Brandão
de Macedo e Mello de
Melres
Breve
ensaio sobre os Brandão de Melres, a mais antiga família nobre que se
conhece nesta vila, onde se instala no início de 1500, e aqui cedo se
relaciona com os Macedo e Mello e os Vieira, e depois com os Portocarrero,
a restante fidalguia local. Esta resenha acaba no séc. XVIII, com o
casamento da herdeira destes Brandão com o morgado João da Cunha Coutinho
Ozorio de Portocarreiro, senhor do palácio da Bandeirinha, no Porto,
família que tinha ido para Melres em 1600 devido ao casamento com uma
herdeira dos referidos Vieira. Na outra linha acaba com D. Antónia Benedita,
herdeira da Casa Grande, que casou com o morgado de Vilar de Perdizes.
§1
-
Quinta da Sobreira
I
- Álvaro Brandão,
escudeiro fidalgo da Casa Real e cidadão do Porto, onde
foi vereador do Senado da Câmara e juiz almotacé em 1501 1
e onde institui capela de missas no convento de S. Domingos, à qual
vinculou um senso anual de trinta reais, imposto no seu casal de Esposade,
junto a Leça da Palmeira. Nasceu cerca de 1455 e faleceu depois de 1522.
A 10.11.1498 foi nomeado, por carta de D. Manuel I, escrivão das sisas
e redízima do concelho de Melres, na sequência do que se instala nesta
vila, onde foi o 1º senhor da quinta da Sobreira, onde viveu, e senhor
da quinta do Souto, mais tarde chamada dos Loureiros. No foral da vila
de Melres, dado por D. Manuel I a 15.9.1514, já se fala deste Álvaro
Brandão e das suas duas quintas, que no total pagavam 1.720 reais de
foro: «E a quimtaa de souereira paga outros mill e oytmta Reaaes.
E outra quimta dáluaro brandam seis cemtos e quoremta Reaaes.»
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Á
esquerda:
Janela renascentista armoriada (escudo esquartelado de Brandão
e Pereira) da casa dos Brandão que existia na rua da Alfândega
no Porto. Acima: Túmulo armoriado (Pinto Brandão) de
João Brandão, falecido em 1501, existente na igreja de S.
Francisco, no Porto. É curioso verificar o esquartelamento
inverso de Pinto (mal representado), pela mãe, e de Brandão,
pelo pai. |
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Este
Álvaro Brandão era certamente filho do célebre João Brandão, que esteve
na batalha de Alfarrobeira por D. Afonso V (era então escudeiro da Casa
Real e recebeu a 15.7.1450 bens de indivíduos que os perderam por ter
estado nessa batalha pelo lado do infante D. Pedro) e foi tesoureiro
e recebedor da Moeda (1464) e depois contador do Porto (1472), cidade
onde faleceu velho em 1501, estando sepultado em belo túmulo armoriado
na igreja de S. Francisco. Já como cavaleiro da Casa Real e tesoureiro
da Moeda do Porto, João Brandão recebeu a 11.6.1469 de D. Afonso V a
administração de uma capela na igreja de Sela, terra de Santa Maria,
bem como as suas terras e rendas. A 1.1.1466 D. Afonso V confirmou-lhe
o aforamento de umas casas na Rua Formosa, na cidade do Porto, por 55
libras da moeda antiga, com determinadas condições, entre as quais o
melhoramento do edifício. Este João Brandão era filho
de Álvaro Gonçalves Brandão, pajem de lança de D. João I, e de sua primeira
mulher Maria Pinto, e bisneto paterno de Gonçalo Brandão, certamente
o Gonçalo Brandão a quem D. Domingos Geraldes Brandão deixa, no seu
testamento de 29.10.1381, o lugar de Bonjardim, no Porto, como diz Alão.
E tudo indica que este Gonçalo Brandão seja irmão de Lopo Fernandes
Brandão, ambos filhos de Fernão Martins Brandão, alcaide-mor de Arronches
(1.1.1363). Aquele Álvaro Gonçalves Brandão, sendo referido como criado
do rei D. Duarte e morador em Sanfins, teve a
9.9.1439 de D. Afonso V carta de privilégio
para todos os seus caseiros, lavradores, mordomos e apaniguados da comarca
e correição da Beira.
Álvaro
Brandão casou cerca de 1490 com Maria Beatriz de Aragão, irmã
de James de Aragão, escudeiro do bispo do Porto (1486), juiz almotacé
(1497-1504) e vereador do Senado do Porto (1509), ambos filhos de João
de Aragão 2,
escudeiro (1440) e vassalo (1460) da Casa Real, cidadão do Porto a aí
vereador do Senado da Câmara desde 1439 a 1456, juiz (1460), alcaide
da Moeda (1440), vedor das Obras da Muralha (6.3.1448), etc., e de sua
mulher Violante Gil. Sendo referido como Jaime de Aragão, escudeiro,
morador no Porto, teve a 25.1.1463 o cargo de coudel nessa cidade e
seu termo.
Álvaro
Brandão e sua mulher Maria de Aragão ainda viviam em 23.12.1522, data
em que herdaram de Leonor de Aragão, irmã dela, a casa da Cruz do Souto,
no Porto, que fora de seus pais 3.
Já tinham ambos falecido em 1526.
Filhos:
1(II)
Maria Brandão,
freira em Santa Maria de Tarouquela em 1522.
2(II)
Isabel Brandão,
que segue.
II
- Isabel Brandão,
que sucedeu a seu pai como 2ª senhora das quintas
da Sobreira, onde viveu, e do Souto, sendo ainda senhora da casa da
Cruz do Souto, no Porto, e senhora da capela dos Brandão no convento
de S. Domingos, no Porto. Nasceu cerca de 1492 e faleceu depois de 1527.
Casou
em Melres cerca de 1515 com António Gomes de Freitas, escudeiro
fidalgo da Casa Real e cidadão do Porto, que sucedeu a seu sogro como
escrivão das sisas e redízima do concelho de Melres, por carta de D.
João III 4.
Era filho de Gomes Fernandes de Freitas, cidadão do Porto e da governança
desta cidade, e familiar dos Freitas e Faria do Porto 5.
António
Gomes de Freitas e sua mulher Isabel Brandão adquiriram, por escritura
de 28.3.1526, feita no tabelião do Porto Brás Francisco, alguns casais
e foros contíguos à sua casa da Cruz do Souto 6.
Filhos:
1(III)
António Brandão de Faria,
escudeiro fidalgo da Casa Real (Ementas, 3, 100 e 11248), que teve carta
de aforamento (ib, 5, 7) e sucedeu como 3º administrador da capela dos
Brandão em S. Domingos do Porto 7
e pelo menos como co-herdeiro casa da Cruz do Souto.
Casou com Isabel da Rocha. Em 1560 viviam em Lisboa, na rua de
Valverde. Julga-se que sem geração.
2(III)
Maria Brandão de Aragão,
freira no mosteiro de S. Bento do Porto.
3(III)
João Brandão de Faria,
que segue.
4(III)
Heitor de Faria,
cavaleiro fidalgo da Casa Real, que foi para a Índia, sendo em 1563
dado como desaparecido.
5(III)
Francisca Brandão
casada com o Cap. António de Macedo, que
seguem no §2.
III
- João Brandão de Faria,
cavaleiro fidalgo da Casa Real, sucedeu a seu pai como
escrivão das sisas e redízima do concelho de Melres, e
a sua mãe como 3º senhor da quinta da Sobreira, onde nasceu
cerca de 1520 e faleceu depois de 1581. Com seus irmãos, todos co-herdeiros
da casa da Cruz do Souto, venderam esta propriedade por 40.000 reais
em escritura de 3.1.1571.
Casou
cerca de 1560 com sua prima Maria de Freitas, nascida cerca de
1545 e falecida viúva a 29.10.1633 na quinta da Sobreira, sendo sepultada
na matriz de Melres em «campa grande» e deixando testamenteiro
António de Macedo. Julgo 8
que esta Maria de Freitas era filha de Pantaleão de Freitas, juiz da
Alfândega do Porto em 1566, e de sua mulher Francisca Vieira; e neta
paterna de Fernão Rodrigues de Freitas, cidadão do Porto e aí senhor
da quinta da Deveza, e de sua mulher e sobrinha Luiza de Freitas, todos
referidos na nota nº 5.
Filhos:
1(IV)
Catarina Brandão,
co-senhora
da quinta da Sobreira,
onde nasceu cerca de 1561, madrinha em 1603, e falecida na quinta da
Sobreira a 6.10.1622, solteira, deixando herdeiro seu sobrinho Álvaro
Brandão e testamenteiros seus cunhados o capitão-mor João de Azeredo
e Gonçalo Rebello.
2(IV)
Joana de Aragão,
co-senhora da quinta
da Sobreira, onde nasceu cerca de 1562 e faleceu antes de 1625. Casou
com João de Azeredo e Araújo, 1º capitão-mor de Melres, falecido
depois de 1644, irmão do abade de Melres Clemente de Azeredo, de Maria
de Azeredo Ferraz casada antes de 2.12.1591 com André Soares da Mota
9,
e de Antónia Ferraz Vieira, 3ª senhora da quinta de Marrocos, em Melres,
casada em 1601 com Manuel da Cunha Coutinho de Portocarreiro 10,
todos filhos de Álvaro de Araújo Ferraz, cavaleiro fidalgo
da Casa Real, cidadão do Porto, senhor da quinta de Pensos, em Santa
Clara do Torrão (prazo de 26.1.1588), que faleceu a 18.8.1591 em Melres,
e de sua mulher Justa Vieira Cabral, 2ª senhora da quinta de Marrocos,
em Melres, onde faleceu a 8.5.1618; netos paternos de Manuel de Araújo
Ferraz, infanção do Porto, e de sua mulher Maria de Azeredo; e netos
maternos de Jorge Vieira Cabral 11,
fal. em 1552, tabelião e recebedor das sisas de Melres e aí o
1º senhor da grande quinta de Marrocos, que se estendia por ambas as
margens do rio Douro, e que viria a dar lugar ao morgadio de S. Tiago
de Melres dos Portocarreiro, referidos adiante, e de sua mulher Maria
Cabral. Sem geração.
