 D. Afonso V privilegia Nuno da Costa, escudeiro do prior, tabelião das notas na vila de Castelo de Vide, concedendo-lhe licença para pôr um homem no seu ofício, e que o exerça por ele, enquanto andar acompanhado de uma carta de segurança, em demanda de Gonçalo de Andrade, juiz da dita vila, por várias querelas. A 8.10.1471 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Afonso de Matos, escudeiro do duque de Viseu, e Rui de Matos, escudeiro da sua Casa, acusados por Gonçalo de Andrade, escudeiro da sua Casa e juiz que foi na vila de Castelo de Vide, e aí morador, de o terem ferido quando ia prender Nuno da Costa, seu cunhado, por querela que dele deu Pedro, homem solteiro, filho de Martinho Eanes, morador em Nisa, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e conquista da vila de Arzila e cidade de Tânger, bem como mediante o perdão das partes. A 14.10.1471 D.Afonso V perdoa a justiça régia e o degredo de dois anos a Nuno da Costa, escudeiro e criado do cardeal D. James, a que foi condenado para Ceuta, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e tomada de Arzila e cidade de Tânger. A 11.11.1471 o mesmo rei  perdoa a justiça régia a Vasco Pires, escudeiro da sua Casa, morador na vila de Castelo de Vide, pela querela que ele tivera com Nuno da Costa, tabelião, morador na dita vila, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e tomada da vila de Arzila, bem como mediante o perdão das partes. A 28.2.1472 perdoa a justiça régia a Eduardo Rodrigues, escudeiro de Vasco Martins de Mello, fidalgo da sua Casa e alcaide-mor de Castelo de Vide, acusado ter espancado e maltratado Nuno da Costa, morador na dita vila, e a Antão Rodrigues, tabelião na dita vila, mediante o perdão das partes e na sequência do perdão geral outorgado aos que foram na conquista da vila de Arzila e da cidade de Tânger. A 20.1.1473 nomeia Rui de Matos, escudeiro da sua Casa, nos cargos de contador dos feitos e custas e inquiridor na vila de Castelo de Vide, em substituição de Nuno da Costa, escudeiro que foi do cardeal D. Jaime, que renunciara.
·          Martim Dias da Costa, morador em Castelo de Vide, certamente parente do anterior, que a 8.10.1471 teve perdão justiça régia por ter ferido Gonçalo de Andrade, escudeiro da Casa Real e juiz que foi na vila de Castelo de Vide, ambos aí moradores, quando este ia prender Nuno da Costa, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e conquista da vila de Arzila, bem como mediante o perdão das partes.
·          Pedro da Costa (filho de Fernão Pires da Costa), morador em Castelo de Vide, a quem a 18.5.1475 D. Afonso V perdoa a justiça régia, acusado de ter ferido Vasco Fernandes, morador na dita vila, mediante o perdão das partes, tendo pago 800 reais de prata para a Piedade.
·          Álvaro Tristão da Costa, escudeiro da Casa do infante D. Henrique, que era procurador de Elvas em 1432.
·          Nuno da Costa (filho de Fernão Rodrigues, talvez casado com uma irmã do Álvaro Tristão da Costa anterior), moço da estribeira e depois escudeiro da Casa de D. Afonso V, tabelião do cível e crime e escrivão dos órfãos e dos resíduos de Elvas, em sucessão a seu pai. A 16.12.1465 D. Afonso V doa a Nuno da Costa, moço de estribeira de sua Casa, os bens que Catarina Fernandes, moradora em Elvas, deixara a Isabel Fernandes, sua criada, que morrera sem deixar testamento ou herdeiros. E a 26.12.1476 o mesmo rei nomeia Nuno da Costa, escudeiro da sua Casa, morador em Elvas, para os cargos de tabelião do cível e crime na dita vila e seu termo, e de escrivão dos órfãos e dos resíduos na dita vila, tudo em substituição de seu pai, Fernão Rodrigues, que renunciara ao cargo a favor dele, pois possuía um alvará passado pelo rei segundo o qual por sua renúncia ou morte o cargo passaria para o seu filho.
·          Álvaro Tristão, cavaleiro do conde de Loulé, capitão e regedor régio das vilas de Arzila e Alcácer, que a 10.5.1472 foi nomeado para o cargo de vedor das obras da vila de Arzila. Certamente o Álvaro Tristão, de Elvas, irmão de Tristão da Costa, que segue, e provavelmente também irmão do anterior, Nuno da Costa. 
·          Tristão da Costa, moço da câmara da Casa de D. Afonso V, que a 26.7.1464 teve deste rei os bens móveis e de raiz que pertenceram a Álvaro Tristão, seu irmão, cavaleiro, que os perdeu por matar Gil Anes, de Elvas. Este Álvaro Tristão parece o anterior. Tristão da Costa é certamente o pai dos que seguem.
·          João da Costa, Lourenço da Costa e Fernando Aranha, irmãos, escudeiros, moradores na vila de Elvas, certamente filhos do anterior. A 12.6.1469 D. Afonso V concedeu-lhes licença para uso e porte de armas nesta vila e seu termo e por todo o reino e senhorio, em virtude de se sentirem ameaçados por Pedro Martins e Nuno de Góis, acusados na morte de seu pai. Já a 6.10.1463 D. Afonso V doa a Águeda Fernandes, viúva de Gil Anes, morador na vila de Elvas, e a seus filhos, e a João da Costa, Rui da Costa, Lourenço da Costa, Álvaro, Beatriz Fernandes, Leonor, Catarina, Maria e Isabel, todos os bens que pertenceram a Álvaro Tristão e a Pedro Martins, alcaide pequeno da vila de Elvas, moradores nessa vila, que os perderam por terem morto o dito Gil Anes. E a 19.4.1473 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Pedro de Góis, escudeiro, morador na vila de Elvas, acusado de, juntamente com Álvaro de Abreu, morador na dita vila, filho de Rui de Abreu, terem ferido João Fialho, filho de Gil Anes Fialho, bem como pela fuga e quebra da prisão, mediante o perdão das partes, tendo pago 1.000 reais para a Arca da Piedade. E a 8.4.1459 o mesmo rei perdoou a Águeda Fernandes, morador na vila de Elvas, por querela que dela deu Pedro Martins, alcaide pequeno da dita vila, mediante o perdão das partes. E já a 9.4.1953 perdoara quatro meses de degredo a Fernão Lourenço, morador na vila de Elvas, dos seis a que foi condenado para fora da dita vila, acusado por Gil Anes Fialho de o ter ferido numa campanha de Frei Daniel, comendador do Hospital, tendo pago 200 reais de prata para  a Arca da Piedade. Finalmente, a 29.11.1469 D. Afonso V perdoa a justiça régia e concede carta de segurança a Fernando Aranha, escudeiro, morador na vila de Elvas, pela fuga da prisão do castelo desta vila, acusado por vários oficiais da dita vila de ser responsável pela fuga de Nuno Machado, quando o levavam preso, contanto que se livre de direito do que fora acusado.
·          João da Costa, cavaleiro, vassalo de D. Afonso V, a pedido de quem este rei a 26.5.1462 privilegia Afonso Anes, morador em Pernes.
·          João da Costa, escudeiro do conde de Atouguia, que a 13.6.1462 foi nomeado escrivão das sisas dos panos da feira de S. Sebastião de Ribadalva e das sisas da Lourosa, apesar de este ser exercido por Gomes Garcia, que comprara o dito cargo.
·          João da Costa, que a 16.2.1464 teve perdão da justiça régia, sendo culpado da morte de um homem junto ao mosteiro de Serzeda, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada real em Ceuta.
·          Afonso da Costa, cavaleiro da Casa do conde de Vila Real, que a 20.2.1464 teve privilégio real, a pedido do conde, para que à sua morte possa o referido conde tomar à sua conta o filho maior do referido cavaleiro.
·          Álvaro da Costa, vassalo de D. Afonso V, escudeiro do duque de Bragança e morador na vila de Monforte, que a 8.3.1464 teve carta de privilégio para todos os seus caseiros, mordomos e apaniguados que estiverem nas suas herdades, encabeçados, quintas e casais.
·          João da Costa, escudeiro, morador em Avis, que a 20.7.1468 foi nomeado, por três anos, para o cargo de coudel de Ponte de Sôr e seu termo. A 19.8.1472 D. Afonso V nomeia por três anos Álvaro Mendes, escudeiro, morador na vila de Avis, para o cargo de coudel da vila de Ponte de Sôr e seu termo, em substituição de João da Costa, que tinha terminado o seu tempo de serviço.
·          Garcia da Costa, criado de D. Jorge, arcebispo da cidade de Lisboa, que a 26.7.1469 teve perdão da justiça régia e carta de segurança por, juntamente com outros homens, ajudar a tirar João Gonçalves do poder dos homens do alcaide da dita cidade, contanto que vá estar dois anos na vila de Alcácer, em África. E a 2.1.1470 D. Afonso V perdoa o degredo de dois anos a Garcia da Costa, criado de D. Jorge, arcebispo da cidade de Lisboa, a que fora condenado para a vila de Alcácer, em África, tendo pago 500 reais de prata para a Arca da Piedade.
·          D. Rodrigo da Costa, fidalgo da Casa de D. Afonso V, a pedido de quem a 3.9.1469 este rei doa a Gomes Anes, escudeiro do camareiro-mor conde de Monsanto, e a seus herdeiros, a administração da capela de Santa Cruz, situada na cidade de Lisboa, instituída por Bento Martins e Beatriz Martins, sua mulher, em substituição de Gil Afonso, morador no Lumiar, cidade de Lisboa, que a recebera de seu pai, Gil Afonso, morador na Ameixoeira, termo desta cidade, que morrera.
·          Rui da Costa, escudeiro de D. Pedro de Meneses, que a 6.7.1470 foi nomeado para o cargo de administrador da capela da igreja de Santa Maria de Vila Viçosa, instituída por Afonso Dias, mercador, aí morador, contanto que cumpra as cláusulas dispostas pelo dito Afonso Dias.
·          Afonso da Costa, escudeiro da Casa de D. Afonso V e escrivão dos varregos da sisa da marçaria da cidade de Lisboa (17.5.1471), em substituição de Afonso Fernandes, escudeiro da Casa Real, que morrera. A 23.11.1471 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Afonso da Costa, escudeiro da sua Casa, morador na cidade de Lisboa, acusado de ferir João Martins, tanoeiro, aí morador, mediante o perdão das partes e na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada de Arzila. A 24.4.1475 o mesmo rei nomeia Álvaro Anes, escudeiro do arcebispo D. Afonso Nogueira, para o cargo de escrivão dos varejos da sisa régia da marçaria da cidade de Lisboa, em substituição de Afonso da Costa, que morrera.
·          João da Costa, acontiado em cavalo, morador em Ramalde, termo da vila de Torres Vedras, que a 21.6.1471 teve carta de privilégio, isentando-o de participar em alardo e de ter cavalo, contanto que pague a jugada.
·          Álvaro da Costa, casado com de Mícia Rodrigues, morador em Vila Viçosa, fal. antes de 20.10.1471, data em que D. Afonso V doa ao duque de Guimarães todos os bens que ficaram por morte de Álvaro da Costa, marido de Mícia Rodrigues, morador em Vila Viçosa. A 17.11.1472 D. Afonso V privilegia Álvaro Martins, escudeiro do conde de Penela, culpado da morte de Álvaro da Costa, concedendo-lhe licença para ficar no couto de Monsaraz, sem embargo de ter sido condenado e degredado para fora da vila de Monforte até 10 léguas.
·          Sebastião da Costa, ouvidor do Mestrado de Cristo, que a 2.9.1472 teve licença para comprar alguns bens de raiz que Gonçalo Pacheco vendia na vila de Tomar.
·          Catarina da Costa, mulher de João Jaques, ourives, moradores na cidade de Coimbra, que a 15.3.1473 teve carta de perdão da justiça régia, culpada de mandar bater e ferir João Anes, tecelão, mediante o perdão das partes, tendo pago 600 reais para a Arca da Piedade.
·          Diogo da Costa, tabelião do cível e crime (28.10.1477) e escrivão das sisas (29.10.1477) de Montargil, em substituição de Gonçalo Pires, escrivão do celeiro régio de Almeirim, que renunciara.
·          João da Costa, cavaleiro, ouvidor em Vila Franca de Xira, casado com Guiomar Lourenço, que a 12.2.1475 teve uma tença anual de seis moios de trigo da corte do [Preso], que é na granja do paul da Ota.
·          João da Costa, criado de Paio Rodrigues de Araújo, morador em Barbudo, terra do duque de Guimarães, que a 2.8.1476 teve carta de perdão da justiça régia, sendo acusado de vários delitos, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram em Castela, e mediante o perdão das partes.
·          Fernão da Costa, recebedor da sisa do vinho na cidade de Lisboa, por cuja morte foi a 25.6.1480 substituído no cargo por Francisco Pestana, escudeiro e fidalgo da Casa Real.
·          Duarte da Costa, escudeiro, morador na Guarda, que a 20.6.1481 teve carta de perdão da justiça régia, por assalto e agressão física, mediante os instrumentos públicos de perdão feitos a seu favor, tendo pago 2.500 reais para a Piedade.

 

Esquema genealógico

§1

1.        Gonçalo da Costa, n. cerca de 1120, aparentemente o 1º deste nome. Em 1149 testemunha a carta de couto que D. Afonso Henrique deu a Mendo Eres e sua mulher Dordia Reinaldes para a sua quintã de Creixomil, no termo de Guimarães. Diz a Monarquia Lusitana que D. Afonso Henriques em 1154 mandou passar escritura do couto do mosteiro de Semide, na qual, entre os confirmantes, está um Gonçalo da Costa. Fala depois a ML numa «certa memória de Santa Cruz de Coimbra, que está num livro escrito de mão», onde se diz que em 1155 (1193) uma delegação capitaneada por D. Gonçalo de Souza, e que integrava um Gonçalo da Costa, foi a Santa Cruz contar o ouro do rei. Dizem as genealogias tardias que este Gonçalo da Costa teve assento no couto de Mancelos, então em Santa Cruz de Riba Tâmega (hoje Amarante), onde fundou uma torre e uma capela sob a invocação de Nossa Senhora da Costa, de que tirou o chamadouro. Dado o conde D. Pedro aparentemente não considerar os Costa, que ignora, uma linhagem de antiga nobreza, Gonçalo da Costa seria um dos muitos vilões melhorados que então floresciam, que tomou o nome da dita capela de Nossa Senhora da Costa, que terá fundado em Mancelos, onde fez a quinta da Costa que aparece nos Costa do séc. XV, e depois nobilitado ou engrandecido pelo serviço real.

1.1.  ?Mem Gonçalves (da Costa), n. cerca de 1150, que terá herdado a quinta da Costa, em Mancelos (Santa Cruz de Riba Tâmega). Talvez seja o Mem Gonçalves que nas inquirições se documenta com bens justamente em Santa Cruz de Riba Tâmega. Dada a notoriedade que seu alegado filho teve em Évora, muito provavelmente foi companheiro (mais novo) do célebre Giraldo Giraldes, o sem pavor, que em 1166 conquistou Évora, sendo esta a única cidade alentejana que não caiu durante a investida almoáda do séc. XII, só travada em 1190 em Tomar pelo mestre dos Templários D. Gualdim Paes e depois em Navas de Tolosa (1212). Resultou daqui que os cristãos que resistiram em Évora conseguiram enriquecer consideravelmente, e entre eles, porventura em posição destacada, estaria esse Mem Gonçalves, que assim seria verdadeiramente o patriarca da ascensão dos Costa. Talvez tenha mesmo casado com uma filha ou parente de Giraldo Giraldes, o sem pavor.

