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Ensaio sobre a origem dos Magalhães
1. Afonso Rodrigues de Magalhães, o 2º deste nome, senhor da honra e torre de Magalhães (hoje a freguesia de Paço Vedro de Magalhães, no concelho de Ponte da Barca) e do couto de Fontarcada (Póvoa de Lanhoso), nascido cerca de 1295, que em 1312 tinha ração no mosteiro de Tibães. Casou com Alda Anes de Castelões, filha de João Martins de Castelões, o Moço, segundo as genealogias. O conde D. Pedro fala de uma Aldonça Anes, filha de João Martins de Castelões, a qual diz que casara com João Gil de Avelar, que foi meirinho-mor da Beira (1335) ou corregedor e vedor das justiças no meirinhado da Beira (1337). Alda e Aldonça seriam portanto irmãs, ou então trata-se da mesma, casada 2ª vez com João Gil de Avelar, tanto mais que Afonso Rodrigues de Magalhães parece ter morrido novo. A filiação de Afonso Rodrigues de Magalhães não é certa, mas tudo indica que seria filho de um Rodrigo, o 1º do nome, e de sua mulher Sancha Novais. Em 1303 D. Dinis confirmou a Afonso Novais, Martim Novais e Rui Novais (nascido cerca de 1288, sendo então menor e tendo por tutor o tio D. Paio de Meira) a doação de bens em Refoios, Bural, Padronelo, Gundar, Castrelo, Azevedo, Covas, Baraçal e Torres, onde se referem os direitos de Afonso Rodrigues de Magalhães. Ora, Afonso, Martim e Rui são irmãos, todos filhos de Rui Novaes, senhor da honra de Stª Eulália de Gondar e dos coutos de S. João do Campo, S. Fins de Moreira, Parada, Guimarei e Magoeiro. Afonso Rodrigues de Magalhães era certamente sobrinho daqueles irmãos, portanto filho da Sancha Novais que Afonso de Torres diz ter sido a mãe de Afonso Rodrigues de Magalhães, que assim seria a mais velha dos irmãos, nascida cerca de 1276 e então já falecida. O nome do marido desta Sancha Novais seria Rodrigo, dado o patronímico do filho. Seria este marido, Rodrigo, o bolonhês criado do conde de Bolonha, o futuro D. Afonso III (1210-1279), como diz Afonso de Torres? Para assim ser, teria de ter vindo para Portugal com D. Afonso em 1246, podendo então ser um jovem pajem de menor idade. Neste caso, este rei ter-lhe ia doado o lugar ou quintã de Magalhães, onde fez paço e de que tomou o nome, pois seu alegado filho Afonso Rodrigues era em 1303 demasiado novo para já ter fundado novo nome. Ou seja, esse Rodrigo terá casado com Sancha Novais cerca de 1294, teria então no mínimo 55 anos de idade. Tudo isto é possível, mas carece de maior prova. De referir, ainda, que desde cedo o nome Magalhães foi adoptado por alguns cristãos-novos, como é o caso de João de Magalhães, caldeireiro, que a 6.10.1529 teve provisão de Cristóvão Esmeraldo, provedor da fazenda na ilha da Madeira, para receber 1.800 reais por duas coberturas de cobre que fizera. 1.1. Rodrigo Afonso de Magalhães, o Cavaleiro, senhor da honra e torre de Magalhães e do couto de Fontarcada, nascido cerca 1320. Não se sabe com quem casou, embora as genealogias tardias digam que casou com Inez Vasques de Souza. Mas não creio que sua mulher fosse Souza, e Inez Vasques é o nome da mulher de seu neto, do que terá resultado a confusão, propositada ou não. 1.1.1. Afonso Rodrigues de Magalhães, senhor da quintã e torre de Magalhães e do couto de Fontarcada, nascido cerca de 1343 e falecido cerca de 1398. Foi alcaide-mor da Nóbrega (15.5.1367) e a 23.8.1372 teve de D. Fernando mercê de Larim e Vila Chã (concelhos extintos em 1855 e integrados no de Vila Verde), em desconto do soldo e maravedis de duas lanças que havia de sustentar na guerra à sua custa. A lança era uma unidade de cavalaria que integrava seis pessoas e quatro cavalos. Afonso de Torres (que o confunde com seu neto homónimo), diz que casou Tereza Freire (que as genealogias mais tardias chamam Tereza de Andrade), que terá nascido cerca de 1348, dita filha do mestre da Ordem de Cristo D. Nuno Rodrigues Freire (de Andrade). Pela cronologia podia ser, mas não há notícia desta Tereza, apenas de dois filhos naturais do dito mestre. Por outro lado, é preciso não esquecer que além de outras derivadas de alcunhas, existia a linhagem medieval dos Freire, ramo dos Riba-de-Vizela, que nada tem a ver com os Andrade. E é mais do que provável que a maioria dos Freire acabasse em Freire de Andrade, tivesse ou não esta origem. Aliás, não é por acaso que nenhuma genealogia se reclama descendente do cavaleiro do séc. XIII Lourenço Soares Freire, o 1º deste nome, irmão de Mem Soares de Mello, o 1º deste nome, e de Pedro Soares de Alvim, também o 1º deste nome, todos filhos de D. Soeiro Raimundes de Riba-de-Vizela. 1.1.1.1. Froile Afonso de Magalhães, nascida cerca de 1366, que casou cerca de 1380 com Gonçalo Rodrigues de Araújo, senhor de Lobios e alcaide-mor de Lindoso e Castro Laboreiro (12.10.1382 e 20.4.1383), que apoiou o partido da rainha D. Beatriz e faleceu em 1398. Serviu com quatro lanças o rei D. Fernando, que lhe deu as terras de Vilar de Vacas, Cidrais e Lindoso (12.10.1382 e 30.4.1383). Era filho sucessor de Pedro Anes de Araújo, fronteiro da Galiza, e neto materno de Gonçalo Rodrigues Veloso, que fez a torre de Lóbios, verificando-se nesta linhagem uma onomástica muito extravagante para a época. C.g. De Gonçalo Rodrigues de Araújo foi filho sucessor Pedro Anes de Araújo, que a cronologia aponta como filho de um 1º casamento e não de Froile Afonso. 1.1.1.2. Gil Afonso de Magalhães, vassalo de D. João I, senhor de juro e herdade de Lindoso, com todas os seus direitos e rendas, como tivera Diogo Gil (16.5.1387), senhor da quintã e torre de Magalhães e do couto de Fontarcada (9.6.1387), nascido cerca 1366 e falecido depois de 1404. Era certamente o mais velho e terá falecido solteiro, sem geração, tendo o irmão sucedido na quintã e torre de Magalhães e no couto de Fontarcada. A 9.6.1387 D. João I confirmou a Gil Afonso de Magalhães o couto e honra de Fonte Arcada, que «soya de seer coutado honrrado no tempo dos outros reis que ante nos foram». A 20.5.1398 D. João I doou em tença a dita terra de Lindoso a Pedro Anes de Araújo (filho de seu cunhado, acima). Mas Gil Afonso só faleceu depois de 11.1.1404, data em que D. João I o adverte para que não faça mal nem dado aos bens do mosteiro de Vila Nova de Munha (sic). 1.1.1.3. Diogo Afonso de Magalhães, senhor da quintã e torre de Magalhães e do couto de Fontarcada, em que sucedeu a seu irmão. Nasceu cerca 1370 e faleceu depois de 27.5.1436, data em que se documenta como Diogo Afonso de Magalhães, criado da rainha D. Filipa (de Lencastre). Como D. Filipa só casou em 1387, Diogo Afonso deve ter nascido cerca 1370, entrando portanto ao serviço da rainha com cerca de 17 anos de idade. Casou cerca de 1397 com Inez Vasques, falecida depois de 1436, a quem as genealogias, por má fé ou má leitura dos documentos, chamam erradamente de Urrô. Afonso de Torres chama-lhe, correctamente, apenas Inez Vasques, embora faça confusão e dê Diogo Afonso de Magalhães como filho do inicial Afonso Rodrigues e não, como era, de seu neto homónimo. A 27.5.1436 D. Duarte confirmou a Inez Vasques, mulher de Diogo Afonso de Magalhães, criado da rainha D. Filipa sua mãe, o senhorio da terra de Souto de Rebordães, que tinha sido doado por D. João I a 27.8.1385 a Álvaro Gil de Urrô, seu escudeiro, e que este vendera à dita Inez Vasques a 16.7.1389, tendo ela pago 50.000 libras e tendo a transacção sido feita em Lisboa nas casas de morada de Margarida Esteves, talvez a mãe de Inez Vasques. Inez Vasques deve ter falecido em 1454, ano em que seu filho foi confirmado no senhorio de Souto de Rebordãos. Para aqueles que continuam a teimar em que Inez Vasques era filha de Álvaro Gil de Urrô, fica aqui a transcrição da referida carta de D. Duarte: «Dom Eduarte c A qtos esta carta virem fazemos saber que da p.te de Jnes uaasqz molher de diego afomso de magalhaães criado da Rª dona filipa mjnha senhora madre cuja alma d.s aia n. foy mostrada hua nossa carta aseelada do seello pendente dos nossos c.tos da cidade de lixboa asignada p. ferna lopez que tem cargo das nossas scpituras que estam na torre do nosso tompo dada na dcta cidade a xix d. deste mes era. em a qual ser thinha ho trelado de hua carta d el rrey dom Joham meu senho mad (sic) da qual o thor tal he: (e prosegue, depois de apresentar a carta de doação a Álvaro Gil de Urrô da terra do Souto de Rebordães, cuja transcrição não é para aqui relevante) Outossy n. foy mostrada da p.te da sobredta hua carta de venda fcta na cidade de lixboa nas casas da morada de magarida stz a xvj d. de Julho da era de cesar de mjl iiijc xxvij anos a qual g.