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Famílias
de Ribeira de Pena
Subsídios para a sua Genealogia
(séculos XV a XVIII)
§1
Leitão e Almeida
1.
Damião
Leitão,
cavaleiro fidalgo da Casa Real e governador de Cabo Verde, conforme é
referido na carta de armas de seu bisneto. Nasceu cerca de 1490 e terá
casado cerca de 1507 com uma senhora Almeida, mas a carta de armas nada
diz a este respeito. O Anuário da Nobreza refere uma tradição familiar
segunda a qual esta senhora seria irmã do vice-rei D. Francisco de Almeida,
portanto neta dos 1ºs condes de Abrantes, mas julgo isso totalmente fantasioso,
não só porque é anacrónico mas também porque não há notícia dessa irmã
do vice-rei. Além de que, se o fosse, a carta de armas certamente o referiria.
A mulher de Damião Leitão devia ser filha João Álvares,
escudeiro d’el rei, que é citado em 1517 no foral novo de Ribeira de Pena
como senhor do prazo do vale de Senra de Baixo. E Damião Leitão devia
ser irmão de Fernão Leitão, que foi morador em Negreiros, termo de Barcelos,
e abade reitor da igreja do Salvador de Ribeira de Pena, onde instituiu
em 1520 a capela de S. Pedro, concluída a 22.1.1521 (esta capela tem um
escudo, certamente religioso, composto por uma cruz e dois leões assaltantes),
e ambos filhos de Álvaro Leitão, tabelião do judicial (17.7.1482) e juiz
das sisas de Aguiar de Pena (6.5.1490), referido em Leitão.
1.1.
Cristóvão
Leitão de Almeida,
que segue.
1.2.
Francisco Leitão
(de Almeida),
n. cerca de 1509 e falecido cerca de 1570, que sucedeu na quinta do Outeiro,
em Ribeira de Pena, e viveu em Vila Real, onde casou cerca de 1530 com
Beatriz Correa (da Mesquita), referida no meu Ensaio
sobre a Origem dos Mesquita como filha de João Correa
(da Mesquita). A justificação de nobreza (1718) do seu descendente António
Leitão de Meirelles, senhor da antedita quinta, diz serem «descendentes
legítimos dos verdadeiros Farias, Leitões, Almeidas, Borges, Correas e
Mesquitas destes Reynos». Francisco Leitão ainda vivia a 23.7.1567
quando testemunhou um casamento em Vila Real. Beatriz Correa sucedeu a
seu pai, em 2ª vida, como senhora do prazo do casal de Donelo, em
S. Pedro da Cova (Vila Real). Algumas genealogias, como Gaio, dão
este Francisco Leitão como filho de um Cristóvão
Leitão, capitão de Arzila, e de D. Josefa Hidalgo, filha
de D. Isidoro Hidalgo, de Briche (Galiza), mas é fantasia.
1.2.1.
Isabel
Leitão,
que sucedeu em 3ª vida no prazo
do casal de Donelo, que a Mitra de Braga lhe renovou a 15.5.1592, já
seus pais Francisco Leitão e Beatriz Correa, moradores em Vila
Real, tinham falecido. Faleceu solteira e nomeou em 2ª vida do prazo
sua sobrinha Filipa Correa da Mesquita, mulher de João de Macedo
Sottomayor.
1.2.2.
António
Leitão de Almeida,
escrivão do público, judicial e notas, Câmara,
almotaçaria e órfãos do concelho de Ribeira de Pena e sucessor
na quinta do Outeiro, onde viveu. Casou cerca de 1580 com Isabel Gomes.
Destes foram filhos, pelo menos:
1.2.2.1.
Ana
da Mesquita, que casou cerca de 1601/2 com Gervásio
Leitão, cirurgião, filho de Francisco Vaz, escudeiro
fidalgo (filho de D. Maria Telles), e de sua mulher Maria Leitão,
com geração na quinta de Surribas, em Vizela.
1.2.2.2.
Francisco de Almeida (Leitão),
que se documenta
irmão da antedita Ana da Mesquita. Também se documenta morador
no Outeiro com sua mulher Isabel Pacheco no assento de casamento do filho
António, pelo que sucedeu na quinta do Outeiro. Casou com Isabel
Pacheco (de Meirelles), nascida cerca de 1623 em Stº Aleixo,
onde herdou a quinta de Senra, referida adiante no §2.
1.2.2.2.1.
António
Leitão de Meirelles, senhor da dita quinta do Outeiro, escrivão
do público, judicial e notas, Câmara, almotaçaria e órfãos do concelho
de Ribeira de Pena (23.2.1666 - CAVI, 9, 49v), que a 19.2.1718
teve mercê para que a pessoa que casar com sua filha possa suceder neste
cargo (CJV, 9, 392). Casou a 11.10.1666 com sua prima Leonor de Andrade,
referida adiante no §2. Este assento vem transcrito na justificação
de nobreza de seu bisneto Ventura de Meirelles de Almeida, referido adiante.
1.2.2.2.1.1.
Francisca
de Andrade, nascida em 1667, que herdou de sua avó a quinta
de Senra, em Stº Aleixo, onde viveu. Casou cerca de 1681 com Francisco
Carvalho, filho de Domingos Gonçalves e sua mulher Senhorinha
Gonçalves. Destes foi filho sucessor Pedro de Meirelles Leitão,
nascido cerca de 1682, que serviu os cargos nobres da governação
de Ribeira de Pena, sendo nomeadamente vereador e juiz ordinário,
como se diz e documenta no processo de justificação de nobreza
de seu filho, e que casou com sua prima Marinha de Almeida da Guerra,
bat. a 19.4.1683 em Cerva (assento transcrito no dito processo), referida
adiante no §3. Este Pedro e sua mulher foram pais, nomeadamente (pela
cronologia seria o filho mais novo), de Ventura de Meirelles e Almeida,
bat. em Stº Aleixo a 23.11.1724, que a 24.4.1772 teve carta de armas para
Carvalho, Meirelles, Leitão e Almeida, tendo feito um processo de justificação
de nobreza que está no Cartório da Nobreza (TT).
1.2.2.2.1.2.
Miguel
Leitão de Meirelles, que a 16.7.1693 foi nomeado no cargo
de escrivão do público, judicial e notas, Câmara, almotaçaria e órfãos
do concelho de Ribeira de Pena. Terá fal. solteiro, s.g.
1.2.2.2.1.3.
Cristóvão
Leitão de Almeida, que a 20.2.1726 sucedeu no dito cargo (CJV,
9, 392). Como filho de António Leitão de Meirelles e sua
mulher Leonor de Andrade, moradores na quinta do Outeiro, em Ribeira de
Pena, casou a 12.9.1706 em Ronfe com Margarida Rodrigues de Azevedo,
aí senhora da quinta de São Miguel, com geração.
1.2.3.
Gonçalo
Leitão da Mesquita,
que viveu em Vila Real, onde casou, constando no respectivo assento como
Gonçalo Leitão, filho de Francisco
Leitão e Beatriz Correa. Mas a 27.12.1590, numa escritura que fez
a seus cunhados, consta como «Snr Gonçalo Leitão
da Mesquita». Casou a 6.2.1570 em Vila Real com Violante Guedes,
filha de Pedro Álvares Galego e sua mulher Filipa Dias, ricos cristãos-novos,
como bem trata Luiz de Mello Vaz de São Payo no seu livro «Sottomayor
Mui Nobre», 1999. Destes foi filha D. Filipa Correa da Mesquita
que casou com João de Macedo Sottomayor, sendo pais de D. Pedro
Taveira de Sottomayor Mui Nobre, bat. a 20.9.1598, ib., com geração
conhecida.
1.2.4.
Pedro
da Mesquita Leitão,
segundo Gaio, que diz ter casado em Mirandela.
1.2.5.
Ana
da Mesquita,
segundo Gaio, que diz ter casado em Mirandela.
1.2.6.
Maria
Correa de Almeida,
que casou com contracto antenupcial de 1575 com Jerónimo de Souza Machado
[1] ,
da casa de Eiriz, em Vila Pouca de Aguiar, de ascendência conhecida, fidalgo
da Casa Real que depois esteve em Alcácer Quibir, onde ficou cativo, sendo
remido em 1583, sendo então alcaide do castelo de Aguiar até 1594, data
em que foi viver para Ribeira de Pena, onde instituiu o morgadio de Stº
António de Trezena em Salvador do Outeiro, a que vinculou a casa que aí
mandara fazer e o prazo de vale de Senra de Baixo, foreiro à Casa de Bragança,
que sua mulher levara em dote e era então a principal propriedade agrícola
de Ribeira de Pena.
1.2.6.1.
António
de Souza,
abade reitor de Santa Marta da Montanha, no Alvão (Vila Pouca de Aguiar),
«bom pregador, muito lettrado e versado nas Sagradas Escripturas»,
c.g. nos Souza daí.
1.2.6.2.
Catarina
Correa de Souza,
que sucedeu e c.c. Agostinho de Meirelles de Andrade, capitão-mor
de Ribeira de Pena, referido no §2, onde segue.
1.2.6.3.
Maria
de Souza Machado,
que c.c. seu primo Pedro Machado,
capitão da Ordenança de Vila Pouca de Aguiar e aqui escrivão e tabelião
do público, judicial e notas (4.6.1624) e senhor da casa da Tapa, c.g.
num ramo de Souza Machado e Machado de Souza de Vila Pouca de Aguiar.