1.1.1. ?Martim Mendes da Costa, n. cerca de 1180 e fal. depois de 4.2.1265, que foi alcaide-mor de Évora entre 1246 a 1257. Em Outubro de 1257 D. Afonso III aprova uma carta feita em Évora em Fevereiro desse ano, onde «Martinus Mendendi de Costa pretor et Joannes Stephani et Martinus Mendendi judices et concillium Elborensem» pedem ao rei que aprove a doação voluntária que o concelho fizera de Alvito ao chanceler D. Estêvão Anes (CAIII, livro 1). A 17.1.1265, sendo referido como cavaleiro, testemunhou a marcação dos limites entre Évora e Portel, como também ficou dito.

1.1.1.1.   ?Soeiro Martins da Costa, n. cerca de 1204, tronco dos COSTA do Alentejo e Algarve, no §2, onde segue.

1.1.1.2.   ?Pedro Martins da Costa, n. cerca de 1206.

1.1.1.2.1. ?Estêvão Pires da Costa, n. cerca de 1230, que era alcaide-mor de Évora em Março de 1260 e a 17.1.1265, como cavaleiro, testemunha o referido acordo sobre os limites entre Évora e Portel.

1.1.1.2.1.1. ?Soeiro Esteves da Costa.

1.1.1.2.1.1.1.   ?Estêvão Soeiro da Costa.

1.1.1.2.2.  ?Sancho Pires da Costa, n. cerca de 1232.

1.1.1.3.   ?Afonso Martins da Costa, n. cerca de 1208.

1.1.1.3.1.   ?João Afonso da Costa, n. cerca de 1240, que a 17.1.1265 testemunha o referido acordo sobre os limites entre Évora e Portel.

1.1.1.4.   João Martins (da Costa), n. cerca de 1210, tronco dos COSTA da Beira, no §3, onde segue.

§2

COSTA do Alentejo e Algarve

1.   Soeiro Martins da Costa, n. cerca de 1204, filho de Martim Mendes da Costa, alcaide-mor de Évora, que ficou no §1. Poderá também ter sido alcaide-mor de Évora, ou de Beja, mas o mais provável é que tenha falecido novo, antes de 1265 e antes de seu pai.

1.1.  ?Pedro Soares da Costa, n. cerca de 1238, que era alcaide-mor de Évora quando a 25.4.1279 confirmou a doação da herdade de Alvito que fizeram vários vizinhos de Évora a D. Estêvão Anes de Souza, e alcaide-mor de Beja em Março de 1260, quando é testemunha de D. João de Portel.

1.1.1. ?Afonso Soares da Costa, n. cerca de 1277, que Monterroio diz que viveu em Évora no reinado de D. Dinis (1279-1325) e que era filho de Pedro Soares e pai de Lopo Afonso, usando portanto o mesmo patronímico de seu pai, o que nesta época já por vezes acontecia. Outras genealogias tardias, por causa do patronímico, quiseram fazer este Afonso irmão de Pedro Soares, sendo na mesma o pai de Lopo Afonso, coisa que a cronologia não permite.

1.1.1.1. ?D. João Afonso (da Costa), mestre da Ordem de Avis, segundo Monterroio. Existiu de facto um mestre da Ordem de Aviz D. João Afonso (sem Costa), que morreu em 1353.

1.1.1.2. ?Lopo Afonso da Costa, n. cerca de 1303, provavelmente em Évora, foi vassalo de D. Fernando I, que a 23.4.1372 lhe confirmou o prazo de uma azenha em Tavira, em sucessão seu sogro João Galvão. As genealogias tardias dizem que foi juiz de Tavira em 1358. Talvez seja o Lopo Afonso, escudeiro, que a 22.1.1357 testemunhou em Évora um acordo sobre o morgadio dos Cogominho. Casou, portanto, com (…) Anes Galvão, filha de João Galvão.

1.1.1.2.1. Afonso Lopes da Costa, n. cerca de 1333. Era morador em Tavira quando a 21.2.1384 teve do mestre de Avis confirmação do prazo de uma azenha no termo daquela vila e a mercê da dispensa do foro (que consistia num quarto da produção), certamente a mesma azenha que D. Fernando já confirmara ao pai. Esta doação foi confirmada de novo em Braga a 27.11.1387. E deve ser o mesmo que a 26.4.1401 é referido no aforamento de um chão em Lagos feito por D. João I, chão esse que estava «antre a quintaa de margarida annes mollher que foe d affomso lopez da costa e o pumar d apariço vaasquez». Deve ainda ser o Afonso (... ilegivel) da Costa referido nas actas da vereação de Loulé em 1385. Casou portanto com Margarida Anes, por quem viriam os bens de Lagos. Pelo texto não é claro quem já tinha fal. a 26.4.1401, se ela, se o marido, ou até se ambos.

1.1.1.2.1.1. ?Fernão Lopes da Costa, n. cerca de 1355, que viveu em Évora, onde casou. Casou cerca de 1387 com Mécia Martins da Silveira, filha mais velha de Martim Gil Pestana, alferes-mor de Évora, e de sua mulher Maria Gonçalves da Silveira.

1.1.1.2.1.1.1. ?Gonçalo Fernandes da Costa, n. cerca de 1388, que foi prior em Évora. Teve na juventude pelo menos três filhos naturais.

1.1.1.2.1.1.1.1. (N) Rui Galvão, n. cerca de 1405, escrivão da câmara de D. João I (pelo menos desde o início de 1429), D. Duarte e D. Afonso V, de quem também foi secretário e fidalgo do  Conselho (1463). Muito documentado na chancelaria de D. Duarte como seu escrivão, aparece nos seguintes documentos da chancelaria de D. Afonso V: A 8.6.1439 este rei confirma nomeação de Gil Eanes, morador em Viana de Alvito, a pedido de Rui Galvão, seu secretário e escrivão da câmara, no cargo de escrivão dos órfãos nessa vila e seu termo; a 23.6.1439 o rei confirma a nomeação de Estêvão Anes, amo de Rui Galvão, escrivão da sua câmara, no cargo de escrivão para além do número na correição do reino do Algarve; a 11.7.1449 doa a Rui Galvão, seu secretário e cavaleiro da sua Casa, todos os bens móveis e de raiz que pertenceram a Diogo Afonso, escrivão da câmara da cidade de Lisboa, e a João Lourenço Farinha, e a mestre João, que os perderam por terem participado ao lado do infante D. Pedro na batalha de Alfarrobeira; a 24.7.1449 o mesmo rei doa a Rui Galvão, seu secretário, a parte dos moinhos no rio de Leiria que pertenciam a Pedro de Lemos, com toda a sua renda e pertenças; a 17.3.1450 privilegia Rica, judia, viúva, mulher que foi de Judas Abaatar, mercador na cidade de Évora, isentando-a do direito de pousada, a pedido de Branca Gonçalves, mulher de Rui Gonçalves Galvão, seu secretário e cavaleiro da sua Casa; a 10.7.1450 privilegia André Anes, morador em Matosinhos, termo da cidade do Porto, isentando-o do pagamento de impostos ao concelho, de servir por mar e por terra, salvo com Rui Galvão, secretário e cavaleiro, e com João Rodrigues, seu criado, clérigo, cónego da cidade do Porto, bem como do direito de pousada; a 12.9.1450 concede carta de privilégio a Rui Galvão, seu secretário e cavaleiro da sua Casa, para um azenheiro que estiver na sua azenha de Bracarena, isentando-o dos encargos e serviços concelhios, de ir com presos e dinheiro, de ser tutor e curador, de servir com suas bestas de albarda, bem como do direito de pousada; a 25.3.1453 doa a Rui Galvão, seu secretário e cavaleiro da sua Casa, umas casas que foram de João de Ornelas, e que D.Pedro, arcebispo de Lisboa, comprara ilegalmente a Mem Rodrigues, sem licença régia. A 28.3.1453 doa a Rui Galvão, seu secretário e cavaleiro da sua Casa, umas casas situadas na Praça dos [Esca...nos], que haviam sido compradas por D. Pedro, arcebispo de Lisboa, sem licença régia; a 22.9.1456 faz quitação a Rui Galvão, do seu Conselho, seu secretário e cavaleiro da sua Casa, recebedor da sisa do pescado, da madeira e panos na alfândega da cidade de Lisboa, de tudo o que recebeu e despendeu, relativos aos anos de 1448 a 1449, conforme apresentação do relatório de receitas e despesas; a 7.6.1463 nomeou Álvaro Fernandes, criado de Rui Galvão, do seu Conselho, para o cargo de escrivão das sisas régias de Alfeizerão e das sisas dos panos da feira de Santo André de Cela, lugares do couto de Alcobaça, em substituição de seu pai, Gonçalo Fernandes, que renunciara; a 15.2.1450 privilegia Gonçalo Anes de Melgaço, carpinteiro, morador na cidade de Lisboa, a pedido de Branca Gonçalves, mulher de Rui Galvão, seu secretário e cavaleiro da sua Casa, isentando-o de servir nas obras. Rui Galvão casou cerca de 1424 com Branca Gonçalves, filha legitimada (carta real de 1423), de Pedro Gonçalves, cónego da Sé de Lisboa, e de Catarina Anes. A 25.5.1450 D. Afonso V doa a Branca Gonçalves, mulher de Rui Galvão, cavaleiro da sua Casa, uma tença anual de 1.000 reais de prata. A 14.10.1471 o mesmo rei privilegia Álvaro Anes, sapateiro, morador na cidade de Lisboa, a pedido de Branca Gonçalves, mãe do bispo de Coimbra, isentando-o de ser posto por besteiro de conto. C.g. conhecida, sendo pai de Pedro Rodrigues Galvão, o bispo de Coimbra D.João Galvão (em novo João Rodrigues da Costa), Filipa Rodrigues Galvão, o cronista Duarte Galvão, Jorge Galvão, Maria Rodrigues Galvão e Isabel Galvão.

1.1.1.2.1.1.1.2. (N) Beatriz Galvão. A 12.4.1449 D. Afonso V privilegia Rui Gonçalves, morador na cidade de Évora, a pedido de Beatriz e Inez, irmãs de Rui Galvão, seu secretário, isentando-o de qualquer encargo concelhio, de ir com presos e dinheiros, de ser posto por besteiro do conto, de ser homem do alcaide, bem como do direito de pousada.

1.1.1.2.1.1.1.3. (N) Inez Galvão, ib.

1.1.1.2.1.1.2.?Pedro Afonso da Costa, que a 12.2.1434 tinha aforado do rei uma casa e um chão em Évora, dos quais pagava o foro de 33 soldos e 9 dinheiros. Já tinha fal. a 18.3.1434 quando sua viúva Mícia Vasques teve de D. Duarte mercê de todos os privilégios que tinha seu marido, enquanto for viva e mantiver a sua honra.

1.1.1.2.1.2. ?Paio Afonso (ou Lopes) da Costa, n. cerca de 1356, que terá herdado os bens de Lagos de sua mãe e aí deve ter vivido.

1.1.1.2.1.2.1. ?Lourenço Pais da Costa, n. cerca de 1390, escudeiro do infante D. Pedro, tabelião de Lagos e aí morador, que a 31.5.1443 foi nomeado procurador dos resíduos na dita cidade e seu termo e a 9.1.1444 escrivão perante o contador dos vassalos.

1.1.1.2.1.2.1.1. ?Álvaro Lourenço da Costa, n. cerca de 1415 e fal. em 1462, escudeiro do infante D. Pedro e criado de Gonçalo Nunes Barreto, que foi escrivão do mordomado e relego na vila de Faro. A 16.8.1439 D. Afonso V confirma privilégio a Álvaro Lourenço da Costa, escudeiro, criado de Gonçalo Nunes Barreto, morador em Faro, concedendo-lhe licença para uso e porte de armas, por ter sido acusado da morte de João Esteves. A 10.1.1442 o mesmo rei nomeia Álvaro Lourenço da Costa, morador em Faro, escudeiro do infante D.Pedro, para o cargo de escrivão do mordomado e relego na vila de Faro. E a 21.7.1462 nomeia Fernão Vieira, escudeiro, morador na vila de Faro, para o cargo de escrivão do relego, açalaio e mordomado dessa vila, em substituição de Álvaro Lourenço da Costa, que morrera.

1.1.1.2.1.2.2. ?Soeiro da Costa, n. cerca de 1391 e fal. em 1472, alcaide-mor (antes de 1439) e almoxarife (8.5.1433) de Lagos. É dado como um dos «12 de Inglaterra». Segundo a crónica dos feitos da Guiné de Gomes Eanes de Zurara (1445), Soeiro da Costa achou-se na batalha de Monviedro em 1412 pelejando no exército de Fernando I de Aragão, e no cerco de Balaguer com o mesmo monarca em 1413, em que ficou prisioneiro o conde de Urgel, acompanhou o conde Luís de Provença em toda a sua guerra, e assim participou nas batalhas de Azincourt, Vallemont e Monsegur, e na tomada de Soissons, bem como, em 1415, na conquista de Ceuta. O certo é que a 8.5.1433 D. Duarte nomeou Soeiro da Costa, seu criado, para o cargo de almoxarife de Lagos, o que lhe foi confirmado por D. Afonso V a 30.4.1439. A 7.11.1433 o mesmo rei nomeou Soeiro da Costa, seu criado, no cargo de encarregado das obras dessa vila, em substituição de Martinho Afonso de Mello, vedor da ditas obras, que morrera. A 18.5.1439 confirmou a doação a Soeiro da Costa, alcaide em Lagos, enquanto sua mercê for, de uma tença anual de 200.000 libras, a serem pagas do almoxarifado de Lagos. A 25.4.1441 e 27.5.1450 o mesmo rei confirmou nomeação de Soeiro da Costa, almoxarife e alcaide-mor de Lagos, no cargo de encarregado e vedor das obras dessa vila. A 11.4.1443 nomeou Lançarote da Ilha, escudeiro, criado do infante D. Henrique, para o cargo de almoxarife de Lagos, em substituição de Soeiro da Costa, que renunciara. A 28.8.1451 o mesmo rei nomeou, por três anos, Martim Gil, morador em Lagos, escudeiro, criado do infante D. Henrique, e a pedido deste, para coudel em a dita vila e seu termo, sem embargo de Soeiro da Costa, cavaleiro, alcaide do castelo da dita vila, ter carta de coudel, que lhe fora dada em Cortes. A 15.3.1471 doa a Soeiro da Costa, cavaleiro da sua Casa, morador na vila de Lagos, enquanto sua mercê for, uma tença anual de 5.000 reais de prata. A 14.8.1472 nomeia João Rodrigues, cavaleiro, para o cargo de coudel em Avis, em substituição de Soeiro da Costa, que morrera. Em 1445 Soeiro da Costa participou com Lançarote da Ilha numa acção militar correctiva contra a ilha de Arguim, segundo referem as crónicas. Teve uma filha natural de Aldonça Ferreira e casou cerca de 1429 com Mécia Simões, que ainda vivia a 7.6.1487 quando teve uma carta de perdão, filha de Gil Simões, criado de D. Duarte, que a 10.7.1438 teve carta armas novas pelos serviços prestados em Tânger e a mercê de coudel de Lagos. Era escrivão das sisas (6.1.1434) e da almotaçaria (28.5.1434) de Lagos, cargos confirmados por D. Afonso V a 8.4 e 4.5.1439, respectivamente, bem como escrivão da Câmara e dos órfãos de Lagos e seu termo, cargos em que é confirmado a 5.5.1439. A 6.1.1440 D. Afonso V nomeia Beltrão dela Ilha, morador em Lagos, para o cargo de escrivão das sisas régias desta vila, em substituição de Gil Simões, cavaleiro, que tinha outros ofícios. As genealogias dizem que foi alcaide-mor de Estói, o que não se documenta.

