Ensaio
sobre a origem dos Almeida
Na
origem documental da linhagem dos Almeida está Fernão Canelas, nascido
cerca de 1160/80 e falecido antes de 1248, sendo certo que seu filho
João Fernandes já tinha falecido em 1258. Fernão Canelas tomou este
nome por ter comprado o lugar de Canelas, em Quintela de Zurara (Azurara
da Beira, hoje Mangualde), onde fundou uma vila e cavalaria. Esta compra
foi feita no reinado de Dom Sancho I (1154-1211).
«Martinus
Martini clerigus sancti Juliani juratus et interrogatus dixit quod villa
de Canelas est Caballaria Regis foraria per usum et forum de zurara
et Fernandus Canelas habuit eam de compra de tempore domini Regis Sancii
avi istius Regis» - Inquirições de 1258.
Fernão
Canelas comprou também a vila e cavalaria do Pinheiro, igualmente situada
em Quintela de Zurara e também durante o reinado de D. Sancho I.
«Fernandus
Canellas compravit tempore domni Regis Sancii avi istius Regis villam
de pineiro forariam Regis de Caballaria de hoste et anuduva voce et
calumpnia et collecta et de maiordomo et modo filli de Johane Fernandi
de Almeida habent ipsam hereditatem et dant de ea collectan et addit
quod domnus Petrus Portugal qui tenebat terram de domno Rege Alfonso
pater istius Regis filiavit ipsam villam de pineiro Fernando Canelas
pro sua foreira Regis. Et Fernando Canelas didit ei fideius sorem pro
ad judicium Regis super hereditate ipsa et fuerunt ad Regem super pacto
ipsius hereditatis et addit quod comparavit. Fernandus Canelas ipsam
hereditatem de Pedro boõ et de Martino Pedtri de san Cosmadi et de aliis»
- Inquirições de 1258.
Fernão
Canelas possuiu bens nos lugares vizinhos de Matela e Misuela. Nas inquirições
fica claro que Fernão Canelas não era de Zurara e aí obteve bens por
compra.
«Interrogatus
si antea Fernandus Canelas habebat in Zurara aliquid de património vel
de avolenga dixit non.
Martinus abbas dixit similer et addit quod Canelas fuit de hominibus
villanis forariis Regis» -
Inquirições de 1258.
Todos
estes bens foram devassados em 1258 e fica claro que Fernão Canelas,
ao contrário do que pressupõe a ascendência que depois Frei Bernardo
de Brito lhe inventou, não era fidalgo mas antes um rico cavaleiro-vilão
melhorado. Como refere Braamcamp, citando o «Elucidário», «os
moradores do julgado de Azurara da Beira eram, desde antigos tempos,
muito pródigos em conceder as horas de cavaleiros, fazendo-os primeiro
seus vizinhos pela concessão do mais insignificante bem de raiz, até
uma árvore». Fernão Canelas estaria neste número. E, tendo
em conta algumas informações genealógicas, pode aventar-se que seu nome,
antes de usar Canelas, era Fernão Martins.
Mas
verifica-se que, se Fernão Canelas nunca é referido como fidalgo, já
seu filho herdeiro o é. Por outro lado, este seu filho, João Fernandes,
o 1º a ter o chamadouro de Almeida, possuía a quinta e honra de Almeida,
donde tirou o nome.
«Lourenco
domingues de Cães jurado e perguntado se em esta fregusia ha casa de
cavalleiro ou de dona que se defenda per onra disse que ha hi uma quintã
que chamam almeida que foi de João Fernandes e ora é de seus filhos
e disse que a viou onrrada e disse que onrra toda a aldeia que é herdamento
destes filhos dalgo que não entra hi o mordomo delrei por peitas voz
e coomba mais cheguaas o Juiz a direito e não entra hi mordomo delRey
e tragem no per onrra» - Inquirições de 1288 em S. Julião de Azurara.