çº l.çº scpiuam da camara do dcto senhor notairo geeral em sua corte em todo seu senhorio mandara fazer a seu scpiua asignada p. sua maão p. a qual parece que o dcto aluº gil d urroo vendera a dcta terra de souto de rebordaães aa dcta Jnes uaasqz por cinquoenta mjl ll.s da moeda que aaql t.pº corria. Pedindo n. a dcta Jnes uaasqz que lhe firmase-mos a dcta terra» (segue o habitual palavreado e a data, já referida). 1.1.1.3.1. Afonso Rodrigues de Magalhães, nascido cerca de 1398 e falecido entre 1451 e 1454, solteiro, s.g. A 10.5.1451 D. Afonso V doou a Afonso Rodrigues de Magalhães, enquanto sua mercê for, uma tença anual de 4.000 reais de prata, a partir de Janeiro de 1451. Foi senhor de Souto de Rebordães por carta de D. Afonso V, que é transcrita na confirmação a seu sobrinho-neto João de Magalhães a 21.5.1500, tendo-lhe sucedido seu irmão João. 1.1.1.3.2. Isabel de Magalhães, que casou com Gonçalo de Sá, senhor de juro e herdade de Aguiar de Sousa (28.1.1433), falecido depois de 1469, coudel dos vassalos reais do Porto e vereador do Senado da Câmara desta cidade. S.g. 1.1.1.3.3. João de Magalhães, fidalgo da Casa de D. Afonso V, senhor de Souto de Rebordãos (13.5.1454), senhor de Larim e Vila Chã, da honra e torre de Magalhães e do couto de Fontarcada. Foi 1º senhor de juro e herdade de Ponte da Barca, vila que fundou na sua terra da Nóbrega, e o 5º senhor de juro e herdade da Nóbrega (14.8.1458) e alcaide-mor e senhor do seu castelo (14.11.1458), tudo por compra a seu cunhado. Nasceu cerca 1400 e faleceu antes de 1472. A 13.5.1454 D. Afonso V confirma a doação a João de Magalhães, fidalgo da sua Casa, da terra de Souto de Rebordães. A 16.2.1471 o mesmo rei confirmou a doação a Gil de Magalhães, fidalgo da Casa do duque de Viseu, da terra da Nóbrega, com todas as rendas, foros, tributos, direitos, pertenças, padroados, jurisdição cível e crime, mero e misto império, ressalvando a correição e alçada, tal como pertencera a seu pai, João de Magalhães. A 27.4.1453 o mesmo rei privilegia João de Magalhães, cavaleiro fidalgo da sua Casa, concedendo-lhe licença para andar em besta de sela e freio por todo o reino. A 15.4.1454 confirmou a venda a João de Magalhães, fidalgo da sua Casa, de uma terra em Souto de Rebordãos. João de Magalhães casou cerca de 1438 com D. Isabel de Souza, nascida em 1424 (os pais casaram em 1423), irmã de João Rodrigues Ribeiro de Vasconcellos, fidalgo do Conselho, 3º senhor de juro e herdade de Figueiró dos Vinhos e Pedrógão (27.1.1435), 4º senhor de juro e herdade da Nóbrega (27.1.1435 - 18.10.1456), senhor de juro e herdade da Louzã, etc. Os seus senhorios foram-lhe confirmados a 3.3.1450 e 15.1.1482, já sem a Nóbrega, que entretanto vendeu a seu cunhado João de Magalhães, com autorização real de 18.10.1456. Quando João de Magalhães casou com D. Isabel de Souza, já esta era órfã, e teria ela cerca de 14 anos de idade. Com efeito, sabemos que seu irmão João Rodrigues Ribeiro de Vasconcellos era menor e órfão quando a 27.1.1435 sucedeu a seu pai Rui Vasques Ribeiro. Como refiro adiante, foi certamente por influência de Lopo Rodrigues de Magalhães, aio do antedito João Rodrigues e administrador da sua Casa, que era tio de João de Magalhães, que este casamento se veio a realizar, logo que D. Isabel atingiu a idade permitida, sendo o marido cerca de 21 anos mais velho do que ela. D. Isabel de Souza era, por sua mãe D. Violante de Souza, neta do mestre da Ordem de Cristo D. Frei Lopo Dias de Souza, e por este bisneta de D. Maria Telles de Menezes, irmã da rainha D. Leonor Telles, conforme detalho no meu estudo Os filhos e netos do «muj honrrado barom» Dom Frei Lopo Dias de Souza, 8º mestre da Ordem de Cristo. 1.1.1.3.3.1. Gil de Magalhães, 2º senhor de juro e herdade de Ponte da Barca (1496), 6º senhor de juro e herdade da Nóbrega (16.2.1471), senhor de Souto de Rebordãos (15.2.1471), senhor do couto de Fontarcada, de Larim e Vila Chã e da honra e torre de Magalhães, nascido cerca 1440 e falecido em 1506. A 21.5.1500 D. Manuel I confirmou os senhorios a si e a seu filho João de Magalhães (e Menezes). Foi fidalgo da Casa do duque de Viseu e depois do príncipe D. João. A 15.2.1471 D. Afonso V confirmou a doação a Gil de Magalhães, fidalgo da Casa do duque de Viseu, da terra de Souto de Rebordães, com todas as rendas, foros e direitos novos. A 16.2.1471 o mesmo rei confirmou a doação a Gil de Magalhães, fidalgo da Casa do duque de Viseu, da terra da Nóbrega, com todas as rendas, foros, tributos, direitos, pertenças, padroados, jurisdição cível e crime, mero e misto império, ressalvando a correição e alçada, tal como pertencera a seu pai, João de Magalhães. A 24.4.1475 privilegiou Gil de Magalhães, fidalgo da Casa do príncipe D. João, concedendo-lhe autorização para ele arrendar as suas rendas segundo a Ordenação. A 20.6.1497 D. Manuel I comunicou a todos os juizes e justiças das cidades, vilas e julgados dos nossos reinos e senhorios e a outros quaisquer oficiais que a Gil de Magalhães, fidalgo da sua Casa, senhor da Nóbrega, porque está prestes para servir na guerra com seus homens armas e cavalos, é privilegiado e escusados todos seus amos caseiros e mordomos e lavradores, etc. Casou a 1ª vez em 1461 com D. Maria de Menezes, filha de Rui Gomes da Silva, fidalgo do Conselho, alcaide-mor de Campo Maior e Ouguela (23.11.1433), etc., e neta do 1º conde de Vila Real, de quem teve o filho sucessor, João de Magalhães e Menezes. Casou a 2ª vez em 1472 com D. Isabel de Menezes, filha de Gonçalo Nunes Barreto, 2º morgado da Quarteira, fidalgo do Conselho (6.4.1468) e da Casa Real (1.12.1433), fronteiro-mor do reino do Algarve e alcaide-mor de Faro, de quem teve os restantes filhos. A 12.12.1461 D. Afonso V confirmou o contrato de casamento celebrado entre Gil de Magalhães, fidalgo, criado do marquês de Valença, e D. Maria de Menezes, donzela que foi da Casa da rainha D. Isabel, filha de Rui Gomes da Silva, do seu Conselho, e de D. Isabel de Menezes. A 25.4.1475 o mesmo rei confirmou a autorização a Gil de Magalhães, a seu pedido, fidalgo da Casa do príncipe D. João, para ele empenhar a sua terra de Souto de Rebordões, por 1.000 coroas, ao seu sogro Gonçalo Nunes Barreto, fidalgo da Casa Real e do seu Conselho, mediante determinadas condições. A 16.7.1497 D. Manuel I confirmou uma carta sua, enquanto duque, na qual inseria uma de sua mãe, a infanta D. Beatriz, na qual refere que, tendo tratado o casamento entre Gil de Magalhães, fidalgo de sua Casa, e dona Isabel de Meneses, sua donzela, quer galardoá-los e fazer mercê e lhe promete dar de seu casamento 2.000 coroas segundo é conteúdo no contrato de seu casamento e lhas pagar pela ordenança de el rei, de cento e vinte reais por coroa, pelas quais coroas lhe praz que a dita dona Isabel haja em cada um ano de tença 20.000 reais de prata, a não descontar coisa alguma do principal até lhe serem pagas as ditas 2.000 coroas. Carta feita em Tomar a 25.6.1472 e confirmada em Santarém a 5.5.1486. A 12.2.1509 D. Isabel de Menezes, viúva de Gil de Magalhães, passou procuração a seu filho Diogo de Magalhães, fidalgo da Casa Real, para que em seu nome possa receber do almoxarife de Ponte de