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 Manuel Abranches de Soveral

 

 

 

Famílias de Ribeira de Pena 


Subsídios para a sua Genealogia
(séculos XV a XVIII)

§1  Leitão e Almeida

1.           Damião Leitão, cavaleiro fidalgo da Casa Real e governador de Cabo Verde, conforme é referido na carta de armas de seu bisneto. Nasceu cerca de 1490 e terá casado cerca de 1525 com uma senhora Almeida, mas a carta de armas nada diz a este respeito. O Anuário da Nobreza refere uma tradição familiar segunda a qual esta senhora seria irmã do vice-rei D. Francisco de Almeida, portanto neta dos 1ºs condes de Abrantes, mas julgo isso totalmente fantasioso, não só porque é anacrónico mas também porque não há notícia dessa irmã do vice-rei. Além de que, se o fosse, a carta de armas certamente o referiria. Damião Leitão devia ser irmão de Fernão Leitão, que foi morador em Negreiros, termo de Barcelos, e abade reitor da Igreja do Salvador de Ribeira de Pena, onde instituiu em 1520 a capela de S. Pedro, concluída a 22.1.1521 (esta capela tem um escudo, certamente religioso, composto por uma cruz e dois leões assaltantes), e ambos filhos de Álvaro Leitão, tabelião do judicial (17.7.1482) e juiz das sisas de Aguiar de Pena (6.5.1490), referido em Leitão.

1.1.    Cristóvão Leitão de Almeida, que segue.

1.2.    ?Francisco de Almeida da Mesquita, n. cerca de 1528, casado com Maria Correa (da Mesquita), moradores na sua quinta do Outeiro em Ribeira de Pena, que uma justificação de nobreza (1718) do seu descendente António Leitão de Meirelles, senhor da antedita quinta, diz serem «descendentes legítimos dos verdadeiros Farias, Leitões, Almeidas, Borges Corrêas e Mesquitas destes Reynos». Esta Maria Correa (da Mesquita) devia ser filha João Álvares, escudeiro d’el rei, que é citado em 1517 no foral novo de Ribeira de Pena como senhor do prazo do vale de Senra de Baixo.

1.2.1.   António Leitão (de Almeida), escrivão do público, judicial e notas, Câmara, almotaçaria e órfãos do concelho de Ribeira de Pena e sucessor na quinta do Outeiro, onde viveu. Casou cerca de 1580 com Isabel Gomes. Destes foram filhos, pelo menos: 1) Ana da Mesquita, que casou cerca de 1601/2 com Gervásio Leitão, cirurgião, filho de Francisco Vaz, escudeiro fidalgo (filho de D. Maria Telles), e de sua mulher Maria Leitão, com geração na quinta de Surribas, em Vizela; 2) Francisco de Almeida Leitão, que se documenta irmão da antedita Ana da Mesquita e deve ter casado com uma dos Pacheco (Andrade) de Meirelles referidos no §2, pois documenta-se como pai de António Leitão de Meirelles, senhor da dita quinta do Outeiro, que a 19.2.1718 teve mercê para que a pessoa que casar com sua filha possa suceder como escrivão do público, judicial e notas, Câmara, almotaçaria e órfãos do concelho de Ribeira de Pena, e no mesmo ano fez justificação de nobreza (falta ver, para esclarecer esta genealogia). Como a 16.7.1693 foi nomeado naquele cargo Miguel Leitão de Meirelles, é natural que Miguel e António fossem irmãos. Sendo certo que quem a 20.2.1726 sucedeu no cargo foi um filho de António, chamado Cristóvão Leitão de Meirelles. E este é certamente o Cristóvão Leitão de Almeida, filho de António Leitão de Meirelles e de sua mulher Leonor de Andrade, moradores na quinta do Outeiro, em Ribeira de Pena, que casou a 12.9.1706 em Ronfe com Margarida Rodrigues de Azevedo, aí senhora da quinta de São Miguel, com geração. Daqueles António e Miguel Leitão de Meirelles deve ainda ser irmã Francisca de Andrade, que casou com Francisco de Carvalho e foram pais de Pedro de Meirelles Leitão. Este Pedro casou com Mariana de Almeida da Guerra (filha de Marinha de Almeida da Guerra, referida no §3), e foram pais de Ventura de Meirelles e Almeida, natural de Stº Aleixo, que a 24.4.1772 teve carta de armas para Carvalho, Meirelles, Leitão e Almeida.

1.2.2.   Maria Correa de Almeida que casou com contracto antenupcial de 1575 com Jerónimo de Souza Machado [1] , da casa de Eiriz, em Vila Pouca de Aguiar, de ascendência conhecida, fidalgo da Casa Real que depois esteve em Alcácer Quibir, onde ficou cativo, sendo remido em 1583, sendo então alcaide do castelo de Aguiar até 1594, data em que foi viver para Ribeira de Pena, onde instituiu o morgadio de Stº António de Trezena em Salvador do Outeiro, a que vinculou a casa que aí mandara fazer e o prazo de vale de Senra de Baixo, foreiro à Casa de Bragança, que sua mulher levara em dote e era então a principal propriedade agrícola de Ribeira de Pena.

1.2.2.1.     António de Souza, abade reitor de Santa Marta da Montanha, no Alvão (Vila Pouca de Aguiar), «bom pregador, muito lettrado e versado nas Sagradas Escripturas», c.g. nos Souza daí.

1.2.2.2.     Catarina Correa de Souza, que sucedeu e c.c. Agostinho de Meirelles de Andrade, capitão-mor de Ribeira de Pena, referido no §2, onde segue.

1.2.2.3.     Maria de Souza Machado, que c.c. seu primo Pedro Machado [2] , capitão da Ordenança de Vila Pouca de Aguiar e aqui escrivão e tabelião do público, judicial e notas (4.6.1624) e senhor da casa da Tapa, c.g. num ramo de Souza Machado e Machado de Souza de Vila Pouca de Aguiar.

1.2.2.4.     Isabel Corrêa de Almeida, que c.c. António de Chaves, que antecedeu seu cunhado como escrivão e tabelião do público, judicial e notas de Vila Pouca de Aguiar (30.3.1610). c.g.

 

2.          Cristóvão Leitão de Almeida, que capitão da Ordenança de Ribeira de Pena e aí senhor da quinta do Buxeiro. Terá sucedido na capela de S. Pedro, instituída por seu presumível tio na igreja do Salvador de Ribeira de Pena. N. cerca de 1525. Não sei com quem (ou se) casou (falta ver IG do neto José Leitão de Almeida).

2.1.   Camila Leitão, que segue.

2.2.   ?Cristóvão de Almeida, n. cerca de 1562, foi abade reitor do Salvador de Ribeira de Pena e sucessor na quinta do Buxeiro e na capela de S. Pedro.

2.2.1.  (N) Marinha de Almeida, n. cerca de 1595 e c. cerca de 1610 c. Gaspar Borges, senhor da quinta das Pereiras de Cima, em Salvador de Ribeira de Pena, armoriada de Borges em pleno, filho de Fernão Borges de Azevedo, 1º senhor da dita quinta das Pereiras, e de sua mulher Isabel Gomes de Abreu, filha de João Gomes de Abreu, senhor da quinta do Outeiro, em Cerva (Mondim de Basto).

2.2.1.1.    Pedro Borges de Almeida, senhor da quinta das Pereiras de Cima, sargento-mor e capitão-mor de Ribeira de Pena. C. cerca de 1640 c. Maria da Guerra, irmã do D. Manuel Afonso da Guerra, bispo de Cabo Verde, ambos filhos de Bento Gonçalves e sua mulher Isabel Gomes da Guerra.

2.2.1.1.1.    Catarina da Guerra de Almeida, senhora da quinta das Pereiras de Cima. C. cerca de 1660 c. Ambrósio Gonçalves Pena, sargento-mor de Ribeira de Pena, referido no §3, onde segue.

 

3.           Camila Leitão, n. cerca de 1560, sucessora na quinta do Buxeiro e capela de S. Pedro. C.c. João Fernandes, a que a carta de armas de seu filho não indica filiação (falta ver a IG do Stº Ofº).

3.1.   José Leitão de Almeida, que segue.

3.2.   ?Gervásio Leitão de Almeida, que instituiu a capela de Nª Sª do Amparo ou de Copacabana, na Ribeira de Baixo (Salvador).

3.3.   Maria Leitão de Almeida, n. cerca de 1586. C.c. António Gonçalves de Matos, provavelmente dos Matos da casa de Terças, em Stª Marinha de Ribeira de Pena.