1.1.1.2.1.2.2.1. (N) Tereza Ferreira, n. cerca de 1412, que casou com Lançarote da Ilha, navegador que organizou a primeira expedição à costa ocidental de África com objectivos comerciais. A 11.4.1443 D. Afonso V nomeou Lançarote da Ilha, escudeiro, criado do infante D. Henrique, para o cargo de almoxarife de Lagos, em substituição de Soeiro da Costa, que renunciara. A 29.5.1443 recebe a doação para sempre de todos os bens móveis e de raiz deixados por morte de Lourenço Vasques, morador em Lagos, que morrera sem testamento nem herdeiros. A 10.8.1445 comandou uma acção militar correctiva contra a ilha de Arguim, segundo referem as crónicas, indo como capitão seu sogro Soeiro da Costa. A 26.3.1455, sendo almoxarife do rei, é-lhe concedida autorização para tratar das mercadorias, apesar de ele ser oficial régio. A 7.5.1463 recebe doação dos bens móveis e de raiz que pertenceram a Ambro, mouro forro morador em Faro, que morrera. A 7.5.1463, sendo almoxarife de Lagos, surge numa confirmação dada pelo infante D. Henrique de um aforamento que fez pelo valor de ½ coroa ou 60 reis de prata por ano a Luiz Morato e sua mulher Catarina Viana, a seus filhos, herdeiros, sucessores e descendentes, dum pedaço de terra que está no reguengo de Paúl na vila do Infante e de outras terras. A «Crónica dos Feitos da Guiné», de Gomes Eanes de Zurara, refere a seguinte fala de Lançarote da Ilha: «(…) e leixando a Soeiro da Costa, que eu tenho assy como padre por razom de sua filha, que tenho por molher (...)».

1.1.1.2.1.2.2.2. Afonso da Costa, n. cerca de 1430, alcaide-mor de Lagos. A 5.2.1452 D.Afonso V nomeia Afonso da Costa, a pedido do infante D. Henrique, para o cargo de alcaide-mor do castelo da vila de Lagos, com preito e menagem, em substituição de seu pai Soeiro da Costa, que renunciara. A 11.12.1471 o mesmo rei perdoa a justiça régia a Urgel Rodrigues, criado de Afonso da Costa, cavaleiro e alcaide-mor na vila de Lagos, por querela e aleijão que fizera a João de Lamego, sapateiro, morador em Tavira, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e tomada da vila de Arzila e cidade de Tânger, bem como mediante o perdão das partes. A 3.1.1486 D. João II confirma-lhe a alcaidaria-mor de Lagos. Já a 20.2.1461 tivera de D. Afonso V mercê para que seu filho mais velho lhe sucedesse, o que D. Manuel I lhe confirmou a 17.3.1496. Terá morrido, portanto, pouco antes de 10.11.1510, data em que foi nomeado alcaide-mor de Lagos seu filho Pedro da Costa, que ocupou o cargo até 14.2.1532, data em que foi nomeado alcaide-mor João da Silva, regedor da Casa da Suplicação, que a 22.9.1557 renunciou em seu neto Lourenço da Silva, seguindo a alcaidaria na família deste antepassado dos condes de Aveiras. C.g.

1.1.1.2.1.2.2.3. ?Soeiro da Costa, que parece filho de Soeiro da Costa. A 25.2.1459 D.Afonso V nomeia Soeiro da Costa, escudeiro do prior do Hospital, para o cargo de vedor dos vassalos da vila do Crato, em substituição de Rui Martins da Pedra Alçada, que morrera. A 16.12.1463 o mesmo rei doa a Soeiro da Costa, escudeiro de D. Pedro, os bens móveis e de raiz que pertenceram a Gonçalo Grumete, por juntamente com outros fugir com uma caravela, armada por Diogo Rodrigues e outros, perto das ilhas de Cabo Verde, bem como por ter morto Gil Fernandes, criado do infante D. Fernando. A 29.5.1468 nomeia Soeiro da Costa, criado do prior do Crato, para o cargo de vedor das obras do mosteiro e convento de Avis. E a 15.6.1469 privilegia Soeiro da Costa, escrivão dos sobrejuízes da Casa do Cível da cidade de Lisboa, concedendo-lhe licença para pôr um homem no seu ofício, e que o exerça por ele, enquanto estiver ocupado noutros assuntos fora do reino, ou a cuidar dos seus bens. Parece ser este o Soeiro da Costa a quem D. Manuel I legitimou a filha Joana (LN, 3, 157v).

1.1.1.2.1.3.?João da Costa, n. cerca de 1357, referido como escudeiro e homem-bom nas actas da vereação de Loulé entre 1383 e 86, sendo almotacé em Janeiro deste último ano e, ao que tudo indica, vereador no triénio. Viveu portanto em Loulé, onde muito provavelmente terá casado.

1.1.1.2.1.3.1.   ?Afonso da Costa, n. cerca de 1378, referido nas actas da vereação de Loulé a 5.8.1394.

1.1.1.2.1.3.2. ?Gonçalo da Costa, n. cerca de 1380, juiz e sesmeiro (atribuía sesmarias) de Loulé, que a 20.12.1437 deu a Bartolomeu Gonçalves, tabelião da dita vila, um moinho em sesmaria.

1.1.1.2.1.3.2.1.?João da Costa, n. cerca de 1410, escudeiro do conde de Vila Real, morador em Loulé. A 13.2.1464 D. Afonso V perdoou a justiça régia a João da Costa, escudeiro do conde de Vila Real, morador em Loulé, culpado da morte de Fernão Garcia, estrangeiro, morador em Ceuta, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada  real em Ceuta, e mediante o perdão das partes. E a 16.11.1471 o mesmo rei perdoa a justiça régia, o degredo de um ano e a pena por o ter quebrado, a João da Costa, o Velho, morador na vila de Loulé, a que foi condenado para a cidade de Ceuta, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e tomada de Arzila e cidade de Tânger.

1.1.1.2.1.3.2.2.?Luiz da Costa, n. cerca de 1412, referido como escudeiro e homem-bom nas actas da vereação de Loulé em 1468.

1.1.1.2.1.3.2.3.?Gomes da Costa, morador em Loulé. A 30.11.1471 D. Afonso V perdoou a justiça régia, um ano de degredo e a pena por o ter quebrado a Gomes da Costa, morador na vila de Loulé, a que fora condenado  para Alcácer em África, por querela que tinha tido com Estêvão Anes, almotacé na dita vila, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e tomada da vila de Arzila, bem como mediante o perdão das partes.

1.1.1.2.1.3.2.4.?Rui Gonçalves da Costa, cavaleiro, morador em Tavira, que casou com Beatriz de Orta. A 30.11.1472 D. Afonso V  perdoa a justiça régia a Luiz de Orta, escudeiro da sua Casa, acusado por Rui Gonçalves da Costa, cavaleiro, morador em Tavira, e Beatriz de Orta, sua mulher, de ter  corrompido a virgindade e agredido Catarina, sua escrava e criada, na sequência do perdão geral outorgado aos que foram na conquista da vila de Arzila e da cidade de Tânger. E a 4.1.1476 o mesmo rei perdoa a justiça régia a João Vasques, criado de Rui Gonçalves da Costa, morador em Tavira, acusado de fugir e ajudar a libertar vários presos da cadeia. É o Rui Gonçalves da Costa que o tombo da comenda de Castro Marim de 25.10.1509 diz que tinha tido o prazo de dois engenhos de moer, dois feridos, uma casa e terras em Marchena, termo daquela vila, que então trazia a mulher que foi de Vicente Gonçalves, contador de Arzila e morador em Tavira.

1.1.1.2.2.  ?João Lopes da Costa, n. cerca de 1335, que terá vivido em Tavira.

1.1.1.2.2.1.  ?Vasco Anes da Costa, n. cerca de 1360. Alão diz que foi cavaleiro honrado de Tavira nos reinados de D. Fernando e D. João I e fronteiro-mor do Algarve, o que não se documenta. Talvez seja o Vasco Anes, escudeiro, morador em Tavira, a quem o mestre de Avis doou a 30.3.1384 todos os direitos e rendas da mouraria da dita vila.

1.1.1.2.2.1.1. Vasco Anes Corte Real, n. cerca de 1392 e fal. em 1463, o 1º deste nome, armador-mor do reino, que é dado como um dos «12 cavaleiros de Inglaterra». Segundo Alão, mudou o nome para Corte Real por «ser grande agasalhador dos cavaleiros que vinham à Corte; e por ele disse o dito Rei (D. Duarte), quando Vasco Eanes estava em sua Corte; era a sua Corte Real». Acrescenta Alão que foi alcaide-mor de Tavira e de Silves, o que não se documenta. O certo é que Vasco Anes Corte Real se documenta a 11.12.1433 quando foi substituído no cargo de coudel de Castro Marim por João de Sintra, escudeiro do infante D. Henrique. Sabe-se também que esteve em Ceuta, donde regressou cerca de 1435. A 25.7.1443 D. Afonso V perdoa a justiça régia a concede carta de segurança a João Lourenço, criado de Vasco Anes Corte Real, por actuar como escrivão da coudelaria de Tavira sem o ser, contanto que fique sem o dito ofício e vá estar um ano na cidade de Ceuta. A 25.12.1449 o mesmo rei doa a Vasco Anes Corte Real, cavaleiro da sua Casa, todos os bens móveis e de raiz que pertenciam a Lourenço Martins Pardo, morador em Leiria, que os perdera por ter estado ao lado do infante D. Pedro na batalha de Alfarrobeira. A 24.10.1450 privilegia Luiz Vasques, criado da dona da judiaria, a pedido de Vasco Anes Corte Real, cavaleiro da sua Casa, concedendo-lhe licença para que possa andar de besta muar de sela e freio. A 15.3.1451 doa a Vasco Anes Corte Real, cavaleiro da sua Casa, todos os bens móveis e de raiz que pertenciam a Antão Rodrigues, morador em Podentes, que os perdera por ter estado na batalha de Alfarrobeira ao lado do infante D. Pedro. A 8.5.1452 o mesmo rei doa para sempre a Vasco Anes Corte Real, cavaleiro da sua Casa e armador-mor, os bens e novidades que eram pertença de João Afonso e sua mulher, moradores em Tavira, que morreram abintestados em casa de João Godo. A 9.8.1458  privilegia Vasco Anes Corte Real, cavaleiro da sua Casa, armador-mor, concedendo-lhe licença de uso e porte de armas por todo o reino para vinte e cinco dos seus homens. A 6.11.1458 doa vitaliciamente a Vasco Anes Corte Real, cavaleiro da sua Casa, armador-mor, uma torre a que chamam a Torre do Mar, na vila de Tavira, para aí poder fazer casas. A 18.6.1459 nomeia por cinco anos Vasco Anes Corte Real, cavaleiro da sua Casa, armador-mor do reino, para o cargo de coudel da vila de Tavira e seu termo, por o seu antecessor ter acabado o tempo de serviço. A 24.7.1459 doa vitaliciamente a Vasco Anes Corte Real, cavaleiro da sua Casa e armador-mor, uma tença anual de 18.576 reais de prata, a serem pagos pelo almoxarifado de Tavira, em substituição do que recebia de ordenado pelo ofício de armador-mor. A 6.8.1459 privilegia Vasco Anes Corte Real, cavaleiro da sua Casa, armador-mor, a seu pedido, concedendo-lhe licença para criar cabras durante todo o ano numa quinta no termo da vila de Tavira. A 28.3.1462 o mesmo rei afora a Diogo da Costa, cavaleiro da sua Casa, e a sua mulher Leonor Vasques, uma azenha no rio da vila de Tavira, pelo foro anual de 1.315 reais, da mesma forma que o tinha Vasco Anes Corte Real, cavaleiro da sua Casa, e sua mulher, Mor Anes. A 17.3.1463 privilegia por esmola o mosteiro de S. Francisco da vila de Tavira, concedendo-lhe licença para tomar posse de uma azenha que lhe ficara por morte de Vasco Anes Corte Real. Finalmente, a 16.5.1472 o mesmo rei doa a Mor Anes, mulher viúva de Vasco Anes Corte Real, fidalgo da sua Casa, pelos serviços prestados, uma horta na vila de Tavira com seus foros e casa, assim como seu marido tivera por seu casamento. Teve vários filhos naturais, sendo certo que em 1462 estava casado com Mor Anes, de quem parece filho Vicente Anes Corte Real.

1.1.1.2.2.1.1.1. (N) Fernão Vasques Corte Real, já fal. a 23.5.1464, data em que D. Afonso V doa a Isabel de Secura, mulher viúva de Fernão Vasques Corte Real, enquanto sua mercê for, uma tença anual de 10.000 reais de prata. Alão diz que este Fernão Vasques não casou, mas que deixou um filho natural (António Corte Real) havido numa negra sua escrava.

1.1.1.2.2.1.1.2. (N) João Vasques da Costa, que depois se chamou João Vaz Corte Real, n. cerca de 1420 e fal. a 2.7.1496 em Angra, navegador, capitão-donatário de Angra (2.4.1474) e da ilha de S. Jorge (4.5.1483), coudel de Tavira (27.6.1451), etc. A 27.6.1451 D. Afonso V nomeou João Vasques da Costa, escudeiro da Casa do infante D. Henrique, para o cargo de coudel na vila de Tavira, em substituição de Rui de Mello, fidalgo da Casa do dito infante. A 12.8.1456 o mesmo rei perdoa a justiça régia a João Vasques da Costa, acusado de adultério com Maria Anes, mulher de Fernão de Cima, castelão, morador em Silves, e de outros malefícios, contanto que vá servir para a cidade de Ceuta por três anos, sendo os dois primeiros à sua custa e o último por conta régia. A 13.12.1472 o mesmo rei perdoa a justiça régia pela fuga da prisão, a prisão e qualquer pena, emprazamento ou degredo em que incorrera, a João Vasques da Costa, cavaleiro, morador na vila de Tavira, pela morte de Pedro Fernandes, natural de Coruche, e por insultar o juiz desta vila Martim do Carvalhal, cavaleiro, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e conquistas da vila de Arzila e cidade de Tânger, e mediante os instrumentos públicos de perdão feitos a seu favor a 20.10.1471 e 11.2.1472. João Vasques Corte Real, como depois de chamou, esteve ligado ao descobrimento da Terra Nova. Organizou ainda outras viagens, que o terão levado até à costa da América do Norte, explorando desde as margens do Rio Hudson e São Lourenço até ao Canadá e Península do Labrador. A 2.4.1474 foi nomeado pela infanta D. Beatriz capitão-donatário de Angra, onde no mesmo ano comprou o paço ou castelo dos Moinhos. A 4.5.1483 foi também capitão-donatário da ilha de S. Jorge, sendo a 19.5.1495 alcaide-mor de Angra e de S. Jorge. Edificou em Angra a capela-mor da igreja do convento de S. Francisco, onde fez jazigo e foi sepultado. A 15.5.1492 instituiu, com outros, o hospital do Espírito Santo, com confirmação real de 3.8.1508, já ele tinha morrido. Fez dois testamentos, um de 17.9.1492, na Madeira, onde se encontrava, e outro em Angra a 26.2.1496. Na carta da fundação do hospital do Espírito Santo, em Angra, diz-se: «Anno do nascimtº de nosso Sor. Jesu Christo de mil, e quatro centos, e noventa e dous annos, aos quinze dias do mes demarço da ditta era em a ilha Terçeira na villa dangra dentro em a caza de Santo espirito daditta vila estando o Sr joão Vaaz corte real capitão, e João Borges cavaleiro da caza DelRei nosso Snr., e João de laguos Juiz do ditto hospital, e Afonso Annes da Costa, e João de lameguo mordomo da ditta confraria e assi os confrades da ditta confª, que forão todos chamados á campa tangida, e com elles Vasco Fz escudeiro delRei nosso Snr. que ora tem carreguo de provedor das capellas, e hospitaes, & Alberguarias em todas hestas ilhas dos assores. E loguo por todos os sobredittos juntam-te foi ditto que por serviço de Deus e louivor do espirito santo em hesta villa se ordenara de se fazer heste hospital, E porquanto pª semelhantes hospitaes e couzas que dão agrado e serviço de Deus era mtº necessario todallas couzas suas andarem por regra, e ordenança em guiza que tudo viesse a boa arrecadação e nosso S.or for servido, e as almas delles todos que esta obra comessarão, e fazem e ordinario fazerem sejão satisfeitos e comprido pª sempre o que elles; e cada hu Delles mandão fazer nos encargos, comque dão suas fazendas pª o ditto hospital forem compridos, e andar todo em verdadeira ordem: assi o que aguora he ao prezente, como o que depois usar em tal guiza que toda seja a serviço de deus como ditto he.(...)». Casou entre 1445 e 1450 com D. Maria d'Abarca, galega, filha de Pedro d'Abarca, natural de Tui. C.g. conhecida. Os seus três filhos, todos navegadores audaciosos, Gaspar Corte Real, Miguel Corte Real e Vasco Anes Corte Real, continuaram o espírito de aventura de seu pai, tendo os dois primeiros desaparecido depois de expedições marítimas, em 1501 e 1502 respectivamente. Vasco Anes quis ir em busca de seus irmãos, mas o rei não lhe concedeu autorização, tendo sucedido a seu pai como capitão-donatário. De João Vaz deve ainda ser filho, talvez bastardo, o Afonso Anes da Costa que em 1492 se documenta com ele em Angra, com ficou dito.