Pedras
de Armas do morgadio de S. Tiago de Melres, dos
Portocarrero, hoje dito, por osmose com a casa do Porto, quinta da Bandeirinha.
À
esquerda: a mais
recente (finais do séc. XVII), esquartelada de Portocarrero, Ozorio,
Cunha e Coutinho, com timbre de Portocarrero, mandada colocar pelo
3º morgado Manuel da Cunha Coutinho de Portocarreiro.
Á
direita: a mais antiga (1ª metade
do séc. XVII),
esquartelada de Cunha, Ferraz, Vieira e Ozorio, mandada colocar por
Manuel da Cunha Ozorio de PortocarreIro, 2º morgado, pai do anterior,
que era filho de Antónia Ferraz Vieira, que justamente levou
em dote a quinta de Melres.
3(IV)
Isabel Brandão,
que segue.
4(IV)
Ana Vieira de Aragão,
que certamente nasceu em Melres, cerca de 1566, e fal. a 14.2.1625 em
S. Lourenço do Douro, com testamento, deixando herdeiro e testamenteiro
seu marido. Casou cerca de 1587 com Jorge Moutinho de Altero,
senhor da quinta de Sande, em S. Lourenço do Douro, prazo do convento
de Bustelo, onde fal. a 27.6.1645, deixando herdeiro o seu genro Dr.
Diogo Peixoto da Silva. Em 1608 Jorge Moutinho de Altero e sua
mulher tinham o prazo da Concela, em Stª Marinha de Penhalonga (Prazos
do Convento de Alpendurada, 19, 291).
Filhos:
4.1(V)
Ana Vieira,
que casou com Manuel Aranha, s.g. Em 1607 tiveram o
prazo da Concela de Cima, em Stª Marinha de Penhalonga (Prazos do Convento
de Alpendurada, 19, 293).
4.2(V)
Maria Moutinho de Altero,
sucessora, que nasceu cerca de 1598 em S. Lourenço do Douro, onde faleceu
a 24.12.1669, com testamento, deixando herdeiros seus filhos. A 17.9.1641
teve, com seu marido, renovação do prazo da quinta de Sande, em S. Lourenço
do Douro (Convento de Bustelo, 25, 49). Casou a 12.8.1618, ib, com o
Dr. Diogo Peixoto da Silva, nascido em S. Paio de Favões, juiz
de S. Lourenço do Douro, etc., falecido, com testamento, a 27.6.1645
na antedita quinta de Sande, que herdou do sogro e onde viveu ainda
em vida deste. A sua filiação infelizmente não é referida
no assento de casamento. As genealogias (nomeadamente Gaio, Volume XI,
Costados, pag. 216) dizem-no filho de Manuel da Mota (Peixoto da Silva)
e de sua mulher Maria Ribeiro. Mas uma Maria da Mota, referida como
mãe do licenciado Diogo Peixoto da Silva, faleceu a 28.9.1633 na vizinha
freguesia de Sande (Marco). Não devem ter existido na mesma época
dois licenciados de nome Diogo Peixoto da Silva, até porque só
encontrei na Universidade de Coimbra um Diogo Peixoto que estava matriculado
em Cânones a 13.10.1614, sendo justamente natural de S. Paio de Favões
e vindo aí referido como filho de Jorge Peixoto. Ora, este é
certamente o Jorge Peixoto Cabral, abade de S. Paio de Favões, que nomeadamente
teve filhos naturais em Maria Francisca, solteira de Oleiros (Vila Boa
do Bispo), e que veio a S. Lourenço do Douro, sendo abade de
S. Paio de Favões, baptizar em 1619 o primeiro filho deste licenciado
Diogo Peixoto da Silva. Não me parece, assim, restarem grandes
dúvidas de que o Dr. Diogo Peixoto da Silva era portanto filho
natural da antedita Maria da Mota (filha talvez dos tais Manuel da Mota
e sua mulher Maria Ribeiro) e do abade Jorge Peixoto Cabral. Este abade
(já o era em 1587 e mantinha-se em 1619) nasceu cerca de 1545
e era filho de Jorge Gonçalves Peixoto (Cabral), nascido cerca
de 1515 e falecido a 8.5.1590 em S. Miguel de Matos, onde foi senhor
da quinta da Granja, e de sua mulher Isabel Álvares de Souza;
e neto paterno de Diogo Anes Peixoto (da Silva) e sua mulher Maria Gonçalves,
moradores na sua quinta do Pinheiro, em Vila Boa do Bispo. Gaio chama
Pinheiro a esta Maria Gonçalves e diz que era neta de João
Vasques de Lordelo, senhor da quinta do Olival, em Lidrais (Vila Boa
do Bispo), que documento como escudeiro do duque de Guimarães
e vassalo régio em 1471. Mas seria apenas Maria Gonçalves,
dita do Pinheiro por ser senhora da dita quinta do Pinheiro. Para ser
neta de João Vasques de Lordelo, esta Maria Gonçalves,
dadas a onomástica e a cronologia, só podia ser neta materna,
filha de uma sua filha, que certamente casou com o João Gonçalves
que era morador na quintã de Lidrães da terra de Bemviver
quando a 13.9.1513 foi nomeado tabelião do público e judicial
do concelho de Sanfins, na condição de ir viver para esse
concelho, sucedendo a Fernão Pires que renunciou o dito ofício,
de acordo com o instrumento de renúncia feito e assinado por
Pedro Anes, tabelião da dita terra de Bemviver, datado de 12.9.1513.
Mas não ficou muito tempo no cargo, pois a 5.11.1516 D. Manuel
I deu conhecimento aos juizes, concelho e homens bons do concelho de
Sanfins da mercê do ofício de tabelião do público
e do judicial feita a Álvaro Dias, morador em Bemviver, substituindo
João Gonçalves, que o perdeu por erros cometidos, descritos
na carta. João Vasques de Lordelo, portanto avô materno
da mulher de Diogo Anes Peixoto (da Silva), foi pai de Pedro Anes (de
Lidrais), escudeiro, senhor da quinta do Olival, em Lidrais (Vila Boa
do Bispo), escrivão dos órfãos (28.4.1504), tabelião
(era-o em 1513) e inquiridor das inquirições judiciais
e contador dos feitos e custas (9.3.1500) de Bemviver, etc., que casou
com Isabel Pires Vieira, filha de Pedro Gonçalves Cabral, senhor
de um prazo do Ribeiro, em Vila Boa do Bispo, e sua mulher Beatriz Afonso
Vieira, senhora da quinta do Ribeiro, em S. Lourenço do Douro.
Ora, este Pedro Gonçalves Cabral era tio do antedio Diogo Anes
Peixoto (da Silva), filho de seu irmão João Gonçalves
Peixoto, ambos de Vila Boa do Bispo e filhos
de outro João Gonçalves Peixoto e de sua mulher e prima
Catarina Martins Cabral, e netos paternos de Lourenço Cabral
Peixoto e sua mulher Isabel da Silva. Este Lourenço era filho
de Álvaro
Gonçalves Peixoto e de sua mulher Catarina Gil Cabral (filha
de Álvaro Gil Cabral, 1º senhor de Azurara da Beira, etc.);
neto de Gonçalo Anes Peixoto, o último que o conde D.
Pedro refere, sem mais informação, pelo que seria então
jovem e ainda solteiro, e de sua mulher Inez Pires;biseto de João
Vasques Peixoto e sua mulher Guiomar Anes Espinhel; trineto de Vasco
Gonçalves Peixoto, senhor da honra de Pardelhas, e de sua mulher
Maria Anes Tenro, senhora da honra de Pedroso; 4º neto de Gonçalo
Gomes Peixoto, senhor da honra de Pardelhas, e de sua mulher Usenda
Anes de Guimarães; e 5º neto de Gomes Peixoto, o Velho,
senhor da honra de Pardelhas, o 1º deste nome, e sua mulher D.Maria
Rodrigues Pereira. Gomes Peixoto, o Velho, parece ter recebido de D.
Afonso III a honra de Pardelhas, junto a Guimarães, e outras
terras. Foi o patriarca da linhagem dos Peixoto e estabeleceu-se primeiro
em Montelongo (hoje Fafe), região norte e sub região do
Ave, e depois na freguesia de Serzedelo, em Guimarães, também
distrito de Braga, onde construiu o solar dos Peixoto, com uma torre
brasonada. Certamente devido à sua alcunha, genealogias posteriores
identificaram-no com D. Gomes Viegas de Portocarreiro, o "Peixoto"
de alcunha, que foi, como seus irmãos, um partidário de
D. Afonso III, em cuja corte aparece entre 1251 e 1252, como seu conselheiro.
O Livro de Linhagens diz que «foi boo cavaleiro, e morreo
sem semel», ou seja, sem geração. Era irmão
de D. João Viegas de Portocarreiro, arcebispo de Braga, ambos
filho de D. Egas Henriques de Portocarreiro e sua mulher D.Teresa Gonçalves
de Curveira. Mas o conde D. Pedro inicia a linhagem dos Peixoto com
Gomes Peixoto, o Velho, sem o identificar com D. Gomes Viegas de Portocarreiro,
que também trata, na linhagem dos Portocarreiro. E investigações
modernas (nomeadamente Pizarro) negam a possibilidade de se identificar
D. Gomes Viegas de Portocarreiro, que não deixou geração,
com Gomes Peixoto, o Velho, tronco dos Peixoto. Contudo, e daí
talvez a semelhança nas armas e a confusão que se pode
ter estabelecido, este Gomes Peixoto, o Velho, casou com D. Maria Rodrigues
Pereira, filha de D. Sancha Henriques de Portocarreiro, que por sua
mãe era prima-direita do antedito D. Gomes Viegas de Portocarreiro,
o "Peixoto" de alcunha.