Lima os 16.000 reais que lhe pertencem de tença. A 10.12.1512 D. Isabel de Menezes, viúva de Gil de Magalhães, moradora na Ponte da Barca, constituiu seu bastante procurador a seu filho Jorge Barreto para receber na Casa da Mina todas as fazendas que ficaram de seus filhos Pedro Barreto e António de Magalhães. A 20.3.1514 D. Isabel de Menezes, mãe e herdeira de Pedro Barreto, teve provisão para receber 15.000 reais que lhe eram desembargados para cumprimento dos 200.000 reais que lhe vieram da Índia. A 4.6.1514 D. Manuel I deu provisão para se dar aos herdeiros de Pedro Barreto 34.000 reais à conta do que se lhe devia da pimenta que se lhe comprou na Casa da Índia. A 3.7.1514 D. Manuel I mandou o almoxarife de Ponte de Lima pagar a D. Isabel de Menezes, mãe de Pedro Barreto, 50.000 reais de pimenta que se lhe comprou da que tinha na Casa da Índia. A 20.1.1516 Jorge Barreto e Simão Barreto, filhos e testamenteiros de D. Isabel de Menezes, passaram recibo dos 16.000 reais que receberam do almoxarife de Ponte de Lima, por um desembargo que tinham passado a sua mãe, onde ele se assina Jorge Barreto de Magalhães. Francisco de Magalhães, filho de Gil de Magalhães e sua mulher D. Isabel, tirou ordens menores em Braga a 6.5.1486 e teve carta de privilégio de fidalgo a 6.4.1510 (por ter servido na guerra com seus cavalos e armas) e de novo a 20.9.1524. A 23.3.1518 D. Manuel I doou aos filhos de Fernão Rodrigues, juiz que foi no concelho de Nobrega, metade da fazenda móvel e de raiz de Francisco de Magalhães e Simão Barreto, seu irmão, julgados pela morte do dito Fernão Rodrigues. A 17.5.1515 D. Joana de Menezes e D. Beatriz de Menezes, freiras no mosteiro do Lorvão, com o consentimento da abadessa D. Catarina de Eça, passaram procuração a Francisco de Magalhães ou João de Magalhães, seus irmãos, para receberem do almoxarife de Ponte de Lima 50.000 reais que se deviam a seus pais, de quem foram herdeiros. 1.1.1.3.3.2. Fernão de Souza de Magalhães, fidalgo da Casa Real, 1º senhor de Francemil (actual Santo Tirso), alcaide-mor de Ervededo (12.13.1477) e senhor da quinta de Penteeiros (Estorãos, Ponte de Lima), onde fez casa e colocou o seu escudo de armas (Souza, ditos de Arronches, em pleno). Nasceu cerca 1442 e faleceu cerca de 1489. Como Fernando de Souza de Magalhães, fidalgo da Casa Real, teve a 30.6.1486 carta de privilégio de fidalgo. Como Fernão de Souza, fidalgo, prestou vassalagem em 1477 ao arcebispo de Braga pelo castelo de Ervededo. Casou a 1ª vez cerca de 1479 com sua prima Isabel Barbosa, que levou em dote a quinta de Penteeiros, filha herdeira de João Barbosa e sua mulher Violante de Magalhães, referida adiante. Esta Isabel Bardosa terá falecido do parto do 1º filho e sucessor, João de Souza de Magalhães, que está sepultado com suas armas (Souza dito de Arronches em pleno) e estátua jacente na igreja matriz de Viana do Castelo. Casou a 2ª vez cerca de 1481 com D. Beatriz de Eça, que depois veio a casar com Estêvão Ferreira, morgado de Cavaleiros (referido no meu Ensaio sobre a origem dos Ferreia), filha de D. João de Eça e sua mulher D. Maria de Mello. C.g. de ambos os matrimónios. 1.1.1.3.3.3. D. Francisca de Souza, nascida cerca de 1443, que as genealogias dizem que casou com Diogo Botelho, anadel-mor de espingardeiros. S.g. Afonso de Torres não a refere. 1.1.1.3.3.5. D. Beatriz ou Maria de Souza, nascida cerca de 1445, que casou com Lopo de Araújo, senhor e alcaide-mor de Lindoso (11.3.1464), que sucedeu nos senhorios de Campelo e Val de Poldros e na dignidade de portegueiro-mor de Celanova. Foi ainda senhor de Monção a meias com seu irmão Paio. Por terem morto um homem e fugido para a Galiza, perderem os bens em Portugal. Na Galiza foi alcaide-mor de Sande. A 11.3.1464 D. Afonso V doou a Lopo de Araújo, escudeiro, fidalgo da sua Casa, enquanto sua mercê for, o couto de Lindoso, seu castelo e respectivo senhorio, rendas e pertenças, em substituição de Paio Rodrigues de Araújo, seu pai, que morrera. A 25.2.1464 o mesmo rei confirmou a doação vitalícia a Paio Rodrigues e a Lopo Rodrigues de Araújo, escudeiros e fidalgos da sua Casa, das rendas e direitos dos reguengos situados na vila de Monção, que ficarem por morte de Paio Rodrigues de Araújo, seu pai. A 10.5.1468 o mesmo rei doou a Fernão de Lima, fidalgo da sua Casa, todos os direitos e bens que pertenceram a Paio Rodrigues de Araújo e a Lopo de Araújo, que os perderam por terem morto Rodrigo Álvares, escudeiro, morador em Pousada, terra da Nóbrega, Gonçalo Álvares e outros homens, e por terem fugido para a Galiza. Este Paio Rodrigues era filho do já referido Pedro Anes de Araújo e neto do Gonçalo Rodrigues de Araújo que casou com Froile Afonso de Magalhães, referida acima. C.g. 1.1.1.3.3.6. D. Antónia de Souza, nascida cerca de 1448, que Afonso de Torres não refere. Foi a 1ª mulher de Gonçalo Rodrigues de Araújo, fidalgo da Casa de D. João II, que a 29.1.1486 lhe deu uma tença de 20.000 reais. Era irmão de Lopo de Araújo, acima. Gaio diz que viveu na sua quinta de Stº Antão, no termo de Valadares, foi alcaide-mor da fortaleza de Ramin e senhor da casa do Barral. C.g. 1.1.1.3.3.4. D. Isabel de Souza, nascida cerca de 1455, que casou com Diogo de Azevedo, fal. a 15.5.1514, senhor de juro e herdade de Souto (Amares) e do couto de Azevedo, c.g. conhecida. 1.1.1.3.4. Gil Afonso de Magalhães, nascido cerca de 1401, que as genealogias tardias confundem com seu pai Diogo Afonso, pelo que o dizem também casado com Inez Vasques, na verdade sua mãe. Em 1568 Lourenço de Magalhães, nascido cerca de 1528, habilitou-se à herança do celebrado Fernão de Magalhães, e neste processo testemunhou Manuel de Magalhães e Menezes, senhor da Barca e da Nóbrega, onde diz que tinha entre 70 e 75 anos de idade e era parente dentro do 4º grau do habilitando. Diz também que o dito Lourenço era neto de Rui Paes de Magalhães e este irmão de Rui de Magalhães, pai do Fernão de Magalhães do Estreito. E que estes Rui Paes e Rui eram filhos de Paio Afonso de Magalhães. Assim sendo, para além do que digo adiante, o bisavô de Manuel de Magalhães e Menezes era necessariamente irmão do pai daquele Paio Afonso, dada a terminologia de graus de parentesco usada na época. Por outro lado, sabemos por seu testamento, que o celebrado Fernão de Magalhães usava, como ele próprio aí diz, um escudo de armas partido de Souza e Magalhães. Logo, aquele Paio Afonso só podia ser filho de Gil Afonso de Magalhães e sua mulher Mécia de Souza. E este Gil Afonso de Magalhães tinha de ser irmão de João de Magalhães, 1º senhor da Barca, para que o bisneto deste fosse primo dentro do 4º grau de Fernão de Magalhães. Gil Afonso de Magalhães casou com Mécia de Souza, que as genealogias tardias dizem que era irmã de Rui de Souza, ambos filhos naturais de Gonçalo Rodrigues de Souza, alcaide-mor de Monsaraz e Marvão, e de Maria de Monforral, natural de Monsaraz. Este Gonçalo Rodrigues de Souza foi legitimado por carta real de 12.3.1370, como filho de Rodrigo Afonso de Souza e Constança Gil. 1.1.1.3.4.1. Paio Afonso de Magalhães, nascido cerca de 1422, avô do célebre Fernão de Magalhães (que fez seu testamento em Sevilha a 24.8.1519). É possível que tenha vivido em Gaia e no Porto. Afonso de Torres (genealogista do final do séc. XVI, em quem muito se baseou Alão e outros subsquentes) diz que este Paio Afonso de Magalhães casou com Isabel Vaz de Sequeira e dá-lhe um filho único, Rui Paes de Magalhães. Mas, em 1568, com já ficou dito, Lourenço de Magalhães, nascido cerca de 1528, habilitou-se à herança do celebrado Fernão de Magalhães, e neste processo testemunhou, entre outros, o Senhor Manuel de Magalhães de Menezes, senhor da Barca e da Nóbrega, onde diz que tinha entre 70 e 75 anos de idade e era parente dentro do 4º grau do habilitando. Diz também que o dito Lourenço era neto de Rui ou Rodrigo Paes de Magalhães (nesta época, Rui