No
reinado de D. Sancho II (1209-1248), este João Fernandes fundou a vila
de Almeida (hoje Almeidinha, em Mangualde) numas terras foreiras que
comprou. Já tinha falecido em 1258, quando a dita vila pertencia a seus
filhos (que seriam ainda novos) e ao segundo marido (Martim Lourenço)
de sua mulher, que infelizmente se não nomeia.
«Item
Joahannes Dominici de Cuia alta juratus et interrogatus dixit quod Johannes
Fernandi dictus Almeyda compravit e ganavit de hereditatibus forariis
Regis de termino de Zurara scilicet forarie de Caballaria et hoste et
anuduva et collecta voce et calumpnia (...) et Johannes Fernandi
fecit unam aldeyam que vocatur Almeyda in medio de istis villis (...)
forariis Regis sicut scriptum est supra et in istis hereditatibus
quas compravit et ganavit forarias Regis. Et modo Martinus Laurencii
maritus de muliere que fuit de Johanne fernandi et filli de Johanne
Fernandi ipsam villam dalmeyda et nullum forum facit Regi de ea. Interrogato
si Joahannes Fernandi habebat antea in apsis locis aliquam hereditatem
de padre vel de avo sive ex parte uxoris sue dixit non. Interrogato
de tempore quod Johannis fernandi vel ganavit illas hereditates in quibus
fecit ipsam villam dixit quod tempore Regis Sancii frater istus Regis».
Inquirições de 1258.
Temos,
portanto, que João Fernandes de Almeida tinha a quintã honrada de Almeida,
que assim permanecia com seus filhos, concluindo as inquirições de 1288
pela sua legitimidade, mandando que se guardasse como tal. E que, numas
propriedades foreiras que comprou, João Fernandes de Almeida fundou
a vila ou aldeia a que deu o nome de Almeida, e que honrou, sendo devassada
em 1258. Ora, também nas inquirições de 1258 se verifica que a honra
de Almeida fora do cavaleiro João Soares, a quem sucedera João Fernandes.
Ou seja: João Fernandes herdou a honra de Almeida de João Soares, que
se manteve como tal, e fundou num lugar próximo, que comprou, a vila
de Almeida, que honrou mas foi devassada. E verifica-se também que seu
filho Estêvão Anes tinha, antes de 1258, um quarto da cavalaria de Freixeosa
Alta, também em Zurara, que Soeiro Mendes havia comprado no reinado
de D. Sancho II.
«Joannes
dominici de Cuia Alta (...) dixit quod Marina Gonçalvi filia
de Gonsalvino de Cazuraes venditit Suerio Menendis scutario unam quartam
de Caballaria foraria Regis per usum de zurara in Freixeosa Alta et
modo Stephanus Johannis miles filus de Joanne Fenandi de Almeida habet
ipsam quartam de ipsa Caballaria en modo nullum forum facit Regi nisi
quod dat in collecta tantum. Interrogato de tempore quod Suerius Menendi
compravit istam hereditatem dixit tempore Regis Sancii fratis istus
Regis» - Inquirições de 1258.
Quem
eram aqueles João Soares e Soeiro Mendes? Antes de tentar responder,
convém dizer que em Zurara tinha Lourenço Soares Freire a quintã de
S. Cosmado, comprada a foreiros «per forum de Zurara», e por
si honrada, que nas inquirições de 1288 era de seus filhos, e pela dita
razão foi devassada por sentença de 1290. E que a 21.7.1274 D.
Afonso III arrendou os foros e direitos da terra de Zurara a Lourenço
Soares Freire (Laurencio Suerii Freyre). E que outro fidalgo,
Soeiro «Amarelo», fez usurpações em Quintela de Zurara, tratando-se
talvez do referido Soeiro Mendes.
Lourenço
Soares Freire está bem documentado. Era irmão de Mem Soares de Mello.
E Soeiro Mendes era filho natural deste Mem Soares de Mello. Como Soeiro
Mendes ainda vivia, velho, em 1308, a passagem do quarto da cavalaria
de Freixeosa Alta, que comprou antes de 1248, para Estêvão Anes de Almeida,
antes de 1258, não foi por sua morte mas certamente por tornas ou trocas
da herança comum com Estêvão Anes.