1.2.6.4.
Isabel
Corrêa de Almeida,
que c.c. António de Chaves, que antecedeu seu cunhado como escrivão
e tabelião do público, judicial e notas de Vila Pouca de Aguiar (30.3.1610).
c.g.
2. Cristóvão
Leitão de Almeida,
que capitão da Ordenança de Ribeira de Pena e aí senhor da quinta do Buxeiro.
Terá sucedido na capela de S. Pedro, instituída por seu presumível tio
na igreja do Salvador de Ribeira de Pena. N. cerca de 1508. Não sei com
quem (ou se) casou (a IG do neto José Leitão de Almeida não
é consultável).
2.1. Camila
Leitão,
que segue.
2.2. ?Cristóvão
de Almeida,
n. cerca de 1562, foi abade reitor do Salvador de Ribeira de Pena e sucessor
na quinta do Buxeiro e na capela de S. Pedro.
2.2.1. (N)
Marinha de Almeida,
n. cerca de 1585 e c. cerca de 1599 c. Gaspar Borges, senhor da
quinta das Pereiras de Cima, em Salvador de Ribeira de Pena, armoriada
de Borges em pleno, filho de Fernão Borges de Azevedo, 1º senhor da dita
quinta das Pereiras, e de sua mulher Isabel Gomes de Abreu, filha de João
Gomes de Abreu, senhor da quinta do Outeiro, em Cerva (Mondim de Basto).
2.2.1.1. Pedro
Borges (de Almeida),
n. cerca de 1600, senhor da quinta das Pereiras de Cima e sargento-mor
e capitão-mor de Ribeira de Pena. Casou
cerca de 1623 com Maria da Guerra, irmã do D. Manuel Afonso da
Guerra, bispo de Cabo Verde, ambos filhos de Bento Gonçalves e sua mulher
Isabel Gomes da Guerra. No assento de casamento da filha vêm referidos
como Pedro Borges e Maria da Guerra, moradores em S. Salvador de Ribeira
de Pena, sendo testemunhas do dito casamento Francisco Borges e o Padre
Belchior Borges.
2.2.1.1.1.
Catarina
da Guerra (de Almeida),
n. cerca de 1624, que sucedeu n quinta das Pereiras de Cima. Casou
a 5.2.1638 em Ribeira de Pena (assento transcrito no processo de justificação
de nobreza de seu bisneto Ventura de Meirelles de Almeida) com Ambrósio
Gonçalves (Pena), sargento-mor de Ribeira de Pena, referido no §3,
onde segue.
3.
Camila
Leitão,
n. cerca de
1560, sucessora
na quinta do Buxeiro e capela de S. Pedro. C.c. João Fernandes,
a que a carta de armas de seu filho não indica a filiação (falta ver
a IG do Stº Ofº do filho, que não é consultável).
3.1. José
Leitão de Almeida,
que segue.
3.2. ?Gervásio
Leitão de Almeida, que instituiu a capela de Nª Sª do Amparo ou de
Copacabana, na Ribeira de Baixo (Salvador).
3.3. Maria
Leitão de Almeida,
n. cerca de 1586. C.c. António Gonçalves de Matos, provavelmente
dos Matos da casa de Terças, em Stª Marinha de Ribeira de Pena.
3.3.1. Catarina
de Almeida,
n. cerca de 1608. C.c. Domingos de Carvalho,
moço da câmara da Casa Real, juiz dos órfãos de Ribeira de Pena, senhor
da quinta das Bragadas de Além Tâmega, em Stº Aleixo.
3.3.1.1.
Miguel
de Carvalho e Almeida,
n. cerca de
1630, capitão
de infantaria dos Auxiliares de Ribeira de Pena. C.c. Helena Gonçalves
de Matos, provavelmente sua parente, filha de Domingos Dias de Matos (provavelmente
dos Matos da casa de Terças, em Stª Marinha de Ribeira de Pena) e de sua
mulher Senhorinha Gonçalves.
3.3.1.1.1.
Miguel
de Carvalho e Almeida,
n. em Stº Aleixo em 1664, que tirou IG em Braga a 22.7.1689. Foi
abade de Ribeira de Pena, capelão fidalgo da Casa Real e instituiu do
vínculo e capela de Nª Srª da Assunção, junto à casa de Senra de Cima.
A 2.12.1697, sendo sacerdote da hábito de S. Pedro, vigário da Vara e
cura da freguesia de Rodellas, no Sertão de Rio de São Francisco, bispado
de Pernambuco, tendo 33 anos, foi acusado pela Inquisição de Lisboa (processo
10016) de fingir ser oficial do Santo Oficio e,
por sentença de 11.2.1699, lida na Mesa, foi advertido
que se tornar a cair em semelhante culpa será rigorosamente castigado.
3.3.1.1.2.
Domingos
de Carvalho e Almeida,
moço da câmara da Casa Real (12.1.1699), cavaleiro da Ordem de Cristo
(9.3.1699), com 12.000 reais de tença, capitão-mor de Ribeira de Pena,
familiar do Santo Ofício (16.9.1700), que teve a 4.10.1710 carta de armas
para Carvalho e Almeida. Foi senhor
da quinta de Bragadas, em Stº Aleixo, e da quinta de Senra de Cima, em
Salvador de Ribeira de Pena, esta armoriada de escudo partido de Carvalho
e Almeida. A 2.3.1699 teve mercê de uma tença de 38.000 reais. C.c. Maria
Gonçalves de Carvalho.
3.3.1.1.2.1.
Maria
de Almeida,
que c. em 1718 c. Baltazar Pacheco de Andrade, 3º morgado
da casa de Stª Marinha de Ribeira de Pena e capela de S. Francisco Xavier,
referido no §3, onde segue.
3.3.1.1.2.2.
Helena
de Almeida,
que casou em Fontes.
3.3.1.1.2.3.
Miguel
de Carvalho e Almeida,
n. em Stº Aleixo, com IG em Braga a 31.12.1721.
3.3.1.1.3.
António
de Carvalho e Almeida,
moço da câmara da Casa Real (12.1.1699), cavaleiro da Ordem de Cristo
(9.3.1699), com 12.000 reais de tença, mestre
de campo de Auxiliares em Chaves, capitão-mor de Natal, no Rio Grande
do Sul (Brasil), familiar do Santo Ofício (8.3.1702), e escrivão proprietário
do público, judicial e notas do concelho de Cabeceiras de Basto e dos
coutos de Refoios e Abadim (16.5.1745). A
2.3.1699 teve mercê de uma tença de 38.000 reais. C.c.
Maria Teresa Pereira Rebello Leite, c.g.
3.3.1.1.4.
Inocêncio
de Carvalho e Almeida,
capelão fidalgo da Casa Real (12.12.1699).
3.3.1.2.
Catarina
de Almeida,
casada com José da Silva Carvalho, de Stº Aleixo, c.g.
3.3.1.3.
Gaspar
de Carvalho e Almeida,
casado com Senhorinha Gonçalves, fal a 30.9.1642 em Stª Marinha,
na sequência do parto de seu filho Domingos, nascido a 22 desse
mês. Este Domingos de Carvalho casou com Maria de Souza Machado,
c.g.
4.
José
Leitão de Almeida,
vedor do 2º correio-mor do reino, familiar do Santo Ofício a 22.5.1629
(este processo, José, 1, 5, não é consultável
na TT, onde alegam para tanto o seu mau estado de conservação),
n. em Ribeira de Pena e morador em Lisboa quando a 18.3.1629 tirou carta
de armas para Leitão. Sucessor na quinta do Buxeiro e capela de S. Pedro.
N. cerca de 1582. Não sei com quem casou.
4.1. Francisco
Leitão de Almeida,
sucessor na quinta do Buxeiro e capela de S. Pedro. A «Corografia Portuguesa»
(1706) diz: «A quinta, & Morgado do Buxeiro, com Capella na mesma
Igreja, de que he senhor Francisco Leitão de Almeyda»
(tomo 1, pag. 171).
C. cerca de 1665 c. Filipa de Souza, filha de Jorge Vaz Ferreira,
senhor da casa da Seara de Selhariz, e de sua mulher Isabel Machado, filha
esta de António Machado, «o Gordo», capitão-mor (1613-35) e alcaide
(1601) de Vila Pouca de Aguiar, etc., e de sua mulher Filipa de Chaves.
4.1.1. Maria
de Souza e Chaves,
nascida cerca de 1667, c.c. Baltazar Álvares Mourão, familiar do
Stº Ofº (20.3.1696), filho de João Corrêa Machado e sua 2ª mulher Maria
Mourão. C.g. conhecida
4.1.2. José
Leitão de Almeida,
sucessor na quinta do Buxeiro e capela de S. Pedro. C.c. Isabel Pereira
Mourão, c.g. nos senhores da quinta do Buxeiro.
4.1.3. Francisco
Leitão de Souza,
n. cerca 1675 em S. Salvador de Ribeira de Pena. Tirou ordens menores
em Braga a 9.3.1684.
§2
Pacheco, Andrade, Meirelles e Frazão
1.