3.3.1.  Catarina de Almeida, n. cerca de 1608. C.c. Domingos de Carvalho [3] , moço da câmara da Casa Real, juiz dos órfãos de Ribeira de Pena, senhor da quinta das Bragadas de Além Tâmega, em Stº Aleixo.

3.3.1.1.     Miguel de Carvalho e Almeida, n. cerca de 1630, capitão de infantaria dos Auxiliares de Ribeira de Pena. C.c. Helena Gonçalves de Matos, provavelmente sua parente, filha de Domingos Dias de Matos (provavelmente dos Matos da casa de Terças, em Stª Marinha de Ribeira de Pena) e de sua mulher Senhorinha Gonçalves.

3.3.1.1.1.    Miguel de Carvalho e Almeida, n. em Stº Aleixo em 1664, que tirou IG em Braga a 22.7.1689. Foi abade de Ribeira de Pena, capelão fidalgo da Casa Real e instituiu do vínculo e capela de Nª Srª da Assunção, junto à casa de Senra de Cima. A 2.12.1697, sendo sacerdote da hábito de S. Pedro, vigário da Vara e cura da freguesia de Rodellas, no Sertão de Rio de São Francisco, bispado de Pernambuco, tendo 33 anos, foi acusado pela Inquisição de Lisboa (processo 10016) de fingir ser oficial do Santo Oficio e, por sentença de 11.2.1699, lida na Mesa, foi advertido que se tornar a cair em semelhante culpa será rigorosamente castigado.

3.3.1.1.2.    Domingos de Carvalho e Almeida, moço da câmara da Casa Real (12.1.1699), cavaleiro da Ordem de Cristo (9.3.1699), com 12.000 reais de tença, capitão-mor de Ribeira de Pena, familiar do Santo Ofício (16.9.1700), que teve a 4.10.1710 carta de armas para Carvalho e Almeida. Foi senhor da quinta de Bragadas, em Stº Aleixo, e da quinta de Senra de Cima, em Salvador de Ribeira de Pena, esta armoriada de escudo partido de Carvalho e Almeida. A 2.3.1699 teve mercê de uma tença de 38.000 reais. C.c. Maria Gonçalves de Carvalho.

3.3.1.1.2.1. Maria de Almeida, que c. em 1718 c. Baltazar Pacheco de Andrade, 3º morgado da casa de Stª Marinha de Ribeira de Pena e capela de S. Francisco Xavier, referido no §3, onde segue.

3.3.1.1.2.2. Helena de Almeida, que casou em Fontes.

3.3.1.1.2.3. Miguel de Carvalho e Almeida, n. em Stº Aleixo, com IG em Braga a 31.12.1721.

3.3.1.1.3.    António de Carvalho e Almeida, moço da câmara da Casa Real (12.1.1699), cavaleiro da Ordem de Cristo (9.3.1699), com 12.000 reais de tença, mestre de campo de Auxiliares em Chaves, capitão-mor de Natal, no Rio Grande do Sul (Brasil), familiar do Santo Ofício (8.3.1702), e escrivão proprietário do público, judicial e notas do concelho de Cabeceiras de Basto e dos coutos de Refoios e Abadim (16.5.1745). A 2.3.1699 teve mercê de uma tença de 38.000 reais. C.c. Maria Teresa Pereira Rebello Leite, c.g.

3.3.1.1.4.    Inocêncio de Carvalho e Almeida, capelão fidalgo da Casa Real (12.12.1699).

  

4.           José Leitão de Almeida, vedor do 2º correio-mor do reino, familiar do Santo Ofício (22.5.1629), n. em Ribeira de Pena e morador em Lisboa quando a 18.3.1629 tirou carta de armas para Leitão. Sucessor na quinta do Buxeiro e capela de S. Pedro. N. cerca de 1582. Não sei com quem casou.

4.1.   Francisco Leitão de Almeida, sucessor na quinta do Buxeiro e capela de S. Pedro. A «Corografia Portuguesa» (1706) diz: «A quinta, & Morgado do Buxeiro, com Capella na mesma Igreja, de que he senhor Francisco Leitão de Almeyda» (tomo 1, pag. 171). C. cerca de 1665 c. Filipa de Souza, filha de Jorge Vaz Ferreira, senhor da casa da Seara de Selhariz, e de sua mulher Isabel Machado, filha esta de António Machado, «o Gordo», capitão-mor (1613-35) e alcaide (1601) de Vila Pouca de Aguiar, etc., e de sua mulher Filipa de Chaves.

4.1.1.  Maria de Souza e Chaves, nascida cerca de 1667, c.c. Baltazar Álvares Mourão, familiar do Stº Ofº (20.3.1696), filho de João Corrêa Machado e sua 2ª mulher Maria Mourão. C.g. conhecida

4.1.2.  José Leitão de Almeida, sucessor na quinta do Buxeiro e capela de S. Pedro. C.c. Isabel Pereira Mourão, c.g. nos senhores da quinta do Buxeiro.

4.1.3.  Francisco Leitão de Souza, n. cerca 1675 em S. Salvador de Ribeira de Pena. Tirou ordens menores em Braga a 9.3.1684. 