Esta
ligação dos Mello a Zurara e aos Almeida faz supor que aquele João Soares
é um irmão de Mem Soares de Mello e de Lourenço Soares Freire, embora
não seja apontado pelas genealogias. Este João Soares terá assim falecido
sem geração, deixando a quintã de Almeida a seu sobrinho João Fernandes.
Pelo que Fernão Canelas terá casado com uma sua irmã, igualmente esquecida
das genealogias. Portanto, uma irmã de Mem Soares de Mello. Se bem que,
dado conjunto de circunstâncias, seja de supor que João Soares e sua
irmã fossem só meios irmãos de Mem Soares de Mello, portanto filhos
naturais de Soeiro Raimundes de Riba de Vizela, que por sua vez era
também filho natural de Raimundo Paes de Riba de Vizela.
Esta
proposta tem, por outro lado, um fortíssimo suporte na Heráldica. Com
efeito, as armas adoptadas pelos Almeida são rigorosamente as armas
dos Mello, apenas com a diferença de os besantes nestes serem de prata
e naqueles de ouro. Tudo isto parece indicar, sem margem para grandes
dúvidas, que o rico cavaleiro-vilão melhorado Fernão Canelas casou com
uma irmã de Mem Soares de Mello, de quem o filho herdou as armas, com
diferença, e a fidalguia.

Escudos
de armas dos Mello (à esquerda) e dos Almeida (à direita).
A única diferença
é o metal dos besantes.
Esquema genealógico
1.
Soeiro Raimundes de Riba de Vizela, rico-homem, alferes-mor do reino
(1211), governador de Aguiar de Pena (1200), nascido cerca 1170 e falecido
depois de 1220. Era filho natural de Raimundo Paes de Riba de Vizela,
rico-homem, governador da Covilhã (1196-99), Gouveia (1201-11) e Besteiros
(12211-12). Soeiro
Raimundes casou com D. Urraca Veegas
Barroso, filha de Egas Gomes Barroso, o 1º deste nome, e de sua
mulher Urraca Vasques de Ambia, e neta paterna de Gomes Mendes Guedeão
e sua mulher D. Chamoa Mendes de Souza. Soeiro Raimundes teve, segundo
proponho, pelo menos dois filhos naturais antes do casamento.
1.1.