Salvador
Pacheco de Andrade,
que nasceu cerca de 1545, faleceu a 17.5.1631 e foi sepultado na igreja
do Salvador de Ribeira de Pena em túmulo armoriado (escudo esquartelado
de Pacheco e Andrade, conforme desenho junto). Tudo indica que este Salvador
era irmão mais novo Cristóvão Pacheco, vigário de
S. João de Cavez (Cabeceiras de Basto) e de Francisco Pacheco de
Andrade, escudeiro fidalgo, senhor da quinta da Igreja, em Stª Senhorinha
de Basto, que casou com Maria de Andrade (Gaio também lhe chama,
erradamente, Maria de Gouveia), filha mais velha de Rodrigo Rebello (de
Meirelles), senhor da quinta do Marinhão, em Moreira de Rei, escrivão
da Câmara (CJIII, 54, 321) e das sisas (ib, 71, 314) de Montelongo
(hoje Fafe), etc., e de sua mulher Camila de Magalhães. Este Rodrigo
Rebello era irmão mais velho
de Álvaro de Meirelles (Rebello), capitão-mor e juiz dos órfãos (CJIII,
60, 114) de Cabeceiras de Basto, casado cerca de 1539 com Camila Leite
(de Moraes), senhora da quinta de Vilar, em S. Tiago da Faia, e da quinta
de Caínhos, em Stª Senhorinha de Basto, e pais do António de Meirelles
de Andrade que a 26.1575 teve carta de armas para Meirelles, Rebelo, Leite
e Andrade. Rodrigo e Álvaro eram filhos de Cristóvão Rebelo (de Meirelles),
senhor da dita quinta do Marinhão, que adiante se detalha, e de sua
mulher Maria de Andrade, dama do Paço. Com efeito, daquele Francisco Pacheco
de Andrade e sua mulher Maria de Andrade foi filho António de Gouveia,
que sucedeu na quinta da Igreja de Stª Senhorinha, e certamente a Margarida
de Andrade que casou cerca de 1577 com Domingos Gonçalves, senhor da quinta
de Conselheiros (também dita das Pereiras), em S. Miguel de Refoios
de Basto, que foram pais, entre outros, de Belchior Pacheco de Andrade,
capitão do couto de Refojos, sucessor na dita quinta, b. a 8.2.1588,
ib, e fal. depois de 1655, que casou a 29.4.1620, no Arco de Baúlhe,
com sua prima (dispensa no 4º grau de consanguinidade) Maria Rebelo
Leite, fal. a 23.5.1634 na quinta de Conselheiros, filha de António Rebello
de Meirelles, fal. a 9.2.1619 no Arco de Baúlhe (irmão mais
novo de Luiz Álvares de Subágua, senhor da casa do Telhado,
no Arco do Baúlhe) e de sua mulher Senhorinha João Teixeira, e
neta paterna de António Luiz Ribeiro, senhor da dita casa do Telhado,
e de sua mulher Camila Leite de Meirelles. Esta Camila era filha de Francisco
Álvares de Subágua e sua mulher Maria de Andrade, sendo
esta filha dos anteditos Álvaro de Meirelles de Andrade e sua mulher
Camila Leite de Moraes. Portanto, Belchior Pacheco de Andrade e sua mulher
Maria Rebelo Leite, eram parentes dentro do 4º grau, conforme foram
dispensados. O respectivo assento de casamento diz apenas que «não
houve impedimento algum mais do q. o de quarto grao de consanguinidade
pª o qual ouverão dispensação de Sua Santidade».
Não fica portanto claro nesta redacção se o parentesco
era no ou dentro do 4º grau, mas
não pode deixar de ser dentro do 4º grau, ou seja, havia um
desnível de gerações e Belchior Pacheco de Andrade
era parente no 4º grau de António Rebello de Meirelles, pai
de Maria Rebelo Leite, que assim era sua parente dentro do 4º grau.
Portanto, Belchior Pacheco de Andrade era trineto e Maria Rebelo Leite
era 4ª neta de Cristóvão Rebello (de Meirelles) e sua
mulher Maria de Andrade, dada do paço. Voltando a
Salvador Pacheco de Andrade e seu irmão mais velho Francisco Pacheco de
Andrade, eram filhos de uma Maria de Andrade, herdeira da dita quinta
da Igreja de Stª Senhorinha, e de seu marido, um Pacheco. Tendo em conta
a cronologia, o estatuto, a geografia e a onomástica, julgo que este Pacheco
era o Francisco Pacheco que foi juiz dos órfãos (CJIII,
14, 140) e tabelião (ib, 45, 141v) de Cabeceiras de Basto, a quem
Gaio chama Francisco Pacheco de Araújo e diz «q fez justificacao da
sua ascend.a (fez esta Justiflcação em Ponte do Lima no anno de 1552 perante
o Corr.or de Vianna António Lopes e pello es.am Bartolomeu Gonçalves e
T.as D. António de Mello Comendatario de Pombeiro e Jeronimo de Sá e Menezes,
Jorge de Lima, Francisco Machado e outros)», sendo filho de Heitor
Borges Pacheco e de sua mulher Inez Rodrigues de Araújo (legitimada por
carta real de D. Manuel I, PeL, LN, 1, 5, sendo filha de Álvaro Rodrigues
de Araújo, capitão da guarda do infante D. Henrique, comendador de Rio
Frio na Ordem de Cristo e senhor donatário das igrejas de Linhares e Guilhedezes,
etc.), e neto paterno de Lopo Fernandes Pacheco. Tendo em conta que se
documenta como António de Gouveia o filho de Francisco Pacheco
de Andrade, a Maria de Andrade mãe deste Francisco, proposta mulher
de Francisco Pacheco de Araújo, nascida cerca de 1524, não podia
deixar de ser filha de Leonor de Andrade e seu marido Rui Pires de Gouveia,
nascido cerca de 1500, moço fidalgo da Casa de D. João III,
que viveu em Santa Cruz de Lumiares (Armamar), onde foi ouvidor do duque
de Coimbra, e teve carta de D. João III para deixar certa renda
ao convento de Stº Eloi de Requião (CJIII, 50, 9v). Mas esta
Leonor de Andrade, nascida cerca de 1507, não podia ser, como dizem
as genealogias, filha de Luiz Machado, senhor de Sandomil (12.1.1450),
etc., pois este já tinha casado a 20.3.1450. Rui Pires de Gouveia
era filho de Martim ou Martinho Vaz de Gouveia, fidalgo da Casa
Real e do Conselho de D. Manuel I (1518), que a 16.7.1512 deu quitação
a sua sogra Dona Mayor de 50.000 reais que esta lhe devia do dote de casamento.
E a 10.4.1511 Diogo de Almeida, capelão do rei, teve uma tença
anual de 8.000 reais, até perfazer o pagamento de 1.000 coroas
que lhe foram trespassados por Martim Vaz de Gouveia, fidalgo da Casa
Real, em escambo de certos casais na Beira. As 1.000 coroas foram dadas
a Martim Vaz, por sua sogra, Dona Maior, pelo casamento de sua filha.