§2    Pacheco, Andrade, Meirelles e Frazão

1.          Salvador Pacheco de Andrade, que nasceu cerca de 1545, faleceu a 17.5.1631 e foi sepultado na igreja do Salvador de Ribeira de Pena em túmulo armoriado (escudo esquartelado de Pacheco e Andrade, conforme desenho junto). Tudo indica que este Salvador era irmão mais novo de Francisco Pacheco, escudeiro fidalgo, senhor da quinta de Stª Senhorinha de Basto, que casou com Maria de Andrade (Gaio chama-lhe Maria de Gouveia e diz que casou 1º com João Rodrigues Lobo), filha de Álvaro de Meirelles (Rebello), capitão-mor e juiz dos órfãos (CJIII, 60, 114) de Cabeceiras de Basto, casado cerca de 1544 com Camila Leite (de Moraes), senhora da quinta de Vilar, em S. Tiago da Faia, e da quinta de Caínhos, em Stª Senhorinha de Basto, e pais do António de Meirelles de Andrade que a 26.1575 teve carta de armas para Meirelles, Rebelo, Leite e Andrade. Aquele Álvaro era filho de Cristóvão Rebelo (de Meirelles), senhor da quinta de Marinhão (Moreira de Rei), que adiante se detalha, e de sua mulher Maria de Andrade, dama do Paço. Com efeito, daquele Francisco Pacheco foi filho António Pacheco de Andrade, que sucedeu na quinta de Stª Senhorinha, e muito provavelmente a Margarida de Andrade que casou com Domingos Gonçalves e foram pais de Belchior Pacheco de Andrade, b. a 8.2.1588 em Refojos, que casou com Maria Rebelo, filha de António Rebelo de Meirelles e de sua mulher Senhorinha João, neta paterna de António Álvares e de sua mulher Camila Nunes de Meirelles, e neta materna de João Gonçalves e sua mulher Juliana Fernandes. Assim, Salvador Pacheco de Andrade e seu irmão mais velho Francisco Pacheco seriam filhos de uma (Maria) de Andrade, herdeira da dita quinta de Stª Senhorinha de Basto, e de seu marido, um Pacheco. Tendo em conta a cronologia, o estatuto e a onomástica, julgo que este Pacheco seria o Francisco Pacheco que foi juiz dos órfãos (CJIII, 14, 140) e tabelião (ib, 45, 141v) de Cabeceiras de Basto, a quem Gaio chama Francisco Pacheco de Araújo e diz «q fez justificacao da sua ascend.a (fez esta Justiflcação em Ponte do Lima no anno de 1552 perante o Corr.or de Vianna António Lopes e pello es.am Bartolomeu Gonçalves e T.as D. António de Mello Comendatario de Pombeiro e Jeronimo de Sá e Menezes, Jorge de Lima, Francisco Machado e outros)», sendo filho de Heitor Borges Pacheco e se sua mulher Inez Rodrigues de Araújo (legitimada por carta real de D. Manuel I, PeL, LN, 1, 5, sendo filha de Álvaro Rodrigues de Araújo, capitão da guarda do infante D. Henrique, comendador de Rio Frio na Ordem de Cristo e senhor donatário das igrejas de Linhares e Guilhedezes, etc.), e neto paterno de Lopo Fernandes Pacheco. A (Maria) de Andrade, proposta mulher de Francisco Pacheco de Araújo, nascida cerca de 1524, era certamente filha de Leonor de Andrade e de seu marido Rui Pires de Gouveia, nascido cerca de 1500, moço fidalgo da Casa de D. João III, que viveu em Santa Cruz de Lumiares (Armamar), onde foi ouvidor do duque de Coimbra, e teve carta de D. João III para deixar certa renda ao convento de Stº Eloi de Requião (CJIII, 50, 9v). Mas esta Leonor de Andrade, nascida cerca de 1507, não podia ser, como dizem as genealogias, filha de Luiz Machado, senhor de Sandomil (12.1.1450), etc., pois este já tinha casado a 20.3.1450. Rui Pires de Gouveia era filho de Martim ou Martinho Vaz de Gouveia [5], fidalgo da Casa Real e do Conselho de D. Manuel I (1518), que a 16.7.1512 deu quitação a sua sogra Dona Mayor de 50.000 reais que esta lhe devia do dote de casamento. E a 10.4.1511 Diogo de Almeida, capelão do rei, teve uma tença anual de 8.000 reais, até perfazer o pagamento de 1.000 coroas que lhe foram trespassados por Martim Vaz de Gouveia, fidalgo da Casa Real, em escambo de certos casais na Beira. As 1.000 coroas foram dadas a Martim Vaz, por sua sogra, Dona Maior, pelo casamento de sua filha. Esta houvera-as de seu marido, Gomes Ferreira, a quem tinham sido trespassadas por falecimento de seu irmão Martim Ferreira, que as recebera em casamento, segundo se sabe por um público instrumento feito no Porto a 14.3.1501, por Fernão Garcez, tabelião nessa cidade (CMI, 8. 50v). E a 30.4.1520 D. Manuel I doou ao licenciado Pedro de Gouveia, do seu Conselho e desembargo, e a seu filho Martim Vaz de Gouveia, para toda a sua vida, a renda das saboarias do almoxarifado de Portalegre (ib, 36, 64v). Com efeito, Martim Vaz de Gouveia casou com D. Joana de Távora [6], que era sua viúva em 1526, ano em que ela recebeu as ditas rendas das saboarias de Portalegre. Sendo D. Joana filha de Gomes Ferreira [7], porteiro-mor de D. João II, que recebeu ordens menores em Braga a 18.12.1456 e foi moço fidalgo (1462) e cavaleiro fidalgo (1474) da Casa de D. Afonso V (vide o meu Ensaio sobre a origem dos Ferreira) e de sua mulher (casados em 1486) D. Maior de Sottomayor [8], nascida em 1466, filha de D. Pedro Álvares de Sottomayor, o célebre Pedro «Madruga», 12º senhor de Sottomayor, conde de Caminha (4.3.1476) e visconde de Tui (referido como tal em carta real de 5.6.1476), etc., e de sua mulher (casados em 1465) a portuguesa D. Tereza de Távora, falecida em 1496, filha de Álvaro Pires de Távora, senhor de Távora e Mogadouro e dos direitos reais de Caminha e Vila Nova de Cerveira, etc., e de sua mulher D. Leonor da Cunha. Martim Vaz de Gouveia era filho do licenciado Pedro de Gouveia, do Conselho e chanceler-mor de D. Manuel I, e de sua mulher mulher Beatriz de Almeida, nascida cerca de 1448, que sucedeu na capela de Lourenço Martins de Avellar, sendo nela confirmado seu marido em 1488. Com seu marido o Dr. Pedro de Gouveia, recebeu do Cabido de Viseu, a 19.8.1480, o prazo em três vidas da «possessão» de Rio de Loba. Era filha de Martim ou Martinho de Almeida, fidalgo da Casa Real e coudel-mor do reino, e de sua mulher Maria de Ornellas; neta paterna de Martim Lourenço de Almeida, fidalgo do Conselho, reposteiro-mor de D. João I, alcaide-mor da Covilhã, etc., e de sua mulher Inez Vaz de Castello-Branco; e neta materna de Lopo Esteves de Ornellas e sua mulher Tereza Martins de Figueiredo. O licenciado Pedro de Gouveia foi legitimado por carta real de 21.5.1459 (CAV, 36, 108v), sendo filho de Maria Fernandes, solteira, e de Gonçalo Dias de Gouveia, cónego e mestre-escola da Sé de Viseu, vigário geral da diocese e bacharel em Degredos. A filiação deste Gonçalo Dias (como normalmente aparece) é incerta e não é certamente a que lhe atribuem as genealogias. Julgo que é filho de um Diogo e de uma senhora Gouveia. O licenciado Pedro de Gouveia nasceu cerca de 1442 e ainda vivia em 1520. Estudou na Universidade de Paris e chegou a cavaleiro do Conselho de D. Manuel I, seu chanceler-mor, do seu Desembargo e dos Agravos da Casa da Suplicação e seu juiz dos feitos. Tudo indica que seja já o Pedro de Gouveia, escudeiro, fidalgo da Casa Real, que a 26.1.1458 teve de D. Afonso V uma tença anual de 7.200 reais (CAV, 35, 15). E a 26.8.1475 a doação vitalícia das rendas da pensão dos tabeliães da cidade de Lamego (CAV, 30, 45v). Bem assim como o homónimo que D. João II a 20.7.1482 nomeou corregedor da Estremadura (CJII, 2, 169). Era juiz dos feitos da Casa da Suplicação desde o início do reinado de D. Manuel I, rei que a 16.1.1500 nomeou o licenciado Pedro de Gouveia no ofício de desembargador dos agravos da Casa Real e da Suplicação, além dos 5 que já estavam ordenados na dita Casa, com o mantimento anual de 60.000 reais, como é ordenado haver cada um dos outros desembargadores dos agravos (CMI, 14, 38). Em 1502 desempenhava o cargo de chanceler-mor, pois numa carta de 12 de Julho o rei refere o licenciado Pedro de Gouveia, de seu Conselho e que agora tem o cargo de seu chanceler-mor (ib, 2, 64v). A 21.10.1515 o mesmo rei doou uma tença de 20.000 reais ao licenciado Pedro de Gouveia, do seu Conselho e desembargador dos agravos da Casa da Suplicação, que deixou o ofício de juiz dos feitos reais (ib, 24, 150). E ainda vivia a 24.8.1520, quando o mesmo rei fez mercê ao licenciado Pedro de Gouveia, do seu Conselho e desembargo, de outra tença 20.000 reais, por toda a sua vida (ib, 36, 64v). Mas a antedita Maria de Andrade, casada com Cristóvão Rebelo (de Meirelles), não podia ser, como dizem as genealogias, filha dos referidodos Rui Pires de Gouveia e sua mulher Leonor de Andrade. Estes, como vimos, nasceram no início do século XVI e não podiam ter nascido mais cedo. Já Cristóvão Rebelo (de Meirelles) [4] nasceu o mais tardar dos tardares em 1470. Foi escudeiro da Casa Real, escrivão das sisas e dos órfãos de Montelongo e tabelião do público, judicial e órfãos de Moreira de Rei, onde foi senhor da quinta de Marinhão. E seus filhos é que nasceram no início do séc. XVI. Este Cristóvão era filho de Fernão Nunes (de Meirelles), escudeiro, que o antecedeu nestes cargos e ofícios e viveu em Basto, e de sua mulher Maria Rebelo, irmã de Pedro Rebello, que a 23.3.1448 tirou ordens menores em Braga, como filho de João Álvares Rebello e sua mulher Aldonça Gonçalves, moradores em Golães. A 16.3.1471 D. Afonso V nomeou Fernão Nunes, escudeiro, morador em Basto, para o cargo de escrivão das sisas régias de Montelongo e seu termo, em substituição de João Álvares Rebello, que morrera. E a 1.8.1471 confirmou a nomeação de Fernão Nunes, genro de João Álvares Rebello, para o cargo de escrivão dos órfãos do julgado de Montelongo, em substituição de seu sogro, que morrera. João Álvares Rebello foi escudeiro e vassalo de D. Afonso V, senhor da quinta de Golães, criado de Gonçalo Pereira e coudel das suas terras, escrivão das sisas de Montelongo, Moreira e Cepães (6.11.1451), procurador de Guimarães (1456), etc. A 24.7.1442 D. Afonso V perdoou a justiça régia e a prisão a João Álvares Rabello, criado de Gonçalo Pereira, pela morte em Ponte de Lima de João Gonçalves, escudeiro de Martim Gil de Viana, na sequência do perdão geral. A 30.9.1445 o mesmo rei nomeou, por cinco anos, Vasco Gil, escudeiro de Gonçalo Pereira, para o cargo de coudel de todas as terras do dito Gonçalo Pereira, em substituição de João Álvares Rebello. A 6.11.1451 nomeou João Álvares Rabelo, escudeiro, morador na vila de Guimarães, criado de Gonçalo Pereira, para o cargo de escrivão das sisas régias e dos seus feitos no julgado de Cabeceiras de Basto, situado no julgado do almoxarifado de Guimarães, que era desempenhado por Fernão Pires, que os perdera por os ter vendido a João Afonso sem licença régia. A 4.11.1452 privilegiou João Álvares Rebello, escudeiro, escrivão das sisas e dos órfãos de Moreira de Rei e do julgado de Montelongo, morador em Golães, termo de Guimarães, concedendo-lhe licença para que possa pôr sinal público nas escrituras que pertencem ao seu ofício. A 28.4.1452 nomeou João Álvares Rebello, seu vassalo régio em Golães, a pedido de D. Leonor de Berredo, para o cargo de escrivão das sisas régias de Monte Longo, Moreira de Rei e da terra de Cepães, em substituição de Álvaro Gonçalves, que morrera. A 4.6.1456 confirmou a nomeação a João Álvares Rebello para o cargo de escrivão dos órfãos do julgado de Montelongo. A 28.6.1456 D. Afonso V, nas cortes de Lisboa de 1456, na sequência dos capítulos especiais apresentados pelo concelho e homens bons da cidade de Guimarães, por seu procurador, João Álvares Rebello, escudeiro e vassalo régio, decidiu sobre os agravos que recebe o povo e lavradores de toda a comarca de Entre-Douro-e-Minho quanto áo pagamento e carregamento do pão para a cidade de Ceuta. Salvador Pacheco de Andrade foi casar a Ribeira de Pena, cerca de 1575, com Maria Frazão de Meirelles, provavelmente sua parente, daí natural, que julgo tia ou irmã de Francisco Frazão de Meirelles, pai de Domingos Frazão de Meirelles, morador em Ribeira de Pena, que em 1643 teve foro de cavaleiro fidalgo da Casa Real. E destes é certamente parente um Gaspar Frazão, cavaleiro fidalgo da Casa Real (6.3.1652), natural de Ribeira de Pena e filho de Gonçalo Pires.