Filhos:
4.2.1(VI)
Miguel Peixoto, b. a 3.10.1619 em S. Lourenço do Douro pelo abade
de S. Paio de Favões Jorge Peixoto, sendo padrinhos António Peixoto,
morador no Torrão, e Maria do Couto, filha de Jácome do Couto, de Espanadelo.
Fal. depois de 1639
4.2.2(VI) João Peixoto da Silva,
fidalgo da Casa Real (14.3.1649),
b. a 26.10.1623, ib, sendo padrinhos Francisco do Couto, de Rosém, e
Antónia Correia, dessa freguesia. Teve assento de óbito em S.
Lourenço de Douro a 10.9.1648, onde se diz que se soube que tinha
falecido na Índia, ficando herdeira sua mãe.
4.1.3(VI) Padre Jorge Moutinho
de Altero,
b. a 2.11.1625, ib, sendo padrinhos o capitão-mor Cristóvão Vieira de
Pedrosa, de Sande, e Maria Marques, mulher de António André. Em 1695
teve com sua irmã Ana Vieira Cabral o prazo da Concela de Cima,
em Stª Marinha de Penhalonga (Prazos do Convento de Alpendurada, 20,
236). Casou sua irmã Mariana.
4.2.4(VI) Isabel da Silva,
madrinha em Sande em 1639
e em S. Lourenço
do Douro em 1640.
4.2.5(VI)
António Peixoto da Silva, abade de Manhucelos. Foi b. a 12.4.1630,
ib, por António Peixoto, abade de S. Paio de Favões, sendo
padrinhos Jorge Barreto, de Ariz, e Antónia Cerveira, mulher de Luiz
Pereira, de Sande.
4.2.6(VI)
José, b. a 13.6.1632, ib, por Gregório Ribeiro, abade
de Sande, sendo padrinhos Jorge Barreto e sua irmã, Antónia de Araújo,
mulher de Gonçalo Pinto, de Ariz.
4.2.7(VI) Leonor da Mota Vieira,
b. a 16.5.1634 em Sande, sendo padrinhos António Godinho e sua mulher
Maria do Olival, moradores na Lagoa (este assento está fora de
ordem, entre dois assentos de Janeiro de 1622). Casou a 25.5.1671 em
S. Lourenço do Douro com seu primo o capitão-mor António Brandão
de Macedo e Mello, adiante no nº
VI, onde segue.
4.2.8(VI) Ana Vieira Cabral,
b. a 28.2.1636 em Sande, sendo padrinhos Jorge Barreto de Araújo
e Maria do Olival, mulher de António Godinho. Em 1695 teve com seu irmão
Jorge Moutinho o prazo da Concela de Cima, em Stª Marinha de Penhalonga
(Prazos do Convento de Alpendurada, 20, 236).
4.2.9(VI) Antónia, b. em 1638 (não consta o dia e mês)
em S. Lourenço do Douro, sendo Matias Pinto de Vasconcellos seu padrinho.
4.2.8(VI) Mariana Peixoto da Silva,
que casou a 25.2.1658 em S. Lourenço do Douro com António de Azeredo
Lousada, senhor da quinta do Paço, em Bemviver, com geração nos
Teixeira de Azeredo Montarroio.
5(IV) Maria Brandão,
nascida na quinta da Sobreira cerca de 1575 e falecida em Melres a 9.10.1632,
sendo sepultada na capela-mor da matriz. Casou cerca de 1596, ib, com
Belchior Pinto Ribeiro, natural de Canavezes, cidadão do Porto,
que passou a viver em Melres, onde fez casa e faleceu a 27.2.1636, filho
de Gonçalo Pinto Ribeiro e de sua mulher Filipa Vieira Ferraz.
Filhos:
5.1(V) Maria Brandão,
que em 1609 é madrinha em Melres, com seu pai, de um filho de Manuel
da Cunha Coutinho de Portocarreiro, e ainda vivia em 1646.
5.2(V) Gonçalo,
nascido a 15.6.1598 em Melres, sem mais notícia, mas que deve ter falecido
novo, sem geração.
5.3(V) João Pinto Ferraz,
Padre, nascido em 1601 em Melres falecido a 17.1.1639, ib.
5.4(V) Pedro Pinto Brandão,
que sucedeu na casa destes em Melres, que instituiu em morgadio, onde
nasceu a 21.1.1605 e faleceu a 13.2.1657, sendo sepultado com sua mãe
na capela-mor da matriz. Casou com Maria de Sousa da Cunha, filha
de António da Cunha e de sua mulher Helena de Sousa de Macedo
Filho:
5.4.1(VI) João da Cunha Pinto Brandão,
que sucedeu no morgadio dos Pinto Brandão, em Melres, onde viveu. Casou
em Paço de Souza com Serafina de Andrade, aí nascida e falecida
a 2.11.1727 em Melres, filha de Jerónimo Rodrigues de Andrade, senhor
da quinta de Cadeade, em Paço de Sousa, e de sua mulher e prima Maria
Vicência de Andrade.
Filhos:
5.4.1.1(VII) João da Cunha Pinto Brandão,
que na vida religiosa se chamou Dom Frei João de Sahagún, foi bispo
de S. Tomé (1709), governador do bispado do Porto, etc. Sucedeu no morgadio
dos Pinto Brandão, que deixou a sua irmã D. Guiomar. Nasceu cerca de
1665 em Melres e faleceu em S. Tomé em 1730. Professou na Ordem de Santo
Agostinho a 22.7.1693 e foi missionário em S. Tomé durante sete anos
e depois governador do bispado do Porto. Em 1709 é nomeado bispo de
S. Tomé. Empenhou-se em aplacar as graves discórdias que dividiam o
cabido e mais clero, mas sofreu tantos desgostos que em 1714 veio a
Lisboa solicitar a renúncia do cargo, o que não lhe foi concedido. Regressou
ao seu bispado e viveu exemplarmente até à sua morte em 1730.
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D.
João de Sahagún, bispo de S. Tomé. Quadro a óleo de 1693 existente
na sacristia da igreja de Stª Rita do Seminário de Ermesinde,
onde se diz: «Vera Effigies do Exmo. e R.mo S. D. Fr. Joaõ
de Sahagum natural de Melres, deixando o Morgado da sua Illustre
Caza, de que era S., professou nesta Real Congreg.am
a 22 de Julho de 1693, e sendo consumado em Letras e Virtudes,
foi Bispo de S. Thomé, e Governador deste Bispado do
Porto.» |
5.4.1.2(VII) D. Maria Pinto Brandão
que casou com seu parente o Dr. Bartolomeu de Macedo Malheiro,
referido no nº VII do §2, desembargador
da Relação do Porto e senhor da Casa Grande e quinta dos Loureiros,
em Melres. Sem geração.
5.4.1.3(VII) D. Guiomar Brandão
da Cunha,
sucessora no morgadio dos Pinto Brandão, que casou com seu primo o capitão-mor
António Brandão de Macedo e Mello, adiante no nº
VII deste §, onde segue.
5.4.1.4(VII) D. Tereza,
madrinha em 1705, sem mais notícia.
5.5(V) Paulo Pinto Ribeiro,
que vivia em Canavezes em 1646, data em que é padrinho em Melres. Sem
mais notícia.
6(IV) Francisca Brandão,
falecida a 19.10.1623 em Melres. C. tardiamente a 11.5.1620, ib, com
Gonçalo Rebello, filho de Salvador Rebello, falecido a 6.3.1606
em Fonte Arcada, e de sua mulher Isabel Ferreira, já falecida em 1620.
Francisca Brandão, que casou tarde, certamente não teve geração. Seu
viúvo casou a segunda vez no Porto, a 11.6.1630, com Joana da Costa
de Azevedo.
IV -
Isabel Brandão,
que nasceu na quinta da Sobreira cerca de 1563 e terá
falecido na quinta de Midões (Paiva), onde viveu casada.
Casou
cerca de 1579 com António Monteiro da Fonseca, senhor do prazo
da dita quinta de Midões (Paiva), onde terá nascido e falecido, devendo
ser filho de uma Mécia Barreiros, a avaliar pelo nome de uma de suas
filhas.
Filhos:
1(V)
António Brandão de Faria,
que a 15.3.1596 recebeu 6.000 réis da sua moradia de 800 réis por mês
de escudeiro fidalgo da Casa Real, acrescentado de moço da câmara. Terá
fal. s.g.
2(V)
Mécia
Barreiros, sem mais notícia.
3(V)
Francisca
Brandão, que em 1607 é madrinha em Melres, com seu irmão Álvaro,
de um filho de Manuel da Cunha Coutinho de Portocarreiro. Sem mais notícia.
5(V)
João Brandão da Fonseca,
que sucedeu a seu pai no prazo da quinta de Midões.
5(V)
Álvaro Brandão de Faria,
que segue.