Esta houvera-as de seu marido, Gomes Ferreira, a quem tinham sido trespassadas
por falecimento de seu irmão Martim Ferreira, que as recebera em
casamento, segundo se sabe por um público instrumento feito no
Porto a 14.3.1501, por Fernão Garcez, tabelião nessa cidade
(CMI, 8. 50v). E a 30.4.1520 D. Manuel I doou ao licenciado Pedro de Gouveia,
do seu Conselho e desembargo, e a seu filho Martim Vaz de Gouveia, para
toda a sua vida, a renda das saboarias do almoxarifado de Portalegre (ib,
36, 64v). Com efeito, Martim Vaz de Gouveia casou com D. Joana de Távora,
que era sua viúva em 1526, ano em que ela recebeu as ditas
rendas das saboarias de Portalegre. Sendo D. Joana filha de Gomes Ferreira, porteiro-mor
de D. João II, que recebeu ordens menores em Braga a 18.12.1456
e foi moço fidalgo (1462) e cavaleiro fidalgo (1474) da Casa de
D. Afonso V (vide o meu Ensaio sobre a origem
dos Ferreira) e de sua mulher (casados em 1486) D. Maior de Sottomayor, nascida
em 1466, filha de D. Pedro Álvares de Sottomayor, o célebre Pedro «Madruga»,
12º senhor de Sottomayor, conde de Caminha (4.3.1476) e visconde de Tui
(referido como tal em carta real de 5.6.1476), etc., e de sua mulher (casados
em 1465) a portuguesa D. Tereza de Távora, falecida em 1496, filha de
Álvaro Pires de Távora, senhor de Távora e Mogadouro e dos direitos reais
de Caminha e Vila Nova de Cerveira, etc., e de sua mulher D. Leonor da
Cunha. Martim Vaz de Gouveia era filho do licenciado Pedro de Gouveia,
do Conselho e chanceler-mor de D. Manuel I, e de sua mulher mulher Beatriz
de Almeida, nascida cerca de 1448, que sucedeu na capela de Lourenço
Martins de Avellar, sendo nela confirmado seu marido em 1488. Com seu
marido o Dr. Pedro de Gouveia, recebeu do Cabido de Viseu, a 19.8.1480,
o prazo em três vidas da «possessão» de Rio de
Loba. Era filha de Martim ou Martinho de Almeida, fidalgo da Casa Real
e coudel-mor do reino, e de sua mulher Maria de Ornellas; neta paterna
de Martim Lourenço de Almeida, fidalgo do Conselho, reposteiro-mor
de D. João I, alcaide-mor da Covilhã, etc., e de sua mulher
Inez Vaz de Castello-Branco; e neta materna de Lopo Esteves de Ornellas
e sua mulher Tereza Martins de Figueiredo. O licenciado Pedro de Gouveia
foi legitimado por carta real de 21.5.1459 (CAV, 36, 108v), sendo filho
de Maria Fernandes, solteira, e de Gonçalo Dias de Gouveia, cónego
e mestre-escola da Sé de Viseu, vigário geral da diocese
e bacharel em Degredos. A filiação deste Gonçalo
Dias (como normalmente aparece) é incerta e não é
certamente a que lhe atribuem as genealogias. Julgo que é filho
de um Diogo e de uma senhora Gouveia. O licenciado Pedro de Gouveia nasceu
cerca de 1442 e ainda vivia em 1520. Estudou na Universidade de Paris
e chegou a cavaleiro do Conselho de D. Manuel I, seu chanceler-mor, do
seu Desembargo e dos Agravos da Casa da Suplicação e seu
juiz dos feitos. Tudo indica que seja já o Pedro de Gouveia, escudeiro,
fidalgo da Casa Real, que a 26.1.1458 teve de D. Afonso V uma tença
anual de 7.200 reais (CAV, 35, 15). E a 26.8.1475 a doação
vitalícia das rendas da pensão dos tabeliães da cidade
de Lamego (CAV, 30, 45v). Bem assim como o homónimo que D. João
II a 20.7.1482 nomeou corregedor da Estremadura (CJII, 2, 169). Era juiz
dos feitos da Casa da Suplicação desde o início do
reinado de D. Manuel I, rei que a 16.1.1500 nomeou o licenciado Pedro
de Gouveia no ofício de desembargador dos agravos da Casa Real
e da Suplicação, além dos 5 que já estavam
ordenados na dita Casa, com o mantimento anual de 60.000 reais, como é
ordenado haver cada um dos outros desembargadores dos agravos (CMI, 14,
38). Em 1502 desempenhava o cargo de chanceler-mor, pois numa carta de
12 de Julho o rei refere o licenciado Pedro de Gouveia, de seu Conselho
e que agora tem o cargo de seu chanceler-mor (ib, 2, 64v). A 21.10.1515
o mesmo rei doou uma tença de 20.000 reais ao licenciado Pedro
de Gouveia, do seu Conselho e desembargador dos agravos da Casa da Suplicação,
que deixou o ofício de juiz dos feitos reais (ib, 24, 150). E ainda
vivia a 24.8.1520, quando o mesmo rei fez mercê ao licenciado Pedro
de Gouveia, do seu Conselho e desembargo, de outra tença 20.000
reais, por toda a sua vida (ib, 36, 64v). Mas a antedita Maria de Andrade,
dama do paço, casada com Cristóvão Rebelo (de Meirelles), não
podia ser, como dizem as genealogias, filha dos referidos Rui Pires de
Gouveia e sua mulher Leonor de Andrade. Estes, como vimos, nasceram no
início do século XVI e não podiam ter nascido mais
cedo. Já Cristóvão Rebelo (de Meirelles)
[4]
nasceu o mais tardar dos tardares em 1470. Foi escudeiro da Casa Real,
escrivão das sisas e dos órfãos de Montelongo e tabelião
do público, judicial e órfãos de Moreira de Rei,
onde foi senhor da quinta de Marinhão. E seus filhos é que nasceram
no início do séc. XVI. Este Cristóvão era filho de Fernão
Nunes (de Meirelles), escudeiro, que o antecedeu nestes cargos e ofícios
e viveu em Basto, e de sua mulher Maria Rebelo, irmã de Pedro Rebello,
que a 23.3.1448 tirou ordens menores em Braga, como filho de João Álvares
Rebello e sua mulher Aldonça Gonçalves, moradores em Golães. A 16.3.1471
D. Afonso V nomeou Fernão Nunes, escudeiro, morador em Basto, para o cargo
de escrivão das sisas régias de Montelongo e seu termo, em substituição
de João Álvares Rebello, que morrera. E a 1.8.1471 confirmou a nomeação
de Fernão Nunes, genro de João Álvares Rebello, para o cargo de escrivão
dos órfãos do julgado de Montelongo, em substituição de seu sogro, que
morrera. João Álvares Rebello foi escudeiro e vassalo de D. Afonso V,
senhor da quinta de Golães, criado de Gonçalo Pereira e coudel das suas
terras, escrivão das sisas de Montelongo, Moreira e Cepães (6.11.1451),
procurador de Guimarães (1456), etc. A 24.7.1442 D. Afonso V perdoou a
justiça régia e a prisão a João Álvares Rabello, criado de Gonçalo Pereira,
pela morte em Ponte de Lima de João Gonçalves, escudeiro de Martim Gil
de Viana, na sequência do perdão geral. A 30.9.1445 o mesmo rei nomeou,
por cinco anos, Vasco Gil, escudeiro de Gonçalo Pereira, para o cargo
de coudel de todas as terras do dito Gonçalo Pereira, em substituição
de João Álvares Rebello. A 6.11.1451 nomeou João Álvares Rabelo, escudeiro,
morador na vila de Guimarães, criado de Gonçalo Pereira, para o cargo
de escrivão das sisas régias e dos seus feitos no julgado de Cabeceiras
de Basto, situado no julgado do almoxarifado de Guimarães, que era desempenhado
por Fernão Pires, que os perdera por os ter vendido a João Afonso sem
licença régia. A 4.11.1452 privilegiou João Álvares Rebello, escudeiro,
escrivão das sisas e dos órfãos de Moreira de Rei e do julgado de Montelongo,
morador em Golães, termo de Guimarães, concedendo-lhe licença para que
possa pôr sinal público nas escrituras que pertencem ao seu ofício. A
28.4.1452 nomeou João Álvares Rebello, seu vassalo régio em Golães, a
pedido de D. Leonor de Berredo, para o cargo de escrivão das sisas régias
de Monte Longo, Moreira de Rei e da terra de Cepães, em substituição de
Álvaro Gonçalves, que morrera. A 4.6.1456 confirmou a nomeação a João
Álvares Rebello para o cargo de escrivão dos órfãos do julgado de Montelongo.
A 28.6.1456 D. Afonso V, nas cortes de Lisboa de 1456, na sequência dos
capítulos especiais apresentados pelo concelho e homens bons da cidade
de Guimarães, por seu procurador, João Álvares Rebello, escudeiro e vassalo
régio, decidiu sobre os agravos que recebe o povo e lavradores de toda
a comarca de Entre-Douro-e-Minho quanto áo pagamento e carregamento do
pão para a cidade de Ceuta. Regressando ao Salvador Pacheco de Andrade
em epígrafe, foi casar a Ribeira de Pena, cerca de 1575, com Maria
Frazão de Meirelles, provavelmente sua parente, daí natural, que julgo
tia ou irmã de Francisco Frazão de Meirelles, pai de Domingos Frazão de
Meirelles, morador em Ribeira de Pena, que em 1643 teve foro de cavaleiro
fidalgo da Casa Real. E destes é certamente parente um Gaspar Frazão,
cavaleiro fidalgo da Casa Real (6.3.1652), natural de Ribeira de Pena
e filho de Gonçalo Pires.
1.1. Agostinho
de Meirelles de Andrade,
n. cerca de 1576, capitão-mor de Ribeira de Pena, que depois de viúvo
se ordenou e passou a viver eremita na serra do Alvão (Vila Pouca de Aguiar),
assinando-se «Padre Agostinho Hermytam» e morrendo com fama de
santo. C. cerca de 1597 c. Catarina Correa de Souza, n. cerca de
1577, morgada de Stº António de Trezena de Ribeira de Pena, referida no
§1, filha de Maria Corrêa de Almeida
e de seu marido Jerónimo de Souza Machado, alcaide-mor de Vila Pouca de
Aguiar.
1.1.1. Filhos
que não vingaram.
1.1.2. Catarina
Correa de Souza de Meirelles,
sucessora, n. cerca de 1600. C. cerca de 1618 c. Manuel de Valadares
Vieira, fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo, mestre
de campo de Infantaria, governador das praças de Montalegre e Salvaterra,
vereador e juiz de Guimarães (1678), donde era natural, filho de João
Vieira, escudeiro, e sua mulher Jerónima Valente; neto paterno do Dr.
Sebastião de Valadares, cavaleiro da Ordem de Malta, «lettrado que
foi de grande fama n'estes reynos», e de sua mulher Maria Monteiro.
1.1.2.1.
Jerónimo
de Valadares de Meirelles e Souza,
sucessor, cavaleiro da Ordem de Cristo, que serviu na Índia e fal. solt.
s.g. antes de 1706.
1.1.2.2.
João
de Valadares Vieira
de Meirelles e Souza, n. cerca de 1621 e fal. depois de 1706,
cavaleiro da Ordem
de Cristo (16.7.1667),
com 30.000 reais de tença, 5º morgado de Stº António de Trezena, etc.,
em sucessão a seu irmão. A 7.9.1663 teve mercê de 20.000 reais de pensão,
pelos serviços de seu pai Manuel de Valadares Vieira, e a 12.7.1664 carta
padrão de 120.000 reais, consignados nos 180.000 reais de juro. A «Corografia
Portuguesa» (1706) diz: «A quinta de Freume, com suas casas nobres,
que possue João de Valladares Vieira, Cavalleiro da Ordem de Cristo»
(tomo 1, pag. 171). C.c. sua prima Maria Lopes da Guerra, referida
no §3, herdeira da quinta de Freume, filha do sargento-mor Ambrósio
Gonçalves Pena e sua mulher Catarina da Guerra de Almeida.