1.1.   Agostinho de Meirelles de Andrade, n. cerca de 1576, capitão-mor de Ribeira de Pena, que depois de viúvo se ordenou e passou a viver eremita na serra do Alvão (Vila Pouca de Aguiar), assinando-se «Padre Agostinho Hermytam» e morrendo com fama de santo. C. cerca de 1597 c. Catarina Correa de Souza, n. cerca de 1577, morgada de Stº António de Trezena de Ribeira de Pena, referida no §1, filha de Maria Corrêa de Almeida e de seu marido Jerónimo de Souza Machado, alcaide-mor de Vila Pouca de Aguiar.

1.1.1.  Filhos que não vingaram.

1.1.2.  Catarina Correa de Souza de Meirelles, sucessora, n. cerca de 1600. C. cerca de 1618 c. Manuel de Valadares Vieira, fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo, mestre de campo de Infantaria, governador das praças de Montalegre e Salvaterra, vereador e juiz de Guimarães (1678), donde era natural, filho de João Vieira, escudeiro, e sua mulher Jerónima Valente; neto paterno do Dr. Sebastião de Valadares, cavaleiro da Ordem de Malta, «lettrado que foi de grande fama n'estes reynos», e de sua mulher Maria Monteiro.

1.1.2.1.     Jerónimo de Valadares de Meirelles e Souza, sucessor, cavaleiro da Ordem de Cristo, que serviu na Índia e fal. solt. s.g. antes de 1706.

1.1.2.2.     João de Valadares Vieira de Meirelles e Souza, n. cerca de 1621 e fal. depois de 1706, cavaleiro da Ordem de Cristo (16.7.1667), com 30.000 reais de tença, 5º morgado de Stº António de Trezena, etc., em sucessão a seu irmão. A 7.9.1663 teve mercê de 20.000 reais de pensão, pelos serviços de seu pai Manuel de Valadares Vieira, e a 12.7.1664 carta padrão de 120.000 reais, consignados nos 180.000 reais de juro. A «Corografia Portuguesa» (1706) diz: «A quinta de Freume, com suas casas nobres, que possue João de Valladares Vieira, Cavalleiro da Ordem de Cristo» (tomo 1, pag. 171). C.c. sua prima Maria Lopes da Guerra, referida no §3, herdeira da quinta de Freume, filha do sargento-mor Ambrósio Gonçalves Pena e sua mulher Catarina da Guerra de Almeida.

1.1.2.2.1.    ?António Pacheco de Andrade, n. cerca de 1653, que Gaio (Ribeiro, §13) diz ter sido morgado de Friume e ter casado com Maria Thomaz. E, de facto, um António Pacheco, n. em S. Salvador, a 22.7.1689 tirou ordens menores em Braga, sendo filho de António Pacheco e Maria Thomaz. Seria esta Maria Thomaz a mesma que depois casou com João de Valadares Vieira, seu proposto irmão, referido adiante? (falta ver a IG).

1.1.2.2.1.1.   António Pacheco de Andrade, n. em Stª Marinha cerca de 1675, que tirou IG em Braga a 22.7.1689. Deve ter sido padre ou ter fal. s.g.

1.1.2.2.1.2.   D. Catarina Pacheco de Andrade, que Gaio diz ter sido a herdeira e ter casado com seu primo José Pacheco de Andrade, referido adiante.

1.1.2.2.2.    João de Valadares Vieira e Souza, n. cerca de 1655 e fal. depois de 1721. Foi 6ª morgado de Stº António de Trezena, senhor da quinta de Paços de Bom-Regalo, em Lamas de Orelhão (que vendeu) e cavaleiro da Ordem de Cristo. A 16.7.1721 teve carta de armas para Vieira Valadares, Meirelles e Souza. C. cerca de 1712 c. Maria Thomaz, referida no §3, filha do Cap. Francisco Gonçalves Pena e sua 1ª mulher Domingas Gonçalves de Almeida.

1.1.2.2.2.1.   Catarina de Valadares Vieira, 7ª morgada de Stº António de Trezena, etc., c. cerca de 1733 c. seu primo Gervásio Pacheco de Meirelles, referido adiante. C.g. nos barões de Ribeira de Pena.

1.1.2.2.2.2.   Manuel de Valadares Vieira, n. em S. Salvador, cerca de 1716, com IG em Braga de 13.3.1731, que «por amores» se ordenou presbítero, «vivendo vida recolhida e sendo bom músico de rabeca».

1.1.2.2.2.3.   João de Valadares Vieira, n. ib, com IG em Braga de 14.4.1731, que também se ordenou clérigo, vindo a fal. vigário-geral de Minas Gerais (Brasil).

1.1.2.2.3.    Teodósia de Valadares Vieira, que c.c. Ponciano da Silva, senhor da casa e capela da Aldeia de Ouro, em Stª Marinha, filho herdeiro de António Antunes Pimenta e sua mulher Senhorinha Lopes da Silva.

1.1.2.2.3.1.   Manuel de Valadares Vieira, n. em Stª Marinha, que tirou IG em Braga a 13.11.1733.

1.1.2.3.     ?António Machado, que se documenta pai de:

1.1.2.3.1.    Jerónimo de Souza Machado, que a 8.7.1716 teve mercê do ofício de tabelião do público, judicial e notas de Ribeira de Pena para seu filho Pedro Borges de Andrade, que assumiu o cargo a 1.3.1717, e provavelmente é antepassado do Manuel Borges de Andrade que a 18.8.1777 assumiu o mesmo cargo.

1.2.   ?Doutor Paulo de Meirelles Pacheco, provedor de Guimarães em 1631.

1.3.   Maria Pacheco de Meirelles, que segue.

1.2.   ?Salvador Pacheco de Meirelles, cónego da Sé do Funchal (21.6.1663).