1.1.1.2.2.1.1.3. ?(N) Isabel da Costa, que Alão não refere e Gaio diz ter sido a 1ª mulher do alcaide-mor de Silves Henrique Moniz, o que não se aceita, pois este nasceu cerca de 1410 e casou antes de 1435 com D. Inez Barreto. Quando muito, foi 2ª mulher.

1.1.1.2.2.1.1.4. ?(N) Luiz Vasques da Costa, não referido nas genealogias mas que deve ser filho de Vasco Anes Corte Real. A 13.8.1473 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Luiz Vasques da Costa, morador na vila de Albufeira, acusado de bater e ferir a mulher de Rui Fernandes, morador na dita vila, mediante o perdão das partes, tendo pago 600 reais para a Piedade.

1.1.1.2.2.1.1.5. (N) Vasco Martins Corte Real, não referido nas genealogias mas que só pode ser filho de Vasco Anes Corte Real, apesar do patronímico, que se deve relacionar com o facto de ser bastardo. A 5.9.1471 D. Afonso V perdoa a justiça régia a João Godinho, cavaleiro, morador em Lagos, por ter tirado da prisão um escravo de nome Pedro, pertencente a Vasco Martins Corte Real, acusado de ter assaltado a casa de Beatriz Viana e lhe ter roubado roupas, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e conquista da vila de Arzila, bem como mediante o perdão das partes.

1.1.1.2.2.1.1.6. Vicente Anes Corte Real, que parece legítimo. A 18.7.1476 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Martinho Anes, sapateiro, morador em Tavira, culpado nas mortes de Luís Lopes da França, Fernão Gil da Costa e Vicente Anes Corte Real, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que foram servir para Castela.

1.1.1.2.2.1.2.  Gil (Vasques) da Costa, que foi sacador das dívidas régias do reino do Algarve. A 12.6.1437 D. Duarte nomeia Gil da Costa no cargo de sacador régio no reino do Algarve, em substituição de João Martins, que não o podia exercer por ocupar o cargo de escrivão das sisas de Tavira, cargo que foi confirmado a Gil da Costa por D. Afonso V a 4.4.1440. A 20.3.1452 D. Afonso V privilegia Gil da Costa, morador em Tavira, sacador no reino do Algarve, a pedido de Marco Lomelim, concedendo-lhe licença para andar em besta muar de sela e freio. E a 24.3.1462 o mesmo rei nomeia Estêvão de Ferreira, seu escudeiro, para o cargo de sacador de todas as dívidas régias do reino do Algarve, em substituição de Gil da Costa, que renunciara por instrumento de renúncia de 20.3.1462. Casou com Filipa de Mello, segundo Gaio, pois Alão não nomeia a mulher.

1.1.1.2.2.1.2.1. Diogo da Costa, cavaleiro da Casa Real. A 28.3.1462 D. Afonso V afora a Diogo da Costa, cavaleiro da sua Casa, e a sua mulher Leonor Vasques, uma azenha no rio da vila de Tavira, pelo foro anual de 1.315 reais, da mesma forma que o tinha Vasco Anes Corte Real, cavaleiro da sua Casa, e sua mulher, Mor Anes. A 21.12.1466 o mesmo rei afora a Diogo da Costa, cavaleiro da sua Casa, uma azenha no rio de Tavira, junto da Atalaia, pelo foro anual de 1.315 reais, mediante determinadas condições. A 25.10.1468 nomeia Gil Cordeiro, criado de Diogo da Costa, fidalgo, morador na vila de Tavira, para o cargo de tabelião do cível e crime na dita vila e seu termo, em substituição de Luiz Gonçalves, que renunciara. E a 10.1.1486 D. João II dá-lhe o privilégio de seu forno ser único em Tavira e faz-lhe mercê do mordomado de Tavira, tendo-lhe um dia antes dado mercê de 27.758 reais de foro. Casou com Leonor Vasques, como se documenta. Alão diz que casou com Beatriz Álvares Taveira, filha do Dr. Álvaro Pires Vieira, chanceler da Casa do Cível, c.g.

1.1.1.2.2.1.2.2. ?Fernão Gil da Costa, que parece filho de Gil Vasques, embora não seja referido nas genealogias. A 30.3.1476 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Luiz Vasques de Pazes, escudeiro do conde de Vila Real, morador em Tavira, acusado nas mortes de Luís Lopes de França e Fernão Gil da Costa, ambos escudeiros e moradores na vila de Tavira, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que foram servir para Castela. Deste Fernão Gil parece descender o Fernão Gil (da Costa), «mercador de panos», natural de Arganil, que casou a 24.4.1554 em Vila Cova com Maria Madeira (Arraes), c.g.

1.1.1.2.2.1.2.3. Vasco Anes da Costa, segundo Alão, que o diz casado com Maior Nunes. Gaio diz que casou com sua sobrinha Maior Anes da Costa, filha de Diogo da Costa. C.g.

1.1.1.2.2.1.2.4.  João Vasques da Costa, segundo Alão, que o diz casado com Maior de Ulhoa ou Uchoa (talvez Ichoa, filha do Pedro Ichoa que a 6.9.1427 teve doação real de uma azenha em Tavira). C.g.

1.1.1.2.2.1.2.5. Violante da Costa, que Alão diz ter casado com Diogo Lopes do Carvalhal, filho natural do arcediago da Sé de Évora Lopo do Carvalhal. A 2.11.1468 D.Afonso V perdoa a justiça régia a Gonçalo Pires, escudeiro, criado do almirante, morador na vila de Tavira, acusado de ter forçado a entrada da porta e de no caminho de uma azenha ter despido Mécia Rodrigues, sua manceba, que foi ama de Diogo Lopes de Carvalhal e era filha de Rui Garcia, mediante o perdão das partes, tendo pago 1.500 reais para a Arca da Piedade.

1.1.1.2.2.1.2.6.?Mécia da Costa, possível filha de Gil Vasques, que casou com o Dr. Lopo Gonçalves. A 24.2.1469 D. Afonso V confirma escambo ao Dr. Lopo Gonçalves, desembargador da sua Casa, e a seu pedido, de umas casas na rua Nova da Judiaria Grande da cidade de Lisboa, feito a Mécia da Costa, sua mulher, herdeiros e sucessores.

1.1.1.2.2.1.2.7.?João Lopes da Costa, a quem a 23.7.1500 D. Manuel I aforou em Tavira uma torre e muro.

1.1.1.2.2.1.3.?Lopo Vasques da Costa, que parece filho de Vasco Anes, embora não seja referido nas genealogias. A 18.12.1433 Lopo Vasques da Costa, vassalo, morador em Lisboa, teve de D. Duarte carta de privilégio de fidalgo para a correição da Estremadura, confirmada por D. Afonso V a 13.3.1439.

1.1.1.2.2.1.4. Afonso Vasques da Costa, que Alão diz que foi comendador de Cacela na Ordem de Santiago. O certo é que: a 25.2.1440 D. Afonso V doa a Afonso Vasques da Costa, cavaleiro da Casa do infante D. João, enquanto sua mercê for, os quartos de três azenhas chamadas Estêvão Alvo, João Rico e Gonçalo Arrais, situadas na vila de Tavira; a 20.5.1440 o mesmo rei perdoa a justiça régia a João Gonçalves, criado de Afonso Vasques da Costa, morador na vila de Tavira, por querela que dele dera ao concelho Fernão Martins do Carvalhal, alcaide-mor da dita vila, na sequência do perdão geral outorgado para reduzir o despovoamento de alguns lugares do reino; a 26.5.1450 o mesmo rei confirma a Afonso Vasques da Costa, cavaleiro da casa do infante D.Fernando, enquanto sua mercê for, os quartos de três azenhas reais em nome de Estêvão Alvo, João Rico e Gonçalo Arrais, situadas na vila de Tavira; a 28.6.1456 perdoa a justiça régia a Vasco Martins, escudeiro, morador na vila de Tavira, acusado de dormir e fugir com a filha de Afonso Vasques da Costa, morador nessa vila, e com a mulher e a filha de Fernão de Vila Maior, aljubeiro, morador na cidade de Lisboa, na sequência do perdão geral outorgado aos que serviram contra o Turco, sendo degredado por três anos para a cidade de Ceuta; e a 18.11.1472 perdoa a justiça régia e os três anos de degredo a Afonso Vasques da Costa, fidalgo da casa do duque, a que fora condenado para fora do reino do Algarve a mando de João de Elvas, licenciado, preso por ter ferido Lopo Álvares, alcaide pequeno na vila de Tavira, mediante o perdão das partes e na sequência do perdão geral outorgado aos que foram na conquista da vila de Arzila e da cidade de Tânger.

1.1.1.2.2.1.5.?Álvaro Anes da Costa, que parece filho de Vasco Anes, embora não seja referido nas genealogias. A 15.1.1455 D. Afonso V perdoa o degredo de dois anos a Álvaro Anes da Costa, alcaide da cidade de Lisboa, a que fora condenado para Ceuta, por ter aceite uma determinada quantia de um homem e por ser culpado na fuga de uma mulher da prisão. A 19.6.1456 D. Afonso V nomeia Álvaro Anes da Costa, escudeiro do conselheiro e vedor da Fazenda D. Fernando de Castro, para o cargo de escrivão dos contos da cidade de Lisboa, em substituição de Álvaro Vasques, criado do arcebispo de Braga, que o desempenhava por morte ou vaga de outro contador. E a 28.12.1463 nomeia João de Elvas, escudeiro, morador na cidade de Évora, para os cargos de tabelião geral e escrivão do corregedor da comarca e correição de Entre-Tejo-e-Odiana, em substituição de Álvaro da Costa, que renunciara.

1.1.1.2.2.1.6.?(…) da Costa, que terá casado com João Martins, escudeiro, criado de D. João I, escrivão das sisas de Tavira, fal. depois de 4.12.1466.

1.1.1.2.2.1.6.1.Martim da Costa, que a 4.12.1466 foi nomeado para o cargo de escrivão das sisas de Tavira, em substituição de seu pai João Martins, escudeiro, criado de D. João I, que renunciara.

1.1.1.2.2.1.7.?Luiz da Costa, criado do bispo do Algarve, que foi homem da alfândega de Lisboa, cargo que renunciou, sendo substituído a 9.12.1434 por João Anes, criado de Gonçalo Anes, escrivão da dita alfândega.

1.1.1.3. ?Fernão da Costa, que vivia em Évora quando a 4.4.1325 Fernão Gonçalves, tecelão em Évora, teve licença real para andar um ano armado por causa da «Jmjzade que he antre ell e uasco annes e huu seu filho e fernam da costa moradores em a dicta cidade por feridas que lhe deram».       

§3

COSTA da Beira

1.  João Martins (da Costa), n. cerca de 1210, filho de Martim Mendes da Costa, alcaide-mor de Évora, que ficou no §1. João Martins terá herdado a quinta da Costa, em Mancelos. João Martins e sua mulher D. Tereza Mendes, aí dita filha de Mem Gonçalves da Fonseca, documentam-se nas inquirições de 1275 como proprietários de duas herdades em Paredes, julgado de S. Martinho de Mouros. Este João Martins, dito filho de Martim Mendes, com a mesma D. Tereza Mendes possuía nas ditas inquirições uma herdade no Amieiro, termo de S. Lourenço e Stª Eulália de Esmegilde (Paço de Sousa). João Martins casou portanto com D. Tereza Mendes da Fonseca, n. cerca de 1225, filha de Mem Gonçalves da Fonseca e sua 1ª mulher D. Maria Pires de Tavares, grandes proprietários na Beira Alta.

1.1. ?Fernão Anes da Costa, n. cerca de 1245, que terá vivido no Entre-Douro-e-Minho.

1.1.1.?Rui Fernandes da Costa, cavaleiro e vassalo, que se documenta a 27.10.1298 e 26.5.1305 como testemunha de D. Fernão Pires de Barbosa em Arouca e em Paço de Souza, onde deverá ter herdado os bens de Esmegilde que eram de seus avós. Possivelmente também sucedeu na quinta da Costa, em Mancelos, e deste, como ficou dito, pode ter sido bisneto (através de Gomes Rodrigues da Costa > João Gomes da Costa) Vicente Anes da Costa, senhor da dita quinta da Costa, em Mancelos, segundo Gaio diz ter visto numa carta de armas de 14.12.1564 de seu bisneto Francisco da Costa. De facto, um Francisco da Costa, morador em Santarém, teve carta de armas para Costa em pleno, com um cardo de ouro florido de azul por diferença, mas a 10.5.1571 (CSI, 7, 275v). E nela apenas se diz que era filho de outro Francisco da Costa, neto de Nuno Vaz da Costa e bisneto de Vasco Vicente da Costa, todos fidalgos do tronco desta linhagem. Tudo indica, de facto, que este último Vasco Vicente da Costa pudesse ser filho de um Vicente Anes da Costa. E não não há razão para duvidar de Gaio quando tão perentoriamente diz "q eu vi". O que ele viu, contudo, não foi a carta de armas, que além de ser de 1571 não refere o trisavô Vicente Anes da Costa, mas sim o processo de petição, documento infelizmente perdido e que seria genealogicamente mais informativo e obviamente anterior. Pelo que diz Gaio, o Francisco da Costa da carta de armas fez testamento em Santarém em em 1597 onde vinculou os bens que tinha em Lanhoso, nomeadamente uma quinta a que chamou da Costa (distinta da quinta da Costa em Mancelos), que deixou a seu irmão Domingos Nunes da Costa Daquele Vasco Vicente da Costa, bisavô do armigerado Francisco da Costa, deve ser irmão o Pedro Vicente da Costa que a 9.11.1450 se documenta como cavaleiro da Casa de D. Afonso V, como ficou dito na introdução. E a esta linha poderia ainda pertencer o Fernão da Costa que, já abade de S. Romão de Paredes (hoje concelho do distrito do Porto), a 24.2.1453 tirou em Braga ordens de epístola.

1.2.  ?Domingos Anes da Costa, n. cerca de 1247.

1.2.1.?Martim Domingues da Costa, clérigo, que a 4.2.1320 testemunha uma apelação do abade de Arouca contra o bispo de Lamego.

1.3.  ?Martim Anes da Costa, n. cerca de 1250, que terá vivido na Beira Alta, onde foi herdado.

1.3.1.?Lourenço Martins da Costa, n. cerca de 1285, escudeiro, que em 1343 era aio de Vasco Martins da Cunha, senhor de Tábua, já órfão e ainda menor.