1.1.2.2.1.
?António
Pacheco de Andrade, n. cerca de 1653, que Gaio (Ribeiro, §13) diz
ter sido morgado de Friume e ter casado com Maria Thomaz. E, de
facto, um António Pacheco, n. em S. Salvador, a 22.7.1689 tirou ordens
menores em Braga, sendo filho de António Pacheco e Maria Thomaz. Seria
esta Maria Thomaz a mesma que depois casou com João de Valadares Vieira,
seu proposto irmão, referido adiante? (falta ver a IG).
1.1.2.2.1.1.
António
Pacheco de Andrade,
n. em Stª Marinha cerca de 1675, que tirou IG em Braga a 22.7.1689. Deve
ter sido padre ou ter fal. s.g.
1.1.2.2.1.2.
D.
Catarina Pacheco de Andrade,
que Gaio diz ter sido a herdeira e ter casado com seu primo José Pacheco
de Andrade, referido adiante.
1.1.2.2.2.
João
de Valadares Vieira e Souza,
n. cerca de 1655 e fal. depois de 1721. Foi 6ª morgado de Stº António
de Trezena, senhor da quinta de Paços de Bom-Regalo, em Lamas de Orelhão
(que vendeu) e cavaleiro da Ordem de Cristo.
A 16.7.1721 teve carta de armas para Vieira Valadares, Meirelles e Souza.
C. cerca de 1712 c. Maria Thomaz, referida no §3, filha do Cap.
Francisco Gonçalves Pena e sua 1ª mulher Domingas Gonçalves de Almeida.
1.1.2.2.2.1.
Catarina
de Valadares Vieira,
7ª morgada de Stº António de Trezena, etc., c. cerca de 1733 c. seu primo
Gervásio Pacheco de Meirelles, referido adiante. C.g. nos barões
de Ribeira de Pena.
1.1.2.2.2.2.
Manuel
de Valadares Vieira,
n. em S. Salvador, cerca de 1716, com IG em Braga de 13.3.1731, que «por
amores» se ordenou presbítero, «vivendo vida recolhida e sendo
bom músico de rabeca».
1.1.2.2.2.3.
João
de Valadares Vieira,
n. ib, com IG em Braga de 14.4.1731, que também se ordenou clérigo, vindo
a fal. vigário-geral de Minas Gerais (Brasil).
1.1.2.2.3.
Teodósia
de Valadares Vieira,
que c.c. Ponciano da Silva, senhor da casa e capela da Aldeia de
Ouro, em Stª Marinha, filho herdeiro de António Antunes Pimenta e sua
mulher Senhorinha Lopes da Silva.
1.1.2.2.3.1.
Manuel
de Valadares Vieira,
n. em Stª Marinha, que tirou IG em Braga a 13.11.1733.
1.1.2.3.
?António
Machado, que se documenta pai de:
1.1.2.3.1.
Jerónimo
de Souza Machado, que a 8.7.1716 teve mercê do ofício de tabelião
do público, judicial e notas de Ribeira de Pena para seu filho Pedro Borges
de Andrade, que assumiu o cargo a 1.3.1717, e provavelmente é antepassado
do Manuel Borges de Andrade que a 18.8.1777 assumiu o mesmo cargo.
1.2. ?Doutor
Paulo de Meirelles Pacheco,
provedor de Guimarães em 1631.
1.3. ?Salvador
Pacheco de Meirelles,
cónego da Sé do Funchal (21.6.1663).
1.4. Maria
Pacheco de Meirelles,
que segue.
2.
Maria
Pacheco de Meirelles,
nascida cerca de 1585, que casou cerca de 1604 com Miguel Domingues
de Andrade, e foram moradores na quinta de Picanhol (na carta de armas
do neto vem Penhacol), em Salvador de Ribeira de Pena. Este Miguel Domingues,
certamente seu parente, julgo que era irmão mais velho de Belchior Pacheco
de Andrade, senhor da quinta de Conselheiros, em S. Miguel de Refoios
de Basto, onde foi bat. a 8.2.1588, filho de Domingos Gonçalves e sua
mulher Margarida de Andrade. Esta Margarida já aparece em Refojos
como madrinha em 1578, pelo que é de supor que tenha casado neste
ano. O primeiro filho cujo assento de baptismo aparece em Refojos, a 14.4.1580,
chamou-se Gaspar, sendo padrinhos André de Araújo e Leonor
de Andrade (muito possivelmente a avó de Margarida ou uma sua tia).
Depois, só a 2.8.1585 volta a aparecer o baptismo de um filho deles,
padrinhos António de Gouveia (o tio materno) e a mulher Amador
de Araújo. Depois nascem mais três, até 1592. Mas
há pelo menos uma sua filha documentada (casada em 1607 com Pedro
Machado), Senhorinha de Andrade, cujo baptismo não consta. Assim,
julgo que quer esta Senhorinha quer Miguel terão nascido entre
1581 e 84 noutra freguesia, onde os pais também viveram. Miguel
teria assim usado o patronímico do nome do pai (Domingos = Domingues)
e o nome de família da mãe. Miguel Domingues de Andrade
seria assim primo dentro do 2º grau de consanguinidade da mulher,
sendo ele bisneto e ele neta de Francisco Pacheco (de Araújo) e
sua mulher Maria de Andrade.
2.1. Salvador
Domingues (Pacheco de Andrade),
que segue.
2.2. Cristóvão
Frazão de Meirelles,
nascido em Salvador de Ribeira de Pena cerca de 1606, e morador na quinta
de Choupica, no termo de Stª Marinha de Ribeira de Pena. C. cerca de 1627
c. Ana Ribeiro, talvez filha de Gregório Ribeiro, escrivão das
sisas de Ribeira de Pena (CFII, 7, 127v).
2.2.1. Alexandre
de Meirelles Pacheco,
n. em Salvador de Ribeira de Pena cerca de 1628 e morador em Stº Aleixo,
termo de Ribeira de Pena. C. cerca de 1650 c. Maria da Costa, filha
do Dr. Gonçalo Francisco da Costa, de Pedraça.
2.2.1.1.
Padre
Pedro de Meirelles Pacheco,
n. em Stº Aleixo cerca de 1650, já padre em 1671, com IG em Braga de 21.3.1695.
2.2.1.2.
Isabel
Pacheco de Andrade,
madrinha em Stª Marinha em 1671.
2.2.1.3.
Bernarda
de Meirelles Pacheco,
que c.c. Gregório João.
2.2.1.3.1.
Padre
Pedro de Meirelles Pacheco,
com IG em Braga de 21.1.1711, n. em S. Salvador e morador em Stº Aleixo,
onde instituiu uma capela vinculada a um padrão de juro de 50.000 réis
por testamento de 25.4.1736.
2.2.2. Agostinho
Frazão de Meirelles,
morador da quinta da Choupica, no termo de Stª Marinha de Ribeira de Pena,
onde nasceu cerca de 1630. C. cerca de 1674 c. Maria Gonçalves Pena,
n. cerca de 1656,
referida no §3 como filha do sargento-mor Ambrósio Gonçalves Pena.
2.2.2.1.
Catarina
Pacheco de Meirelles,
sucessora na quinta da Choupica, onde nasceu, sendo bat. a 4.2.1675 em
Stª Marinha de Ribeira de Pena. C. a 13.10.1697, ib, c. Domingos de
Souza,
da casa de Touças, em Stª Marta da Montanha (Alvão), bisneto de Jerónimo
de Souza Machado e sua mulher Maria Corrêa de Almeida, referidos no §1.
C.g.
2.2.3.
Pascoal
Pacheco de Meirelles,
reitor de Stª Marinha de Ribeira de Pena e
de Santiago de Soutelo (1664).
2.2.4.
Isabel
Pacheco de Meirelles,
moradora na quinta da Choupica, c.c. Gaspar Martins.
2.2.4.1.
António, bat. a 19.4.1671, ib, sendo madrinha Isabel Pacheco
de Meirelles, acima.
2.2.4.2.
Isabel, bat. ib.
2.2.5.
Maria
Frazão de Meirelles,
moradora na quinta da Choupica, c.c. Lourenço Martins.
2.2.5.1.
Domingos, bat. a 17.5.1674, ib.
2.3. Maria
Pacheco de Meirelles,
nascida em Salvador de Ribeira cerca de 1607 (na carta de armas do filho
vem com Dona). C. cerca de 1625 c. Gaspar Francisco de Carvalho,
senhor da quinta da Fêxa
ou do Fexo de
Além-Tâmega, em Stº Aleixo, onde viveu, filho de António Pires de Carvalho
e sua mulher Catarina de Carvalho, senhores e moradores na mesma quinta.
Provavelmente parentes de Domingos de Carvalho, moço da câmara, juiz dos
órfãos de Ribeira de Pena, senhor da quinta das Bragadas de Além Tâmega,
em Stº Aleixo, referido no §1.