Mem
Soares de Mello, rico-homem do Conselho (1248) de D. Afonso III,
a quem acompanhou na conquista do Algarve e em cuja Cúria aparece às
vezes com o título de privatus regis, Foi governador de Gouveia
(1258) e de Leiria (1254). Foi o 1º deste nome, que tirou da sua quintã,
honra e vila de Mello, nos termos de Gouveia e Folgosinho, que na partilha
que em 1304 fizeram seus netos se documenta que tinha 14 casais e anexava
vários bens em Folgosinho, Gouveia e Vila Cortez (Linhares), a quintã
de Vitorino de Piães e os casais de Aborim e Cossourado, e ainda vários
bens em Ponte de Lima e Barcelos. D. Mem Soares não terá
ter sido o fundador da honra de Melo, sendo certo que não o foi
da vila. Com efeito, nas Inquirições de D. Dinis, como
já salienta Braamcamp, diz-se que D. Mem Soares trazia toda a
vila por honra, que tinha sido povoada por D. Gonçalo de Souza
no tempo do rei D. Afonso II. Só podia ser, portanto, o conde
D. Gonçalo Mendes de Souza II, e não seu avô homónimo.
Com a morte dos filhos do conde D. Gonçalo sem geração,
é possível que D. Mem Soares tenha concorrido à
herança, pois era primo de D.Gonçalo dentro do 3º
grau, ou então obteve-a por compra ou troca com os herdeiros,
o que parece menos provável dado que nas inquirições
não se refere compra, o que é habitual, quando é
o caso, sendo certo que D. Mem Soares, que normalmente só aparece
assim, já se documenta como «de Mello» (de merloo)
pelo menos em 1261. Pelas inquirições de 1258, de 1288/90
e de 1307, bem como pelo censual do Cabido da Sé do Porto e o
tombo do mosteiro de Arouca e outras fontes. sabe-se que D. Mem Soares
tinha ainda seis casais em Nabaínhos (Gouveia) emprazados à
Ordem do Hospital, 14 casais em Nabais (ib) emprazados à Sé
de Coimbra e dois casais foreiros comprados, um herdade em Casal (Lobão
da Beira) que fora de D. Paio Correa, a aldeia de Sedarça, que
fora de D. Guilherme Raimundo, seis cais em Teixoso, comprados por seu
pai, uma quintã e outros bens na Aldeia dos Cinco, várias
herdades em Castro Verde (Seia), que comprou e onde fez vila, seis casais
em Casal do Mato (Stª Marinha de Seia), que trocou com o mosteiro
de Moreira por outros tanto que tinha em Paço de Sousa, as aldeias
de Carvalhal Redondo (Santar) e do Sabugueiro e uma herdade em Cabra,
no seu termo, a honra do Ameal, no julgado de Sortelha, três casais
em Arcozelo, que comprara, um casal em Paços (Seia) que comprara,
uma herdade em Travancela (S. Miguel de Vila Boa), que comprara, a quintã
de Vila Verde (S. Martinho de Sardoeiro), que sua viúva doou
parte, por escritura feita em Gouveia em 1286, a sua filha D. Sancha
Mendes, monja em Arouca, e o restante ao mosteiro, a 12.5.1287, o padroado
de S. Jorge do Selho (Guimarães), com seus irmãos, dois
casais em Barroca (Fermentões, Guimarães), bens em Foz
do Sousa e Gondomar, onde nomeadamente tinha, com outros familiares,
o padroado da igreja de Stª Mª de Campanhã, que também
doou à Sé do Porto em 1248 (seu irmão Pedro Soares
de Alvim doara a sua parte em 1247), o padroado da igreja de Stª
Cruz da Riba de Leça (Maia) que com seu irmão Lourenço
Soares Freire doou à Sé do Porto em 1241, oito casais
no Coxo (Felgueiras), sete casais em Revinhade (ib) com o padroado na
matriz e uma quintã honrada, em conjunto com os irmãos,
e três casais em Unhão. Mem
Soares nasceu cerca 1195 e faleceu antes de 1288 e depois de 1262. Em
Junho de 1243 recebeu com sua mulher do concelho de Gouveia uma herdade
que confrontava com os concelhos de Seia, Manteigas, Covilhã
e Folgosinho. Casou antes de Junho de 1243 com D.Tereza Afonso Gato,
que sendo já viúva sucedeu na quintã de Mello em 1288 e em 1294 instituiu
a capela de Santa Catarina no mosteiro de Maceira Dão. Em Agosto de
1261, ainda casada, vendeu ao rei a herança que tinha em Beja. Era filha
de Afonso Pires Gato, governador da Guarda, e de sua mulher D. Urraca
Fernandes de Lumiares. Mem Soares de Mello teve pelo menos um filho
natural, certamente nascido antes do casamento com D. Tereza.
1.1.1. (N)
Soeiro Mendes, cavaleiro, nascido cerca de 1220 e falecido depois
de 1308. Já é referido nas inquirições de 1258. sendo então referido
como escudeiro («scutario»), por ter comprado antes de 1248 um
quarto de uma cavalaria em Freixiosa Alta (Mangualde). É referido como
cavaleiro em 1288, quando testemunha uma doação ao mosteiro de S. Domingos
de Lisboa, e ainda vivia em 1308, em Rio Torto, termo de Gouveia, quando
autorizou seus filhos a venderem ao Cabido de Viseu os bens que tinham
recebido da parte de João Peres e D. Tereza de Órgens, seu avós (maternos),
sendo aqui referido como cavaleiro de Mello. Casou, portanto, com uma
filha destes.
1.1.1.1.
