Dr.
Ramiro de Soveral Soares de Albergaria
(1886-1950)
Eminente
advogado nos distritos de Viseu e Coimbra, ensaísta, provedor da Santa
Casa da Misericórdia de Viseu, etc., nasceu a 21 de Janeiro de 1886
em Cabanas (Carregal do Sal - Viseu) e faleceu a 3 de Outubro de 1950
na cidade de Viseu, onde viveu quer na sua casa do Soar quer na sua
quinta de Rio de Loba.
Licenciado
em Direito pela Universidade de Coimbra, foi talvez o maior especialista
português do seu tempo em Direito de águas, no que sucedeu a seu tio
materno o Prof. Doutor António José Teixeira de Abreu, ministro da Justiça
de D. Carlos, e a seu avô materno, o Dr. José Soares de Brito e Albergaria
Cabral, também eles os principais especialistas do seu tempo nessa área.
Ocupou
alguns anos o cargo de provedor da Santa Casa da Misericórdia de Viseu,
foi presidente da Junta Monárquica deste distrito e opositor do regime,
o que o afastou, por vontade própria, de todos os cargos públicos e
políticos.
Articulista
e ensaísta, com inúmeros artigos nos jornais e revistas da região, nomeadamente
no "Renascimento". publicou várias obras jurídicas,
entre elas: «O conluio entre licitantes», Viseu 1941; «Uma
Questão de Águas», Viseu 1938; e «Um caso de embargo de terceiros
e uma execução hipotecária», Viseu 1939
Sobre
ele disse a Imprensa local, quando da sua morte, que foi uma «das
figuras mais destacadas da Beira».
«Ás
altas qualidades de carácter e de inteligência - escreveu o "Diário
de Viseu" -, juntava o Sr. Dr. Ramiro de Soveral uma fidalguia
de trato, uma correcção e uma lealdade já hoje, infelizmente, bem raras.
Verdadeiro fidalgo, pelos pergaminhos do sangue e pelos primores de
uma educação e de uma formação social superiores, o Sr. Dr. Ramiro de
Soveral podia criar adversários neste ou naquele sector da sua actividade,
mas seria impossível criar um inimigo, tão alto se erguia a sua figura
moral e o seu nobre caracter de homem bom e de servidor lealíssimo e
devotado de uma Ideia. Foi durante muitos anos Presidente da
Junta local da Causa Monárquica e manteve sempre a mais completa fidelidade
à Casa de Bragança e à memória dos seus Reis.»
O
jornal "Renascimento" traçou-lhe o perfil: «Advogado
distintíssimo, foi grande entre os maiores e cedo se revelou uma autoridade
no fôro, com grande prestígio entre os colegas e magistrados. Homem
de espírito requintado, dava gosto ouvi-lo na roda de amigos, com as
suas graças por vezes irónicas e causticas, mas sempre a tempo. Orador
fluente, brilhava pela perfeição das suas deduções e pela análise exacta
dos factos, sabendo prender a curiosidade dos auditórios. Homem duma
só fé... É um estribilho que se ouve com frequência mas que se adapta
perfeitamente ao saudoso extinto. As suas ideias monárquicas afastaram-no
das lides políticas, mas foi sempre o mesmo. Viveu da sua profissão
e para a família, honrando uma e outra. Foi honesto em todos os seus
actos e modesto nos seus proventos. Amigo leal e bom conselheiro, quantos
e quantos se abeiraram das suas nobres qualidades!... O próprio "Renascimento",
além de arquivar uma já vasta colecção de primorosos artigos da sua
autoria, soube escutar e seguir o caminho por ele indicado em muitos
dos momentos difíceis que atravessou. O Dr. Ramiro de Soveral, mesmo
dentro da sua teimosa modéstia, foi um dos maiores valores que passou
pela nossa terra.»
Era
filho do Dr. Eduardo de Soveral Tavares e de sua mulher e prima D. Júlia
Soares de Albergaria Paes e Mello.
Casou
em Viseu com sua parente D. Cristiana Maria de Abranches de Lemos e
Souza de Menezes, aí nascida a 20 de Dezembro de 1888 e falecida a 27
de Outubro de 1974, filha do General Eng. Silvério de Abranches de Lemos
e Souza de Menezes.