1.3.2.?Pedro da Costa, n. cerca de 1290, senhor de Lusinde (Penalva do Castelo) e vassalo de D. Afonso IV e D. Pedro I. Foi fidalgo principal e viveu na cidade de Viseu. Deve ser o Pedro da Costa que aparece várias vezes na chancelaria de D.Afonso IV como procurador de vários mosteiros, sobretudo da Beira, no recurso que fizeram para o rei das decisões das inquirições feitas sobre as jurisdições das honras e coutos, funcionando mais como juiz, uma vez que o rei sempre acatava as decisões que, a par com o procurador real, iam tomando sobre esses recursos. E ainda o Pedro da Costa que foi procurador do bispo de Lamego na demanda com a Câmara de Vila Real sobre o senhorio de Canelas, em Poiares, que venceu por sentença da rainha D. Beatriz de 12.9.1338. C. cerca de 1323 c. Maria Anes do Amaral, filha de João Lourenço do Amaral, senhor da honra de Amaral e do souto de Lourosa, mordomo-mor de D. Afonso IV, e de sua mulher D. Maria Fernandes Barrantes, dama da rainha Stª Isabel.

1.3.2.1. ?Gonçalo Pires da Costa, vassalo de D. Fernando I, que o fez alcaide-mor de Mourão. Pode ser o Gonçalo da Costa, cavaleiro, que em 1365 aparece na lista dos padroeiros de Grijó, sem indicação de mulher ou filhos, apesar de o direito lhe vir certamente pela mulher, o que contudo não é, ao contrário do que aparentemente é habitual nestes casos. Mas como é o único Costa que aparece na lista, é de supor que não seria por direito próprio. De resto, também acontece que, noutros casos em que o direito vem claramente pela mãe ou pela mulher, isso não é referido na antedita lista. Acresce que o de o filho que lhe propomos já teria nascido em 1365, mas podia ser natural ou de outro casamento. Gonçalo (Pires) da Costa parece pai de:

1.3.2.1.1.?Diogo Gonçalves da Costa, que seguiu a rainha D. Beatriz, pelo que o mestre de Avis a 9.10.1384 doou a Afonso Domingues, «vedor dos fectos do seu studo», todos os bens móveis e de raiz que no reino tinha Diogo Gonçalves da Costa, «o qual os perdeo por deserujço que fez ao dicto senhor e regnos».

1.3.2.2. Pedro Anes da Costa, n. cerca de 1326, vassalo de D. Fernando e D. João I (aparece em vários documentos como «Vassalo d’El Rei»), foi senhor de Lusinde (Penalva do Castelo), etc. A este ou seu filho homónimo o Cabido da Sé de Viseu emprazou a quinta ou «possessão» de Stº Estêvão (Abravezes). N. cerca de 1326 e fal. depois de 1381. Casou a 1º vez cerca de 1374 com Isabel Pires Homem (a), n. cerca de 1350, filha do cavaleiro Pedro Homem e neta de João Pires Homem, senhor de Canelas, Lajeosa, etc., e de sua mulher Aldonça Nunes, senhora de Bordonhos. Casou a 2ª vez cerca de 1380 com sua prima Maria Anes do Amaral (b), «a Escassa», n. cerca de 1346 e que ainda vivia em Lajeosa a 8.8.1443, data em que faz e assina uma procuração, portanto com quase 100 anos de idade. Este Maria Anes tinha casado a 1ª vez cerca de 1365 com Nuno Gonçalves Homem, alcaide-mor de Trancoso (1.5.1367), morgado de Lajeosa, etc., com geração nestes morgados. O seu 2º casamento com seu primo Pedro Anes da Costa resulta como corolário de um conjunto de factos a que poderíamos chamar provas circunstanciais. Desde logo, o facto de o próprio cardeal D. Luiz do Amaral, que nas genealogias aparece como filho de Pedro da Costa e de sua mulher Maria Anes do Amaral, se dizer irmão de Pedro e João Nunes Homem e primo do camareiro-mor Fernão de Sá. Por outro lado, o facto de as genealogias e as justificações de nobreza de seus descendentes darem Maria Anes da Costa (a que também chamam do Amaral), casada com Fernão Álvares Cardoso, alcaide-mor de Celorico da Beira, como irmã do dito cardeal D. Luiz do Amaral. Significativa, por último, é a habitual confusão de Gaio, que dá a mulher de Fernão Álvares Cardoso como filha de Pedro da Costa e de sua mulher Maria Anes do Amaral, quando se sabe documentalmente que era filha dele e de sua 1ª mulher Isabel Pires Homem. Em suma, com este 2º casamento entre Pedro Anes da Costa e Maria Anes do Amaral, fica resolvida a questão: os Homens da Lajeosa eram meios-irmãos do cardeal D. Luiz do Amaral e este era meio-irmão de Maria Anes da Costa casada com Fernão Álvares Cardoso. A esta solução, em tudo o resto conforme os factos e a cronologia, pode no entanto apontar-se que o testamento do bispo de Viseu D. João Homem, feito a 1.2.1421, parece dar a entender que seu sobrinho Nuno Gonçalves Homem ainda estaria vivo, o que evidentemente impede que sua mulher tivesse casado 2ª vez ou, pelo menos, que fosse, com Pedro da Costa, mãe do cardeal D. Luiz do Amaral. Penso, contudo, que a referência feita no testamento ao casal Nuno Gonçalves e Maria Anes não pressupõe que ele ainda estivesse vivo. Além de que, tendo D. João Homem nessa altura cerca de 80 anos de idade, pode ser que a redacção do testamento em causa tivesse já sido copiada de um anterior a 1380.

1.3.2.2.1. (a) Maria Anes da Costa, n. cerca de 1376 em Viseu. Casou a 1ª vez cerca de 1400 com Gonçalo Fernandes de Gouveia (a), fidalgo das Casas de D. Fernando I e D. João I, que foi senhor de Stª Eufémia da Matança (freguesia que então pertencia a Trancoso e hoje a Fornos de Algôdres), etc., n. cerca de 1366 e fal. cerca de 1413. Confundin­do-o com seu pai, Alão diz que o filho sucessor deste foi «fidalgo de grande Casa no tempo de D. João I», enquanto Gaio, explicando o nome de Stª Eufémia da Matança, diz que ele travou aí, em apoio do mestre de Avis, uma sangrenta batalha, que venceu, contra um exército do rei D. João I de Castela. Estes aconteci­mentos, que teriam de suceder o mais tardar até 1390, não podiam ter como prota­gonis­ta o filho mas sim este Gonçalo Fernandes de Gouveia, que só podia ser filho de Vasco Fernandes de Gouveia, o Velho, senhor de Gouveia e Comeal das Donas, alcaide-mor de Castelo Rodrigo, etc., falecido em 1385, sendo este Vasco irmão de Nuno Fernandes de Bobadela, senhor e alcaide-mor do castelo de Gouveia (10.9.1357, confirmado por D. Fernando), ambos filhos de Fernão Nunes de Bobadela, senhor de Gouveia e alcaide-mor do seu castelo, e de sua mulher Beatriz de Mello, filha herdeira de Rui Vaz de Mello, senhor de Gouveia, e de sua mulher Aldonça Pires de Castro, casal que origina as armas dos Gouveia, justamente partidas de Mello e Castro. Este Gonçalo Fernandes de Gouveia era assim irmão mais novo de Vasco Fernandes de Gouveia, «o Moço», capitão-general da Beira no reinado de D. João I, senhor de juro e herdade de Almendra e alcaide-mor de Castelo Rodrigo e senhor dos seus direitos reais (30.9.1385), «guarda dos portos» de Castelo Rodrigo e Almeida, senhor do couto de Comeal das Donas, nascido cerca de 1365 e falecido em 1434. E tio paterno do Nuno Fernandes de Gouveia, que Alão confunde com este Gonçalo Fernandes, que casou com Aldonça Vaz Cardoso. Maria Anes da Costa casou a 2ª vez cerca de 1415 com Fernão Álvares Cardoso (b), escudeiro e cavaleiro do infante D. Henrique, que foi alcaide-mor de Celorico da Beira e sucedeu como senhor dos Coutos de Rio de Asnes, onde ainda vivia em 1460. Dado que seu irmão Vasco Paes Cardoso teve o prazo da «possessão» dos Coutos, que não aparece na sua descendência, Fernão Álvares talvez lhe tenha sucedido, se bem que as propriedades e «senhorio» que esta família tinha nos Coutos pareçam ser muito mais vastos do que o prazo. N. cerca de 1389 e vivia em Lamego cerca de 1415, quando lhe nasce o filho mais velho. Gaio diz que depois de viúvo foi deão da Sé de Évora e bispo eleito de Viseu. Na verdade, pode ter enviuvado cedo, pois sua mulher era cerca de 10 anos mais velha do que ele e até pode ter falecido na sequência do parto do segundo filho, cerca de 1417. De resto, é bem possível que Fernão Álvares tivesse sucedido a seu tio homónimo, o que era vulgar na época, como deão da Sé de Évora. Como bispo de Viseu não consta, mas pode ter sido deão e vigário-geral do bispado quando seu cunhado D.Luiz do Amaral foi bispo de Viseu (1426) e seu substituto quando este foi enviado por D. João II ao Concílio de Basileia (1432). Pode mesmo ter sido eleito para lhe suceder e exercido em Sé vacante, entre 1438, data em que D. Luiz é deposto, e 1440, data em que se sabe que o sucessor D. Luiz Coutinho ainda não tinha entrado na posse do bispado por lho impedir o infante D. Pedro, que talvez, ainda que ilegitimamente, tivesse mesmo chegado a nomear bispo este Fernão, seu vassalo.

1.3.2.2.1.1.(a) Gomes Gonçalves da Costa de Gouveia, n. cerca de 1401, fidalgo das Casas de D. João I, D.Duarte e D. Afonso V, que sucedeu como senhor de Stª Eufémia da Matança. Aparecendo normalmente apenas como Gomes Gonçalves da Costa, surge em várias genea­logias (nomeadamente numa escrita no início do séc. XVII pelo doutor Luiz Ferreira de Azevedo) como Gomes Gonçalves da Costa de Gouveia, nome a que, pelo menos, cer­tamente teria direito, pois seu filho teve carta de brasão de armas para Gouveia (em pleno, com diferença), dizendo-se aí expressa­mente que descendia desta linhagem por varonia. Casou cerca de 1447 com sua prima Genebra Anes de Gouveia, n. cerca de 1420, que uma certidão do cronista-mor do reino e guarda-mor da Torre do Tombo, o já citado doutor Luiz Ferreira de Azeve­do, aposentado em 1612, diz filha de João de Gouveia, escudeiro e «criado» d’el rei, senhor de juro e herdade (1434) de Gouveia, Cas­telo Rodrigo, Castelo Bom, Castelo Melhor, Valhelhas, Almen­dra e Comeal, alcaide-mor de Castelo Rodrigo e Almeida, coudel destas vilas (31.10.1443), etc., de sua mulher Leonor Gonçal­ves, casados cerca de 1.2.1434, data em que D. Duarte lhes dá em dote 1.000 coroas de ouro, passadas a uma tença anual de 375.000 libras, o que é confirmado por D. Afonso V a 1.4.1439. Contudo, Luiz de Mello Vaz de São Payo põe em dúvida esta filiação (salvo se bastarda), e sugere esta Genebra como filha de um tio pa­terno daquele João de Gouveia, também chamado João (Fernandes) de Gouveia, filho de Vasco Fernandes de Gouveia, o Velho, referido acima, este falecido cerca de 1385, data em que lhe sucede seu filho Vasco Fernandes de Gouveia, o Moço, senhor de Comeal das Donas, capitão-general da Beira no reinado de D. João I, alcaide-mor de Castelo Rodrigo e de vários bens de raiz no seu termo (30.9.1385), senhor de juro e herdade de Almendra e dos direitos reais de Castelo Melhor e seus termos (30.9.1385), bem como de todas as rendas que a coroa aí tinha (16.11.1394), senhor de juro e herdade de Valhelhas com todas as suas rendas (14.7.1423), etc. O João de Gouveia que LSP propõe para pai de Genebra Anes deve assim ser o João de Gouveia, escudeiro d’el rei, que a 10.4.1439 teve mercê de D. Afonso V para o cargo de guardião dos portos de Castelo Rodrigo e Almeida, concedendo-lhe licença para poder colocar pessoas que ele entender que são pertencentes para o dito ofício, uma vez que este não deve ser seu sobrinho homónimo, que nesta data já era senhor e alcaide-mor de Castelo Rodrigo. E o João de Gouveia que a 14.8.1441 foi substituído no cargo de coudel de Almeida. Falta no entanto saber quem seria sua mulher, cuja identificação parece fundamental, porque julgo que é através dela que vem o senhorio de Papízios (Currelos), que Genebra Anes herdou e por ela seu filho Gonçalo da Costa de Gouveia, que sabemos documentalmente que tinha o dito senhorio. Sabemos, por outro lado, que Papízios não foi doação do rei, não só porque não existe registo dessa doação, mas sobretudo porque ali a coroa não possuía nem nunca possuiu nada. Todas as inquirições são unânimes em dizer que Papízios era toda de fidalgos e lá não entrava o mordomo do rei. Pelo que Gonçalo da Costa certamente teve Papízios por descender dos fidalgos que a possuíam cerca de um século antes, portanto talvez os avós daquela desconhecida mulher de João de Gouveia.

1.3.2.2.1.1.1. Inez Gonçalves da Costa, n. cerca de 1448 e casada cerca de 1471 com Filipe da Grã, vedor da fazenda do infante D. Pedro, com quem esteve em Alfarrobeira (1449), fugindo depois para a Borgonha, onde se acolheu à protecção da duquesa D. Isabel, só regressando a Portugal cerca de 1471.

1.3.2.2.1.1.1.1. Bernardo da Costa de Gouveia, que estudou em Paris e Salamanca com seu primo Diogo de Gouveia, o célebre humanista que na Universidade de Paris dirigiu o Colégio de Stª Bárbara (1520).