2.3.1. Isabel
Pacheco (de Meirelles),
n. cerca de 1625 em Stº Aleixo, onde herdou a quinta da Senra, e
viveu casada na quinta do Outeiro, em Ribeira de Pena. Casou com Francisco
de Almeida (Leitão), referido no §1, onde segue.
2.3.2.
Domingos
de Meirelles Pacheco,
n. cerca de 1633, senhor da quinta da Fêxa ou do Fexo de Além-Tâmega,
em Stº Aleixo, onde vivia quando a 9.8.1716 teve carta de armas para Pacheco,
Meirelles, Carvalho e Andrade, escudo que está no portal da dita quinta.
É aqui curioso verificar, mais uma vez, que estes Meirelles usavam o escudo
de armas hoje atribuído aos Meira, muito parecido com os Pereira, a saber:
de vermelho, cruz florida de ouro, vazia do campo. C.c. Ângela da
Silva Barbosa, n. em Veade (Celorico de Basto), filha de António Fernandes
de Linhares, senhor da casa da Foz, ib, e de sua mulher Francisca da Silva
Barbosa, da casa de Surribas, em Valdebouro.
2.3.2.1.
Gervásio
(ou Gervaz) Pacheco de Meirelles,
que em 1726 vivia na sua quinta em Stº Aleixo «com mui lusimento»
(Craesbeeck).
C.c. sua prima Catarina de Valadares Vieira, referida acima, 7ª
morgada de Stº António de Trezenas, c.g. nos barões de Ribeira de Pena.
3.
Salvador
Domingues (Pacheco de Andrade),
n. cerca de 1605 na quinta de Picanhol, que foi senhor da quinta de Fontes
(ou da Fonte), ib, onde viveu, como nomeadamente se diz na carta de armas
do neto. Dada a impossibilidade cronológica de seus filhos serem da mesma
mãe, terá casado duas vezes. Da 1ª mulher (a), com quem terá casado
cerca de 1630, não se sabe o nome. Sendo certo que casou (2ª vez), cerca
de 1650 c. Maria Ambrósia (Gonçalves Pena) (b), n.
cerca de 1632, referida
no §3, filha
do sargento-mor de Ribeira de Pena Ambrósio Gonçalves (Pena),
dita D. Maria Ambrósia e moradora na quinta de Fontes na referida carta
de armas. No assento de casamento da filha Leonor da Andrade constam como
Salvador Domingues e Maria Ambrósia, da Fonte.
3.1. (a)
Salvador Pacheco de Andrade,
sargento-mor de Ribeira de Pena, n. cerca de 1631, que sucedeu na quinta
da Picanhol. C. a 10.1.1652 em S. Miguel de Refojos de Basto c. Francisca
Vieira da Rocha, filha de Henrique de Novaes, da casa da Bouça, em
S. Nicolau, e de sua mulher Catarina Vieira da Rocha, da casa de Carrazedo.
3.1.1. Francisco
Pacheco de Andrade,
n. cerca de 1653 e fal. a 18.1.1707 em Ribeira de Pena. Sucedeu na quinta
de Picanhol e foi capitão de Infantaria de Granadeiros e depois capitão-mor
de Ribeira de Pena, cargo em que faleceu. C.c. sua parente Antónia
de Andrade de Gouveia, nascida na quinta da Cal, em Ermelo. A «Corografia
Portuguesa» (1706) diz: «A quinta de Picanhol, com suas boas casas,
que possue Francisco Pacheco de Andrade, Capitão mór daquelle cõcelho»
(tomo 1, pag. 171).
Crasbeeck (1726) diz que então a quinta de Picanhol era de Alexandre Pacheco
de Andrade, filho de Francisco Pacheco de Andrade e neto de outro homónimo,
capitão-mor do concelho, «de que trata a Corografia Portuguesa».
Gaio (Ribeiro, §13) também dá o Francisco em epígrafe como avô de Alexandre
Pacheco de Andrade, a que chama Pacheco de Barros. Dizendo que este Francisco
teve de sua mulher (Antónia de Andrade de Gouveia) o seguinte filho:
3.1.1.1.
Francisco
Pacheco de Andrade,
n. cerca de 1675 e fal. antes de 1726, que sucedeu na quinta de Picanhol.
Segundo Gaio (Ribeiro, §13) foi senhor da quinta de Carrezedo, em S. Miguel
de Refoios de Basto, e casou duas vezes, a 2ª das quais com D. Joana
de Barros, que depois casou com o Dr. Domingos Rodrigues Mozes. Esta
D. Joana, era filha de Gaspar Ribeiro de Andrade, senhor da quinta de
Vinha Nova, em S. Miguel de Refojos, que teve em dote de casamento, onde
instituiu capela, e de sua mulher Mariana de Guimarães, filha herdeira
de Pedro Ferraz de Barros, senhor da quinta da Vinha Nova, e de sua mulher
Joana Vaz de Campos. Aquele Gaspar Ribeiro era filho Damásio Ribeiro
de Andrade, senhor da quinta da Igreja, em S. Senhorinha, e de sua mulher
Leonor de Freitas (de Sampaio), senhora da quinta da Quintã, em
Sendim (Felgueiras), sendo Damásio filho de Gaspar Ribeiro, escudeiro
fidalgo, juíz dos órfãos de Cabeceiras de Basto,
e de sua mulher Filipa Machado, filha de António de Gouveia, senhor da
quinta da Igreja, em S. Senhorinha, e sua mulher Inez Rebello (Machado),
e neta paterna de Francisco Pacheco, escudeiro fidalgo, senhor da quinta
da Igreja, em Stª Senhorinha, e sua mulher Maria de Gouveia ou de Andrade,
referidos acima. Este Francisco Pacheco, como refiro acima, era irmão
de Salvador Pacheco de Andrade, pelo que D. Joana de Barros era prima
do marido, ambos 4ºs netos daqueles irmãos.
3.1.1.1.1.
Alexandre
Pacheco de Andrade,
que em 1726 (Crasbeeck) vivia na sua quinta de Picanhol, em Salvador de
Ribeira de Pena, armoriada de Pacheco, Andrade, ? (cinco flores de lis
em aspa) e Vieira. O 3º quartel (cinco flores de lis em aspa) talvez seja
a forma antiga ou uma variante de Frazão (três flores de lis com chaveirão
de prata). Relativamente próximo, em Jales, na igreja de S. Miguel de
Tresminas, existe na capela-mor, sob um arco, um túmulo muito antigo,
sem inscrições, que ostenta o mesmo escudo de armas (cinco flores de lis
em aspa). Pode também tratar-se do escudo de armas dos Soverosa, que está
no 2º e 3º quartéis das armas usadas pelos Albuquerque. Segundo Gaio,
Alexandre Pacheco de Andrade casou (não lhe nomeia a mulher) e teve duas
filhas, D. Senhorinha e D. Violante, solteiras.
3.1.1.1.2.
José
Pacheco de Andrade,
segundo Gaio, que diz ter sucedido na quinta de Carrezedo e casado com
sua prima D. Catarina Pacheco de Andrade, referida acima, e terem
sido pais do Dr. Serafim dos Anjos Pacheco de Andrade, cavaleiro da Ordem
de Cristo, juiz de fora de Montalegre e Portalegre e desembargador da
Relação do Rio de Janeiro «neste ano de 1763».
3.2. (a)
Isabel Pacheco
de Andrade,
n. em 1640 e fal. em 1664. Foi a 2ª mulher de seu primo o Cap. Francisco
Gonçalves Pena, morgado da casa de Stª Marinha de Ribeira de Pena,
referido no §3, s.g.
3.3. (b)
Leonor de
Andrade,
n. cerca de 1651, referida como filha de Salvador Domingues e sua mulher
Maria Ambrósia, moradores na Fonte, todos do Salvador de Ribeira
de Pena, no assento do seu casamento. Casou a 11.10.1666, ib (assento
transcrito no processo de justificação de nobreza de seu
bisneto Ventura de Meirelles de Almeida), com seu primo António
Leitão de Meirelles, referido no §1, onde segue.
3.4. (b)
Pedro Pacheco
de Andrade,
n. cerca de 1653 e fal. em 1688, que sucedeu como senhor da casa de Fontes.
Casou com Margarida Borges, natural de Carrazedo da Cabugueira,
irmã de António Borges, abade de Cavalões, no termo de Barcelos, e do
Padre Ventura Borges.
3.4.1.
Maria
Borges Pacheco,
n. cerca de 1675 e fal. em 1733, sendo sepultada em Santa Marinha. C.
cerca de 1693 c. seu primo em 3º e 4º graus Francisco Gonçalves
Pena, referido no §3, onde segue.
3.4.2.
(Pedro)
Pacheco de Andrade,
abade de Stª Marinha.
3.5. (b)
Catarina Pacheco de
Andrade, nascida
cerca de 1660, que na carta de armas do filho se diz que viveu com seu
marido na quinta de Santa Marinha. C. a 10.6.1680 em Stª Marinha c. Pedro
Gonçalves Pena, morgado de Stª Marinha de Ribeira de Pena, referido
no §3, onde segue.
§3
Gonçalves Pena
1.