era um diminuitivo de Rodrigo, sendo o mesmo nome) e este irmão de Rui de Magalhães, pai do Fernão de Magalhães, o do Estreito. E que estes Rui Paes e Rui eram filhos de Pº Afonso de Magalhães. Assim sendo, o bisavô de Manuel de Magalhães e Menezes era necessariamente irmão do pai deste Paio Afonso, como ficou dito. A homonímia poderá ter levado Afonso de Torres a congregar os dois filhos em apenas um. Ou então Rui Paes era legítimo e Rui era bastardo. Esta última hipótese parece-me agora a mais provável, pois investigações recentes (António Taveira, «Fernão de Magalhães, o do estreito, de Santa Maria da Sé do Porto», 2ª edição, Abril de 2011) documentam Rui de Magalhães (pai do navegador) como filho de uma Maria Fernandes, já casada em 1467 no Porto com o mercador Gil de Oliveira. Julgo que muito antes de casar com este Gil de Oliveira, Maria Fernandes teve natural de Paio Afonso de Magalhães (que então teria cerca de 20 anos) o filho Rui de Magalhães. E que Rui Paes de Magalhães, referido por Torres, era o filho legítimo, havido do posterior casamento de Paio Afonso de Magalhães com Isabel Vaz de Sequeira. Sendo que este Rui Paes de Magalhães é muito provavelmente o Rui de Magalhães que em 1468 testemunhou um prazo em Aveiro (vide a minha História da Casa da Trofa). E, portanto, o Rui (Paes) de Magalhães que as genealogias dizem que foi alcaide-mor (interino) de Aveiro. Do que não se pode duvidar é que Paio Afonso foi pai (natural ou legítimo) de Rui de Magalhães, e que este foi pai de Fernão de Magalhães, o do Estreito, como declaram muitas testemunhas do referido processo, entre elas o antedito Manuel de Magalhães de Menezes, senhor da Barca e da Nóbrega, independentemente da avaliação que se possa fazer sobre os reais direitos de Lourenço de Magalhães à herança do navegador. Não se sabe a filiação de Isabel Vaz de Sequeira, dada como mulher de Paio Afonso de Magalhães, mas suspeito que seja filha ou neta de Vasco Álvares de Sequeira, irmão de Isabel Álvares de Sequeira, ama da rainha D. Isabel, nascida cerca de 1390 e falecida em 1462, tendo a 1 de Setembro deste ano D. Afonso V autorizado a igreja de S. Tiago de Coimbra a receber os bens de raiz que lhe deixara em testamento Violante Álvares de Sequeira, moradora em Coimbra, ama da rainha D. Isabel. Esta Violante era então viúva de Francisco Anes de Torres, cavaleiro da Casa da rainha D. Isabel e depois da Casa de D. Afonso V, morgado de Ponte da Ceira (1.2.1450), senhor da quinta de S. Pedro Fins, no termo de Montemor-o-Velho, etc., com geração conhecida. 1.1.1.3.4.2. Gil de Magalhães, o Tremelicoso. Segundo Frei Gaspar Barreto, consta como filho de Gil Afonso de Magalhães numa certidão passada a 7.3.1723, segundo a qual constava de uma inquirição de testemunhas, perante Mem de Sá, tirada em Évora por mandado de D. João III no ano de 1532. Deste foi certamente filho o Fernão Gil de Magalhães que a 11.6.1468 foi escrivão da coudelaria de Belver (Portalegre) e que teve de Mécia de Azevedo, freira em Arouca, irmã de João Álvares de Azevedo, que trato no nº VII do meu estudo Uma linha Azevedo em Viseu, uma filha chamada Beatriz de Azevedo, que foi adoptada por seu tio materno Diogo Gomes de Azevedo, que vivia no Porto casado com Senhorinha Dias Alão, sem geração, tendo esta, já viúva, tido a 9.7.1476 o privilégio real para instituir uma capela no mosteiro de S. Domingos, no Porto, e a dotá-la com bens no valor de 1.000 reais, de acordo com a disposição testamentária do seu marido. Beatriz de Azevedo casou com seeu primo co-irmão Pedro Esteves, escudeiro, escrivão das sisas de Paiva (26.12.1476, confirmado a 9.9.1482), sendo pais de Heitor de Magalhães, escudeiro, morador no concelho de Paiva, que a 3.7.1517 foi escrivão dos órfãos, contador dos feitos e custas e inquiridor deste concelho, e de Jorge de Magalhães, escudeiro, escrivão dos órfãos (27.7.1496) e das sisas (3.10.1498) de Baião, que sucedeu na antedita capela instituída em S. Domingos do Porto e foi por casamento senhor da quinta da Lage, em S. Leocádia de Baião, c.g. nos Magalhães e Azevedo de Baião e Mesão Frio. Jorge de Magalhães nasceu cerca de 1460. Era já tabelião de Baião em 1501, cargo para o qual não encontrei nomeação, e que perdeu por erros cometidos, nomeadamente por entregar o ofício a terceiros, sem para tal possuir autorização régia, sendo a 30.6.1502 substituído por Pedro Anes, criado do doutor Diogo de Lucena. Mas de alguma forma voltou a ocupar o cargo, pois a 3.7.1517 Diogo de Magalhães, escudeiro, morador no concelho de Baião, foi nomeado tabelião do público e judicial nessa terra e suas honras, substituindo no cargo Jorge de Magalhães, seu pai, que o enviou renunciar em mãos de João Fernandes de Souza, senhor dessa terra, segundo um público instrumento feito por si, a 1.6.1517, por mercê concedida pela apresentação de João Fernandes de Souza, segundo outro público instrumento feito por Jorge de Magalhães a 1.6.1517. 1.1.1.3.4.3. Fernão de Magalhães, nascido cerca 1425 e falecido depois de 1498, fidalgo da Casa do duque de Bragança e depois da Casa Real, senhor da quinta de Briteiros, no termo de Guimarães, que comprou à condessa de Faro D. Maria de Noronha. A 12.1.1474 a duquesa de Bragança D. Constança de Noronha fez-lhe a si e a sua mulher o prazo por três vidas da terra de Antemil, em S. João de Penselo, termo de Guimarães. Dizem as genealogias que foi senhor do Outeiro de Poldros. Esteve em Touro, pois aí lhe deu D. Afonso V a 26.4.1476 a renda da carne de porco de Parada de Gatim. A 13.4.1468 confirmou a doação a Lopo Gomes, cavaleiro do conde de Guimarães, de 15.000 reais de prata que lhe foram doados por Afonso de Arcos, alcaide na vila de Tarifa, no reino de Castela, dos quais doou 7.000 reais de prata a Fernão de Magalhães, cavaleiro do dito conde. E a 20.4.1468 doou a Fernão de Magalhães, cavaleiro do conde de Guimarães, uma tença anual de 7.000 reais de prata, enquanto sua mercê for, a partir de 1.1.1468, dos 15.000 reais de prata que Lopo Gomes, cavaleiro do dito conde, comprou a Afonso de Arcos, morador em Tarifa. A 20.3.1497 D. Manuel I confirmou esta tença a Fernão de Magalhães, cavaleiro que foi do falecido duque de Bragança, e, a requerimento seu, a 6.1.1498 passou-a seu filho Gonçalo Rodrigues de Magalhães, fidalgo da sua Casa, sendo então Fernão de Magalhães já referido também como fidalgo da Casa de D. Manuel I. Dizem também que esteve na batalha de Alfarrobeira pelo rei. Por causa de um cão (ao que dizem), matou Álvaro Soares de Albergaria, filho do senhor do Prado, junto à ponte do Prado (Braga) em finais de 1463 ou início de 1464, pelo que foi degredado um ano para Alcácer Seguer, degredo de que foi perdoado por D. Afonso V a 14.2.1464, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada real em Ceuta. A 30.12.1452 o mesmo rei concedeu carta de privilégio a Fernão de Magalhães, para todos os seus mordomos, lavradores, amos e apaniguados da comarca e correição de Entre-o-Douro-e-Minho. A 10.7.1463 doou a Beatriz de Mesquita, mulher de Fernão de Magalhães, fidalgo da sua Casa, uma tença anual, enquanto sua mercê for, de 15.000 reais de prata. Casou com Beatriz Martins da Mesquita, criada da antedita duquesa D. Constança de Noronha, c.g. que desenvolvo no meu Ensaio sobre a origem dos Mesquita. Luiz de Mello Vaz de São-Payo (Famílias de Chaves) propõe que deste Fernão de Magalhães fosse filho bastardo um Manuel de Magalhães que foi para Chaves, onde teve uma filha, Constança Álvares, que casou com um arquitecto galego, Mestre Diogo Ordonhes, c.g. nos Magalhães, de Chaves, e Magalhães Fontoura. 1.1.1.4. Rodrigo Afonso de Magalhães, nascido cerca 1371. Não se sabe com quem casou. 