 

2.           Maria Pacheco de Meirelles, nascida cerca de 1580, que casou cerca de 1599 com Miguel Domingues de Andrade, e foram moradores na quinta de Picanhol (na carta de armas do neto vem Penhacol), em Salvador de Ribeira de Pena. Este Miguel Domingues, certamente seu parente, julgo que era irmão mais velho de Belchior Pacheco de Andrade, bat. a 8.2.1588 em Refojos, filho de Domingos Gonçalves e sua mulher Margarida de Andrade, que, conforme ficou referido acima, julgo filha de Francisco Pacheco (de Andrade), escudeiro fidalgo, senhor da quinta de Stª Senhorinha de Basto, e de sua mulher Maria de Gouveia.  

2.1.   Salvador Domingues Pacheco de Andrade, que segue.

2.2.   Cristóvão Frazão de Meirelles, nascido em Salvador de Ribeira de Pena cerca de 1603, e morador na quinta de Choupica, no termo de Stª Marinha de Ribeira de Pena. C. cerca de 1627 c. Ana Ribeiro, talvez filha de Gregório Ribeiro, escrivão das sisas de Ribeira de Pena (CFII, 7, 127v).

2.2.1.  Alexandre de Meirelles Pacheco, n. em Salvador de Ribeira de Pena cerca de 1628 e morador em Stº Aleixo, termo de Ribeira de Pena. C. cerca de 1650 c. Maria da Costa, filha do Dr. Gonçalo Francisco da Costa, de Pedraça.

2.2.1.1.     Padre Pedro de Meirelles Pacheco, n. em Stº Aleixo cerca de 1650, já padre em 1671, com IG em Braga de 21.3.1695.

2.2.1.2.     Isabel Pacheco de Andrade, madrinha em Stª Marinha em 1671.

2.2.1.3.     Bernarda de Meirelles Pacheco, que c.c. Gregório João.

2.2.1.3.1.    Padre Pedro de Meirelles Pacheco, com IG em Braga de 21.1.1711, n. em S. Salvador e morador em Stº Aleixo, onde instituiu uma capela vinculada a um padrão de juro de 50.000 réis por testamento de 25.4.1736.

2.2.2.  Agostinho Frazão de Meirelles, morador da quinta da Choupica, no termo de Stª Marinha de Ribeira de Pena, onde nasceu cerca de 1630. C. cerca de 1674 c. Maria Gonçalves Pena, n. cerca de 1656, referida no §3 como filha do sargento-mor Ambrósio Gonçalves Pena.

2.2.2.1.     Catarina Pacheco de Meirelles, sucessora na quinta da Choupica, onde nasceu, sendo bat. a 4.2.1675 em Stª Marinha de Ribeira de Pena. C. a 13.10.1697, ib, c. Domingos de Souza [9] , da casa de Touças, em Stª Marta da Montanha (Alvão), bisneto de Jerónimo de Souza Machado e sua mulher Maria Corrêa de Almeida, referidos no §1. C.g.

2.2.3.   Pascoal Pacheco de Meirelles, reitor de Stª Marinha de Ribeira de Pena e de Santiago de Soutelo (1664).

2.2.4.   Isabel Pacheco de Meirelles, moradora na quinta da Choupica, c.c. Gaspar Martins.

2.2.4.1.     António, bat. a 19.4.1671, ib, sendo madrinha Isabel Pacheco de Meirelles, acima.

2.2.4.2.     Isabel, bat. ib.

2.2.5.   Maria Frazão de Meirelles, moradora na quinta da Choupica, c.c. Lourenço Martins.

2.2.5.1.     Domingos, bat. a 17.5.1674, ib.

2.3.   Maria Pacheco de Meirelles, nascida em Salvador de Ribeira cerca de 1606 (na carta de armas do filho vem com Dona). C. cerca de 1625 c. Gaspar Francisco de Carvalho, senhor da quinta da Fêxa ou do Fexo de Além-Tâmega, em Stº Aleixo, onde viveu, filho de António Pires de Carvalho e sua mulher Catarina de Carvalho, senhores e moradores na mesma quinta. Provavelmente parentes de Domingos de Carvalho, moço da câmara, juiz dos órfãos de Ribeira de Pena, senhor da quinta das Bragadas de Além Tâmega, em Stº Aleixo, referido no §1. 

2.3.1.  Filhas

2.3.2.  Domingos de Meirelles Pacheco, n. cerca de 1633, senhor da quinta da Fêxa ou do Fexo de Além-Tâmega, em Stº Aleixo, onde vivia quando a 9.8.1716 teve carta de armas para Pacheco, Meirelles, Carvalho e Andrade, escudo que está no portal da dita quinta. É aqui curioso verificar, mais uma vez, que estes Meirelles usavam o escudo de armas hoje atribuído aos Meira, muito parecido com os Pereira, a saber: de vermelho, cruz florida de ouro, vazia do campo. C.c. Ângela da Silva Barbosa, n. em Veade (Celorico de Basto), filha de António Fernandes de Linhares, senhor da casa da Foz, ib, e de sua mulher Francisca da Silva Barbosa, da casa de Surribas, em Valdebouro.

2.3.2.1.     Gervásio (ou Gervaz) Pacheco de Meirelles, que em 1726 vivia na sua quinta em Stº Aleixo «com mui lusimento» (Craesbeeck). C.c. sua prima Catarina de Valadares Vieira, referida acima, 7ª morgada de Stº António de Trezenas, c.g. nos barões de Ribeira de Pena.

 

3.           Salvador Domingues Pacheco de Andrade, n. cerca de 1600 na quinta de Picanhol, que foi senhor da quinta de Fontes, ib, onde viveu, como nomeadamente se diz na carta de armas do neto. Dada a impossibilidade cronológica de seus filhos serem da mesma mãe, terá casado duas vezes. Da 1ª mulher (a), com quem terá casado cerca de 1630, não se sabe o nome. Sendo certo que casou (2ª vez), cerca de 1650 c. Maria Ambrósia Gonçalves (b), n. cerca de 1632, referida no §3, filha do sargento-mor de Ribeira de Pena Ambrósio Gonçalves, dita D. Maria Ambrósia e moradora na quinta de Fontes na referida carta de armas.

3.1.   (a) Salvador Pacheco de Andrade, sargento-mor de Ribeira de Pena, n. cerca de 1631, que sucedeu na quinta da Picanhol. C. a 10.1.1652 em S. Miguel de Refojos de Basto c. Francisca Vieira da Rocha, filha de Henrique de Novaes, da casa da Bouça, em S. Nicolau, e de sua mulher Catarina Vieira da Rocha, da casa de Carrazedo.

3.1.1.  Francisco Pacheco de Andrade, n. cerca de 1653 e fal. a 18.1.1707 em Ribeira de Pena. Sucedeu na quinta de Picanhol e foi capitão de Infantaria de Granadeiros e depois capitão-mor de Ribeira de Pena, cargo em que faleceu. C.c. sua parente Antónia de Andrade de Gouveia, nascida na quinta da Cal, em Ermelo. A «Corografia Portuguesa» (1706) diz: «A quinta de Picanhol, com suas boas casas, que possue Francisco Pacheco de Andrade, Capitão mór daquelle cõcelho» (tomo 1, pag. 171). Crasbeeck (1726) diz que então a quinta de Picanhol era de Alexandre Pacheco de Andrade, filho de Francisco Pacheco de Andrade e neto de outro homónimo, capitão-mor do concelho, «de que trata a Corografia Portuguesa». Gaio (Ribeiro, §13) também dá o Francisco em epígrafe como avô de Alexandre Pacheco de Andrade, a que chama Pacheco de Barros. Dizendo que este Francisco teve de sua mulher (Antónia de Andrade de Gouveia) o seguinte filho:

3.1.1.1.     Francisco Pacheco de Andrade, n. cerca de 1675 e fal. antes de 1726, que sucedeu na quinta de Picanhol. Segundo Gaio (Ribeiro, §13) foi senhor da quinta de Carrezedo, na freguesia de S. Miguel de Refoios de Basto, e casou duas vezes, a 2ª damas quais com D. Joana de Barros, que depois casou com o Dr. Domingos Rodrigues Mozes. Esta D. Joana, segundo o mesmo autor, era filha de Gaspar Ribeiro de Andrade, que teve um prazo na freguesia de Varzeacova, e mais bens que lá tinha seu avô Gaspar Ribeiro da Silva, como consta do prazo do mosteiro de Refoios, e de sua mulher Mariana dos Guimarães, filha herdeira de Pedro Ferraz de Barros e sua mulher Joana Vaz de Campos, senhores da quinta da Vinha Nova, na freguesia de Refoios de Basto. Aquele Gaspar era filho Dâmaso Ribeiro de Andrade, senhor da quinta de S. Senhorinha, e de sua mulher Leonor de Freitas de Sampaio, sendo este Dâmaso, ainda segundo Gaio, neto materno de António Pacheco de Andrade, filho herdeiro do Francisco Pacheco, escudeiro fidalgo, senhor da quinta de Stª Senhorinha de Basto, e sua mulher Maria de Gouveia, referidos acima. Este Francisco Pacheco, como refiro acima julgo que era irmão de Salvador Pacheco de Andrade, pelo que D. Joana de Barros era prima do marido, ambos 4ºs netos daqueles irmãos.