V -
Álvaro Brandão de Faria,
cavaleiro fidalgo da Casa Real e governador da praça de Goa (Índia),
sucedeu como 5º senhor da quinta da Sobreira a suas tias Catarina Brandão
e Joana de Aragão, aquela solteira e esta casada sem geração com o 1º
capitão-mor de Melres João de Azeredo. É certamente o Álvaro Brandão
de Faria que em 1615 ainda era escudeiro fidalgo da Casa Real, acrescentado
de moço da câmara (Ementas, 10. 167). Terá nascido na casa de Midões
(Paiva) cerca de 1585 e faleceu velho na dita quinta da Sobreira, a
2.3.1655, sendo sepultado na matriz, na «campa de seu parente António
de Macedo».
Casou
a 29.9.1625 na matriz de Melres com sua prima Ana de Mello de Macedo
12,
referida no nº 6(V) do §2, nascida a 8.2.1601
na quinta do Souto em Melres e falecida a 19.12.1656 na quinta da Sobreira,
filha de António de Macedo, cavaleiro fidalgo da Casa Real, cavaleiro
da Ordem de Santiago (18.1.1581), e recebedor das sisas e
escrivão da sisas e redízima do concelho
de Melres (Ementas, 3, 63), 4º senhor da quinta do Souto, em Melres,
etc., e de sua mulher Ana de Mello Vieira, irmã do 1º morgado
do Ribeiro, em S. Lourenço do Douro.
Filhos:
1(VI) António Brandão de Macedo e Mello,
que segue.
2(VI) Isabel Brandão
de Mello, nascida na quinta da Sobreira e bat. a 12.3.1637 em
Melres, sendo padrinhos António Vieira (seu tio António Vieira de Mello,
referido no §2) e sua irmã Luiza de Macedo. Faleceu a 30.6.1682 na quinta
da Quintã, em São Lourenço do Douro, onde viveu com seu marido, «do
Rendim.º de Suas fazendas». Casou a 10.9.1658 em Melres, sendo testemunhas
Manuel da Cunha, André Ferreira e Domingos Carvalho, todos de Melres,
com Manuel Pinto de Vasconcellos, nascido no lugar da Granja
da freguesia de S. Romão de Paredes de Viadores, filho de Manuel Aranha
e sua mulher Filipa Vieira. Destes foi neto paterno Francisco Brandão
de Mello e Vasconcellos, morador na dita quinta da Quintã e familiar
do Stº Ofº (26.2.1752), processo onde se colhe esta informação e estão
transcritos os assentos referidos.
VI
- António Brandão de Macedo e Mello,
fidalgo da Casa Real e capitão-mor de Melres , sucedeu
como 6º senhor da quinta da Sobreira, onde nasceu a 8.12.1639 e faleceu
a 7.2.1704.
Casou
a 1ª vez a 18.11.1658 em Melres com sua parente D. Joana de Azeredo
(a), nascida a 23.6.1631 na casa da Fonte da Nogueira, em Entre-os-Rios,
e falecida na quinta da Sobreira a 28.4.1669, filha de Manuel Soares
Barbosa e de sua mulher Inácia de Azeredo Ferraz, filha esta de André
Soares da Mota e de sua mulher Maria de Azeredo Ferraz, referidos
acima no nº 1(IV). Sem geração.
Casou
a 2ª vez a 25.5.1671 na matriz de S. Lourenço do Douro com sua
prima Leonor da Mota Vieira (b), referida acima no
nº 5.2.7(VI), baptizada a 16.5.1634 em Sande
(Marco), e falecida a 1.8.1676 na quinta da Sobreira, irmã de João Peixoto
da Silva, fidalgo da Casa Real (14.3.1649), ambos filhos do Dr. Diogo
Peixoto da Silva e de sua mulher Maria Moutinho de Altero, senhores
da quinta de Sande, em S. Lourenço do Douro.
Filhos:
1(VII)
(b)
António Brandão de Macedo e Mello,
que segue.
2(VII)
(b)
D. Maria da Mota Vieira Aragão de Faria,
madrinha em 1695 em Melres (sendo padrinho seu primo o Dr. Bartolomeu
de Macedo Malheiro) de uma filha de Manuel da Cunha Coutinho de Portocarreiro.
Sem mais notícia.
3(VII) (b)
D. Paula Peixoto da Silva,
que herdou várias propriedades, nomeadamente em Melres e S. Lourenço
do Douro, nasceu na quinta da Sobreira e faleceu a 13.1.1732, com testamento,
na sua quinta da Lagoa, em S. Lourenço do Douro. Casou a 22.8.1695,
ib, com Manuel Álvares Pereira de Vasconcelos, senhor da dita
quinta da Lagoa, onde faleceu a 13.1.1718, filho do Cap. Manuel Godinho
de Vasconcellos, senhor da dita quinta, e de sua mulher D. Maria Côrte-Real.
Filhos:
3.1(VIII)
D. Raimunda Clara Brandão e Mello,
nascida a 12.7.1696 na quinta da Lagoa e falecida 1.3.1768 na quinta
de Cortes, onde viveu casada. Casou 2.9.1720 na capela de Nª Sª da Boa
Morte, em Favões, com João Pereira Valverde (de Vasconcellos),
senhor da dita quinta de Cortes, em S. Paio de Favões, filho sucessor
de Domingos Pereira Valverde, o Moço, e de sua mulher D. Tereza
Pereira de Miranda, senhora da dita quinta. Com geração nos Pereira
de Vasconcellos Côrte-Real 13.
3.2(VIII)
D. Maria de Mello,
nascida a 21.8.1697, ib, que viveu com sua irmã D. Isabel na casa da
Lage, onde faleceu solteira a 30.10.1758, deixando herdeira a dita sua
irmã em testamento contestado por seu irmãos Simão e D.Raimunda, que
perderam por sentença de 21.4.1760.
3.3(VIII)
D. Remígia,
nascida 1.10.1698, ib, que faleceu antes de sua mãe.
3.4(VIII)
D. Isabel Maria de Mello,
nascida a 25.11.1699 na quinta da Lagoa e falecida a 31.8.1779 na casa
da Lage, em S. Tomé de Covelas. Casou a 6.9.1722 em S. Lourenço do Douro
com José Machado Pereira, juiz do concelho de Benviver (1731),
senhor da dita casa da Lage, onde nasceu a 14.3.1694, e senhor da quinta
do Carvalho, em Sande, onde faleceu a 27.11.1773. Com geração nos
Huet de Bacelar Sotto Mayor Pinto Guedes e noutras famílias 14.
3.5(VIII)
D. Josefa Vitória Brandão de Mello,
nascida a 8.11.1702, ib, viveu solteira na quinta da Lagoa, e foi madrinha
em Sande em 1725 e 1731.
3.6(VIII)
Leonardo,
nascido 26.5.1705, ib, que faleceu antes de sua mãe.
3.7(VIII)
D. Micaela,
nascida 8.5.1708, ib, que faleceu antes de sua mãe.
3.8(VIII)
Simão António Pereira Brandão e Vasconcellos,
nascido a 28.10.1712, que sucedeu na quinta da Lagoa, onde viveu. Casou
a 1ª vez com D. Tereza Pacheco, falecida a 8.9.1754, ib, sem
geração. Casou a 2ª vez com D. Rosa Angélica de Almeida de Azevedo
e Vasconcellos, irmã Bernardo de Almeida de Azevedo e Vasconcellos
Pereira e Castro, fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo,
capitão-mor de Tuias, senhor da quinta do Páteo, em Outeiro, S. Miguel
de Rio de Galinhas (Tuías), etc., também sem geração.
VII
- António Brandão de Macedo e Mello,
fidalgo da Casa Real e capitão-mor de Melres, sucedeu
como 7º senhor da quinta da Sobreira, onde nasceu a 1.3.1672, sendo
bat. a 6, tendo por padrinhos Jorge Ozorio e D. Maria, e faleceu relativamente
novo a 14.7.1706.
Casou
a 11.9.1701 em Melres com sua prima D. Guiomar Brandão da Cunha,
referida acima no nº 6.4.1.3(VII), nascida
em Melres cerca de 1668 e falecida a 11.11.1727 na quinta da Sobreira.
Sucedeu no morgadio dos Pinto Brandão em Melres a seu irmão do bispo
de S. Tomé Dom Frei João de Sahagún. Era ainda irmã de D. Maria Pinto
Brandão casada com o Dr. Bartolomeu de Macedo Malheiro, referido
adiante no nº VII do §2, todos filhos
de João da Cunha Pinto Brandão e de sua mulher Serafina de Andrade.
Filhos:
1(VIII)
D. Vitória Joana da Cunha Pinto Brandão de Mello,
que segue.
2(VIII)
D. Maria Brandão de Macedo e Mello,
nascida em 1703 na quinta da Sobreira e aí moradora quando em 1731 é
madrinha em Sande com seu irmão João.
3(VIII)
D. João Brandão de Macedo e Mello,
bispo de S. Tomé, nascido em 1705. Ainda apenas padre, é padrinho em
Sande em 1731.
4(VIII)
D. Joana Sebastiana Maria Brandão de Macedo e Mello,
nascida 18.1.1705 na quinta da Sobreira e casada a 28.5.1730 em Melres
com Carlos José da Cunha Coelho Soares de Barbosa e Noronha 15,
8º morgado das Quintãs de S. Vicente do Pinheiro (1.2.1724), onde nasceu
a 22.4.1697 e faleceu a 17.11.1754, morgado de Paços (Santiago de Piães),
senhor da quinta da Ermida (Stª Marinha do Zêzere), administrador da
capela de S. João de Tarouquela, etc., filho sucessor do Cap. Manuel
da Cunha Coelho Peixoto de Barbosa, cidadão do Porto que a 19.12.1698
instituiu a capela de Nª Sª da Lapa no seu morgadio das Quintãs, etc.,
e de sua mulher D. Sebastiana da Cunha Beça Leitão.