1.1.1.4.1. Leonor Rodrigues de Magalhães, nascida cerca 1395. Foi a 2ª mulher de Vasco Machado, senhor da torre de Geraz e da honra de Pinho (Boticas), senhor de juro e herdade de Matosinhos e Sanfins (Chaves) (17.11.1387), nascido cerca 1365, escudeiro, alcaide-mor de Chaves (1387) e de Lanhoso, etc. C.g., sendo nomeadamente pais de Pedro Machado, 1º senhor de juro e herdade de Entre-Homem-e-Cávado (19.1.1450) nesta linhagem e senhor da torre do Crasto, em Amares. 1.1.1.4.2. Gonçalo Rodrigues de Magalhães, deão da Sé de Lamego. A 12.7.1455 D. Afonso V concedeu carta de privilégio a Gonçalo Rodrigues de Magalhães, deão da Sé de Lamego, por ser homem fidalgo e de boa linhagem, e estar pronto para servir na guerra com as suas bestas e armas, para todos os seus mordomos, amos, lavradores e apaniguados na comarca e correição da Beira. A 27.5.1455 o mesmo rei nomeou Diogo Fernandes, criado de Gonçalo Rodrigues de Magalhães, deão da Sé de Lamego, que por ele pediu, para os cargos de escrivão dos feitos das sisas régias, inquiridor e contador dos feitos que se tratam perante os juízes na cidade de Lamego, em substituição de Fernão Pires, que morrera. 1.1.1.4.2.1. (N) Leonor Gonçalves de Magalhães, legitimada por carta real de 13.3.1441, havida em Leonor Gonçalves. Dizem as genealogias tardias que casou com Vasco Paes Cardoso, de Caria, c.g. 1.1.1.4.2.2. (N) Aires Gonçalves de Magalhães, escudeiro do Infante D. Pedro e criado do arcebispo de Braga, morador em Ponte de Lima, quando a 31.1.1441 D. Afonso V o nomeou, a pedido do dito arcebispo, para o cargo de meirinho da comarca de Entre-Homem-e-Cávado, em substituição de João Lourenço Bugalho, que morrera. 1.1.1.4.3. Paio Rodrigues de Magalhães, cavaleiro da Casa do duque de Bragança, foi senhor de Airros (Regalados) e esteve com seu primo na morte de Álvaro Soares de Albergaria. A 20.2.1464 D. Afonso V perdoou a justiça régia a Paio Rodrigues de Magalhães, escudeiro do duque de Bragança, culpado da morte de Álvaro Soares de Albergaria. A 13.7.1464 o mesmo rei concedeu carta de privilégio de fidalgo a Paio Rodrigues de Magalhães, cavaleiro da Casa do duque de Bragança, para a comarca e correição de Entre-Douro-e-Minho, isentando do direito de pousada todos os seus lavradores, encabeçados, mordomos, amos e apaniguados que lavrarem suas herdades, quintas e casas. E a 8.7.1476 doou a Maria da Cunha, filha de Álvaro Carvalho, o lugar de Airros, no julgado de Regalados, freguesia de Guimarães, que pertencera a Paio Rodrigues de Magalhães. As genealogias tardias dizem que casou com Isabel Vaz de Sequeira, confundindo-o com seu primo-direito Paio Afonso de Magalhães, referido acima, que de facto terá casado com Isabel Vaz. Mas esta confusão desfaz-se facilmente não só pelo teor da documentação da chancelaria mas também pela matrícula em ordens menores do filho, para já não falar no testemunho de seus descendentes de Mato Bom no processo de Lourenço de Magalhães. Na matrícula do filho documenta-se que este Paio Rodrigues casou com Maria Novais, sendo moradores em Arcozelo quando o filho Heitor Paes tirou ordens menores em Braga a 27.3.1456. 1.1.1.4.3.1. Violante de Magalhães, nascida cerca de 1441, que casou com João Barbosa, escudeiro da Casa de Bragança, morador em Ponte de Lima e senhor da quinta de Penteeiros, filho de Pedro Barbosa e sua mulher Senhorinha Anes Vieira (vide Ensaio sobre a origem dos Correa, senhores de Fralães. Séculos XIV e XV). A 9.11.1458 D. Afonso V confirmou a João Barbosa, escudeiro da casa do duque de Bragança, todos os privilégios, honras, tomadias e liberdades que tem numa quinta no termo de Ponte de Lima, entre S. Pedro de Arcos e Estorãos, A 13.5.1444 o mesmo rei perdoou a justiça régia e concedeu carta de segurança a Gil Gonçalves, criado de Pedro Barbosa, pela fuga da prisão, contanto que se livre de direito do que era acusado. Este Pedro Barbosa era filho de Gonçalo Fernandes Barbosa, cavaleiro, senhor da honra de Aborim e do couto de Brandara, etc., e de sua mulher Beatriz Correa, filha dos senhores de Fralães. Na instituição do morgadio de Aborim, seu neto Álvaro Barbosa diz que Gonçalo Fernandes Barbosa era «homem honrado tam possante que tinha desouto a vinte de cavallo e com tanto serviu continuadamente elRei Don Joam na Batalha Real e outros lugares de cavalaria», e que dele ficaram cinco filhos e três bastardos, sendo seu filho primogénito Fernão Gonçalves Barbosa, de quem era filho maior o instituidor. Violante de Magalhães e seu marido tiveram uma filha única, Isabel Barbosa, que foi a 1ª mulher de seu primo Fernão de Souza de Magalhães, referido acima. 1.1.1.4.3.2. Heitor (Paes) de Magalhães, nascido cerca de 1442. Como «Eytor Paaes, filho de Paay Rodriguez de Magalhãaes e de sua molher Maria Nouaaes moradores na freeguesia de Arcuzello desta diocese», tirou ordens menores em Braga a 27.3.1456. Como Heitor de Magalhães a 2.4.1487 teve carta de privilégio de fidalgo e a 23.7.1487 foi coudel de Felgueiras. Gaio diz que viveu em Ponte da Veiga. 1.1.1.4.3.3. Afonso de Magalhães, fidalgo da Casa Real, morador em Braga, quando a 7.5.1476 D. Afonso V lhe doa, enquanto sua mercê for, uma tença anual de 5.000 reais, a partir de Janeiro de 1476, a juntar à quantia que já lhe fora dada de 5.000 reais, o que perfaz a soma total de 10.000 reais. 1.1.1.4.3.4. Filipa de Magalhães, que casou com Martim (Anes) da Mesquita. (vide Ensaio sobre a Origem dos Mesquita) 1.1.1.4.3.5. Gomes Rodrigues de Magalhães, que Gaio diz ter tido carta de armas (não consta) e ter vivido em Stª Cruz, termo de Ponte de Lima, tendo casado com Guiomar Vaz de Abreu, c.g. 1.1.1.4.3.6. Leonor de Magalhães, que casou com Diogo Afonso de Calvos, filho natural de Mendo Afonso de Calvos, cavaleiro da Ordem de S. João e comendador de Távora e Aboim nesta ordem, e neto de Afonso Vasques de Calvos, escrivão da puridade da duquesa de Bragança, que ainda vivia no Porto em 1454. A 1.10.1445 D. Afonso V aforou para sempre a Afonso Vasques de Calvos, seu vassalo, criado do duque de Bragança e do conde Barcelos, morador na cidade do Porto, umas casas da rua Nova da dita cidade, por a sua arrendatária, Leonor Pereira, ter morrido sem deixar herdeiros, mediante o pagamento anual de 7 onças de prata e com determinadas condições. A 28.11.1454 o mesmo rei privilegiou Afonso Vasques de Calvos, morador na cidade do Porto, escudeiro do duque de Bragança, que fora escrivão da puridade da duquesa de Bragança, e a seu pedido, isentando-o de ser procurador, juiz e vereador do concelho, bem como dos ofícios e encargos concelhios. Foram pais de Fernão de Magalhães, que viveu na sua quinta de Mato Bom, em Estorãos, c.g. (António de Magalhães, escudeiro fidalgo, morador em Ponte de Lima, testemunhou no já referido processo de 1563, onde se diz neto de Fernão de Magalhães, morador na sua quinta de Mato Bom, em Estorãos). No já referido processo de Lourenço de Magalhães testemunham dois filhos, um sobrinho e um neto do antedito Fernão de Magalhães, de Mato Bom, que, embora se mostrem muito incertos quanto ao grau de parentesco que tinham com Lourenço, se acabam por declarar parentes no ou dentro do 4º grau, e o neto fora deste grau. Na verdade, a única testemunha que se revela verdadeiramente informada sobre real genealogia familiar é o seu chefe, Manuel de Magalhães e Menezes, como ficou dito acima. Muitos anos disto permitem-me dizer, com pouca ou nenhuma margem de erro, que é absolutamente anormal nesta e noutras épocas (até na actual) as pessoas conhecerem a sua própria genealogia para além dos avós, quando muito bisavós, salvo na circunstância muito especial de serem genealogistas. O caso de Manuel de Magalhães e Menezes seria portanto excepcional, o que se entende por ser chefe da família e porventura um curioso da genealogia. Os parentes de Mato Bom devem ter-se declarado parentes dentro do 4º por mimetismo com o que havia declarado Manuel de Magalhães e Menezes, pois na verdade não sabiam ao certo, como é normal. E, de facto, eram parentes de Lourenço de Magalhães dentro do 5º grau. 1.1.1.4.3.7. Pedro de Magalhães, que a 20.4.1486 teve mercê de 12.000 reais de tença. Gaio diz que viveu no Porto. 