3.1.1.1.1.    Alexandre Pacheco de Andrade, que em 1726 (Crasbeeck) vivia na sua quinta de Picanhol, em Salvador de Ribeira de Pena, armoriada de Pacheco, Andrade, ? (cinco flores de lis em aspa) e Vieira. O 3º quartel (cinco flores de lis em aspa) talvez seja a forma antiga ou uma variante de Frazão (três flores de lis com chaveirão de prata). Relativamente próximo, em Jales, na igreja de S. Miguel de Tresminas, existe na capela-mor, sob um arco, um túmulo muito antigo, sem inscrições, que ostenta o mesmo escudo de armas (cinco flores de lis em aspa). Pode também tratar-se do escudo de armas dos Soverosa, que está no 2º e 3º quartéis das armas usadas pelos Albuquerque. Segundo Gaio, Alexandre Pacheco de Andrade casou (não lhe nomeia a mulher) e teve duas filhas, D. Senhorinha e D. Violante, solteiras.

3.1.1.1.2.    José Pacheco de Andrade, segundo Gaio, que diz ter sucedido na quinta de Carrezedo e casado com sua prima D. Catarina Pacheco de Andrade, referida acima, e terem sido pais do Dr. Serafim dos Anjos Pacheco de Andrade, cavaleiro da Ordem de Cristo, juiz de fora de Montalegre e Portalegre e desembargador da Relação do Rio de Janeiro «neste ano de 1763».

3.2.   (a) Isabel Pacheco de Andrade, n. em 1640 e fal. em 1664. Foi a 2ª mulher de seu primo o Cap. Francisco Gonçalves Pena, morgado da casa de Stª Marinha de Ribeira de Pena, referido no §3, s.g.

3.3.   (b) Pedro Pacheco de Andrade, n. cerca de 1653 e fal. em 1688, que sucedeu como senhor da casa de Fontes. Casou com Margarida Borges, natural de Carrazedo da Cabugueira, irmã de António Borges, abade de Cavalões, no termo de Barcelos, e do Padre Ventura Borges.

3.3.1.  Maria Borges Pacheco, n. cerca de 1675 e fal. em 1733, sendo sepultada em Santa Marinha. C. cerca de 1693 c. seu primo em 3º e 4º graus Francisco Gonçalves Pena, referido no §3, onde segue.

3.3.2.  (Pedro) Pacheco de Andrade, abade de Stª Marinha.

3.4.   (b) Catarina Pacheco de Andrade, nascida cerca de 1660, que na carta de armas do filho se diz que viveu com seu marido na quinta de Santa Marinha. C. a 10.6.1680 em Stª Marinha c. Pedro Gonçalves Pena, morgado de Stª Marinha de Ribeira de Pena, referido no §3, onde segue.

§3  Gonçalves Pena 

1.           Domingos Gonçalves, n. cerca de 1578, que desde 1618 foi reitor de Santa Marinha de Ribeira de Pena e provavelmente antes aí foi pároco. A 17.12.1637 foi passada ao reitor Domingos Gonçalves carta de confirmação de aforamento do assento de Santa Marinha, da comenda de Santa Marinha da Ordem de Cristo (Livro 33, f. 115, Ordem de Cristo), tendo sido passada 26.8.1636 uma provisão para aforar a comenda de Santa Marinha (Livro 28, f. 308v). Dada a recorrência do invulgar nome Ambrósio na sua descendência, talvez seja descendente (neto?) do Ambrósio Rodrigues, feitor das terras de Aguiar e Pena, que a 29.8.1523 teve confirmação real do arrendamento dessas terras. Domingos Gonçalves teve em Maria Tomaz, de Ferreiros, o filho Francisco, legitimado por carta real de 23.3.1634, não se sabendo se esta Maria Tomaz é também mãe de Ambrósio. Como quer que seja, sabe-se que Ambrósio sepultou sua mãe na matriz de Stª Marinha, como se diz adiante.

1.1.   (N) Ambrósio Gonçalves, n. cerca de 1600. Foi contador de Ribeira de Pena (CFII, 29, 238v) e juiz dos órfãos (ib, 32, 119v) e depois sargento-mor do concelho, e aí senhor da quinta do Cabo de Freume. Está sepultado na igreja de Stª Marinha com o seguinte letreiro: «S.a q. mandou fazer Ambrozio Gz de Freume a sua mai e sua mulher M.na Lopes. Erd.os. 1645». Casou cerca de 1630 com Marinha Lopes, fal. cerca de 1645.

1.1.1.  Ambrósio Gonçalves Pena (ou Gonçalves Lopes), n. cerca de 1631 e fal. depois de 1706. Senhor da quinta do Cabo de Freume, comprou a quinta da Temporã. Foi sargento-mor de Ribeira de Pena e contador, inquiridor e distribuidor do concelho. A 8.4.1687 instituiu a capela de Nª Sª da Conceição em Temporã (Salvador), depois construída por seu filho João. A «Corografia Portuguesa» (1706) diz: «A quinta da Temporam com suas casas nobres, que foy de Luis Peixoto da Sylva, & hoje possue por compra Ambrosio Gonçalves Penha» (tomo 1, pag. 171). C. cerca de 1655 c. Catarina da Guerra de Almeida, referida no §1, filha sucessora do capitão-mor Pedro Borges de Almeida, senhor da quinta das Pereiras de Cima, e de sua mulher Maria da Guerra.

1.1.1.1.     ?Maria Gonçalves Pena, n. cerca de 1656, que c. cerca de 1674 c. Agostinho Frazão de Meirelles, morador na sua quinta da Choupica, no termo de Stª Marinha de Ribeira de Pena, referido no §2, onde segue, filho de Maria Pacheco de Meirelles e seu marido Miguel Domingues de Andrade.

1.1.1.2.     João Lopes Guerra, senhor da quinta do Cabo de Freume e da capela de Nª Sª da Conceição Temporam, sargento-mor de Ribeira de Pena, construiu a dita capela de Nª Sª da Conceição, deixando na padieira da capela a seguinte inscrição «c(o)nfirmat deip(arem) et concepsione(m) in primo instanti liberam operam / decorata(m) expensis Joannis Lopes Guerra suaeque uxoris». C.c. Filipa Borges. Parece que s.g.

1.1.1.3.     António Borges da Guerra, senhor da quinta do Cabo de Friume. C.c. ? (falta ver IG dos netos)

1.1.1.3.1.    Maria Borges da Guerra, sucessora, que c.c. José Pinto Borges, da quinta de Alijó. Pais de: Dr. Caetano Pinto Borges, senhor da quinta do Cabo de Friume [10] em 1726; António Pinto Borges, com IG em Braga a 30.10.1719; e José Pinto Borges, com IG em Braga a 25.5.1720.

1.1.1.3.2.    ?Catarina Borges da Guerra, que julgo irmã inteira da anterior. C.c. Nicolau Pinto da Mesquita, de Cerva, e foram pais de António Borges da Guerra, n. em Cerva, com IG em Braga de 25.10.1726, sendo este certamente irmão de Natália Borges da Mesquita, que casou em Alvite (Cerva) com António Domingues de Lama e foram pais de Inocência Borges Pinto da Mesquita casada com Pedro Gonçalves, moradores em Cerva, pais de António Gonçalves, n. em Cerva, que tirou ordens menores a 20.11.1730 em Braga, e de Maria Gonçalves casada com Francisco Gonçalves Lage, morador em Macieira (Limões, Cerva), c.g. nos Gonçalves Lage da quinta do Covêlo, em Bilhó.

1.1.1.4.    Cristóvão Vaz Leitão da Guerra, senhor da quinta das Pereiras de Cima, c.c. Helena Borges.

1.1.1.4.1.    António Borges Leitão, juiz dos órfãos de Ribeira de Pena, e também proprietário dos ofícios de contador, inquiridor e distribuidor do concelho. Era senhor da quinta das Pereiras de Cima em 1726 (Crasbeeck). Deve ser pai do João Lopes Guerra que a 8.7.1734 foi contador, inquiridor e distribuidor de Ribeira de Pena.