1.3.2.2.1.1.2. Gonçalo da Costa de Gouveia, fidalgo da Casa Real, que sucedeu como senhor de Stª Eufémia de Matanças e foi senhor de Papízios, então no concelho de Currelos, depois no de Oliveira do Conde e hoje uma freguesia do concelho de Carregal do Sal (Viseu). N. cerca de 1449 e ainda vivia, em Gouveia, a 6.8.1529, data em que D. Manuel I lhe confirma o seu brasão de armas (Gouveia em pleno, com uma merleta por diferença). Ainda escudeiro da Casa de D. Afonso V, como Gonçalo de Gouveia, foi empossado, por carta deste rei de 15.9.1473, no rendoso lugar de escrivão do armazém real da cidade de Tânger e dos Algarves. Alão e Gaio dizem que foi senhor de muitos lugares na Beira e que esteve com muitos parentes na batalha de Toro (1476), nas campanhas do Norte de África e na guerra que «perdeu D. Pedro Rei de Aragão» (filho do nosso infante-regente D. Pedro), onde ficou preso e donde depois foi remido. Existe deste Gonçalo da Costa de Gouveia uma «carta de privilégios aos moradores do seu lugar de Papízios» de 1.8.1502, onde se pode constatar a opulência deste fidalgo, que se propõe fazer ali uma povoação, obrigando-se a gastar nas edificações necessárias a elevadíssima soma de 200.000 reais, em troca de certos privilégios «para a sua pessoa e para seus sucessores e assim os que na dita povoação morarem». As razões apontadas por Gonçalo da Costa para criar essa póvoa (hoje Póvoa de Arnosa) são por ele explicadas no dito documento: «Junto da dita Póvoa vai uma grande estra­da por onde se vai para muitas partes, a qual vai por terra despovoada em três léguas, na qual mataram e roubaram muitos homens (...) e o povo recebera muitos danos». Gonçalo da Costa de Gouveia casou cerca de 1483 com Catarina da Fonseca, n. cerca de 1466, proprietária em Figueiró da Granja (Fornos de Algôdres), que julgo filha de D. Ozorio da Fonseca, que já era prior do mosteiro de Folques quando em 1482 recebeu ordens de subdiácono, filho de Álvaro Ozorio, senhor de Figueiró da Granja, fal. em 1500, e de sua mulher Beatriz Monteiro. Este Álvaro Ozorio, sendo escudeiro da Casa Real e morador em Coja, teve a 10.2.1460, com sua sogra, privilégio real de isenção de pousada nas suas casas de Arganil. Era irmão, entre outros, de Ozorio Dias, que recebeu ordens menores em 1446 e era escudeiro do bispo de Viseu quando a 8.3.1500 teve mercê real de bens de raiz até 20.000 reais. Ambos filhos de Ozorio Dias, senhor de Figueiró da Granja (Algôdres) e de Stª Eufémia e Vieiro (Pinhel), etc., e de sua mulher Beatriz da Fonseca. Este Ozorio Dias era filho de Diogo Ozorio, alcaide-mor de Trancoso, senhor de Figueiró da Granja (Algôdres) e de Stª Eufémia e Vieiro (Pinhel), etc., e de sua mulher Usenda Pires Homem. Aquela Beatriz da Fonseca era filha de Afonso Vasques da Fonseca, alcaide-mor de Marialva, Moreira e Sabugal, que está sepultado na matriz de Trancoso, e de sua mulher Mécia Lopes Pacheco. Afonso Vaz da Fonseca, n. cerca de 1378, era (segundo a indicação de seu neto) filho bastardo de Vasco Fernandes Coutinho, senhor de Leomil, alcaide-mor de Marialva, etc., que faleceu em 1384 e deixou entregue este Afonso a seu filho mais velho Gonçalo Vaz Coutinho, facto que só por si demonstra que Afonso era bastardo, pois a mulher de Vasco Fernandes, a celebrada Beatriz Gonçalves de Moura, sobreviveu muitos anos ao marido.

1.3.2.2.1.1.2.1. Catarina da Costa, n. cerca de 1484, que sucedeu a sua mãe nos bens de Figueiró da Granja (Fornos de Algôdres) e de seu pai foi muito herdada em Papízios. Casou cerca de 1501 com Francisco de Soveral, n. em Viseu cerca de 1457, cavaleiro fidalgo da Casa de D. Manuel I (pelo menos desde 1511) e cavaleiro da Ordem de Santiago (1501), que esteve no Norte de África, nomeadamente como capitão em Arzila no tempo do governador D. João de Menezes. Damião de Góis menciona-o quando descreve o ataque a Alcácer-Quibir (1503). Foi depois almoxarife da praça de Arzila (1511 e 1513). Antes de entrar para a Casa Real foi cavaleiro da Casa do conde de Borba, como aparece a 12.8.1500 quando é feito cavaleiro da Ordem de Santiago, sendo registado no livro de matrículas da Ordem de Santiago a 25.9.1501. A 6.4.1502, sendo referido como cavaleiro da Ordem de Santiago, testemunha num contracto do conde de Redondo. Fal. cerca de 15.10.1516, data em que Diogo Fernandes de Abreu teve uma tença anual de 6.000 reais que tinha Francisco de Soveral, falecido. C.g. conhecida.

1.3.2.2.1.1.2.2. Pedro da Costa de Gouveia, que sucedeu a seu pai como 3º senhor de Papízios e senhor de Stª Eufémia da Matança, bens de raiz e não senhorios da coroa, e teve muitos outros bens em todo o concelho de Currelos. N. cerca de 1485 e é recorrente dizer-se (vide «Novos elementos para o estudo da grande família dos Gouveias humanistas», 1965, de António Pedro de Sousa Leite, in Boletim da Academia Portuguesa de Ex-Libris, nºs 31 a 34) que estudou em Paris, licenciou-se em Cânones e foi desembargador da Casa da Suplicação. Mas não o documento como tal, devendo ser confusão com seu parente o licenciado Pedro de Gouveia, que foi desembargador e chanceler-mor de D. Manuel I. Este Pedro da Costa casou com sua prima Isabel de Andrade Cabral, senhora da casa de Canedo, em S. Pedro de Espinho (Mangualde), e aí co-padroeira da igreja de S. Pedro, filha (legitimada por carta de real de 1533) do senhor de Belmonte João Fernandes Cabral e sobrinha do celebrado descobridor do Brasil Pedro Álvares Cabral. C.g. conhecida.

1.3.2.2.1.1.2.3. João da Costa de Gouveia, que casou com Isabel Rodrigues Portella, filha de Rui Portella, cavaleiro fidalgo da Casa Real. Destes foi filho Diogo Rodrigues Portella de Gouveia, cavaleiro fidalgo da Casa Real, juiz dos órfãos de Barcelos, que casou com sua prima Catarina Dias de Gouveia, c.g. nos Gouveia de Barcelos e entre eles o celebrado genealogista Felgueiras Gaio.

1.3.2.2.1.1.2.4.Veríssimo da Costa da Fonseca, que julgo progenitor dos Costa de Currelos e talvez também dos Fonseca de Papízios. Alão chama-lhe Faustino e diz que serviu na Índia.

1.3.2.2.1.1.2.5.  ?Francisco da Costa de Gouveia, contador e recebedor das sisas de Stª Marinha (CJIII, 5, 84v e 85v).

1.3.2.2.1.1.3. ?Estêvão da Costa, cónego da Sé de Coimbra, que julgo filho de Gomes Gonçalves. A 10.6.1480 é legitimado por carta real Vasco da Costa, filho de Estêvão da Costa, meio cónego da Sé de Coimbra, e de Maria Anes, mulher solteira, a pedido de seu pai, que já o legitimara por instrumento público de 16 de Maio de 1480.

1.3.2.2.1.1.3.1.   (N) Vasco da Costa, legitimado por carta real de 10.6.1480, como ficou dito.

1.3.2.2.1.1.4. ?Isabel Gonçalves da Costa, que casou cerca de 1468 com Martim Rodrigues de Lemos, n. cerca de 1410, que refiro no seu Ensaio sobre a origem dos Lemos portugueses. Alão diz que viveu na Beira e Gaio acrescenta que foi comendador de S. Vicente da Beira.

1.3.2.2.1.1.4.1. Andreza Rodrigues da Costa, segundo Alão, que a diz casada com Sebastião Nunes Frazão. Gaio acrescenta que este Sebastião Nunes foi cavaleiro da Ordem de Cristo e que foram pais, nomeadamente, de Simão da Costa, que casou com Catarina da Costa, filha de Gaspar da Costa, deão da Sé do Porto, dos de Alpedrinha, sendo pais de Sebastião e Bartolomeu da Costa, ambos tesoureiros-mores da Sé de Lisboa. Alão dá aquele Simão como filho de uma terceira filha de Martim Rodrigues de Lemos, que não nomeia. Segundo algumas genealogias, aquele Sebastião Nunes Frazão seria bisneto de um Rui Frazão, alcaide-mor de Alcanede. A verdade é que a 26.7.1466 D. Afonso V perdoou a justiça régia a Afonso Vasques, morador em Alqueidão do Mato, termo de Alcanede, acusado de ter pecado na lei do casamento com Catarina Martins, mulher de Rui Frazão, alcaide (não diz mor) do dito lugar, tendo pago 1.500 reais para a Piedade, mediante o perdão das partes.

1.3.2.2.1.1.4.2. D. Isabel Rodrigues da Costa, nascida cerca de 1470 e fal. viúva depois de 6.2.1514. Alão chama-lhe erradamente Mécia. Como D. Isabel Rodrigues, viúva de Pedro da Costa, fidalgo da Casa Real, a 11.10.1513, sendo então moradora na vila de Tomar, fez procuração a seu filho Gaspar da Costa em todas as suas coisas e especialmente em um concerto que faz com seus enteados. E a 6.2.1514 Isabel Rodrigues, dona viúva, mulher que foi de Pedro da Costa, passou recibo em como recebeu de Diogo Fernandes Cabral 3.150 reais dos 5.000 que lhe são devidos. Foi portanto 2ª mulher de Pedro da Costa Cabral, fidalgo da Casa Real, senhor da quinta de Ninho de Açor, já falecido em 1513. C.g. que refiro no meu Ensaio sobre a origem dos Lemos portugueses. 

1.3.2.2.1.1.4.3. Mécia Rodrigues da Costa, nascida cerca de 1472, que segundo as genealogias já estava viúva em 1517, ano em que D. Manuel I lhe fez mercê da administração da capela na Igreja de Stº André de Pinhel que tivera seu marido Pedro Cocho. O que se confirma, pois a 4.9.1504 D. Manuel I fez a Pedro Cocho, escudeiro na vila de S. Vicente da Beira, cunhado de Álvaro da Costa, cavaleiro da sua Casa, mercê da administração de uma capela instituída em Pinhel por Martim Guarda, Dinis Guarda e Maria Guarda, falecidos, tal como tinha seu irmão, Diogo Rodrigues do Cocho, escudeiro da sua Casa, falecido. Mercê concedida em virtude de um alvará feito em Lisboa a 1.3.1504, por Vicente Carneiro (CMI, 22, 21).

1.3.2.2.1.1.4.4. D. Álvaro da Costa, nascido cerca de 1474 e falecido antes de 21.10.1540, que teve o título de Dom (entre 1520 e 1524), foi fidalgo do Conselho (1520), criado e feitor de D. Manuel I e depois seu guarda-roupa (pelo menos desde 1507), camareiro e guarda-roupa (1512) e armador-mor (1515), comendador de S. Vicente da Beira na Ordem de Cristo (1515), etc. Faleceu antes de 21.10.1540, data em que D. João III mandou o recebedor das sisas de S. Vicente da Beira pagar a Gaspar da Costa, seu sobrinho, tudo o que D. Álvaro da Costa tinha vencido dos 100.000 reais de tença, para o dar a seus herdeiros. A 26.3.1507 D. Manuel I  mandou que se entregue a Álvaro da Costa, seu guarda-roupa, certos côvados de cetim e chamalote para gastos do mesmo guarda-roupa. A 22.5.1512 o mesmo rei manda que seus contadores levem em conta e despesa a Luiz de Góis de 14.000 reais por outros tantos que lhe deve Álvaro da Costa, seu camareiro. A 19.4.1513 manda o feitor da Casa da Índia entregar a João Francisco o que cabia a Álvaro da Costa haver de 200 cruzados que Lourenço Moreno lhe levou para a Índia. A 30.4.1515 Álvaro da Costa, fidalgo da Casa Real, guarda-roupa e camareiro de D. Manuel I, teve provisão parta receber 20.000 reais de tença com o hábito. E a 30.4.1515 teve provisão para receber 35.000 reais, a saber: 20.000 reais graciosos e 15.000 reais com o cargo de armador-mor. A 11.7.1520 Álvaro da Costa, do Conselho do rei, seu camareiro e guarda roupa, teve provisão para receber 11 moios de trigo de suas tenças. A 10.2.1524 D. Isabel, filha de D.Álvaro da Costa, do Conselho de D. João III, teve provisão para receber 180.000 reais para ajuda de seu casamento. E a 26 de Junho do mesmo ano D. Álvaro da Costa teve provisão para receber 4.000 reais de graça separada. A 21.11.1524 D. Álvaro da Costa passou procuração a Sebastião Gonçalves para receber do recebedor das sisas das carnes de Lisboa 50.000 reais de tença; e bem assim para o mesmo receber do almoxarife da portagem e do ramo dos vinhos 50.000 reais, que seu filho D. Duarte ali tem assentados por carta geral. A 27.4.1525 D. Gil Eanes, procurador de D. Álvaro da Costa, seu pai, declarou que recebeu do almoxarife da Portagem de Lisboa, Vasco Gomes de Baltazar, 20.000 reais, à conta do que na dita portagem tem. A 14.7.1527 D.Álvaro da Costa dá poder a Álvaro do Tojal para por ele receber do almoxarife da portagem 50.000 reais de tença. A 20.2.1530 o cardeal-infante quitou a D. Beatriz de Paiva, mulher de D. Álvaro da Costa, a pensão e foro do seu Casal da Reboleira. Já tinha fal. a 21.10.1540 , quando D. João III manda o recebedor das sisas de S. Vicente da Beira pagar a Gaspar da Costa tudo o que D. Álvaro da Costa tinha vencido dos 100.000 reais de tença, para este o dar a seus herdeiros, conforme ficou dito acima. A 31.8.1591 Francisco Barreto de Lima Pereira fez uma memória para o rei sobre o filhamento de D. Duarte da Costa, filho natural de D. Álvaro da Costa, e o aumento dos outros. D. Álvaro da Costa casou com D. Beatriz de Paiva, ama de leite de D. João III, irmã de Bartolomeu de Paiva, fidalgo do Conselho e vedor das obras do reino, que deve já ser o Bartolomeu de Paiva que a 30.7.1492 teve de D. João II a doação de um engenho na ilha da Madeira, e é o Bartolomeu de Paiva, amo e camareiro de D. João III e do seu Conselho, que a 18.7.1533  teve a seu favor uma sentença cível sobre a administração da capela instituída por Martim Anes Rebouça e sua mulher Margarida Tereja, na igreja de Stª Mª de Almonda, termo de Santarém, na acção que lhe foi movida por Simão de Faria, fidalgo da Casa Real. C.g. conhecida, nomeadamente nos condes de Soure.

1.3.2.2.1.2. (a) D. João da Costa, bispo de Lamego (1448-63) e prior de Stª Cruz de Coimbra. A 11.12.1454 D.Afonso V privilegia D. João da Costa, bispo de Lamego, isentando os caseiros, lavradores, mordomos ou apaniguados que trabalhem numa sua quinta ou casa, do pagamento de diversos impostos ao concelho, de ser besteiro do conto, de ter cavalo, bem como de outros encargos. A 29.9.1472 D. Afonso V confirma carta de privilégio a D. João da Costa, bispo da Igreja Universal, prior do mosteiro de Stª Cruz de Coimbra, a seu pedido, pela qual os caseiros, lavradores e mordomos do dito mosteiro estavam isentos de servirem nas obras dos muros e castelos da dita cidade. Já tinha fal. a 28.9.1475, quando D. Afonso V doa vitaliciamente a D. João Galvão, bispo de Coimbra, conde de Arganil, umas casas na vila de Leiria que D. João da Costa, prior do mosteiro de Santa Cruz, tinha deixado ao dito mosteiro, passando as casas por morte do bispo, para o mosteiro. Deve ser o João da Costa, clérigo do infante D. Pedro, que a 21.6.1441 foi apresentado pela coroa como abade de S. João da Castanheira e a 8.9.1441 de Santiago da Torre. E o que a 12.10.1445, já como cobicolário do Papa e chanceler-mor da rainha D. Isabel, teve uma tença anual de 14.000 reais de prata enquanto exercesse os cargos de requeredor e procurador dos feitos régios junto da corte do Santo Padre.

1.3.2.2.1.3. (a) João Fernandes de Gouveia, cavaleiro, n. cerca de 1405, que as cartas de armas de seus bisnetos dizem que foi fidalgo muito honrado e irmão do bispo D. João da Costa. Nestas cartas aparece em duas como João Rodrigues da Costa e noutra como João Fernandes da Costa. Mas o nome seria como vai e deve ser o João Fernandes de Gouveia referido em 1462 nos livros de Recebimentos do Cabido de Viseu. Chamou-se assim João, como o irmão bispo. O uso do mesmo nome teria ficado a dever-se ao facto de usarem apelidos diferentes? Ou o bispo não era João, e adoptou este nome religioso, como acontece noutros casos nesta época? João Fernandes de Gouveia casou cerca de 1430 com Filipa Nunes Homem, irmã da morgada de Lajeosa Isabel Nunes Homem.