Domingos
Gonçalves,
n. cerca de 1570 e fal. depois de 1637, que desde 1618 foi reitor de Santa
Marinha de Ribeira de Pena e provavelmente antes aí foi pároco. A 17.12.1637
foi passada ao reitor Domingos Gonçalves carta de confirmação de aforamento
do assento de Santa Marinha, da comenda de Santa Marinha da Ordem de Cristo
(Livro 33, f. 115, Ordem de Cristo), tendo sido passada 26.8.1636 uma
provisão para aforar a comenda de Santa Marinha (Livro 28, f. 308v). Dada
a recorrência do invulgar nome Ambrósio na sua descendência, talvez seja
descendente (neto?) do Ambrósio Rodrigues, feitor das terras de Aguiar
e Pena, que a 29.8.1523 teve confirmação real do arrendamento dessas terras.
Domingos Gonçalves teve em Maria Tomaz, de Ferreiros, o filho Francisco,
legitimado por carta real de 23.3.1634, não se sabendo se esta Maria Tomaz
é também mãe de Ambrósio. Como quer que seja, sabe-se que Ambrósio sepultou
sua mãe na matriz de Stª Marinha, como se diz adiante.
1.1. (N)
Ambrósio Gonçalves, n. cerca de 1594. Foi
contador de Ribeira de Pena (CFII, 29, 238v) e juiz dos órfãos (ib, 32,
119v) e depois sargento-mor do concelho, e aí senhor da quinta do Cabo
de Freume (ou Friume). Está sepultado na igreja de Stª Marinha com o seguinte
letreiro: «S.a q. mandou fazer Ambrozio Gz de Freume a sua mai e sua
mulher M.na Lopes. Erd.os. 1645». Casou cerca de 1616 com Marinha
Lopes, fal. cerca de 1645. E que viveu com sua mulher em Freume (ou
Friume), como se diz no assento de casamento do filho Ambrósio.
1.1.1. Ambrósio
Gonçalves
(Pena), n. cerca de 1617 e fal. depois de 1706,
senhor da quinta
do Cabo de Freume. Foi
sargento-mor de Ribeira de Pena e contador, inquiridor e distribuidor
do concelho. Comprou a quinta da Temporã (Salvador) e a 8.4.1687
instituiu aí a capela de Nª Sª da Conceição, depois construída
por seu filho João. A «Corografia Portuguesa» (1706) diz: «A
quinta da Temporam com suas casas nobres, que foy de Luis Peixoto da Sylva,
& hoje possue por compra Ambrosio Gonçalves Penha» (tomo 1, pag.
171). Casou a 5.2.1638 em Ribeira de Pena (assento transcrito no processo
de justificação de nobreza de seu bisneto Ventura de Meirelles
de Almeida) com Catarina da Guerra (de Almeida), referida no §1,
herdeira das quintas das Pereiras de Cima e
da Temporã.
1.1.1.1.
?Maria
Gonçalves Pena, n. cerca de 1656, que c. cerca de 1674 c. Agostinho
Frazão de Meirelles, morador na sua quinta da Choupica, no termo de
Stª Marinha de Ribeira de Pena, referido no §2, onde segue, filho de Maria
Pacheco de Meirelles e seu marido Miguel Domingues de Andrade.
1.1.1.2.
João
Lopes Guerra,
senhor da quinta do Cabo de Freume e da capela de Nª Sª da Conceição de
Temporã, sargento-mor de Ribeira de Pena, construiu a dita capela
de Nª Sª da Conceição, deixando na padieira da capela a seguinte inscrição
«c(o)nfirmat deip(arem) et concepsione(m) in primo instanti liberam
operam / decorata(m) expensis Joannis Lopes Guerra suaeque uxoris».
C.c. Filipa Borges. Parece que s.g.
1.1.1.3.
António
Borges da Guerra,
senhor da quinta do Cabo de Friume. C.c. ? (falta ver IG dos netos)
1.1.1.3.1.
Maria
Borges da Guerra,
sucessora, que c.c. José Pinto Borges, da quinta de Alijó. Pais
de: Dr. Caetano Pinto Borges, senhor da quinta do Cabo de Friume
em 1726; António Pinto Borges, com IG em Braga a 30.10.1719; e José Pinto
Borges, com IG em Braga a 25.5.1720.
1.1.1.3.2.
?Catarina Borges
da Guerra,
que julgo irmã inteira da anterior. C.c. Nicolau Pinto da Mesquita,
de Cerva, e foram pais de António Borges da Guerra, n. em Cerva, com IG
em Braga de 25.10.1726, sendo este certamente irmão de Natália Borges
da Mesquita, que casou em Alvite (Cerva) com António Domingues de Lama
e foram pais de Inocência Borges Pinto da Mesquita casada com Pedro Gonçalves,
moradores em Cerva, pais de António Gonçalves, n. em Cerva, que tirou
ordens menores a 20.11.1730 em Braga, e de Maria Gonçalves casada com
Francisco Gonçalves Lage, morador em Macieira (Limões, Cerva), c.g. nos
Gonçalves Lage da quinta do Covêlo, em Bilhó.
1.1.1.4. Cristóvão
Vaz Leitão da Guerra,
senhor da quinta das Pereiras de Cima, c.c. Helena Borges.
1.1.1.4.1.
António
Borges Leitão,
juiz dos órfãos de Ribeira de Pena, e também proprietário dos ofícios
de contador, inquiridor e distribuidor do concelho. Era senhor da quinta
das Pereiras de Cima em 1726 (Crasbeeck). Deve ser pai do João Lopes Guerra
que a 8.7.1734 foi
contador, inquiridor e distribuidor de Ribeira de Pena.
1.1.1.5. Maria
Lopes da Guerra,
que sucedeu na quinta de Freume, que em 1706 era de seu marido.
C.c. João de Valadares Vieira, cavaleiro da Ordem de Cristo, 4º
morgado de Stº António de Trezena, etc., referido no §2, onde segue.
1.1.1.6. Marinha
de Almeida da Guerra,
que n. em Ribeira de Pena e viveu casada em Burgães (Cerva) Casou
com António Martins, bat. a 25.8.1642, ib (assento transcrito no
processo de justificação de nobreza de seu neto Ventura
de Meirelles de Almeida), filho de Gonçalo Martins e sua mulher Paula
Martins, moradores em Burgães.
1.1.1.5.1.
Marinha de
Almeida da Guerra,
bat. a 19.4.1683 Cerva (assento transcrito no processo de justificação
de nobreza de seu filho Ventura de Meirelles de Almeida), que viveu casada
em Stº Aleixo. Casou com seu primo Pedro de Meireles Leitão,
referido no §1, como filho de Francisca de Andrade e seu marido Francisco
Carvalho.
1.1.2. Maria
Ambrósia (Gonçalves Pena), n. cerca de 1632, que casou cerca de 1650
com Salvador Domingues (Pacheco de Andrade), senhor da casa de Fontes,
referido no §2, onde segue.
1.2. (L)
Francisco Gonçalves Pena (ou Penha), n. cerca de 1610, legitimado
por carta real de 23.3.1634 e fal. depois de 1679, o 1º deste nome, claramente
retirado da terra onde viveu e foi criado, embora deva ter nascido em
Ferreiros, donde era e onde vivia sua mãe e donde provavelmente seu pai
também era natural. Foi cavaleiro da Ordem de Cristo e capitão de Volantes
nas guerras da Restauração. A 16.6.1679 instituiu o morgadio e capela
de S. Francisco Xavier em Stª Marinha de Ribeira de Pena. Na carta de
armas de seu neto diz-se que serviu Suas Majestades, que Deus guarde,
no posto de capitão de Volantes, que levantou sem despesa para a Real
Fazenda, sustentando também no Real Serviço um cavalo aparelhado durante
sete anos e meio.
C. a 1ª vez com Domingas Gonçalves
de Almeida
(a), filha de Gonçalo Gonçalves Ferreira e de Marinha Gonçalves
de Miranda, da casa de Ferreiros.
C. a 2ª vez cerca de 1658 c. sua prima Isabel Pacheco de Andrade
(b), n. em 1640 e fal. em 1664, referida no §2, filha de Salvador
Domingues Pacheco de Andrade, senhor da quinta de Fontes. S.g.
1.2.1. (a)
Pedro Gonçalves Pena, n. cerca 1655, 2º morgado da casa de Stª Marinha
de Ribeira de Pena e capela de S. Francisco Xavier. Na carta de armas
do filho diz-se que viveu na sua quinta de Stª Marinha. C. a
10.6.1680 em Stª Marinha
c. Catarina Pacheco de Andrade, n. cerca de 1660, referida
no §2, meia-irmã da 2ª mulher de seu pai, ambas filhas de
Salvador Domingues Pacheco de Andrade.
1.2.1.1.
Baltazar
Pacheco de Andrade,
3º morgado da casa de Stª Marinha de Ribeira de Pena e capela de S. Francisco
Xavier, onde em 1726 (Craesbeeck) vivia «com bom tratamento». Bat.
a 14.1.1686, ib, foi cavaleiro da Ordem de Cristo, capitão de Infantaria
na Guerra da Liga, e fidalgo de Cota de Armas (14.6.1720 - escudo
partido de Pacheco e Andrade), tendo colocado estas suas armas no cunhal
da casa de Stª Marinha. Nesta carta de armas diz que mora na sua quinta
de Stª Marinha e serviu Sua Majestade, nas guerras próximas e passadas,
com honrada satisfação, no posto de Infantaria dum Terço Auxiliar daquela
Comarca (Guimarães). Parece que fal. em 1755. C. em 1718 c. Maria
de Almeida, referida no §1, filha do
capitão-mor
Domingos de Carvalho e Almeida e de sua mulher Maria Gonçalves de Carvalho.