Filhos:
4.1(VIII)
Álvaro
José da Cunha Coelho Peixoto de Mello e Noronha, 9º morgado das
Quintãs de S. Vicente do Pinheiro, onde nasceu a 1.6.1732 e faleceu
pobre a 8.9.1776, depois de desbaratar toda a sua grande Casa, tendo
posteriormente seu filho obtido a devolução dos bens vinculados por
sentença de 1794. Casou «por inclinação», a 2.9.1762 em S. Paio
da Portela, com D. Florência Maria Angélica Ferreira, falecida
a 19.10.1792, ib. Com geração nos Ferreira Baltar, das Casas da Curveira,
Maragoça e S. Vicente do Pinheiro 16.
4.2(VIII)
António,
nascido a 3.2.1735, ib, sem mais notícia.
4.3(VIII)
D. Antónia
Pinto Brandão, nascida a 21.5.1736, ib, sem mais notícia.
4.4(VIII)
Francisco Xavier da Cunha
Brandão de Macedo e Mello, nascido a 18.7.1738, ib, que em 1802
vivia em Melres, sem mais notícia.
4.5(VIII)
D. Jacinta Caetana da Cunha
de Mello Brandão, nascida a 12.6.1740, ib, que casou com o Dr.Jerónimo
José de Mello, senhor da quinta de Villa d'Ufe, em S. Paio da Portela,
onde viveram, filho de Francisco Gonçalves Coelho, natural de Vila Cova,
e de sua mulher D. Páscoa Soares de Matos e Mello, natural de Boelhe,
moradores na sua quinta de Albom, no lugar de Freixieiro (S. Miguel
de Entre Ambas as Aves). Com geração em Melres.
4.6(VIII)
D.
Josefa Maria, sem mais notícia.
4.7(VIII)
Manuel
da Cunha, que foi para o Brasil, sem mais notícia.
VIII
- D. Vitória Joana da Cunha Brandão de Mello,
que sucedeu como 8ª senhora da quinta da Sobreira, onde nasceu a 23.12.1702,
bem como na representação dos Brandão de Melres e no morgadio dos Pinto
Brandão. Faleceu a 9.3.1790 no palácio da Bandeirinha, no Porto, sem
testamento, indo a sepultar na igreja de Nª Sª do Carmo nesta cidade.
Casou
a 27.10.1718 na matriz de Melres, diz Felgueiras Gaio que «por amores»,
com seu parente João da Cunha Coutinho
Ozorio de Portocarreiro, tenente-coronel do Regimento de Infantaria
do Porto e nesta cidade 1º senhor da palácio da Bandeirinha, 17º senhor
da Torre de Portocarreiro (Vila Boa de Quires), 4º morgado S. Tiago
de Melres, 7º senhor da quinta do Paço de Valpêdre (Penafiel), etc.,
nascido a 9.10.1689 no morgadio de Melres e falecido a 14.1.1761 no
palácio a Bandeirinha, vindo sepultar a Melres, filho sucessor de Manuel
da Cunha Coutinho de Portocarreiro e sua mulher D. Maria Luiza de Alarcão
e Albuquerque; neto paterno de Manuel da Cunha Ozorio de Portocarreiro
e de sua mulher D. Maria Ferraz de Souza; neto materno de João Corrêa
Coutinho, fidalgo da Casa Real, senhor da casa de Travanca, em Stª Marinha
do Zêzere, etc., e de sua mulher D. Joana de Alarcão e Albuquerque.
Com
geração nos Portocarrero do palácio da Bandeirinha 17.
| |
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Palácio da Bandeirinha, no Porto |
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§2
- Quinta dos Loureiros e Casa Grande
III
- Francisca Brandão,
que ficou no nº 5(III) do §1,
irmã de João Brandão de Faria. Sucedeu como 3ª senhora da quinta
do Souto, em Melres, mais tarde chamada quinta dos Loureiros, onde com
seu marido terão feito casa e viveram.
Casou
cerca de 1555 com o Cap. António de Macedo, o Velho, capitão
da vizinha vila de Meda, donde se supõe natural, recebedor das sisas
e tabelião de Melres (5.3.1552), como fora Jorge Vieira, e escrivão
das sisas e redízima de Melres (29.10.1567), em sucessão a seu cunhado
João Brandão de Faria e seu sogro António Gomes. Faleceu nos finais
de Setembro de 1580 num confronto com as tropas de D. António, prior
do Crato. Diz Alão que era filho de António Gomes de Macedo e neto de
Rui Gonçalves de Macedo, enquanto Gaio diz que este Rui Gonçalves casou
com Aranda Vieira e era filho de Gonçalo de Macedo, neto de Fernão Esteves
de Macedo. Mas há aqui confusões. Desde logo, este Cap. António
de Macedo é que deve ter tido um curto 1º casamento, sem
geração, com a antedita Aranda Vieira, filha de Jorge
Vieira, a quem em 1552 sucedeu como recebedor das sisas e tabelião
de Melres. Depois, tudo indica que este seja o António de Macedo, natural
de S. Martinho de Lagares, que tirou ordens menores em Braga em 1532,
sendo filho de Lopo de Macedo e sua mulher Isabel Velho. Este Lopo de
Macedo, criado de D. João de Ozorio, comendatário de Paço de Sousa,
foi morador em S. Martinho de Lagares, onde teve prazos do mosteiro
de Paço de Sousa em 1520, sendo filho de Rui Gonçalves de Macedo, escudeiro
de D. João II, morador em Pedorido, onde teve prazos do mosteiro de
Paço de Sousa, e de sua mulher Maria Fernandes. E este é o Rui Gonçalves
de Macedo que as genealogias referem, irmão do João de Macedo que, como
filho de Gonçalo de Macedo e sua mulher Tereza Sanches, tirou ordens
menores a 1.7.1461 em Ervededo. Este João de Macedo a 15.1.1481, sendo
escudeiro do infante D. João, foi almoxarife da alfândega do porto de
Bragança, em substituição de seu pai Gonçalo de Macedo, que morrera
(CAV, 26, 7), que D.João II confirmou a 20.5.1482 (6, 55). A 26.6.1483
teve carta de privilégio de fidalgo (CJII, 24, 88), a 16.7.1483 foi
nomeado vedor dos vassalos de Bragança (CJII, 24, 87) e a 26.9.1483
foi alcaide-mor de Outeiro de Miranda (CJII, 26, 106), tendo a 10.5.1508
cópia do padrão de 25.214 reais de tença de que se fez mercê a João
de Macedo, fidalgo da Casa Real, em satisfação da alcaidaria-mor do
Outeiro de Miranda que largou para o duque de Bragança (CC, II, 14,
116). A 12.9.1506, João de Macedo, fidalgo da Casa d'el rei, solicitou
o trespasse de 4.100 reais em Simão Correa, seu genro, apresentado duas
cartas de D. Manuel I e um alvará, nos quais, casando ele sua filha
com Simão Correa, moço da câmara d'el rei, lhe trespassava 15.100 reais.
de sua tença, os quais obtivera por uma carta de D.Manuel I, dada em
Setúbal, a 27 de Maio de 1496, escrita por Pero Lomelim, na qual se
continha uma de D. João II, datada de Abrantes, 27 de Setembro de 1483,
escrita por Gaspar Luís, onde lhe concedia uma tença de 10.000 reais
de prata, e ainda uma outra de D. Manuel, dada em Setúbal, a 25 de Abril
de 1496 e escrita por Pero Lopes, na qual confirmava ao mesmo João de
Macedo - então escudeiro da Casa d'el rei - uma tença de 5.100 reais
que D. João lhe concedera em sendo príncipe, por respeito dos 13.200
reais que o dito senhor houvera por ele do assentamento da Excelente
Senhora, de quem então era escudeiro, e os 8.100 reais. que faltavam,
lhe montou na moradia e cevada (38, 13). Mas logo a 4.3.1518 João de
Macedo, fidalgo da Casa Real e alcaide-mor do Outeiro, pediu e obteve
que lhe fossem concedidos os restantes 10.000 reais, explicando que
teve uma tença anual,
em dias de sua vida, de 10.000 reais, e ao querer casar sua filha com
Simão Correa, criado do rei, dera-lhe este 20.000 reais de tença em
satisfação da dita alcaidaria. Por falecimento do seu genro, fora trespassada
essa quantia, vagando em seguida, tornando o rei a dar 10.000 reais.
(10. 130). De várias mulheres este João de Macedo teve filhos naturais,
que foram legitimados por carta real: Catarina Mendes (LN, 1, 112),
António de Macedo (1.4.1514, CMI, I, 15, 25), e Croios de Macedo e Ana
de Macedo (LN, 3, 284v)
Esta Ana de Macedo é que parece ser a que teve primeiro um curto casamento
com o antedito Simão Correa e de casou, segundo a genealogias, com Lopo
de Mariz.
A 15.4.1518 João
de Macedo, fidalgo da Casa Real, teve carta de armas para Macedo, como
filho de Gonçalo de Macedo e neto de Fernão Esteves de Macedo, do tronco
desta linhagem (9, 61; e 6 de Místicos, 168). Já vimos que Gonçalo de
Macedo foi almoxarife da alfândega do porto de Bragança e morreu em
1481, ano em que o filho o substituiu no cargo. Fernão Esteves de Macedo
não o consegui ainda documentar, mas, nascido cerca de 1388, era certamente
irmão do Gonçalo Esteves de Macedo, clérigo, pai do Vasco Gonçalves
de Macedo, que era abade de Santiago de Parada, no bispado de Tui, quando
tirou ordens de epístola em Braga a 18.9.1451, junto com seu filho Vasco
de Macedo. Fernão Esteves de Macedo e seu provável irmão Gonçalo Esteves
de Macedo eram certamente filhos do Estêvão Anes de Macedo que as genealogias
referem, e netos de João Gonçalves de Macedo, nascido cerca de 1336,
irmão do celebrado Martim Gonçalves de Macedo. Embora
Gaio dê este João Gonçalves como filho de Martim Gonçalves de Macedo,
a cronologia obriga a que seja seu irmão, além que o dito Martim não
teve nenhum filho João, mas apenas dois filhos, Diogo Gonçalves, referido
adiante, a Joana Martins, que sucedeu à mãe no morgadio de S. Braz.