Mem
Soares, cavaleiro, que possuía a quintã de Órgens (Viseu) com sua
irmã Maria. Em 1310 estava em Gouveia, onde testemunhou as partilhas
de Martim Fernandes de Cambra com as irmãs.
1.1.1.2.
Lourenço
Soares, cavaleiro, que a 1.6.1308 fez doação ao Cabido de Viseu
de todos os bens que herdou de seus avós João Pires e D. Tereza, moradores
que foram em Órgens.
1.1.1.3.
Maria
Soares, que com seu irmão de Mem Soares, cavaleiro, possuía a quintã
de Órgens, tendo seu marido Aires Gonçalves vendido a terça da mulher
ao cónego Durão Martins da Matta. Casou com Aires Gonçalves «cavaleiro
de Moreira», que com sua mulher fez a 6.8.1308 a doação ao Cabido
de Viseu de umas propriedades em Silvarinho para este lhes fazer quatro
comemorações anuais quando morressem.
1.1.1.4.
?Pedro
Soares, cuja viúva, Dona Urraca, filha de D. João Ermiges,
doou vários bens ao Cabido de Viseu a 22.3.1306.
1.1.2.
Afonso
Mendes de Mello, rico-homem, senhor da honra de Mello, etc. Em 1261,
sendo então referido como cavaleiro, testemunhou a concessão real da
carta de couto a Portel. Nasceu cerca de 1235 e faleceu antes de 1304.
Casou com D. Inez Vasques da Cunha, filha de Vasco Lourenço da
Cunha, senhor de Tábua, e de sua mulher D. Tereza Peres, filha de D.
Pedro Portugal, que nomeadamente foi governador de Zurara. Esta D. Tereza
Peres ainda vivia viúva em 1291, data de uma sentença de D. Dinis contra
ela e seu filho Martim Vasques da Cunha na contenda com o mosteiro de
Stª Cruz de Coimbra sobre um casal em Mortágua.
1.1.2.1.
Martim
Afonso de Mello, rico-homem, senhor de juro e herdade de Gouveia.
Em 1277, como cavaleiro, participou no conflito entre os Tavares e os
Cambra, travado em Fornos de Algodres. Em 1304 fez partilhas com seu
irmão Lopo, tendo ficado com os bens da Guarda (nomeadamente a quintã
de Gouveia, a vila de Seixo, Teixoso e Ribeira de Teixoso, e o Vale
de Soeiro Raimundes, este seguramente o seu bisavô), de Tábua e de Coimbra,
e um grande núcleo patrimonial no Douro, nomeadamente a quinta de Saimes,
em Espadanedo (que a 28.5.1305 vendeu por 1.100 libras à abadessa de
Tarouquela), e bens em Vila Marim, Mesão Frio, Sedielos, Matos, Várzea,
Paços (Marco de Canavezes) e Ribadouro. Casou a 1ª vez com D. Inez
Peres de Arganil , com quem em 1306 fez doações em Sedielos ao mosteiro
de Salzedas. Casou a 2ª vez com D. Marinha Vasques, falecida
depois de 1335, filha de Estêvão Soares de Albergaria, o 1º deste nome,
alcaide-mor de Lisboa e 7º morgado da Albergaria de S. Mateus. Deste
2º matrimónio foi filho sucessor outro Martim Afonso de Mello, que após
várias contendas com o mosteiro de Stª Clara de Coimbra, então na posse
da honra e quintã de Mello, obteve de D. Fernando o senhorio de Mello,
com sua hora e quintã (12.4.1363), com geração nos senhores de Mello.
1.1.2.2.
Pedro
Portugal, que usou o nome de seu bisavô materno. Segundo o LL, «este
Pero Portogal mataram-no per justiça, e nom houve semel».
1.1.2.3.
Lopo
Afonso de Mello, cavaleiro, que em 1304 fez partilhas com seu irmão
Martim Afonso, sucedendo nomeadamente na honra de Mello. Faleceu antes
de 16.4.1326. Fez testamento em Mello a 8.5.1325, no qual nomeia testamenteira
e herdeira sua única filha, D. Tereza Afonso de Mello, freira em Stª
Clara de Coimbra e abadessa de Stª Clara de Benavente de Campos. Casou
antes de 1310 com D. Guiomar Gil de Chacim.