1.2.1.1.1.
Francisco
Xavier de Andrade e Almeida,
capitão-mor e monteiro-mor (6.5.1780) de Ribeira de Pena, 4º morgado da
casa de Stª Marinha de Ribeira de Pena e capela de S. Francisco Xavier,
onde nasceu, tendo tirando IG em Braga a 9.1.1735. C.c. sua prima Maria
de Souza e foram pais do Doutor Francisco Xavier de Souza Andrade
e Almeida, sucessor, capitão-mor e monteiro-mor de Ribeira de Pena, cavaleiro
da Ordem de Cristo, etc. (pai do 1º barão de Ribeira de Pena) e do Dr.
José Caetano de Andrade e Almeida, que tirou IG em Braga a 11.8.1760.
1.2.1.1.2.
Luiz
António de Almeida de Andrade,
n. ib, com IG em Braga de 18.4.1752.
1.2.1.1.3.
Baltazar
Caetano de Almeida,
n. ib, com IG em Braga de 13.9.1754.
1.2.1.1.4.
António
Luiz de Andrade e Almeida,
n. ib, com IG em Braga de 21.11.1760.
1.2.1.1.5.
Antónia
Teresa de Almeida e Andrade,
n. ib, c.c. Francisco José de Miranda e Ataíde, de Montalegre (Stª
Mª da Assunção). Destes foram filhos Joaquim José de Miranda e Ataíde
e Sebastião José de Ataíde e Almeida, n. ib, que tiraram IG em Braga respectivamente
a 10.11.1777 e 27.11.1777.
1.2.2. (a)
Francisco Gonçalves Pena, capitão da ordenança de Ribeira de Pena,
n. cerca de 1656. C. a 1ª vez cerca de 1679 c. Domingas Gonçalves
de Matos
(a), certamente da casa de Terças. C. a 2º vez cerca de 1693 c.
Maria Borges Pacheco (b), sua prima em 3º e 4º graus, fal.
em 1733 e sepultada em Santa Marinha, referida no §2, filha herdeira de
Pedro Pacheco de Andrade e sua mulher Margarida Borges.
1.2.2.1.
(a)
Catarina Thomaz, n. cerca de 1680 e fal. a 5.11.1729 em
Ribeira de Pena. C. a 29.1.1696, ib, c. José Machado de Souza Carvalho,
n. a 22.8.1680, ib, filho de Domingos Carvalho e sua mulher Maria de Souza
Machado, referidos no §1. De Catarina Thomaz e seu marido foi filha,
entre outros, Maria Machado de Souza, b. a 6.4.1697 em S. Salvador de
Ribeira de Pena, que casou com Sebastião Gonçalves. Destes
foi filho Pedro Francisco Machado, n. em S. Salvador, que tirou IG em
Braga a 13.11.1733. Bem assim como Baltazar Machado Pena, que foi bisavô
de Afonso Pena, presidente da República do Brasil.
1.2.2.2.
(b)
Maria Thomaz, fal. em 1742, que c. cerca de 1712 c. João de
Valadares Vieira, 6º morgado de Stº António de Trezena, referido no
§2, onde segue, filho de outro João de Valadares Vieira e sua mulher Maria
Lopes da Guerra.
1.2.2.3.
(b)
Francisco Gonçalves Pena, n. em 1701, c.c. Domingas
Machado.
1.2.2.4.
(b)
Sebastião Gonçalves Pena, que c.c. Senhorinha Borges, herdeira
da casa e quinta do Mato.
1.2.2.4.1.
David
Borges Pacheco,
n. em S. Salvador, com IG em Braga de 30.1.1745.
1.2.2.5.
(b)
Dr.
Caetano Borges Pacheco, n. em S. Salvador, licenciado em Cânones
pela Universidade de Coimbra, que exerceu no Brasil vários cargos eclesiásticos
e tirou IG em Braga a 15.10.1716. Instituiu a capela e vínculo de Sant´Ana,
junto à casa de Fontes.
1.2.2.6.
(b)
Baltasar Pacheco de Andrade
1.2.2.7.
(b)
António de Andrade Borges Pena, n. ib, com IG em Braga de 7.3.1737.
1.2.2.8.
(b)
Senhorinha Pacheco Borges
1.2.3. ?(a)
Ambrósio Gonçalves Pena, escrivão dos órfãos de Ribeira de Pena (8.8.1709
- RGM, 3, 28v).
2002
Notas
Soltos
Indivíduos dos finais do séc. XVII princípios do XVIII, com prováveis
ligações familiares (ainda a investigar), colhidos nas
IG (inquirições de Genere) de Braga e outras fontes:
Ambrósio
Gonçalves, n. Stª Marinha, IG de 1.2.1684, filho de Ambrósio Gonçalves
e Maria Gonçalves.
António Dias, n. em S. Salvador, IG de 17.4.1691, filho de Pedro Frazão
e Catarina Fernandes
Domingos
de Meirelles, n. em S. Salvador, IG de 17.4.1691, filho de António
Domingues e Marinha Gonçalves.
António da Guerra, tabelião do público e reguengos do concelho de
Ribeira de Pena (19.12.1709), irmão de Isabel da Guerra, que a 15.6.1707
teve mercê deste ofício, ambos filhos de António Domingues.
André
da Mesquita, n. em S. Salvador, IG de 14.11.1721, filho de Gervásio
Borges e Maria da Mesquita. Deste casal foi também filho Francisco Borges,
cavaleiro da Ordem de Cristo, que vivia na cidade do Porto quando teve
carta de armas a 25.8.1739 para Borges, Mesquita, Gonçalves e Coutinho,
onde se diz que era neto paterno de Domingos Gonçalves e sua mulher Maria
Borges, morador em Salvador de Ribeira de Pena; e neto materno de António
Fernandes Coutinho e de sua mulher Maria Luiz, moradores em Stª Mª de
Erneiros.
João
Baptista Moutinho, n. em S. Salvador, IG de 11.8.1691, filho de Diogo
de Almeida e Páscoa de Miranda
António
Martins de Almeida, n. em Cerva, IG de 4.7.1732, filho de António
Borges e Maria Martins
Tomaz
Martins de Almeida, irmão do anterior, n. ib, IG ib.
João
de Araújo, n. em Stª Marinha, IG de 21.3.1732, filho de João de Araújo
e Maria Pacheco
João
Dias de Carvalho, n. em S. Salvador, IG de 30.1.1713, filho de Gaspar
Dias e Maria Gonçalves
Manuel
Dias de Carvalho, n. em Stº Aleixo, IG de 2.8.1713, filho de Agostinho
Dias e Isabel de Carvalho
Veríssimo
Dias de Carvalho, n. em S. Salvador, que a 26.2.1757 teve carta de
armas para Dias, Barbosa, Carvalho e Gonçalves, filho de Francisco Dias
e de Luiza Borba de Carvalho; neto paterno de António Dias e Domingas
Fernandes; neto materno de João Barbosa e Marinha de Carvalho, sendo esta
filha de Domingos de Carvalho e Catarina Fernandes.
Francisco
Lopes de Carvalho, n. em S. Salvador, IG de 1.12.1713, filho de António
Gonçalves de Carvalho e Mariana da Cunha
Francisco
de Carvalho, n. em S. Salvador, IG de 7.8.1714, filho de Francisco
de Carvalho e Ângela Francisca
Manuel
Francisco de Carvalho, n. em S. Salvador, IG de 25.3.1719, filho de
Manuel Francisco e Maria de Carvalho
Miguel
de Carvalho, n. em Stª Marinha, IG de 4.5.1730, filho de Domingos
de Carvalho e Ângela Vaz Ferreira
Sebastião
de Carvalho, n. em S. Salvador, IG de 3.5.1732, filho de Francisco
de Carvalho e Maria Borges
Pedro
Francisco Machado, n. em S. Salvador, IG de 13.11.1733, filho de Sebastião
Gonçalves e Maria Machado de Souza
Domingos
de Carvalho, n. em S. Salvador, IG de 20.11.1733, filho de António
Fernandes e Isabel Gonçalves
Francisco
José de Carvalho, n. em Salvador, IG de 14.2.1778, filho de Manuel
Leitão da Cunha e Mariana de Oliveira.
Gregório
Ribeiro Leitão, n. em S. Salvador, IG de 15.7.1732, filho de Gervásio
Leitão e Filipa da Costa
Bibliografia
e fontes
«Machado
de Vila Pouca de Aguiar», Porto 2000, de Manuel Abranches de Soveral
«Souzas
de Vila Pouca de Aguiar» de Francisco Canavarro de Valladares (Ribeira
de Pena), in Archivo Nobiliarchico Portuguez, 1919.
«Famílias
de Chaves», de Luiz de Mello Vaz de São Payo, in Raízes e Memórias.
«Sottomayor
Mui Nobre», 1999, de Luiz de Mello Vaz de São Payo.
«Memórias
Ressuscitadas da Província de Entre Douro e Minho», 1726, de Francisco
Xavier da Serra Craesbeeck.
Anuário
da Nobreza de Portugal - Carvalho e Almeida.
Genealogias
manuscritas.
Arquivos
Distritais de Vila Real e Braga.
Arquivo
Nacional da Torre do Tombo. |