Este Martim Gonçalves de Macedo, que casou com Catarina Anes, morgada
de S. Braz de Vila Real, esteve na batalha de Aljubarrota, onde salvou
a vida a D. João I, como refere a respectiva crónica. A 27.5.1385 D.
João I deu a Martim Gonçalves de Macedo a aldeia e os direitos reais
de Outeiro de Miranda, a dízima da portagem de Bragança, as aldeias
de Algoselho e Pindelo no termo Miranda e vários bens em Miranda. E
a 26.6.1425 deu a seu filho lídimo e herdeiro Diogo Gonçalves de Macedo,
morador na cidade de Évora, 300 libras das dizimas da portagem de Bragança,
como tinha seu pai. Aquela Catarina Anes, já viúva, fez uma escritura
a 22.2.1433 no tabelião João Anes. Era filha de João Pires, escolar,
que instituiu um morgado com capelas, rendas e hospital (morgadio de
S. Braz de Vila Real), cuja administração é a 2.12.1472 confirmada a
seu bisneto João Teixeira de Macedo. Martim Gonçalves de Macedo e o
dito seu irmão João Gonçalves de Macedo eram filhos de Gonçalo Anes
de Macedo e sua mulher e prima Guiomar Martins de Avelar (vide o meu
estudo sobre a Origem
dos Avelar e dos Soveral)
Filho:
1(IV)
Lopo de Macedo,
s.g.
1(IV)
António de Macedo,
que segue.
IV
- António de Macedo,
o Moço, cavaleiro fidalgo da Casa Real, foi cavaleiro da Ordem
de Santiago (18.1.1581), em paga dos serviços de seu pai, escrivão e
recebedor das sisas e redízima do concelho de Melres, por carta de D.
Sebastião de 12.4.1581, empossado a 2.9.1581 por falecimento de seu
pai, etc. Sucedeu como 4º senhor da quinta do Souto, onde nasceu, viveu
e faleceu a 27.11.1627.
Casou
cerca de 1588 em S. Lourenço do Douro com Ana de Mello Vieira,
nascida na quinta do Ribeiro e falecida a 16.12.1627 em Melres, irmã
do licenciado Cristóvão Vieira de Mello, abade de Stª
Cristina de Sendais, que instituiu o morgadio do Ribeiro, em S. Lourenço
do Douro, onde faleceu a 9.6.1433, deixando herdeiros seus sobrinhos
António e Francisca, referidos adiante. Eram ambos filhos de
Cristóvão Vieira da Silva18,
senhor da quinta do Ribeiro, de sua mulher Felicita de Mello, aí
falecida viúva a 11.6.1613, deixando testamenteiro seu filho
Clemente Vieira de Mello; netos paternos de Clemente Vieira19,
escudeiro, morador no Porto, contador e distribuidor de Bemviver, senhor
do prazo do Ribeiro (S. Lourenço do Douro), etc., e de sua mulher Apolónia
Pires da Silva20;
netos paternos do licenciado Domingos Dias Cardoso e de sua mulher Maria
Malheiro de Mello, irmã do abade de Campos D. Simão de Mello.
Filhos:
1(V)
Maria de Mello,
n. em 1589 e casada com Jorge de Oliveira Pinto, nascido em S.
Martinho de Lagares, sobrinho de Jorge de Oliveira Pinto casado com
Helena de Macedo. C.g.
2(V)
Lopo de Macedo e Mello,
n. em 1591, cavaleiro fidalgo da Casa Real que faleceu na Índia, solteiro,
sem geração.
3(V)
António de Macedo,
nomeado testamenteiro de Maria de Freitas, referida no nº
III do §1, falecida
em 1633. Sem mais notícia.
4(V)
D. Jerónima Malheiro de Mello,
que segue.
5(V)
António Vieira de Mello,
sargento-mor de Bemviver, que sucedeu como 2º morgado da quinta do Ribeiro.
Sucedeu também como 2º morgado de Nª Sª dos Prazeres, em Sinfães, vínculo
instituído por uma prima de sua avó D. Felicita de Mello. Casou a 22.12.1605
em Melres com sua prima Clemência Vieira, nascida em Barrô e
falecida a 21.9.1647 na quinta do Ribeiro, filha de Clemente Vieira
21
e de sua mulher Baptista Vaz Pinto. Com geração hoje representada
nos Vieira Ozorio da Casa de Juste, em S. Fins do Torno (Lousada) 22.
6(V)
Cristóvão de Macedo,
nascido a 22.11.1595 em Melres, foi abade reitor de Macedo de Cavaleiros.
7(V)
Ana de Mello de Macedo casada
com seu primo Álvaro Brandão de Faria, acima no nº
V do §1, onde segue.
8(V)
Catarina de Mello casada
com Manuel Velho Ferraz, c.g.
9(V)
Francisca de Mello Brandão,
que casou a 30.4.1635 em S. Lourenço do Douro com Matias Pinto de
Vasconcellos, casado pelo padre Miguel da Rocha, que o diz seu sobrinho.
Talvez Matias Pinto de Vasconcellos seja tio do Manuel Pinto de Vasconcellos
referido acima (que a 10.9.1658 casou com D. Isabel Brandão de Mello).
Alão diz que este casal não teve geração. Matias Pinto de Vasconcellos
foi padrinho de Antónia, referida acima, b. a 3.2.1637 em S. Lourenço
do Douro. Matias Pinto de Vasconcellos talvez fosse filho do Afonso
Mendes de Vasconcellos cuja filha, Antónia Correa de Vasconcellos, casou
a 7.1.1619 em S. Lourenço do Douro com Francisco Teixeira da Mota.
10(V)
Luísa de Macedo,
nascida em Melres e aí casada a 16.5.1633 com Jorge Ozorio da Cunha,
nascido a 11.10.1605 em S. Martinho de Lagares, e falecido a 14.8.1679
em Melres, onde viveram, sem geração. Ele era filho natural do Padre
Dr. João de Ozorio Sanhudo, arcediago de Pedorido e Labruge, 1º morgado
de Labruge, etc., e de sua prima Catarina de Ozorio, filha natural do
abade de S. Martinho de Lagares Jerónimo de Ozorio.
V
- Jerónima Malheiro de Mello,
que levou em dote a quinta do Souto ou «soutinho
de Melres». Terá nascido cerca de 1593, sendo madrinha em Melres
em 1605.
Casou
cerca de 1618 com Domingos Carvalho «f.º de hû lavrador».
Era filho de Domingos Gonçalves e de sua mulher Isabel Tavares, natural
de Melres. Domingos Gonçalves era natural do lugar do Paço, na freguesia
de Canedo, termo da Feira, onde seu filho Domingos Carvalho também nasceu,
na casa que chamavam da Portela.
Filhos:
1(VI)
Luís de Mello,
abade reitor de Santalha, que era reitor de Melres quando em 1649 é
aí padrinho.
2(VI)
Cristóvão de
Macedo, abade reitor de Mascarenhas, é padrinho em Melres em 1649.
3(VI)
Luiza de Macedo
casada com António Vieira. Com geração.
4(VI)
António de Macedo e Mello,
que segue.
5(VI)
Francisca de Melo casada
com Jorge da Rosa de Lemos, familiar do Santo Oficio (2.6.1688),
em cujo processo se diz ser «homem nobre que vive abastadamente».
6(VI)
D. Frei Clemente Vieira,
bispo de Angra (24.11.1687) e lente da Universidade de Coimbra, nasceu
em 1629 em Melres, embora diga que tinha 40 anos em 1673, ano em que
se habilitou a qualificador do Santo Ofício, e fal. a 24.9.1692 em Ponta
Delgada. Foi religioso de Santo Agostinho e assistente no Colégio de
N.ª Sr.ª da Graça, em Coimbra. Tirou o bacharelato (21.5.1670), a licenciatura
(9.6.1671) e o doutoramento (21.6.1671) em Teologia na Universidade
de Coimbra, onde foi, por provisão de 3.3.1684, condutário com privilégios
de lente e lente de Gabriel (1671-86) e opositor. Habilitou-se a 16.101673
para qualificador do Santo Ofício, cargo para o qual foi nomeado no
ano seguinte, e foi bispo da Angra, por carta de D. Pedro II, confirmado
a 12.10.1688, tendo sido sagrado no Porto e dado entrada solene na sua
diocese em 12.10.1688. Morreu no mosteiro de Nª Sr.ª da Graça, em Ponta
Delgada, em 24.9.1692, sendo sepultado na capela-mor da Igreja do convento
da sua ordem 23.
VI
- António de Macedo e Mello,
que nasceu em Melres cerca de 1624 e sucedeu na
quinta do Souto, então reformada e passada a chamar dos Loureiros. Foi
ouvidor do 1º marquês de Marialva, donatário de Melres.
Casou
cerca de 1660 com Francisca da Rosa Moraes, natural de Mascarenhas,
irmã de Jorge da Rosa de Lemos casado com sua cunhada, acima
no nº 5(VI), ambos filhos de Jorge
de Lemos, morgado de Nª Srª do Desterro de Mascarenhas, e de sua mulher
Maria de Moraes; neta paterna de Gaspar Vaz Teixeira e de sua mulher
Antónia da Rosa; neta materna de Francisco Moraes e de sua mulher Ana
Pinto.