1.1.3.
Rui
Mendes de Mello, «o Beiçana», que casou com D. Mor Martins
do Vinhal, que depois de viúva teve um filho de Gonçalo Anes Corrêa,
com quem parece depois casou, sendo esse filho, também chamado Gonçalo
Anes Corrêa, sido legitimado por carta real de 5.3.1298.
1.1.3.1.
D.
Leonor Rodrigues de Mello, falecida depois de 1329, data em que
nomeou procurador para tratar dos bens que ficaram por morte do marido.
Casou com Martim Gonçalves Redondo, falecido antes de 1329, senhor
de Sequeira e meirinho-mor da Beira (1319). Tiveram três filhas, duas
com geração nos Silva.
1.1.3.2.
D.
Maria Rodrigues de Mello, freira em Stª Clara de Coimbra. Em 1343
acompanhou sua prima D. Tereza Afonso de Mello ao mosteiro de Stª Clara
de Benavente de Campos.
1.1.4.
D.
Maria Mendes de Mello, que casou com Paio Pires Corrêa, «o
Alvarazento», cavaleiro que esteve com seus irmãos na conquista
de Sevilha em 1248. Com geração conhecida.
1.1.5.
D.
Sancha Mendes de Mello, freira em Arouca, que em 1286 recebeu de
sua mãe a quintã de Vila Verde, em Castelo de Paiva.
1.2.
Pedro
Soares de Alvim, cavaleiro, o 1º deste nome por ser senhor da honra
de Alvim. Em 1259 doou à Sé do Porto o seu direito de padroado da igreja
de Stª Mª de Campanhã. Faleceu antes de 1284. Casou com Maria Esteves
Malhoo, já sua viúva nas inquirições de 1284. Antes de casar teve
um filho natural. A 6.5.1272 D. Afonso III legitimou João de Lobeira
(Johannem Lupariam), filha natural de Pedro Soares de Alvim,
cavaleiro fidalgo (Petrus Suerii miles dictus Alvym), e a pedido
deste.
1.2.1. (L)
João de Lobeira, cavaleiro, filho natural legitimado a pedido
de seu pai por carta real de 6.5.1272. O nome Lobeira provavelmente
veio-lhe da mãe, que se desconhece. Em 1257 foi beneficiado no testamento
do bispo de Lisboa Dom Aires Vasques. Foi trovador e amo de Martim Afonso
«o Chichorro», filho bastardo de Dom Afonso III. Ainda vivia
em 1299 e deve ter falecido no ano seguinte. Casou, não se sabe com
quem, e teve filhos que seguiram o nome Lobeira.
1.2.2.
Martim
Pires de Alvim, cavaleiro e trovador, alcaide-mor de Coimbra (1322-24).
Fez testamento em 1327 e faleceu cerca de 1334. Casou a 1ª vez com Margarida
Pires Ribeiro, falecida depois de 1317, data do seu testamento,
onde incumbe o marido de fazer uma capela no mosteiro de Grijó, onde
quer ser sepultada. A trasladação do corpo de Margarida Pires Ribeiro
para essa capela fez-se a 3.4.1334. Com geração. Casou a 2ª vez depois
de 1330 com Margarida Mendes Petite, sem geração
1.2.3.
Aires
Pires de Alvim, a quem seu irmão Martim deixou em testamento os
bens que tinha na vila e termo de Gouveia, com a condição de, se morrer
sem filhos, os doar por alma de Afonso Corrêa.
1.2.4.
Soeiro
Pires de Alvim, que como Frei Soeiro Alvim testemunha um acordo
em 1301 entre os filhos de João de Lobeira.
1.3.