1.1.1.5.    Maria Lopes da Guerra, que sucedeu na quinta de Freume, que em 1706 era de seu marido. C.c. João de Valadares Vieira, cavaleiro da Ordem de Cristo, 4º morgado de Stº António de Trezena, etc., referido no §2, onde segue.

1.1.1.6.    ?Marinha de Almeida da Guerra, que julgo filha de Catarina da Guerra de Almeida (ou então sua irmã). C.c. António Martins, filho de Gonçalo Martins e sua mulher Paula Martins, tudo isto segundo a carta de armas de seu neto Ventura de Meirelles de Almeida, passada a 24.4.1772 para Carvalho, Meirelles, Leitão e Almeida. Segundo esta carta de armas, este Ventura de Meirelles e Almeida era filho de Pedro de Meirelles Leitão e de sua mulher Mariana de Almeida da Guerra; neto paterno de Francisco de Carvalho (filho de Domingos Gonçalves e Senhorinha Gonçalves) e de sua mulher Francisca de Andrade (de Meirelles Leitão); neto materno de António Martins (filho de Gonçalo Martins e Paula Martins) e de sua mulher Marinha de Almeida da Guerra.

1.1.2.  Maria Ambrósia Gonçalves Pena, n. cerca de 1632, que casou cerca de 1650 com Salvador Domingues Pacheco de Andrade, senhor da casa de Fontes, referido no §2, onde segue.

1.2.   (L) Francisco Gonçalves Pena (ou Penha), n. cerca de 1610, legitimado por carta real de 23.3.1634 e fal. depois de 1679, o 1º deste nome, claramente retirado da terra onde viveu e foi criado, embora deva ter nascido em Ferreiros, donde era e onde vivia sua mãe e donde provavelmente seu pai também era natural. Foi cavaleiro da Ordem de Cristo e capitão de Volantes nas guerras da Restauração. A 16.6.1679 instituiu o morgadio e capela de S. Francisco Xavier em Stª Marinha de Ribeira de Pena. Na carta de armas de seu neto diz-se que serviu Suas Majestades, que Deus guarde, no posto de capitão de Volantes, que levantou sem despesa para a Real Fazenda, sustentando também no Real Serviço um cavalo aparelhado durante sete anos e meio. C. a 1ª vez com Domingas Gonçalves de Almeida (a), filha de Gonçalo Gonçalves Ferreira e de Marinha Gonçalves de Miranda, da casa de Ferreiros. C. a 2ª vez cerca de 1658 c. sua prima Isabel Pacheco de Andrade (b), n. em 1640 e fal. em 1664, referida no §2, filha de Salvador Domingues Pacheco de Andrade, senhor da quinta de Fontes. S.g.

1.2.1.  (a) Pedro Gonçalves Pena, n. cerca 1655, 2º morgado da casa de Stª Marinha de Ribeira de Pena e capela de S. Francisco Xavier. Na carta de armas do filho diz-se que viveu na sua quinta de Stª Marinha. C. a 10.6.1680 em Stª Marinha c. Catarina Pacheco de Andrade, n. cerca de 1660, referida no §2, meia-irmã da 2ª mulher de seu pai, ambas filhas de Salvador Domingues Pacheco de Andrade.

1.2.1.1.     Baltazar Pacheco de Andrade, 3º morgado da casa de Stª Marinha de Ribeira de Pena e capela de S. Francisco Xavier, onde em 1726 (Craesbeeck) vivia «com bom tratamento». Bat. a 14.1.1686, ib, foi cavaleiro da Ordem de Cristo, capitão de Infantaria na Guerra da Liga, e fidalgo de Cota de Armas (14.6.1720 - escudo partido de Pacheco e Andrade), tendo colocado estas suas armas no cunhal da casa de Stª Marinha. Nesta carta de armas diz que mora na sua quinta de Stª Marinha e serviu Sua Majestade, nas guerras próximas e passadas, com honrada satisfação, no posto de Infantaria dum Terço Auxiliar daquela Comarca (Guimarães). Parece que fal. em 1755. C. em 1718 c. Maria de Almeida, referida no §1, filha do capitão-mor Domingos de Carvalho e Almeida e de sua mulher Maria Gonçalves de Carvalho.

1.2.1.1.1.    Francisco Xavier de Andrade e Almeida, capitão-mor e monteiro-mor (6.5.1780) de Ribeira de Pena, 4º morgado da casa de Stª Marinha de Ribeira de Pena e capela de S. Francisco Xavier, onde nasceu, tendo tirando IG em Braga a 9.1.1735. C.c. sua prima Maria de Souza e foram pais do Doutor Francisco Xavier de Souza Andrade e Almeida, sucessor, capitão-mor e monteiro-mor de Ribeira de Pena, cavaleiro da Ordem de Cristo, etc. (pai do 1º barão de Ribeira de Pena) e do Dr. José Caetano de Andrade e Almeida, que tirou IG em Braga a 11.8.1760.

1.2.1.1.2.    Luiz António de Almeida de Andrade, n. ib, com IG em Braga de 18.4.1752.

1.2.1.1.3.    Baltazar Caetano de Almeida, n. ib, com IG em Braga de 13.9.1754.

1.2.1.1.4.    António Luiz de Andrade e Almeida, n. ib, com IG em Braga de 21.11.1760.

1.2.1.1.5.    Antónia Teresa de Almeida e Andrade, n. ib, c.c. Francisco José de Miranda e Ataíde, de Montalegre (Stª Mª da Assunção). Destes foram filhos Joaquim José de Miranda e Ataíde e Sebastião José de Ataíde e Almeida, n. ib, que tiraram IG em Braga respectivamente a 10.11.1777 e 27.11.1777.  

1.2.2.  (a) Francisco Gonçalves Pena, capitão da ordenança de Ribeira de Pena, n. cerca de 1656. C. a 1ª vez cerca de 1679 c. Domingas Gonçalves de Matos (a), certamente da casa de Terças. C. a 2º vez cerca de 1693 c. Maria Borges Pacheco (b), sua prima em 3º e 4º graus, fal. em 1733 e sepultada em Santa Marinha, referida no §2, filha herdeira de Pedro Pacheco de Andrade e sua mulher Margarida Borges.

1.2.2.1.     (a) Catarina Thomaz, n. cerca de 1680 e fal. a 5.11.1729 em Ribeira de Pena. C. a 29.1.1696, ib, c. José Machado de Souza Carvalho, n. a 22.8.1680, ib, c.g.

1.2.2.2.     (b) Maria Thomaz, fal. em 1742, que c. cerca de 1712 c. João de Valadares Vieira, 6º morgado de Stº António de Trezena, referido no §2, onde segue, filho de outro João de Valadares Vieira e sua mulher Maria Lopes da Guerra.

1.2.2.3.     (b) Francisco Gonçalves Pena, n. em 1701, c.c. Domingas Machado.

1.2.2.4.     (b) Sebastião Gonçalves Pena, que c.c. Senhorinha Borges, herdeira da casa e quinta do Mato.

1.2.2.4.1.    David Borges Pacheco, n. em S. Salvador, com IG em Braga de 30.1.1745.

1.2.2.5.     (b) Dr. Caetano Borges Pacheco, n. em S. Salvador, licenciado em Cânones pela Universidade de Coimbra, que exerceu no Brasil vários cargos eclesiásticos e tirou IG em Braga a 15.10.1716. Instituiu a capela e vínculo de Sant´Ana, junto à casa de Fontes.

1.2.2.6.     (b) Baltasar Pacheco de Andrade

1.2.2.7.     (b) António de Andrade Borges Pena, n. ib, com IG em Braga de 7.3.1737.

1.2.2.8.     (b) Senhorinha Pacheco Borges

1.2.3.  ?(a) Ambrósio Gonçalves Pena, escrivão dos órfãos de Ribeira de Pena (8.8.1709).   

 

 

2002

 

 
Notas


[1] Vide «Machado de Vila Pouca de Aguiar», Porto 2000, do autor deste trabalho.

[2] Vide «Machado de Vila Pouca de Aguiar», Porto 2000, do autor deste trabalho.