1.1.1.5. Pedro Afonso de Magalhães, nascido cerca de 1374, cujo nome da mulher se desconhece. 1.1.1.5.1. João Pires de Magalhães, nascido cerca de 1400, que casou com Maria de Lima. 1.1.1.5.1.1. Diogo Anes de Magalhães, que as genealogias dizem ter sido senhor da quinta ou honra de Merilhões, no termo dos Arcos. Deve ser o Diogo de Magalhães, escudeiro da sua Casa, a quem a 3.9.1440 D. Afonso V concedeu carta de privilégio para os seus apaniguados da correição de Entre-Douro-e-Minho. 1.1.1.5.1.2. Fernando (Anes) de Magalhães, que a 22.9.1490 foi nomeado escrivão do pescado de Vila do Conde. As genealogias dizem que foi armado cavaleiro em Arzila por D. Afonso V, mas não aparece na respectiva Chancelaria. Dizem também que era filho do Diogo Anes que leva como irmão. Pela cronologia, contudo, e até pelo patronímico, este Fernão Anes seria irmão e não filho de Diogo Anes. 1.1.1.5.1.3. Rodrigo Afonso de Magalhães, segundo diz a carta de armas (8.7.1605) de seu bisneto António Homem de Magalhães, juiz dos órfãos de Porto de Mós. Nesta carta, que lhe condeu armas de Magalhães e Homem, declara-se filho de Vidal Homem de Magalhães e sua mulher Maria Cid, moradores que foram na vila de Ourém, neto paterno de Nuno Rodrigues de Magalhães e materno de João Homem, bisneto de Rodrigo Afonso de Magalhães e trineto de João Pires de Magalhães e D. Maria de Lima. Rodrigo Afonso, a ser verdadeira a sua filiação em João Pires, terá assim recuperado o prenome e patronímico de seu trisavô, que também era o de seu tio-avô. Na genealogia apresentada na carta de armas destoa o nome do pai do habilitado, já que a ascendência Homem é apresentada pelo lado da mãe do habilitado, que diz neta de Lopo Homem e bisneta de Fernão Rodrigues Homem. É assim provável que João Homem, apresentado como avô materno do habilitado, portanto pai de Maria Cid, seja afinal avô materno de Vidal Homem de Magalhães. 1.1.1.5.2. Rui Pires de Magalhães, nascido cerca de 1402, cónego da Sé de Coimbra e prior da Louzã. Alão não o entronca. Gaio di-lo filho de João de Magalhães, o que é erro evidente mas muito repetido ainda hoje, tanto mais que muitos dos seus descendentes começaram a partir do séc. XVII a usar Magalhães e Menezes, ainda que indevidamente, por osmose com os seus parentes senhores da Barca. Julgo, até pelo patronímico, que este Rui Pires era filho do Pedro Afonso que leva por pai. Vem como Rui Pires de Magalhães, cónego da Sé de Coimbra e prior da Louzã, na legitimação do filho. Deve ser o Rui de Magalhães, clérigo, arcediago de Viseu, a quem a 28.10.1451 D. Afonso V privilegiou, concedendo-lhe autorização para andar em besta muar de sela e freio. E ainda o Rui Pires, escudeiro de João de Magalhães (neste caso seu primo), que a 26.7.1446 D. Afonso V nomeou por cinco anos para o cargo de coudel no julgado de Nóbrega e Souto Rebordães e seu termo, em substituição de Gil Tição. 1.1.1.5.2.1. (N) João de Magalhães, n. cerca de 1444 e fal. em 1496, foi legitimado por carta real de 24.8.1475, havido em Maria Afonso. Como João de Magalhães, morador em Tarouca, a 14.12.1465 foi nomeado para o cargo de juiz das sisas e seus feitos no julgado e freguesia de Armamar, Fontelo, Vila Seca e termo da freguesia de Tarouca, em substituição de Álvaro Pires, escudeiro de Fernão Coutinho, que renunciara. A 15.1.1487 foi nomeado escrivão das sisas de Armamar, a 1.7.1482 tabelião de Mesão Frio, a 20.6.1486 coudel de Amarante, a 4.7.1486 tabelião de Gestaçô, e a 27.10.1492 escrivão das sisas de Cerva. Faleceu pouco antes de 6.2.1496, pois nesta data Dinis Afonso, escudeiro d'el rei, foi nomeado de juiz das sisas de Armamar, Fontelo e Vila Seca, como até então fora João de Magalhães, que o ofício tinha e falecera. Dizem as genalogias que este João de Magalhães viveu em Amarante e casou com Maria de Basto, filha do abade de S. João de Louredo, sendo pais dos que se referem adiante. Mas a verdade é que esses alegados filhos são mais tardios. Por outro lado, há um João de Magalhães que a 5.7.1504, sendo escudeiro, morador em Amarante, foi nomeado procurador do número da comarca e correição de Trás-os-Montes, e a 10.5.1515, sendo então dito escudeiro e morador em Tarouca, foi nomeado tabelião do público e do judicial desta vila. Este segundo João de Magalhães é quase de certeza filho do João legitimado em 1475, e as genealogias terão confundido os dois, pai e filho, num só. Assim, o filho é que terá casado com Maria de Basto, e sido pais de Francisco de Magalhães, escrivão das sisas (CJIII, 8, 56) e tabelião (ib, 67, 195v) de Celorico de Basto, que casou com Isabel Vilela, com muita geração. entre a qual Gaspar de Magalhães de Macedo, juiz dos órfão de Celorico de Basto, que como Gaspar de Magalhães teve este ofício a 27.3.1658, por desistência de seu tio Rui Vilela (casado com sua tia Maria de Magalhães), e como Gaspar de Magalhães de Macedo nele foi confirmado a 19.4.1670. Dos anteditos João de Magalhães e Maria de Basto foi também filho António de Magalhães, que Alão diz ter vivido na quinta da Porta de Subdevesa, no termo de Unhão (S. Miguel de Lousada?), casado com Genebra Teixeira. Nascido cerca de 1505, este deve ser o António de Magalhães que foi procurador do número de Santa Cruz de Riba Tâmega (CJIII, 24, 123), antigo concelho que foi integrado no de Amarante. Foi pai, entre outros, de Fernão de Magalhães Teixeira, que teve a quinta do Covo, em S. Pedro de Vila Chã de S. Roque (Oliveira de Azemeis) por sua mulher Antónia de Almeida, para a qual quinta teve a 20.8.1564 privilégio para ter forno de vidro, confirmado por D. Filipe I. Com geração que acrescentou o nome Menezes, certamente por osmose ou se julgar descendente da Casa da Barca, nomeadamente nos condes de Alvelos, na dita casa do Covo e na casa da Torre da Lixa. Craesbeeck (1726), salientando que na capela desta última casa, que tiveram por compra, havia uma pedra de armas já então muito gasta e ilegível, refere instrumentos que viu, certamente uma justificação de nobreza, que dava o cónego Rui Pires de Magalhães como filho do 1º senhor da Barca, o que, para além do mais, é uma impossibilidade cronológica e onomástica. E este natural tropismo para a Casa da Barca, que veio depois a constar nas genealogias tardias, conduziu ao acrescentamento do nome Menezes nesta linha, até então nunca usado. Acresce, aliás, que o nome Magalhães e Menezes usado pela Casa da Barca só surge com os casamentos do 2º senhor, Gil de Magalhães, primeiro com D. Maria de Menezes e depois com D. Isabel de Menezes, conforme ficou dito acima. De resto, um neto paterno do antedito casal António de Magalhães e Genebra Teixeira, chamado António de Magalhães Cerqueira, tirou a 15.6.1606 carta de armas para Magalhães, Coelho, Cerqueira e Teixeira, não havendo então qualquer sombra de prosápia Menezes. Só um bisneto deste António de Magalhães Cerqueira, Fernão de Magalhães e Menezes, adoptou pela 1ª vez o Menezes, bem como as armas de Souza e Menezes que, juntamente com Magalhães, colocou na sua casa de Amarante. 1.1.1.5.2.2. (N) Branca de Magalhães, legitimada por carta real de 23.4.1477 e perfilhada pelo pai em escritura de 17.9.1476, feita em Coimbra. Branca de Magalhães casou com João de S. Pedro antes de 1479, como se vê numa carta de perdão de D. João II de 8.6.1482, que ambos tiveram por terem agredido um alfaiate (CJII, 2, 121). João de S. Pedro, escudeiro, criado de Álvaro da Cunha, foi tabelião do cível e crime do julgado de Lanhoso e seu termo, por nomeação de D. João II, sendo reconduzido no cargo a 4.5.1496 por D. Manuel I (CMI, 40, 91), que no mesmo dia o nomeou também tabelião dos vizinhos concelhos de Ribeira de Soaz e S. João de Rei, por renúncia de um Fernando Afonso (ib. 40, 102). 