Lourenço
Soares Freire, documentado em 1241 quando, com seu irmão Mem Soares,
doou à Sé do Porto o direito que tinha no padroado da igreja de Stª
Cruz de Riba Leça. A 21.7.1274 D. Afonso III arrendou a «Lourencio
Sueri Freyre», por 600 libras, os foros e direitos da terra de Zurara
(hoje Mangualde). Como vimos, nas inquirições de 1288 já tinha falecido
e é referido por ter comprado uma herdade em S. Cosmado (Mangualde),
e outra em S. Cosme (Gondomar). Casou com Maria Rodrigues Fafes.
1.3.1.
Rui
Lourenço Freire, que morreu sem geração, segundo o LL, depois de
1290.
1.3.2.
Pedro
Lourenço Freire, que casou com «uma vilã no Crato» (LL).
1.3.3.
D.
Guiomar Lourenço Freire, de que seu marido foi procurador a 19.4.1288
para trocar com o mosteiro de Vairão um casal em Vilar da Luz (Maia)
por bens em Coimbra. Foi a 2ª mulher de João Anes Redondo, cavaleiro
do Conselho de D. Dinis e seu embaixador, falecido antes de 1299. Com
geração conhecida.
1.3.4.
Constança Lourenço Freire, que casou com João Martins, «o
Trovador».
1.4.
D.
Gontinha Soares,
que foi
a 1ª mulher de João Pires Redondo, cavaleiro que em 1248 esteve
na conquista de Sevilha e foi governador de Neiva e Refojos de Riba
de Ave, falecido antes de 5.1.1272, data em que sua 2ª mulher faz partilha
com os filhos. Tiveram várias filhas, casadas com geração conhecida.
1.5.
D.
Tereza Soares,
que casou antes de 1244 com Geraldo Afonso de Resende, cavaleiro,
que nesse ano doou à Sé do Porto o direito que tinha no padroado da
igreja de Stª Cruz de Riba Leça, que certamente lhe vinha pela mulher,
uma vez que os seus dois cunhados fazem a mesma doação. Ainda vivia
em 1289 quando testemunha uma doação em Lisboa. Mas já teria falecido
a 28.12.1290, quando seu irmão faz partilhas de bens em Resende sem
lhe fazer referência. Era filho de Afonso Rodrigues de Baião e de sua
mulher Mor Pires Portugal. Com geração conhecida, que nomeadamente refiro
em «Os Furtados de Mendonça portugueses. Ensaio sobre a sua verdadeira
origem», Porto 2004.
1.6. ?(N)
João Soares, senhor da honra de Almeida, em S. Julião de Zurara
(Azurara, hoje Mangualde) Nas inquirições de 1258 diz-se que já tinha
falecido, sendo então a dita honra de João Fernandes de Almeida.
1.7. ?(N)
(Maria) Soares, nascida cerca de 1192, portanto certamente antes
do casamento do pai. Casou com Fernão Canelas, que comprou Canelas,
donde tirou o nome, e a vila do Pinheiro, tudo em Quintela de Zurara,
como ficou dito.
1.7.1.
Maria Fernandes de Canelas,
que o LV diz apenas filha de Fernão Martins de Almeida, mas é evidente
que é erro por Fernão Canelas. Casou com Martim Soares da Maia,
«o de Canelas», filho bastardo do alferes-mor do reino Pedro
Paes da Maia.
1.7.1.1.
Maria Martins de Canelas,
que casou com Fernão Martins Leitão, filho de Martim Pires «Leitão»,
o 1º deste nome, e de sua mulher D. Tereza Rodrigues de Urrô.
1.7.1.2.
Durão Martins de Canelas,
cavaleiro, que em 1293 testemunha um acordo celebrado entre o Cabido
de Coimbra e os irmãos Pedro e Rodrigo Afonso Ribeiro. Em 1304, referido
como cavaleiro da Maia, testemunha um acordo entre o mosteiro de Arouca
e Vasco Martins e sua mulher D. Maria Martins de Baguim.
1.7.1.3.
Rui Martins de Canelas,
«miles», que em 1280 doou ao mosteiro de Pendorada dois casais
em Recarei (Penafiel), com sua mulher D. Maria Martins do Porto.