1.3.2.2.1.3.1. Diogo Fernandes da Costa Homem, a quem a carta de armas do neto não indica mulher.

1.3.2.2.1.3.1.1.  Luiz Fernandes da Costa, que não sei se casou (a carta de armas do filho não lhe indica mulher). Terá vivido em S. Miguel, onde moravam seus filhos. Foi pai de: 1) Baltazar da Costa, morador na ilha de S. Miguel, que a 16.5.1538 teve carta de armas para Costa e Homem, esquartelados, com uma merleta de prata por diferença; 2) Manuel da Costa Homem, morador na ilha de S. Miguel, que a 7.4.1552 teve carta de armas para Costa e Homem, igual à de seu irmão, mas com uma flor de lis de ouro por diferença; 3) D. Diogo da Costa, bispo de Lamego e prior de Santa Cruz de Coimbra, segundo Gaio.

1.3.2.2.1.3.2. Branca Nunes da Costa Homem, n. cerca de 1435, que consta com este nome na carta de armas de um de seus netos, embora nas cartas de armas do outro já venha como Leonor Nunes da Costa Homem. Casou com Luiz Gonçalves Ribeiro, senhor do paço de Samorim. Este Luiz Gonçalves Ribeiro teve a 19.6.1478 sentença de composição com o Cabido de Viseu para pagar 30 reais de censo por uma casas emprazadas na rua de Cimo de Vila. Era filho de Nuno Gonçalves Ribeiro. Alão diz que Luiz Gonçalves Ribeiro era filho de um abade de Barreiro. Julgo é que seu pai Nuno Gonçalves é que era filho do cónego da Sé de Viseu Gonçalo Ribeiro, com testamento de 9.2.1473, a quem o Cabido, ainda ele era apenas meio-cónego, emprazou a 2.8.1415 uns pardieiros na cidade. Este Gonçalo devia ser irmão de Fernão Vasques Ribeiro, a quem o Cabido emprazou em 1450 as quintas de Baiões, Figueirosa, Vila Verde e Serrazes, todas no termo de Lafões. Devendo ambos ser filhos do Vasco Esteves Ribeiro que faleceu em Viseu com testamento de 30.6.1428.

1.3.2.2.1.3.2.1.Nuno Gonçalves Ribeiro Homem, que Alão diz que sucedeu no paço de Samorim e casou em Vouzela com sua prima Filipa da Costa, c.g. nos senhores do no paço de Samorim.

1.3.2.2.1.3.2.2. João Nunes da Costa Homem, a quem a carta de armas dos filhos não indica mulher. Foi pai de: 1) Diogo Nunes da Costa Ribeiro, que teve carta de armas a 4.12.1544 para Ribeiro, Costa e Homem, esquartelada, com Ribeiro no 1º e 4º, tendo por diferença uma flor de lis, metade verde e metade prata; 2) António da Costa Ribeiro, que a 17.9.1545 teve carta de armas como a de seu irmão, mas com uma merleta de ouro por diferença

1.3.2.2.1.3.2.3. Catarina Nunes Ribeiro, n. cerca de 1468, que foi 3ª mulher do 5º senhor de Algôdres Luiz de Cáceres, s.g.

1.3.2.2.1.3.2.4.?António Ribeiro, que foi abade de uma igreja em Évora, que esteve em Roma ao serviço do Cabido de Viseu, a quem, no regresso, por carta de 25.9.1531, pede para retomar a sua igreja de Évora. Talvez se trate do António Ribeiro que foi arcediago da Sé de Viseu e teve um filho natural, Diogo Gomes, que casou a 8.2.1597 em Viseu com Catarina Gonçalves.

1.3.2.2.1.3.3. João Nunes da Costa, n. cerca de 1436, documentado em quatro escrituras de 1499, referidas por Manuel Botelho. Deve ser o João Nunes da Costa que Alão diz erradamente que foi pai da Aldonça Vaz Cardoso, casada com Nuno Fernandes de Gouveia.

1.3.2.2.1.3.3.1.Diogo Nunes da Costa, n. cerca de 1460 e fal. em 1517, escudeiro da Casa Real, meirinho da correição da comarca da Beira e Riba Côa, etc., que teve carta de privilégio de fidalgo (23.6.1501). Embora se afirme que este Diogo Nunes era galego, o que dificilmente se adequa ao seu perfil, em Manuel Botelho vem como filho de João Nunes da Costa, irmão de Branca Nunes da Costa mulher de Luiz Gonçalves Ribeiro, cavaleiro de Samorim. Casou com sua prima Filipa da Costa Homem, referida adiante, c.g. conhecida.

1.3.2.2.1.3.3.2.?(L) Beatriz da Costa, legitimada por carta real com filha de João Nunes da Costa, que julgo ser este (Chancelaria de D. Manuel I, 3 de Legitimações de Leitura Nova, 172).

1.3.2.2.1.3.4. ?Fernão Nunes da Costa, n. cerca de 1434, que Alão diz irmão de João Nunes da Costa, acrescentando que viveu no Quintal, em Besteiros, e foi pai de outro Fernão Nunes da Costa, que o mesmo autor diz ter casado em Fráguas e sido pai da Violante que segue. A cronologia, contudo, indicia tratar-se do mesmo Fernão, que terá vivido no Quintal e casado com a herdeira da vizinha quinta de Fráguas.

1.3.2.2.1.3.4.1.Violante Nunes da Costa, senhora da quinta de Fráguas, n. cerca de 1465 e ainda vivia em 1530. Casou com Gonçalo Pires, o da Bandeira na batalha de Toro, escudeiro fidalgo da Casa Real, que a 7.8.1484 teve carta de privilégio e foi juiz dos órfãos de Besteiros. C.g. conhecida.

1.3.2.2.1.3.5. ?Bernardo Anes da Costa, cavaleiro fidalgo e cidadão nobre da governança de Viseu, sendo nomeadamente vereador do Senado da Câmara pela Nobreza entre 1511 e 1521.

1.3.2.2.1.4. (a) Pedro da Costa, n. cerca de 1406, corregedor de Além Douro e regedor da Casa do infante D.Pedro, que parece ser o homónimo que foi desembargador da Casa da Suplicação. A 4.10.1471 D.Afonso V nomeia Guilherme Dias, criado de Pedro da Costa, seu desembargador, para o cargo de porteiro das audiências perante Amadeu Vasques, cavaleiro régio, juiz da alfândega da cidade de Lisboa, em substituição de Vasco Rodrigues, que morrera. A 14.3.1475 D. Afonso V nomeia Diogo Vasques, morador na vila de Alenquer, para os cargos de tabelião das notas, juiz e contador dos [resíduos e feitos] que pertencem à Rendição dos Cativos, e contador dos órfãos na dita vila e seu termo, em substituição de João Lopes, criado de Pedro da Costa, desembargador da Casa da Suplicação, que renunciara.

1.3.2.2.1.5. (a) Álvaro da Costa, segundo Alão.

1.3.2.2.1.6. (b) Dr. Lopo Álvares Cardoso, que sucedeu como senhor dos Coutos de Rio de Asnes, foi fidalgo da Casa do infante-regente D. Pedro e aio do condestável D. Pedro, seu filho, e depois das Casas de D. Afonso V e D. João II. N. em Lamego cerca de 1415, licenciou-se em Cânones pela Universidade de Lisboa e foi ouvidor das terras do dito D. Pedro, o condestável que veio a ser rei de Aragão (1465). Em 1480 vivia na Rua Direita, em Viseu, cidade onde foi um dos principais fidalgos, sendo várias vezes presidente do Senado e procurador do bispo D. João Gomes de Abreu. Sendo referido apenas como Licenciado Lopo Álvares, e já com sua 2ª mulher Isabel de Figueiredo, recebeu do Cabido de Viseu a 7.9.1458 o prazo da «possessão» das Lájeas, a par do Carvalhal, e 31.7.1459 o prazo de certos casais, vinhas, casas, herdades e chãos. Ainda vivia em 1500, quando seu escudeiro João Coelho é vereador do Senado da Câmara de Viseu. Casou a 1ª vez cerca de 1445 com sua prima Leonor Rodrigues Cardoso, n. cerca de 1421, filha de Diogo Paes Cardoso e de sua mulher Maria Rodrigues do Amaral. Casou a 2ª vez cerca de 1458 com sua prima Isabel de Figueiredo, n. cerca de 1422, filha Leonor Martins de Figueiredo. C.g. conhecida, representada na Casa de S. Miguel, em Viseu.

1.3.2.2.1.7.(b) Fernão Álvares Cardoso, escudeiro fidalgo do infante D. Henrique, que sucedeu a seu pai como alcaide-mor de Celorico da Beira e foi escrivão das sisas da comarca da Beira e Riba Côa (4.4.1483). N. em Lamego cerca de 1417 e casou cerca de 1448 com sua prima Beatriz Nunes da Costa, 7ª morgada de Lajeosa, referida adiante, onde segue.

1.3.2.2.2. (a) Pedro da Costa, senhor da «possessão» de Lusinde (Penalva) em 1430, senhor do prazo da «possessão» de Stº Estêvão (Abravezes) e, por sua mulher e prima, 5º morgado de Lajeosa, em Lordosa (Viseu), foi escudeiro fidalgo da Casa do infante D. Henrique, duque de Viseu, de quem recebia em 1438 uma tença de 70.000 reais. Foi procurador de Viseu às Cortes de Torres Novas (1438) e às Cortes de Évora (1442). N. cerca de 1378 e ainda vivia em 1453 e possivelmente em 1464. Em 1431 é nas suas casas em Viseu que Pedro Nunes Homem, tio de sua mulher, faz uma escritura de venda. Em 1459 teve do Cabido o prazo de um casal em Torredeita. Casou cerca de 1421 com sua prima Isabel Nunes Homem, herdeira do morgadio de Lajeosa, n. cerca de 1395 e ainda viva em 1476, filha de João Lourenço, alcaide-mor do castelo de Mogadouro, e de sua mulher Isabel Nunes Homem, que levou por dote, com autorização de D. João I de 24 e 28.5.1390, a aldeia de Folhadal, que este rei tinha doado a seu irmão Pedro Nunes Homem, morgado de Lajeosa.

1.3.2.2.2.1. João da Costa Homem, n. cerca de 1422, que sucedeu como 6º morgado de Lajeosa e no prazo de Lusinde, tendo fal. antes de 28.8.1477, data em que seu irmão lhe sucede. Era escudeiro fidalgo da Casa do infante D. Henrique quando em 1453 foi considerado culpado de matar numa rixa um tal padre Fernão Nunes, pelo que foi encarcerado na prisão do bispo de Viseu, donde fugiu com a ajuda de seu irmão Pedro Homem, também escudeiro fidalgo do infante D. Henrique, e de seu primo João Homem, os quais tiveram por isso carta de perdão de 13.9.1456 e 7.8.1456, e ele próprio de 27.9.1456, todos com a condição de servir três anos em Ceuta. Não casou, pelo que o morgadio passou a seu irmão.

1.3.2.2.2.2. ?Vasco Pires da Costa, capelão do rei e cónego da Sé de Coimbra. A 28.6.1459 D. Afonso V faz quitação a Vasco Pires da Costa, seu capelão e cónego em Coimbra, da verba de 571 libras, 9 soldos e 9 dinheiros. Deve ser o Vasco Pires da Costa que a 21.10.1452 D. Afonso V nomeia, a pedido do abade do mosteiro e coutos de Alcobaça, para o cargo de procurador do número desta vila.

1.3.2.2.2.3. Pedro Homem da Costa, n. cerca de 1424, escudeiro fidalgo do infante D. Henrique que esteve na tomada de Alcácer-Seguer (23.10.1458) e foi mais tarde coudel de Viseu (4.9.1475). Sucedeu ao irmão como 7º morgado de Lajeosa. É o Pedro Homem a quem o Cabido de Viseu empraza a 28.8.1477 a «possessão» de Lusinde, certamente em sucessão de seu irmão. E deve ainda ser o Pedro Homem, cavaleiro, morador na Lajeosa, que a 11.9.1498 teve sentença contra uma venda de um casal no termo de Viseu por 7.000 reais a Pedro da Costa, escudeiro do bispo, morador em Pindêlo (que podia ser seu neto assim chamado, filho de João Pessoa), por esta venda ir contra as ordenações. Dizem as genealogias que não casou e sucedeu sua irmã Beatriz Nunes da Costa. Esta, contudo, não podia ter nascido antes de 1442, pelo que não podia ser sua irmã, sendo certamente filha deste Pedro Homem da Costa, que segundo Alão casou com Isabel Martins.

1.3.2.2.2.3.1. Beatriz Nunes da Costa, que sucedeu como 8ª senhora da morgadio de Lajeosa, com seu padroado. N. em Viseu cerca de 1446. Casou cerca de 1464 com seu primo Fernão Álvares Cardoso, fidalgo e cavaleiro da Casa do infante D. Henrique, que sucedeu a seu pai como alcaide-mor de Celorico da Beira e no fim da vida foi escrivão das sisas da comarca da Beira e Riba Côa (4.4.1483), tendo antes sido meirinho no Entre-Douro-e-Mondego, vedor das pontes do arcediago do Vouga, bem como de todas as suas obras, com mantimento (2.11.1473), em substituição de Diogo Barreto.

1.3.2.2.2.3.1.1.João Nunes da Costa, abade de Lajeosa, que renunciou aos seus direitos na sucessão do morgadio de Lajeosa e seu padroado em favor de seu irmão Diogo.

1.3.2.2.2.3.1.2.Diogo Fernandes Homem, que sucedeu no morgadio de Lajeosa e teve foro de cavaleiro fidalgo da Casa Real. Esteve na Alemanha em serviço do rei e esteve na tomada de Azamor, onde serviu 3 anos com dois cavalos à sua custa. Não casou mas teve filhos de D. Briolanja Coutinho, filha do 2º conde de Marialva D. Gonçalo Coutinho.

1.3.2.2.2.3.1.3.Beatriz Nunes da Costa, que n. cerca de 1467 e sucedeu a seu irmão no morgadio de Lajeosa. Casou cerca de 1487 com seu primo Manuel Soares de Albergaria, n. em Lamego cerca de 1454, c.g.

1.3.2.2.2.3.1.4.Mécia da Costa, que casou com Nicolau Vaz de Macedo, natural de Bragança, que Gaio diz ter morrido em serviço na Índia e Alão diz filho de uma Branca Vaz de Altero.

1.3.2.2.2.3.2.Inez da Costa Homem, n. cerca de 1447. Casou cerca de 1464 com João Pessoa, n. cerca de 1430, que deve ser o João Pessoa, escudeiro do arcebispo de Braga, a quem D.Afonso V confirma a 6.6.1449 a doação que lhe fez Maria Dias de todos os seus bens móveis e de raiz, com a condição de tomar conta dela até à morte. É certamente o João Pessoa, escudeiro, morador em Coimbra, a quem, a seu pedido, D. Manuel legitima a filha Beatriz a 28.3.1496. E provavelmente o João Pessoa que teve confirmação real da carta de cavaleiro a 11.5.1515, onde se diz que é filho de Pedro Álvares Pessoa, morador em Alhandra. Segundo Gaio era filho de Afonso Pessoa, vassalo de D. João I, e de sua mulher Maria Arrais ou Anes. Diz este autor que Afonso Pessoa foi capitão no cerco de Malaca, anacronismo que resulta da confusão com Afonso Pessoa de Azevedo, que de facto esteve neste cerco em 1511. O mesmo autor acrescenta que Afonso Pessoa «dizem vir de Aragão» ou do Tirol, o que parece fantasia, até porque há em Portugal outros Pessoas que não descendem deste Afonso, como é o caso, por exemplo, de Álvaro Pires Pessoa, escudeiro, sobrinho do bispo de Ceuta, que a 6.7.1450 teve perdão real por ter morto João de Chaves, morador em Vila Franca, contanto que cumpra quatro anos de degredo em Ceuta. Estes Pessoa aparentemente não tinham armas próprias, e passaram, com o casamento do João Pessoa em epígrafe, a usar as armas dos Homem, com uma bordadura de estrelas ou cometas, por diferença, que aliás já usava o bispo de Viseu D. João Homem. C.g. conhecida.