15 dias depois foi também nomeado por este rei escrivão da coudelaria de Lanhoso e seu termo (ib, 29, 18). A 24.11 e 14.12.1501 o mesmo rei perdoou a justiça régia a Gonçalo Martins do Rio, meirinho de Lanhoso, e Braz de Castilhes, lavrador, aí morador, por terem deixado fugir um preso que roubara a João de S. Pedro, escudeiro e tabelião desse julgado, de uma sua casa de cozinha, um vestido de sua mulher e outro seu, pratéis e pichéis de estanho e outras coisas que poderiam valer 5 ou 6.000 reais, depois de obterem do dito João de S. Pedro públicos instrumentos de perdão feitos a 22.11 e 28.10.1501, e terem pago 1.500 e 1.000 reais para a piedade, respectivamente (ib, 37, 18v; e 46, 99). A 1.2.1505 João de S. Pedro, escudeiro, tabelião no julgado de Lanhoso, teve ainda mercê do ofício de tabelião do concelho do Couto de Parada de Boi, assim como até então servira João Fernandes, que falecera (ib, 23, 53). A filiação deste João de S. Pedro é desconhecida e diferente da que tardiamente algumas genealogias e justificações de nobreza lhe apontam, como se torna evidente pelo que ficou dito. Encontrei contudo dois candidatos para pai de João de S. Pedro. Um é o João de São Pedro que foi juiz ordinário de Braga, e que já se documenta a 1.6.1442, quando D. Afonso V perdoou a justiça régia a João de Souza, escudeiro, morador na cidade de Braga, acusado de roubar uma besta ao prior do Souto do arcebispado de Braga, e outra a João de São Pedro, morador na dita cidade, na sequência do perdão geral outorgado para o povoamento de alguns lugares do reino. Contudo, inclino-me mais para a hipótese de João de São Pedro ser filho do Martim de São Pedro, morador nas terras de Bouro, a quem a 7.4.1476 D. Afonso V perdoou a justiça régia pela fuga da prisão e por ter ajudado à fuga de outros presos, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram em Castela. Este Martim de S. Pedro está também na cronologia certa, além de estar na geografia certa. Esteve portanto com D. Afonso V nas guerras pela coroa de Castela, embora não na batalha de Toro (1.3.1476), pois a cronologia dificilmente o permite. Estas prisões e fugas eram muito comuns, em geral relacionadas com mortes em duelos e rixas, e em nada prejudicam o estatuto de Martim de São Pedro, que seria idêntico ao de João de São Pedro. De Branca de Magalhães e seu marido descedem muitos Magalhães das terras de Basto. Deles foram filhos, entre outros, Rui de Magalhães, que desde 1516 se documenta como tabelião e escrivão da Câmara de Lanhoso, e Susana de Magalhães, que foi a 2ª mulher de Afonso Pires Falcão, escudeiro, senhor da quinta de Barrifalcão, em Stª Senhorinha de Basto, donde a família tirou o nome. Este Afonso Pires deve ser o que a 16.3.1491 foi nomeado escrivão das sisas de Cabeceiras de Basto por D. João II e a 13.5.1496 foi confirmado no cargo por D. Manuel I. De Afonso Pires Falcão e sua 2ª mulher Susana de Magalhães nasceram vários filhos que seguiram o nome materno. De sua 1ª mulher Joana Vaz, Afonso Pires Falcão foi pai de Braz Pires Falcão, sucessor, que por sua vez foi pai de Bartolomeu Pires Falcão, sucessor na quinta de Barrifalcão, onde fal. a 14.1.1613, casado com Ana Gonçalves (de Meirelles ou da Cunha), aí fal. a 12.1.1626. Destes foi filha, entre outros, Maria Braz Falcão, fal. a 5.3.1644, ib, e casada a 6.9.1609, ib, com seu primo Francisco de Magalhães, fal. a 11.12.1637, ib, bisneto dos anteditos Afonso Pires Falcão e sua 2ª mulher Susana de Magalhães, os quais tiveram em dote de casamento, por escritura de 27.1.1609, a casa de Barrifalcão, depois também chamada Refalcão ou Rifalcão, c.g. nos viscondes de Pindela, herdeiros desta casa, e em várias outras famílias, nomeadamente nos Moura Coutinho e Magalhães Teixeira da Cunha Falcão e Andrade, da casa de Olela, em Stª Senhorinha, que refiro no meu estudo sobre os Pinto e Moura Coutinho, de Stª Marinha de Zêzere. 1.1.1.5.2.3. (N) Filipa de Magalhães, legitimada por carta real de 24.8.1475, havida em Leonor Fernandes. 1.1.1.6. Lopo Rodrigues de Magalhães, nascido cerca de 1376, que Alão, sem o entroncar, diz casado com uma Margarida Nunes, a quem dá vários filhos, entre eles um Rui de Magalhães, cavaleiro da Ordem de Santiago que foi escrivão dos filhamentos do conde de Portalegre. Ora, o 1º conde de Portalegre, D. Diogo da Silva, só foi conde em 1496, pelo que não se pode tratar do mesmo Lopo Rodrigues. Por outro lado, Alão diz que os descendentes dizem que este Lopo Rodrigues foi para Figueiró e Pedrógão «para tratar dos bens da Casa de João Rodrigues Ribeiro de Vasconcellos, que ficou órfão de pouca idade». Ora, este João Rodrigues Ribeiro de Vasconcellos que ficou órfão de pouca idade era o cunhado de João de Magalhães, o 1º senhor da Barca. João Rodrigues nasceu cerca de 1425 e ficou órfão em 1435, com cerca de 10 anos de idade, como se documenta. Pelo que este Lopo Rodrigues de Magalhães, para desempenhar tal função teria de ter já uma idade respeitável. O que acerta cronologicamente com o Lopo Rodrigues em epígrafe, que teria nascido cerca de 1380, pelo que em 1435 teria uns 59 anos. Este Lopo Rodrigues era assim tio de João de Magalhães, o 1º senhor da Barca, que casou cerca de 1438 com a irmã do dito João Rodrigues Ribeiro, sendo porventura este casamento proporcionado justamente pela influência de Lopo Rodrigues. Julgo portanto ser este o que foi para Figueiró, dando origem ao Magalhães de lá. Não sei se foi este Lopo Rodrigues ou seu neto homónimo que casou com uma Margarida Nunes. 1.1.1.6.1. Fernão Lopes de Magalhães, nascido cerca 1402, escrivão do paço régio da Madeira na cidade de Lisboa. A 3.4.1439 D. Afonso V confirmou a nomeação de Fernão Lopes de Magalhães, criado de João Gonçalves, escrivão da puridade de D. João I, no cargo de escrivão do paço régio da Madeira na cidade de Lisboa, assim como o era em vida de D. João I (inserta carta de confirmação de D. Duarte de 17.11.1433). Pelo patronímico parece filho de Lopo Rodrigues, tanto mais que não se conhece outro Lopo nesta cronologia. Inversamente, o seu patronímico vem provar a existência de um Lopo (...) de Magalhães nascido no último quartel do séc. XIV. 1.1.1.6.1.1. ?Lopo Rodrigues (de Magalhães), que Alão confunde com seu avô homónimo, nesta hipótese. Foi inquiridor das inquirições judiciais de Pedrógão Grande e escrivão dos órfãos da mesma vila, cargos a que renunciou em 1500 e 1501. Parece que instituiu uma capela em Figueiró dos Vinhos, da invocação de Espírito Santo. Nasceu cerca de 1425/30 e fal. depois de 1501. A 26.3.1501 D. Manuel I confirmou aos juizes, vereadores e homens bons de Pedrógão Grande a eleição de Diogo de Magalhães para escrivão dos órfãos nessa vila e seus termos, visto um instrumento de eleição, feito e assinado por Álvaro de Oliveira, tabelião nessa mesma vila, a 16.3.1501, no qual, entre outras coisas, se continha que Lopo Rodrigues, pai de Diogo de Magalhães, que o servira, renunciara em mãos d'el rei, pelo que o ofício estava vago, e eles todos juntos, segundo seu costume, haviam elegido e apresentavam o dito Diogo de Magalhães. E visto o instrumento de renunciação de seu pai que o suplicante mostrou, feito e assinado por Luiz Anes, tabelião por el rei na vila de Figueiró dos Vinhos, a 25.2.1501 e visto seu dizer e pedir e por acharem Diogo de Magalhães suficiente como fora o seu antecessor, o dava em sua vida, nessa vila e seus termos, por escrivão dos órfãos. E a 7.4.1500 o mesmo rei, por carta endereçada aos juizes, concelho e homens bons de Pedrógão Grande, nomeou o mesmo Diogo de Magalhães, ali morador, inquiridor das inquirições judiciais do lugar onde mora, que era de Lopo Rodrigues que ao mesmo renunciou, de acordo com instrumento de renúncia lavrado pelo tabelião da cidade de Lisboa, Braz Afonso, datado de 2.4.1500. Que este Lopo Rodrigues não era o Lopo Rodrigues de Magalhães que Alão e outros dizem que foi aio ou administrador