Quanto casou, o sogro, D. Mateus do Porto, ofereceu-lhe dois casais
em Cornes, que a partir de então ele honrou, conforme se documenta nas
inquirições de 1288 e na sentença de 1290.
1.7.1.3.1.
Martim Rodrigues de Canelas,
cavaleiro de Canelas, que em 1314 testemunhou as partilhas feitas pelos
herdeiros de Fernão Branco, cavaleiro da Terra de Santa Maria. Em 1322
estava casado com Margarida Mendes, com quem doou ao mosteiro
de Paço de Souza a quintã de Canelas e um casal, com a condição de receberam
em suas vidas e em vida de sua filha 50 maravedis por ano. Deste
casamento teve uma filha, Branca Martins de Canelas, que casou com Gonçalo
Pires de Lobão. Martim Rodrigues casou 2ª vez depois de 1322 com Domingas
Anes, de quem teve Inez Martins de Canelas, contra que o rei deu
sentença em Dezembro de 1347, mandando que o mosteiro de Paço de Sousa
mantivesse a quinta de Canelas, que tinha sido usurpada «pela força
de armas» por Inez Martins, donzela, e por Fernão Garcia, escudeiro.
1.7.2.
João Fernandes de Almeida,
«miles», o 1º deste nome, nascido cerca 1210 e já falecido em
1258. Nas inquirições de 1258 diz-se que teve aí a quinta do Pinheiro
por herança de seu pai e que fundara a vila de Almeida (depois chamada
Almeidinha), sendo filho de Fernão Canelas. Adquiriu várias propriedades
junto ao castelo de Zurara. Casou com uma senhora que em 1258 estava
casada 2ª vez com Martim Lourenço, como se documenta nas inquirições
desse ano, que contudo não a nomeiam.
1.7.2.1.
Estêvão Anes de Almeida, «miles», nascido cerca de
1240 e falecido depois de 1288. Com seus irmãos é referido nas inquirições
de 1258 e 1288 como filho do cavaleiro João Fernandes de Almeida, que
fundou a vila de Almeida, que então era destes filhos. Aforou os bens
que a igreja de S. João de Zurara tinha em Quintela. Teve de Soeiro
Mendes, como ficou dito, um quarto de uma cavalaria em Freixeosa Alta,
antes de 1258.
1.7.2.2.
Fernando Anes de Almeida, um dos irmãos de Estêvão Anes que
são referidos nas inquirições de 1288 como filhos de João Fernandes
de Almeida, então já falecido. Genealogias tardias dizem que foi alcaide-mor
de Avô e esteve com D. Afonso IV na batalha do Salado (1340),
o que parece muito tardio, pois terá nascido o mais tardar em 1250.
Não se sabe com quem casou, embora as mesmas genealogias falem de uma
Leonor Gonçalves, sua mulher ou apenas mãe de seus filhos.
1.7.2.2.1.
Fernando Fernandes de Almeida,
nascido cerca de 1280, que provavelmente foi alcaide-mor de Castelo
Mendo e certamente cavaleiro. As genealogias chamam-lhe Fernão Fernandes
de Almeida, mas poderia ser Anes (como o irmão). Casou cerca de 1309
com D. Guiomar Martins Zote, irmã, entre outros, de Martim Martins
Zote, cavaleiro documentado em 1311, que depois se ordenou e foi deão
da Sé de Braga (1342), todos filhos de outro Martim Martins Zote, documentado
até 1311, e de sua mulher D. Alda Gomes da Cunha. Com geração nos Almeida,
que desenvolvo em «Ascendências Visienses», volume 1, pág. 300
e seguintes.
1.7.2.2.2.
Lourenço Anes, cavaleiro de Almeida, que
a 22.1.1322, com sua mulher Margarida Lourenço, trocou com o
Cabido de Viseu todos os seus bens no lugar de Figueira de Castelo Mendo
pelos bens que o Cabido possuía em Vila Garcia, termo de Penalva, depois
de a 20.6.1321 ter aí comprado uma fazenda.
2004