1.3.2.2.2.3.3.?Pedro Nunes (da Costa), contador dos feitos e custas, distribuidor e inquiridor de Besteiros, que em 1497 renunciou em Pedro da Costa, acima, nesta hipótese seu sobrinho.

1.3.2.2.2.3.4.?(N) Antão da Costa Homem, possível filho, mas necessariamente bastardo, pois doutra forma teria sucedido. Na carta de armas de seu filho consta como filho de Pedro da Costa Homem. É certamente o Antão da Costa, escudeiro do infante D. Fernando, a quem D.Afonso V nomeia a 13.19.1463 coudel da vila da Covilhã.

1.3.2.2.2.3.4.1. Pedro da Costa, cavaleiro fidalgo da Casa Real, comendador da Ordem de Cristo, que a 19.3.1530 teve carta de armas para Costa com uma flor de lis de ouro por diferença. Deve ser o Pedro da Costa que foi escudeiro e cavaleiro da Casa Real (Moradias).

1.3.2.2.2.4. Maria da Costa Homem, n. cerca de 1425, que c.c. João Pires (de Carvalho).

1.3.2.2.2.4.1.Lopo de Carvalho, n. cerca de 1444.

1.3.2.2.2.4.1.1.Filipa da Costa Homem, n. cerca de 1466 e viveu na cidade de Viseu. Casou cerca de 1485 com seu primo Diogo Nunes da Costa, referido acima.

1.3.2.2.2.5.Isabel Pires da Costa, que n. cerca de 1430 c. cerca de 1452 c. Diogo Rodrigues Cardoso, cavaleiro fidalgo da Casa Real, meirinho da correição da comarca da Beira e Riba Côa e senhor da quinta ou «possessão» de Stº Estêvão, em Abravezes (Viseu), «que era do seu sogro», onde ainda vivia em 1508. C.g. conhecida.

1.3.2.2.3. ?(N) Gonçalo Anes da Costa, morador em Coimbra, a quem a 18.11.1452 D. Afonso V deu carta de liberdade e perdão por ter participado na batalha de Alfarrobeira pelo infante D. Pedro. Já a 26.5.1440 D.Afonso V perdoara a justiça régia a Gonçalo Anes da Costa, criado do infante D. Pedro, acusado de ter deixado fugir quatro pessoas da prisão de Coimbra. Pelo estatuto, a ser filho de Pedro Anes da Costa, seria bastardo. Terá casado com Beatriz Gonçalves, possível irmã do cardeal de Alpedrinha, como adiante se diz, portanto filha de Martim Vaz e Catarina Gonçalves. Mas esta Beatriz Gonçalves, que terá nascido entre 1407 e 1412, não casou depois de 1432, portanto ainda o futuro cardeal era um desconhecido. Beatriz Gonçalves não tinha portanto estatuto nenhum quando casou. Mas, na verdade, também seu marido não o tinha, pois era um mero alcaide carcereiro de Coimbra. Se esta hipótese é verdadeira, então, antes de ser famoso e adoptar o nome Costa, o cardeal já era cunhado deste Gonçalo Anes da Costa. E esta ligação familiar por afinidade pode ter pesado na adopção do nome Costa pelo cardeal.

1.3.2.2.3.1.?Gonçalo Anes da Costa, criado do infante D. Henrique, que a 3.8.1453 foi nomeado porteiro do almoxarifado da Guarda e a 24.5.1456 carcereiro da cadeia da comarca e correição da Beira. A 1.9.1472 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Gonçalo Anes da Costa, carcereiro da prisão da comarca e correição da Estremadura, acusado de ter deixado fugir dois presos, tendo pago 1.000 reais de prata para a Arca da Piedade.

1.3.2.2.3.2.?João Gonçalves da Costa, escudeiro, vassalo de D. Afonso V, morador em Atouguia, que a 11.11.1451 teve perdão real de seis meses do degredo de um ano a que fora condenado para fora da dita vila e termo.

1.3.2.2.3.3.?Fernão Gonçalves da Costa, escrivão das sisas de Vagos, fal. depois de 23.5.1463. Gaio refere um Fernão Gonçalves da Costa, que diz filho de Gonçalo Anes da Costa e sua mulher Beatriz Gonçalves, acrescentando que foi escudeiro fidalgo da Casa de D. Afonso V e que, com sua mulher Briolanja Rodrigues, a 14.1.1503 instituiu no Alentejo um morgadio chamado da Torrinha e que jaz em S. Pedro de Torres Novas, em sepultura onde declara ser sobrinho do cardeal D. Jorge. Como os outros autores, nomeadamente Alão, não dão semelhante irmão ao cardeal, é difícil aceitar que o fosse. A ser verdade a inscrição tumular, então deve ser a sua alegada mãe, Beatriz Gonçalves, que era irmã do cardeal, portanto filha de Martim Vaz e de Catarina Gonçalves.

1.3.2.2.3.3.1. Diogo Fernandes, escrivão das sisas de Vagos. A 23.5.1463 D. Afonso V nomeou Diogo Fernandes, criado de João da Silva, fidalgo da sua Casa, para o cargo de escrivão das sisas de Vagos, em substituição de seu pai, Fernão Gonçalves da Costa, que renunciara.

1.3.2.2.3.3.2. ?D. Simão Fernandes da Costa, que Gaio dá como filho do Fernão Gonçalves da Costa sepultado em Torres Novas. Foi abade comendatário de Rendufe em 1543, como consta na «Beneditina Lusitana». A «Corografia Portuguesa» dá este Simão como filho de António de Azevedo Coutinho, que seria filho de Maria da Costa e de seu marido Fernão de Azevedo (Coutinho). Esta Maria da Costa casou também com Francisco de Viveiros, castelhano que veio para Portugal, e era filha do já referido Gaspar da Costa Cabral, senhor do Ninho de Açor e alcaide-mor de Sortelha, e de sua mulher Maria Manso. António de Azevedo Coutinho seria assim meio-irmão de Beatriz de Viveiros da Costa casada com António Soares Coelho, senhor da honra de Gaiate, que nasceu cerca de 1530. Sendo que aquela Maria da Costa era irmã de Mécia Rodrigues da Costa, que casou cerca de 1525 com António Afonso da Fonseca. Pelo que desde logo se vê a impossibilidade cronológica, para já não falar na improbabilidade onomástica. Gaio, que também segue o que diz a Corografia, noutro passo dá D. Simão Fernandes da Costa como filho de Fernão Gonçalves da Costa e diz que teve filhos em Filipa de Alvim, filha de Isabel de Barros e seu 2º marido Fernão Aires de Souza, que jaz em Rendufe com o seguinte letreiro: «Aqui jaz Fernão Ayres de Souza avó de Henrique de Souza Comendatário deste Mosteiro de Rendufe». Este comendatário Henrique de Souza era justamente um dos filhos de D. Simão Fernandes da Costa e Filipa de Alvim. Esta segunda versão sobre a filiação de D. Simão parece-me a verdadeira. Como Filipa de Alvim nasceu cerca de 1485, terá sido a 2ª amante de D. Simão, uma vez que este também teve filhos de Joana do Amaral, nascida cerca de 1495, nomeadamente o Dr. António Fernandes de Figueiredo, nascido cerca de 1495, que foi chanceler-mor do Brasil, desembargador da Relação e lente do Colégio de S. Paulo da UC, e casou com Beatriz Godinho (do Amaral), senhora da quinta do Ribeirinho, em Midões, c.g. conhecida nos Costa Godinho, de Midões.

1.3.2.2.4. (b) D. Luiz do Amaral, cardeal pelo papa Félix V de Avinhão (1444), bispo de Viseu (1431) e de Lamego (1426), embaixador de D. João I ao Concílio de Basileia (1432), etc. Apoiou o papa de Avinhão contra o papa Eugénio IV, sendo por isso excomungado e destituído do bispado de Viseu (1439), sendo depois readmitido pela Igreja como cardeal, pouco antes de falecer a 10.2.1444. N. em Viseu cerca de 1381.

1.3.2.3. ?Afonso Anes da Costa, pai virtual de:

1.3.2.3.1. ?Aires Afonso da Costa, referido como pai de João Afonso no processo para o Stº Ofº de seu descendente o Dr. Manuel de Araújo Pinto.

1.3.2.3.1.1. Pedro Afonso da Costa, que a 29.12.1427 recebe de seu irmão João Afonso a doação dos bens de Coelhoso comprados a Maria Afonso. Casou com Mécia Vaz, dita viúva de Pedro Afonso da Costa quando a 18.3.1434 teve mercê de D. Duarte dos privilégios do marido.

1.3.2.3.1.1.1. João da Costa, que a 1438 recebe do Cabido de Viseu o prazo de uma herdade, sendo aí referido como filho de Pedro Afonso da Costa, pelo que seria ainda novo.

1.3.2.3.1.2. João Afonso da Costa, vigário da Sé de Viseu, referido também como morador em Bobadela e «primo co-irmão de D. João da Costa, Bispo de Lamego e depois de Viseu».

1.3.2.3.1.2.1. (N) Inez Anes da Costa, n. cerca de 1455 e parece casada com Rui Gonçalves Ribeiro, escudeiro. Na carta de armas de seu bisneto diz-se que Paio Ribeiro era «filho carnal» de Rui Gonçalves Ribeiro e sua mulher Inez Anes, moradores em Bobadela.

1.3.2.3.1.2.1.1.Paio Ribeiro, n. cerca de 1475 em Bobadela, onde fal. a 20.3.1549. Casou com Catarina Dias de Figueiredo, fal. a 5.9.1558 em Bobadela.

1.3.2.3.1.2.1.2. Antónia Ribeiro, que na carta da armas de seu neto se diz que era irmã de Paio Ribeiro e neta de João Afonso, morador na vila de Bobadela e «primo com irmam de Dom Joam da Costa Bispo que foi da cidade de Vizeu». Segundo a mesma carta de armas casou com António Ribeiro Fragoso, n. em Bobadela, escrivão da provedoria da Guarda e Castelo Branco e moço da câmara do infante D. Luiz.

1.3.2.3.1.3. ?Fernão Afonso da Costa, n. cerca de 1390, vassalo d’el rei, juiz das sisas de Montemor-o-Velho, onde viveu. A 30.5.1451 D. Afonso V confirma a doação a Fernando Afonso da Costa, morador em Montemor-o-Velho, de uma tença anual de 3.429 reais de prata. A 6.8.1454 o mesmo rei nomeia Rui de Oliveira, escudeiro da rainha D. Isabel, para o cargo de juiz das sisas na vila de Montemor-o-Velho e seu termo, em substituição de Fernando Afonso Costa, que já não podia exercer o seu ofício, por ser velho e fraco. Casou cerca 1448 com Maria Nunes de Gouveia, irmã de Fernão Nunes Cardoso, fidalgo da Casa do infante D. Henrique, senhor da torre do Quintal, onde viveu, e das honras do Telhado, de Real, Molelos, Botulho, Nandufe, Castanheira, Stª Ovaia, Casais de Vila Verde, etc.

1.3.2.3.1.3.1. Maria Fernandes de Gouveia, segundo Alão, que a diz casada com João Gil de Altero, que parece de facto filho natural de Gil Vasques de Altero, fidalgo do Conselho e comendador e alcaide-mor de Almada. A 21.11.1462 já era do Conselho de D. Afonso V quando este rei nomeia João Camelo, escudeiro de Gil Vasques de Altero, do seu Conselho, para os cargos de escrivão da câmara de Abrantes e dos feitos das sisas. A 22.11.1471 o mesmo rei perdoa a justiça régia a Pedro Figueira, alcaide na vila de Almada, criado de Gil Vasques de Altero, comendador da vila de Almada e alcaide-mor, culpado da fuga de João da Cancela e de Guilherme flamengo, criado de Dona Isabel, filha do conde de Abranches, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e conquista da vila de Arzila e cidade de Tânger, bem como mediante o perdão das partes. A 29.8.1472, o mesmo rei perdoa a justiça régia a Lopo Dias, escudeiro do conde de Penela, acusado de bater e ferir Álvaro Gonçalves, escudeiro de Gil Vasques de Altero e alcaide pequeno na vila de Almada e aí morador, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e conquista da vila de Arzila e da cidade de Tânger, e mediante o perdão das partes. A 1.4.1475 o mesmo rei perdoa a justiça régia a Álvaro Gonçalves, criado de Gil Vasques de Altero, morador na vila de Almada, acusado de ter queimado nove ou dez colmeias de Catarina Pires, mediante o perdão das partes, tendo pago 300 reais para a Piedade. E a 17.9.1476 D. Afonso V privilegia o mosteiro de S. Domingos de Benfica, autorizando-o a usufruir para seu mantimento de uma quinta e suas rendas que lhe fora doada por Gil Vasques de Altero, comendador de Almada.

1.3.2.3.1.3.2.  Nuno Fernandes de Gouveia, n. cerca de 1454 certamente em Montemor-o-Velho, que deve ter herdado de sua mãe a quinta de Caselhos (ou quinta dos Coselhos), em Castelões de Besteiros. Gaio chama-lhe Nuno Fernandes Paes e Manso de Lima diz (…) Fernandes Cardoso. Deve ser o Nuno Fernandes, cavaleiro, que a 15.3.1513 foi nomeado juiz das sisas de Oliveira do Conde e Currelos. E ainda o Nuno Fernandes do Quintal, escudeiro fidalgo da Casa Real, que a 29.5.1504 foi procurador do número de Penalva, Azurara, Gulfar e Tavares. Casou cerca de 1510 com D. Catarina de Andrade, irmã de Gaspar da Fonseca e Andrade, senhor da quinta de Ceiça, que está sepultado na igreja da Alcáçova, no termo de Montemor, com suas armas e inscrição.

1.3.2.3.1.3.2.1.  Isabel Nunes de Andrade, n. cerca de 1511, que sucedeu na quinta de Caselhos e sua capela de Stº António (ou de Nª Sª da Ajuda), onde viveu. Casou cerca de 1530 com António Alcoforado, n. cerca de 1500 provavelmente em Tomar, filho de João Gonçalves de Castilho, n. cerca de 1460 e morador em Tomar, e de sua mulher Genebra Alcoforado, filha de Frei Álvaro Gonçalves Alcoforado, da Ordem de Cristo em Tomar e do tronco desta linhagem. João Gonçalves de Castilho é certamente filho de João de Castilho, castelhano que vivia em Torres Novas quando a 5.4.1462 teve carta real de privilégio de fidalgo, o mesmo que a 21.3.1487 teve carta de perdão de D. João II. E porventura irmão do Fernando de Castilho que a 10.10.1486 teve de D. João II carta de naturalizado. Mas este castelhano João de Castilho, documentado em Portugal em 1462, não pode confundir-se com o João de Castilho que foi pai dos arquitectos João e Diogo de Castilho, que nasceram na Biscaia entre 1470 e 1480. Com efeito, a 16.2.1561 D. Sebastião reconheceu a João de Castilho, escrivão da câmara real, Diogo de Castilho, Pedro de Castilho e Manuel de Castilho, filhos de João de Castilho, que foi morador na vila de Tomar e era natural das montanhas do reino da Biscaia, o escudo de armas de seus antecessores, por descenderem da geração dos Castilhos do reino da Biscaia (CSI, 2, 44v). Isabel Nunes de Andrade e seu marido António Alcoforado foram pais, nomeadamente,  de António de Andrade Alcoforado, senhor da dita quinta de Caselhos e sua capela de Stº António, capitão-mor de Besteiros e antes pajem dos 2ºs duques de Bragança, c.g. conhecida.

2006

 
.
regresso  bibliografia