da Casa («tratar dos bens da Casa») de João Rodrigues Ribeiro de Vasconcellos «que ficou órfão de pouca idade» é evidente não só pela cronologia mas também pelo estatuto. Sendo que este Lopo Rodrigues, que propomos neto do outro (não sendo de excluir a hipótese de ser neto materno, dado que nunca se documenta como Magalhães, sendo contudo certo que era desta família) é certamente o Lopo Rodrigues, escudeiro de João Rodrigues Ribeiro, que a 1.3.1463 D. Afonso V nomeou por três anos para o cargo de coudel da vila de Pedrógão e Figueiró e seus termos, em substituição de Diogo Vasques, que terminara o seu tempo de exercício, sendo em 1466 foi substituído no cargo por Nuno Leitão. Mas em 1463 já João Rodrigues Ribeiro tinha cerca de 38 anos e era do Conselho de D. Afonso V. A 11.2.1471 já Lopo Rodrigues era escudeiro régio, pois nesta data o mesmo rei doou a Lopo Rodrigues, escudeiro régio, umas casas que pertenceram a Afonso Anes, clérigo de missa, morador que foi em Pedrogão Grande, que as comprara sem licença régia, e à sua morte as deixara a Leonor Gonçalves, sua servidora. A a 5, 6 e 18.1.1473 D. Afonso V confirmou a nomeação vitalícia de Lopo Rodrigues, escudeiro, morador em Figueiró, feita pelos juizes, vereadores, procuradores corregedores e homens bons de Figueiró, no cargo de escrivão da câmara e dos orfãos da dita vila, bem assim como escrivão vitalício da almotaçaria do dito concelho e de escrivão da coudelaria e inquiridor de Figueiró e Pedrogão, em substituição de Afonso do Porto, que morrera. E a 18.12.1475 voltou a nomear por três anos Lopo Rodrigues, escudeiro da Casa Real, para o cargo de coudel de Figueiró e Pedrógão, em substituição de João Álvares. Terá sido este e não o proposto avô que casou, cerca de 1450/60, com Margarida Nunes. Foi pai, entre outros, do já referido Rui de Magalhães, que Alão diz ter sido cavaleiro da Ordem de Santiago, escrivão dos filhamentos, mordomo-mor e vedor do conde de Portalegre, e de Branca da Magalhães, nascida cerca de 1463, que sucedeu na capela instituída por seu pai e casou com Rui Cotrim, escrivão das sisas de Figueiró (8.2.1487). Sendo certo que foi pai do antedito Diogo de Magalhães, que a 7.4.1500 o substituiu como inquiridor das inquirições judiciais de Pedrógão Grande, e a 26.3.1501 como escrivão dos órfãos da mesma vila, cargo em que servira seu pai e renunciara nas mãos do rei a 25 de Fevereiro desse ano. A 6.3.1513 Diogo de Magalhães, escudeiro, morador em Pedrógão Grande, foi nomeado escrivão das sisas de Penela. 1.1.1.7. (Leonor) Afonso de Magalhães, nascida cerca de 1378, que casou com Lourenço Gil, escudeiro de D. João I, a quem este rei doou a 23.8.1384, para sempre, os bens móveis e de raiz que tinham em Beja seus pais, Gil Anes, corregedor que foi de D. Fernando I, e sua mulher Senhorinha Gil, que os perderam por terem tomado o partido de Castela, bens esses que o mestre de Avis antes doara a Estêvão Anes Lobeira, que os perdeu também por andar em deserviço. 1.1.1.7.1. Afonso Lourenço de Magalhães, escudeiro, já falecido em 1436, morador que foi em Santarém. Sendo casado (o documento não refere com quem), Afonso Lourenço de Magalhães teve de Catarina Anes, mulher solteira, uma filha: 1.1.1.7.1.1. (N) Leonor Afonso de Magalhães, legitimada por carta real de 26.1.1436, sendo então já casada com Gonçalo da Fonseca, criado de D. Duarte I, que parece ser o Gonçalo da Fonseca, alcaide-mor de Marialva, a quem a 22.5.1459 D. Afonso V nomeou por cinco anos para o cargo de coudel de Langroiva, Muxagata, Vila Nova de Foz Côa e Meda. 1.1.1.7.2. Martim Gil, nascido cerca de 1400, escrivão da corte de D. Duarte, também referido como escrivão e notário público geral do rei, aparecendo em dezenas de documentos, muitos dos quais assina. Não se sabe com quem casou. 1.1.1.7.2.1. Gil Anes, que recuperou o nome de seu bisavô, o corregedor de D. Fernando I. Nasceu cerca de 1438 e foi cavaleiro fidalgo de D. Afonso V e vedor da descarga das naus e navios do porto de Lisboa. A 29.3.1665 D. Afonso V concedeu carta de privilégio a Gil Eanes, cavaleiro da sua Casa, para todos os seus mordomos e apaniguados para a comarca e correição da Estremadura. A 20.1.1465 D. Afonso V doou a Gil Eanes, cavaleiro da sua Casa, vedor da descarga das naus e navios do porto de cidade de Lisboa, uma tença anual de 8.400 reais de prata de mantimento pelo seu ofício, a partir de 1 de Janeiro de 1462, a serem pagas pela Alfândega da dita cidade. Dizem as genealogias que Gil Anes, a que dão o nome Magalhães, foi embaixador a Inglaterra e ao imperador Maximiliano (neto materno de D. Duarte) e cavaleiro da Jarreteira (Order of the Garter), mas não consta nas respectivas listas. Outros dizem que era cavaleiro do Santo Sepulcro. O Dr. João da Madre de Deus, nas suas Memórias, diz que não sabia de quem era filho, só que era um cidadão honrado de Lisboa e que estava enterrado em S. Francisco de Xabregas com uma cruz por armas, e lhe chamavam o cavaleiro porque parece que o era da Ordem do Sepulcro de Jerusalém, hábito que dava o guardião daquele convento aos romeiros. Gil Anes casou com Isabel de Paiva, filha de Vasco Martins de Paiva, cavaleiro da Casa de D. Afonso V. A 28.3.1476 este rei privilegiou Vasco Martins de Paiva, cavaleiro da sua Casa, morador na cidade de Évora, coutando-lhe a herdade e terra que tem no termo da dita cidade, bem como concedeu alguns privilégios aos lavradores do novo couto. E a 30.10.1477 D. Afonso V privilegiou o prior e mosteiro de Santa Maria do Espinheiro, ordenando que qualquer demanda que seja posta contra eles na comarca de Entre-Tejo-e-Odiana fosse julgada na cidade de Évora, nomeando para juiz dos feitos Vasco Martins de Paiva, cavaleiro, morador na dita cidade. Gil Anes e sua mulher foram pais, entre outros, de Bartolomeu de Paiva, do Conselho, amo e camareiro de D. João III, e de D. Beatriz de Paiva, ama de leite de D. João III, que casou com D. Álvaro da Costa, do Conselho, criado e feitor de D. Manuel I e depois seu guarda-roupa (pelo menos desde 1507), camareiro (1512) e armador-mor (1515), rei que lhe deu o tratamento de Dom. C.g. que muito usou o prenome e patronímico Gil Anes. 1.1.1.7.3. Gonçalo Anes de Magalhães, nascido cerca 1402, fidalgo da Casa Real, recebedor do almoxarifado de Beja, etc. Gonçalo Anes de Magalhães já se documenta como recebedor em 1435, na Chancelaria de D. Duarte. A 4.1.1445 D. Afonso V fez quitação a Gonçalo Anes de Magalhães, seu escudeiro e recebedor do almoxarifado de Beja, morador nesta vila, da verba de 792.976 reais, relativa ao ano de 1442, período durante o qual recebera as rendas do dito almoxarifado, conforme a apresentação do relatório de receitas e despesas. 1.1.1.7.3.1. Diogo de Magalhães, n. cerca de 1440, tabelião de Silves a 2.4.1482, onde antes foi juiz. A 21.7.1468 D. Afonso V perdoou o degredo de seis meses a Diogo de Magalhães, morador na cidade de Silves, de um ano a que fora condenado para a cidade de Ceuta, tendo pago 500 reais de prata para a Arca da Piedade. A 7.4.1475 o mesmo rei perdoou a justiça régia a Vasco Rodrigues, morador na cidade de Silves, acusado de ter impedido Vicente Chagas, corregedor régio no reino do Algarve, de levar preso Diogo de Magalhães, juiz, mediante o perdão das partes, tendo pago 700 reais para a Arca da Piedade (instrumento público de perdão de 3.4.1475). Em 1501 era tabelião de Silves um Pedro de Magalhães, possivelmente seu filho. 1.1.1.7.4. Nuno Anes de Magalhães, virtual pai de: 1.1.1.7.4.1. Martim Nunes de Magalhães, criado da rainha D. Leonor, morador em Olivença, que a 19.12.1464 foi nomeado por D. Afonso V para o cargo de inquiridor e contador da dita vila e seu termo, em substituição de Lourenço Gonçalves, que renunciara. Este Lourenço Gonçalves devia ser pai ou irmão da mãe de Martim Nunes de Magalhães.
PORTO, 2007 |
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