[3] Este Domingos de Carvalho devia ser parente de outro Domingos de Carvalho c.c. Catarina Fernandes, que foram pais de Marinha de Carvalho c.c. João Barbosa, sendo estes pais de Luiza Barbosa de Carvalho c.c. Francisco Dias, pais de Veríssimo Dias de Carvalho, natural de S. Salvador de Ribeira de Pena, que a 26.2.1757 teve carta de armas para Dias, Barbosa, Carvalho e Gonçalves. 

[4] Irmão, presumivelmente mais novo, de Rodrigo Rebelo de Gouveia, moço de câmara dos reis D. João III e D. Sebastião, tabelião e escrivão da Câmara e almotaçaria do concelho de Montelongo, escrivão das sisas e órfãos do mesmo concelho, e tabelião do público, judicial e órfãos do couto de Moreira de Rei, tudo em sucessão a seu pai e avô paterno

[5] Pelos muitos serviços de Martinho Vaz de Gouvea, então já falecido, seu filho Pedro de Gouvea recebeu de Dom Manuel I, a 30.4.1520, as saboarias do almoxarifado de Portalegre. Este Pedro de Gouvea deve ter falecido pouco depois, sem geração, pois parece que em 1528 recebeu esta saboarias sua mãe D. Joana de Távora. Martinho Vaz de Gouvea, como se documenta na referida doação de 1520, era filho do licenciado Pedro de Gouvea, fidalgo do Conselho de D. Manuel I, desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação e juiz dos Feitos, etc.

[6] Irmã de Francisco Ferreira e António de Sotto Mayor, que receberam ordens menores em Braga a 22.3.1505, e de Diogo de Souto Mayor, que as recebeu a 8.9.1525, ib.

[7] Vide Ensaio sobre a origem dos Ferreira, do autor deste trabalho. Gomes Ferreira vivia com sua mulher Dona Mayor de Sottomayor em S. Pedro de Ferreira (Paços de Ferreira) quando seus filhos receberam ordens menores - vide nota anterior. Gomes Ferreira, sendo referido como fidalgo da Casa de D. João II e seu porteiro-mor, com sua mulher Dona Mayor de Sottomayor, receberam deste rei, por cartas de 27.9.1487 e 27.10.1490, em vida de ambos, em satisfação dos serviços que ele prestara no reino, em África e na guerra de Castela, as rendas de várias povoações dos almoxarifados de Barcelos e Guimarães, que tinham sido confiscadas ao duque de Bragança. Mais tarde Dom Manuel I quis restitui-las à Casa de Bragança, pelo que logo Gomes Ferreira e sua mulher Dona Mayor delas renunciaram, tendo sido compensados com uma tença anual de 100.000 reais a receber no almoxarifado de Vila do Conde (10.3.1501).

[8] Dona Mayor de Sottomayor, perfeitamente documentada como filha do conde Dom Pedro Álvares de Sottomayor, que a refere no seu testamento, nasceu em 1466 e teve um 1º curto casamento com Diogo de Reinozo, de quem teve pelo menos Fernão Anes de Sottomayor, fidalgo da Casa de D. Manuel I (já o era a 1.9.1514), que casou com D. Maria Dias de Aguiar, c.g. nos Reinozo de Sottomayor.

[9] Vide «Machado de Vila Pouca de Aguiar», Porto 2000, do autor deste trabalho.

[10] Por partilhas ou venda ou troca terá ficado com esta quinta, que em 1706 era de seu tio-avô João de Valadares Vieira. Aliás, sua filha herda a quinta do Bom-Regalo, que o dito João de Valadares Vieira  vendeu. O Dr. Caetano Pinto Borges casou com D. Maria Carneiro e foram pais de D. Josefa Margarida de Almeida Carneiro Pinto Guedes, que casou com Rodrigo Teixeira de Miranda Vahia, capitão-mor de Vila Pouca de Aguiar, morgado de Nª Sª da Piedade de Vila Meã de Bornes, com geração.

Soltos

Indivíduos dos finais do séc. XVII princípios do XVIII, com prováveis ligações familiares (ainda a investigar), colhidos nas IG (inquirições de Genere) de Braga e outras fontes:

Ambrósio Gonçalves, n. Stª Marinha, IG de 1.2.1684, filho de Ambrósio Gonçalves e Maria Gonçalves.

António Dias, n. em S. Salvador, IG de 17.4.1691, filho de Pedro Frazão e Catarina Fernandes

Domingos de Meirelles, n. em S. Salvador, IG de 17.4.1691, filho de António Domingues e Marinha Gonçalves.

António da Guerra, tabelião do público e reguengos do concelho de Ribeira de Pena (19.12.1709), irmão de Isabel da Guerra, que a 15.6.1707 teve mercê deste ofício, ambos filhos de António Domingues.

André da Mesquita, n. em S. Salvador, IG de 14.11.1721, filho de Gervásio Borges e Maria da Mesquita. Deste casal foi também filho Francisco Borges, cavaleiro da Ordem de Cristo, que vivia na cidade do Porto quando teve carta de armas a 25.8.1739 para Borges, Mesquita, Gonçalves e Coutinho, onde se diz que era neto paterno de Domingos Gonçalves e sua mulher Maria Borges, morador em Salvador de Ribeira de Pena; e neto materno de António Fernandes Coutinho e de sua mulher Maria Luiz, moradores em Stª Mª de Erneiros.

João Baptista Moutinho, n. em S. Salvador, IG de 11.8.1691, filho de Diogo de Almeida e Páscoa de Miranda

António Martins de Almeida, n. em Cerva, IG de 4.7.1732, filho de António Borges e Maria Martins

Tomaz Martins de Almeida, irmão do anterior, n. ib, IG ib.

João de Araújo, n. em Stª Marinha, IG de 21.3.1732, filho de João de Araújo e Maria Pacheco

João Dias de Carvalho, n. em S. Salvador, IG de 30.1.1713, filho de Gaspar Dias e Maria Gonçalves

Manuel Dias de Carvalho, n. em Stº Aleixo, IG de 2.8.1713, filho de Agostinho Dias e Isabel de Carvalho

Veríssimo Dias de Carvalho, n. em S. Salvador, que a 26.2.1757 teve carta de armas para Dias, Barbosa, Carvalho e Gonçalves, filho de Francisco Dias e de Luiza Borba de Carvalho; neto paterno de António Dias e Domingas Fernandes; neto materno de João Barbosa e Marinha de Carvalho, sendo esta filha de Domingos de Carvalho e Catarina Fernandes.

Francisco Lopes de Carvalho, n. em S. Salvador, IG de 1.12.1713, filho de António Gonçalves de Carvalho e Mariana da Cunha

Francisco de Carvalho, n. em S. Salvador, IG de 7.8.1714, filho de Francisco de Carvalho e Ângela Francisca

Manuel Francisco de Carvalho, n. em S. Salvador, IG de 25.3.1719, filho de Manuel Francisco e Maria de Carvalho

Miguel de Carvalho, n. em Stª Marinha, IG de 4.5.1730, filho de Domingos de Carvalho e Ângela Vaz Ferreira

Sebastião de Carvalho, n. em S. Salvador, IG de 3.5.1732, filho de Francisco de Carvalho e Maria Borges

Pedro Francisco Machado, n. em S. Salvador, IG de 13.11.1733, filho de Sebastião Gonçalves e Maria Machado de Souza

Domingos de Carvalho, n. em S. Salvador, IG de 20.11.1733, filho de António Fernandes e Isabel Gonçalves

Francisco José de Carvalho, n. em Salvador, IG de 14.2.1778, filho de Manuel Leitão da Cunha e Mariana de Oliveira.

Gregório Ribeiro Leitão, n. em S. Salvador, IG de 15.7.1732, filho de Gervásio Leitão e Filipa da Costa

Bibliografia e fontes

«Machado de Vila Pouca de Aguiar», Porto 2000, de Manuel Abranches de Soveral

«Souzas de Vila Pouca de Aguiar» de Francisco Canavarro de Valladares (Ribeira de Pena), in Archivo Nobiliarchico Portuguez, 1919.

«Famílias de Chaves», de Luiz de Mello Vaz de São Payo, in Raízes e Memórias.

«Sottomayor Mui Nobre», 1999, de Luiz de Mello Vaz de São Payo.

«Memórias Ressuscitadas da Província de Entre Douro e Minho», 1726, de Francisco Xavier da Serra Craesbeeck.

Anuário da Nobreza de Portugal - Carvalho e Almeida.

Genealogias manuscritas.

Arquivos Distritais de Vila Real e Braga.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

 
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