Filhos:
1(VII)
Luiz de Macedo e Mello,
que faleceu solteiro sem geração.
2(VII)
Jacinto de Morais Malheiro,
que foi abade reitor de Canelas e em 1730 era
abade encomendado de S. Lourenço do Douro.
3(VII)
Dr. Bartolomeu de Macedo Malheiro,
que segue.
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 |
| |
Morgadio
da Casa Grande de Melres. |
VII
- Dr. Bartolomeu de Macedo Malheiro,
que sucedeu na quinta dos Loureiros, nos limites
da qual fez, entre 1690 e 1700, a Casa Grande de Melres, que instituiu
em morgadio, emprazando quinta dos Loureiros, prazo de que existe a
renovação de vidas já a 2.9.1824, feita por seu bisneto. Nasceu em Melres
a 11.4.1665. Foi cavaleiro da Ordem de Cristo (15.9.1694), familiar
do Santo Ofício (22.10.1712), bacharel habilitado ao serviço de Sua
Majestade (1696), corregedor da comarca de Moncorvo (22.12.1706), provedor
das comarcas de Viseu (6.3.1714) e Coimbra (25.1.1721), desembargador
da Relação do Porto (3.1.1726) e ouvidor do crime na mesma Relação (25.8.1727).
Casou
a 1ª vez a 1.7.1693 em Melres com sua parente D. Maria Pinto Brandão
(a), referida no nº 6.4.1.2(VII) do
§1, filha de João Pinto Brandão e de sua mulher Serafina de
Andrade e cunhada do capitão-mor António Brandão de Macedo e Mello.
Sem geração.
Casou
a 2ª vez, depois de 8.7.1721, com sua prima D. Antónia Sarmento Pimentel
(b), que nasceu, viveu e morreu no Porto em 1784, data em que
seu genro reclamou os vínculos, filha herdeira do Dr.Miguel da Rosa
Pimentel, morgado de S. Brás de Golfeiras e de Nª Srª do Desterro de
Mascarenhas, corregedor, ouvidor do crime e desembargador da Relação
do Porto, cavaleiro da Ordem de Cristo (17.1.1687), etc., e de sua mulher
D. Teresa de Moraes Sarmento; neta paterna de Fernão Pimentel e sua
mulher D. Antónia da Rosa (irmã de Jorge de Lemos e de D. Francisca
da Rosa, referidos no nº anterior), neta materna de Estêvão de Mariz
Sarmento, governador de Vinhais, cavaleiro da Ordem de Cristo e fidalgo
da Casa Real, e de sua mulher e prima D. Francisca de Moraes.
Filhos:
1(VIII)
(b) D.
Antónia Narcisa de Moraes Sarmento,
que segue.
2(VIII) (b)
Joaquim de Macedo Pimentel de Lemos,
que faleceu em Cantanhede a 10.2.1781, foi fidalgo da Casa Real e soldado
do Regimento do Porto. Sucedeu no morgadio da Casa Grande, onde fez
obras de remodelação, acrescentando-lhe a pedra de armas, esquartelada
de Macedo, Moraes, Pimentel e Sarmento (foto abaixo).
3(VIII) (b)
Luís de Macedo de Melo,
sem geração nem mais notícia.
4(VIII) (b)
Jacinto de Moraes Malheiro,
abade reitor de Santa Maria Madalena de Canelas.
VII
- D. Antónia Narcisa de Moraes Sarmento,
herdeira dos morgadios da Casa Grande, de S. Brás de Golfeiras e de
Nª Sª do Desterro de Mascarenhas, do emprazamento da quinta dos Loureiros,
etc.
Casou
a 24.1.1779 em Melres com o Dr. Manuel Francisco da Silva Magro e
Moura, nascido em Coimbra, licenciado em Direito pela Universidade
de Coimbra (1757), onde foi opositor da Faculdade de Cânones e professor
de Poesia e Retórica, até 1781, ano em que foi nomeado juiz do Sequestro
Geral aos Jesuítas. Antes foi desembargador da Relação do Rio de
Janeiro e juiz da Coroa e da Fazenda. Foi também ouvidor-geral do cível,
desembargador ordinário da Relação do Porto (23.1.1776), desembargador
da Casa da Suplicação (9.12.1783), chanceler da Relação do Porto (21.5.1793),
conselheiro de Sua Majestade Fidelíssima, etc. Era filho de José Francisco
da Costa, caixeiro em Coimbra, e de sua mulher Comba da Silva; neto
paterno de Miguel Gonçalves Afonso e de sua mulher Maria Francisca,
gente pobre de Mondim de Basto; e neto materno do Dr. Manuel da Silva
Leitão, médico em Coimbra, e de sua mulher Isabel da Silva Neves.
A
8.10.1784, pela morte de sua sogra, D. Antónia de Moraes Sarmento Pimentel,
administradora dos morgadios de S. Brás de Golfeiras e de Nª Srª do
Desterro, o Dr. Manuel Francisco constituiu seu procurador Francisco
Xavier de Moraes Pinto Cardoso, para que em seu nome tomasse posse de
todos os bens que possui, por casamento.
Filha:
1(IX)
D. Antónia Benedita de Macedo Moraes Sarmento,
que segue.
IX
- D. Antónia Benedita de Macedo Moraes Sarmento,
que sucedeu nos morgadios da Casa Grande, de S.
Brás de Golfeiras e de N.ª Sr.ª do Desterro de Mascarenhas, etc. Faleceu
antes de 1809.
Casou
em 24.2.1805 no Porto com João António de Sousa Pereira Coutinho
Yebra e Oca, 9º morgado de Vilar de Perdizes e do hospital de Santa
Cruz, fidalgo da Casa Real (14.10.1799), alcaide-mor do Castelo da Piconha
(20.12.1800), etc., que nasceu em Vilar de Perdizes a 30.5.1771 e faleceu
a 25.5.1826.
Com
geração nos morgados de Vilar de Perdizes 24.
1999
notas
1
- AHCMP - Livro 7º de Vereações, fls 133.
2
- Vide «João de Aragão, um portuense ilustre do séc. XV», comunicação
feita por D. João de Noronha Ozorio em 1997 na Tertúlia do Club Portuense.
3
- AMP - Tomo 3º do Rocamador, fls 196 e seguintes.
4
- CJIII, 36, 146
5
- Com efeito, dois dos filhos de António Gomes de Freitas e sua mulher
Isabel Brandão usam o nome Faria. E o mesmo acontece com os Freitas
da Porto, nomeadamente com Fernão Rodrigues de Freitas, cidadão do Porto
e aí Sr. da quinta da Deveza, que casou com sua sobrinha Luiza de Freitas
e teve pelo menos três filhos: 1) Francisco Rodrigues de Freitas,
cidadão, presente a uma sessão da Câmara do Porto em 1577; 2)
Pantaleão de Freitas, que em 1556 era juiz da Alfândega do Porto; 3)
Catarina de Faria casada com Nuno Martins de Gouvêa. Vide «Patriciado
Urbano Quinhentista: As famílias dominantes do Porto», 1997, de
Pedro de Brito.
6
- AMP - F-Bco. 1, nº 1, fls 147.
7
- ADP - Convento de S. Domingos, livro 23, fls 71.
8
- Dedução sobretudo baseada no facto de uma das suas filhas usar o nome
Vieira, que assim terá ido buscar a sua avó Francisca Vieira.
9
- Vide «Carvalhos de Basto», Vol I, pag. 212.
10
- Vide «Portocarreros do Palácio da Bandeirinha», Porto
1997, obra do autor desta resenha. Na quinta de Marrocos, «que se
estendia em ambas as margens do Douro», instituiu Manuel da Cunha
Coutinho de Portocarreiro e sua mulher o morgadio de Melres com capela
de S. Tiago na matriz de Melres, vindo depois, por aproximação com o
palácio do Porto, a chamar-se quinta da Bandeirinha. A casa, do séc.
XVII, está agora a ser restaurada e nela será instalada a Junta de Freguesia
de Melres e um museu concelhio.
11
- Jorge Vieira ou Jorge Vieira Cabral era, segundo Manuel de Souza da
Silva, irmão de Clemente Vieira, escudeiro, morador no Porto, contador
e distribuidor de Bemviver, senhor do prazo da quinta do Ribeiro (S.
Lourenço do Douro), etc. Não era, portanto, o Jorge Vieira que
foi inquiridor das inquirições judiciais e contador dos
feitos e custas de Bemviver por cedencia de seu pai (22.2.1521), casado
com Maria da Mota, que também teve uma filha Justa Veira, mas
casada com Gaspar Moreira. Este segundo Jorge Vieira era seu primo-direito,
porque filho
de Pedro Anes (do Olival), escudeiro, senhor da quinta do Olival, em
Lidrais (Vila Boa do Bispo), escrivão dos órfãos
de Bemviver (28.4.1504) e inquiridor das inquirições judiciais
e contador dos feitos e custas desse concelho (cargo este que em 1521
renunciou para seu filho Jorge Vieira), etc., e de sua mulher Isabel
Pires Vieira, tia paterna dos ditos Clemente Vieira e Jorge Vieira.
Este eram filhos de João
Pires Vieira, que sucedeu no prazo da quinta do Ribeiro, e de sua mulher
Tereza Anes, e netos de Pedro Gonçalves Cabral, que tevo o prazo
do Ribeiro em Vila Boa de Quires, e de sua mulher Beatriz Afonso Vieira,
que em 1473 sucedeu no prazo da quinta do Ribeiro, em S. Lourenço
do Douro. Beatriz Afonso Vieira era filha de Afonso Vieira e sua mulher
Beatriz Álvares da Maia. Afonso Vieira já devia ser senhor do prazo
da quinta do Ribeiro, pois Alão refere-o como Afonso Vieira, de Bemviver,
e quinta do Ribeiro fica no antigo concelho de Bemviver. Afonso Vieira
era filho de Tristão Vieira e Joana Martina Peixoto, sendo este certamente
filho de Afonso Vieira, senhor da quinta da Conca, em S. Paio de Portela
(Penafiel), e sua mulher Joana Martins (Diniz). Este Afonso Vieira,
cuja viúva ainda vivia em 1470, não nasceu antes de 1391
e é certamente o Afonso Vieira, morador no Porto, vassalo régio,
criado de Álvaro Anes de Cernache, a quem a 3.10.1442 D. Afonso
V concedeu carta de privilégio para todos os seus caseiros, lavradores
e apaniguados da correição de Entre-Douro-e-Minho (38,
17v). Nele começa Alão os Vieira da Conca. Gaio diz que
era fillho de Gonçalo Vasques Vieira, corregedor de Entre-Douro-e-Minho
e Trás-os-Montes e da governança da cidade do Porto. É
o Gonçalo Vasques Vieira que foi vassalo de D. João I
e seu corregedor na comarca e correição de Entre-Douro-e-Minho
e Trás-os-Montes. Gonçalo Vasques Vieira documenta-se
corregedor de D. João I no Entre-Douro-e-Minho em 1409 (CJI,
3, 117 e 117v) e como seu vassalo e corregedor na comarca e correição
de Trás-os-Montes em 1417 (ib, 3, 177v). E ainda como corregedor
no Entre-Douro-e-Minho em 1422 (Tombo da Câmara do Porto, f. 31).
Era filho de Vasco Gonçalves Vieira, nascido cerca de 1335 em Guimarães,
onde viveu, sendo em 1362 alcaide-mor de Tavira. Com efeito, D. Pedro
I mandou entregar o castelo de Tavira a Vasco Gonçalves Vieira, seu
vassalo, a 13.4.1362 (1, 70v e 80).
12
- No óbito aparece Joana.
13
- Vide «Os Côrte-Real da Lavandeira», obra a publicar por José
Maria Alcoforado Pereira Côrte-Real. De D. Raimunda foi filha D. Tereza
Clara Brandão de Mello c.c. Domingos Vieira de Mello, que por sua vez
foram pais de António Vieira de Mello Pereira de Vasconcellos, monteiro-mor
de Benviver, senhor da quinta do Pinheiro, em S. Lourenço de Bouro,
que a 5.4.1788 teve carta de armas para Vieira, Mello, Pereira e Vasconcellos.
14
- Vide «Os Machado Pereira da quinta do Carvalho, em Sande»,
por José Manuel Huet de Bacelar de Almeida, in «Genealogia e Heráldica», nº
1 (1999).
15
- Vide «Carvalhos de Basto», Vol. 1, pag. 46.
16
- Vide «Carvalhos de Basto», Vol. 1, pag. 46 e seguintes.
17
- Vide «Portocarreros do Palácio da Bandeirinha», Porto
1997, obra do autor deste ensaio. Deste casal é 6ª neta a Drª D. Maria
José de Souza Machado de Portocarrero, casada com o autor deste trabalho.
Para a ascendência Alarcão e Albuquerque vide «Ascendências Visienses.
Ensaio genealógico sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVII»,
Porto 2004, obra do autor, na pag. 283 do Volume II.
18
- Irmão de Jorge Vieira, referido na nota 11, Clemente Vieira foi pai,
além do sucessor Cristóvão Veira da Silva, do Dr.
Francisco Vieira, licenciado em Cânones pela Universidade de Coimbra,
onde se matriculou a 28.11.1538, tendo tirado ordens menores em Braga
em 1533.
19
- Teve ainda, com sua mulher, o prazo do casal de Vila Monte, em Ariz,
a 27.9.1540, foreiro ao convento de Alpendurada.
20
- Nos «Moreiras de Tarouquela» (António de Sousa Lara e Maurício
Antonino Fernandes, in «Genealogia & Heráldica», nº 1 - 1999) consta
como Apelónia Pires, sendo proposta como filha de Pedro Anes
Moreira, senhor do prazo do casal da Cancela, em Penhalonga, prazo do
convento de Alpendurada em 1521, e de sua mulher Briolanja Gonçalves.
Mas não é certo. Este Pedro Anes dizem os autores que era irmão de João
Anes, cónego do mosteiro de Vila Boa do Bispo, sendo ambos filhos de
João Marvão, tabelião de Bemviver (confirmado a 5.11.1486), matriculado
em Braga para ordens menores a 6.6.1444 como João Pires, senhor
da quinta de Poiares, em Penhalonga, por prazo de 1457 do convento de
Corpus Christi, etc.; netos paternos de Pedro de Marvão, de Penhalonga,
provavelmente senhor da dita quinta de Poiares, e de sua mulher Inez
Moreira, senhora de vários prazos em S. Martinho de Sande, foreiros
ao mosteiro de Vila Boa do Bispo. Esta Inez de Moreira era filha
de Martim Moreira, nascido cerca de 1375, que na referida obra
é confundido com Martim Martins Moreira, casado com Tereza Martins Alcoforado.
A partilha dos filhos de Martim Anes Moreira não é de 1384, como se
diz nessa obra, mas de 9.4.1345. Resulta daqui que o Martim Moreira
pai de Inez Moreira não podia cronologicamente ser o Martim Martins
Moreira que em 1344 já estava casado com Tereza Martins Alcoforado.
Pelo que o Martim Moreira em epígrafe devia ser irmão mais novo de Afonso
Moreira. Este Martim Moreira não casou, portanto, com Tereza Martins
Alcoforado, mas sim com mulher cujo nome se desconhece e por quem deveriam
vir os bens de Sande. Afonso Moreira, e portanto seu proposto irmão
Martim Moreira, diz Alão que era filho de Afonso Martins Moreira, que
nasceu o mais tardar em 1325. A 9.3.1345 este Afonso Martins Moreira
fez partilha com seus irmãos dos bens que foram de seu pai, em Moimenta
e Antemil, no julgado de Sanfins. Era filho de Martim Anes de Moreira,
escudeiro, que no testamento de seu pai (1284) recebeu uma herdade em
Moimenta e a quintã de Moreira, em Sanfins, como refere Pizarro (José
Augusto de Sotto Mayor Pizarro, in «Linhagens Medievais Portuguesas»,
1999). Este Martim Anes era filho de João Pires de Moreira, cavaleiro,
que tinha uma quintã na freguesia de Santa Maria de Moreira, fez testamento
a 17.12.1284, onde pede para ser sepultado no mosteiro de Tarouquela,
ao qual deixou vários bens, sendo em 1274 vassalo de D. Martim Gil de
Riba de Vizela e que já tinha falecido nas inquirições de 1288-90. Este
João era filho de Pedro Pires de Moreira, o mais antigo deste nome que
se documenta, que foi senhor da quinta da Torre, na freguesia de Santa
Maria de Moreira, que trazia toda por honra. Aquele Afonso Martins Moreira
consta na lista dos padroeiros de Grijó de 1365, entre os cavaleiros
e escudeiros de geração, como «Affonso Martinz Moreiira da parte
da molher de Pero Alvello». Este texto é confuso. Para ter um entendimento
literal, Afonso Martins teria casado com a viúva de um Pedro Alvelo.
Mas o direito de padroado não podia passar a Afonso Martins vindo do
primeiro marido de sua inominada mulher, pelo que esta tinha de ser
natural de Grijó, independentemente do possível direito natural do 1º
marido, o dito Pedro Alvello. Gaio diz que Afonso Martins casou com
uma Maria Alvello, de quem lhe vinha o padroado de Grijó, mas esta informação
de Gaio vale o que vale. Pizarro (José Augusto de Sotto Mayor Pizarro,
in «Os patronos do mosteiro de Grijó», 1995) tem a mesma dúvida,
pondo a hipótese de o texto se poder ler como sendo a dita mulher não
viúva mas da linhagem de Pedro Alvello, sendo este ou o Pedro Anes Alvello
do séc. XIII, de facto padroeiro de Grijó, ou seu neto Pedro Rodrigues
Alvello, que neste caso podia cronologicamente ser o pai da dita mulher
de Afonso Martins. Na mesma lista consta Gonçalo Gil Alvello, descendente
de Pedro Anes Alvello, que também podia, com menor probabilidade, ser
irmão da mulher de Afonso Martins. Como quer que seja, é evidente que
Afonso Martins não tinha direito próprio ao padroado de Grijó. Gaio
diz que Afonso Martins Moreira viveu na Feira nos reinados de D. Afonso
IV e D. Pedro I (mas seria mais nos reinados de D. Pedro I e D. Fernando
I) e foi pai do Afonso Moreira.
21
- Filho de Lopo Monteiro e de sua mulher Florença Vieira, filha de Clemente
Vieira e sua mulher Apolónia Pires da Silva, referidos no nº IV do
§ 2
22
- Vide «Macedo Vieira de Mello, morgados de Nª Sª dos Prazeres em
Sinfães», obra a publicar por D. João de Noronha Ozorio.
23
- Hab. do Stº Ofº, Clemente, 1, 13.
24
- Vide «Bordonhos e Vilar de Perdizes», Lisboa 1978, por Luiz
de Mello Vaz de São Payo, e «A Casa de Vilar de Perdizes - Património
e Alianças», obra a publicar por Jacinto Bon de Souza Moniz de Bettencourt.